sexta-feira, 25 de maio de 2007

O sapateiro não vá além do chinelo

Impertinente e descabida a manifestação do Presidente da Petrobrás (assim mesmo com acento) quando questionado sobre a implantação da siderúrgica em nosso estado discordou da decisão do governo estadual de conceder incentivos vultosos para a concretização do empreendimento lançando dúvida sobre a legitimidade da medida. Não cabe a ele fazer essa crítica, mas aos cearenses fazerem suas opções representados pelas instituições e os agentes políticos aos quais o assunto está afeto.

Para isso foram eleitos e em nome do povo governam respondendo politicamente perante a sociedade pelo que fizerem. Para afastar o risco de interrupção do incentivo no futuro, a Assembléia Legislativa aprovou lei de iniciativa do Governador de então assegurando especificamente o atrativo fiscal suficiente para viabilizar a usina, oferecendo inclusive garantias suficientes para evitar prejuízo à Petrobrás.

Posso afirmar que o negócio com o Ceará tem risco muito menor do que o investimento feito na Bolívia, que deu no que já vimos...

quinta-feira, 24 de maio de 2007

A liberdade de quem migra




Excelente o artigo de CONTARDO CALLIGARIS, publicado hoje na Folha de S. Paulo sobre as crianças apátridas.
Psicanalista, doutor em psicologia clínica e colunista da Folha de S. Paulo, Calligaris, que é italiano, vive e clinica entre Nova York e São Paulo. Leitura obrigatória semanalmente na Folha.



Para os migrantes, cada um é responsável não só pelos conterrâneos mas por todos, mundo afora

AO NASCER, a gente pertence a uma nação por um destes dois princípios jurídicos:1) pelo direito de sangue, sou francês ou alemão porque nas minhas veias corre sangue francês ou alemão, ou seja, tenho a nacionalidade de meus ascendentes; 2) pelo direito de solo, sou brasileiro ou norte-americano porque nasci no Brasil ou nos EUA, seja qual for a nacionalidade de meus pais -aliás, mesmo que minha mãe estivesse apenas passando por lá, por acaso, no dia do parto. O direito de solo é típico das nações americanas, cuja origem é, em grande parte, migratória: nas colônias, era urgente que os descendentes dos imigrantes transformassem a terra (com a qual seus pais tinham sonhado) num país.

O direito de sangue é típico das nações européias, que atribuem sua unidade à história e à tradição cultural. Presume-se, portanto, que, para fazer de mim um francês, um italiano etc., o legado de meus ascendentes seja mais importante do que o endereço em que nasci. A grande maioria das nações americanas, sobretudo uma vez consolidadas, adotaram uma mistura dos dois princípios. Por exemplo, qualquer um que nasça nos EUA é cidadão dos mesmos, mas isso é também o caso dos filhos de americanos nascidos no exterior. Sobrou um resto da primazia originária do direito de solo: só pode ser presidente quem viu a luz no território nacional.

Pois bem, uma reportagem de Vinícius Queiroz Galvão, na Folha de domingo, revelou que uma emenda constitucional de 1994 criou uma situação bizarra: toda criança nascida de pais brasileiros no exterior está no limbo, pois sua nacionalidade brasileira é condicional. A criança será brasileira só se, um dia, residir no Brasil e optar pela nacionalidade brasileira perante um juiz federal (processo que, em São Paulo, leva sete anos). Difícil saber se a dita emenda foi votada por imperícia ou por espírito de galinheiro. Seja como for, a brincadeira afeta 200 mil filhos de brasileiros no estrangeiro; os (numerosos) assessores de deputados e senadores poderiam ter previsto esse efeito da emenda e também considerado seu custo psicológico. Um caso.

Imagine um casal de emigrantes brasileiros "não-documentados" nos EUA; um dia, eles têm um filho que é, pelo direito de solo, norte-americano. O menino fala inglês perfeitamente (como o nativo que é). É ele que acaba introduzindo os pais à nova cultura, numa estranha inversão, como se eles fossem as crianças. Além disso, o menino é o porta-voz de uma nação à qual os pais querem se integrar, mas para a qual são ilegais. Nessa situação, para que os pais mantenham alguma autoridade simbólica sobre o filho, é preciso que a cultura brasileira de origem continue sendo um valor para os três (pais e filho), pois é enquanto brasileiro que o menino poderá ser filho (e não, paradoxalmente, pai) de seus genitores.

Ora, com a emenda de 1994, os pais sequer podem transmitir ao filho sua nacionalidade. Uma consolação: talvez a patologia das migrações seja um resto do passado (um resto que persiste); talvez a verdadeira patologia seja hoje a sobrevivência das identidades nacionais. Conheci, pouco tempo atrás e graças a um leitor, a obra de Vilém Flusser, morto em 1991, filósofo e ensaísta, judeu e tcheco, que fugiu de Praga em 1939, viveu no Brasil de 1940 a 1972 e foi, enfim, para Alemanha e França. Flusser escreveu uma interessante "Fenomenologia do Brasileiro" (ed. UERJ).

Para conhecê-lo, recomendo "Bodenlos - Uma Autobiografia Filosófica" (Annablume 2007) e uma dissertação de mestrado na ECA, de Ricardo Mendes (www.fotoplus.com/flusser). Em "The Freedom of the Migrant -0Objections to Nationalism" (a liberdade de quem migra - objeções ao nacionalismo, University of Illinois, 2003), Flusser faz do migrante, do apátrida, o emblema da modernidade. O migrante é aquele que não precisa mais da casa que perdeu; sua morada não é um país nem uma cultura: ele está em casa no exílio, pois é no exílio que aparece a universalidade da inquietação moral moderna. O internacionalismo proletário marxista, assim como a globalização capitalista, talvez seja apenas epifenômeno fracassado do universalismo cristão que fundou a cultura moderna: somos indivíduos, sem morada fixa, e por isso mesmo cada um de nós é responsável não apenas por seus conterrâneos mas por todos, mundo afora.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

O Ceará e os casos de sequestro



Interessante a entrevista publicada com Roberto Costa, especialista em segurança empresarial, na Autêntica Vida Magazine - que se intitula a primeira revista eletrônica da cidade.

Questionado sobre os casos de sequestros no Brasil e no Ceará, ele afirma que em todo o País o número de casos solucionados gira em torno de 42%; no Ceará, ano passado, os casos solucionados chegaram a quase 90% e este ano a 100%. E finaliza: "nem a Colômbia nem o México chegaram a este sucesso nos casos".

Palavras de Roberto Costa: " O Ceará é um case para todos que trabalham com segurança do país."

Leia a matéria na íntegra

A publicidade e as bebidas alcóolicas

O Governo Federal anuncia medidas mais duras para disciplinar a propaganda e o consumo de bebidas alcoólicas. Uma das medidas é a inclusão de bebidas de baixo teor alcoólico (cerveja,"ices") no grupo das mais fortes. Vai ser restringido o horário para propaganda na televisão, proibida venda em estabelecimentos à margem das rodovias federais.

Já era tempo do governo agir. O consumo indiscriminado e precoce do álcool, a partir de bebidas leves como a cerveja, contribui para o aumento da violência e gera despesas enormes e evitáveis na área da saúde. A idéia de restringir a venda de álcool em bares e restaurantes a partir de determinada hora não pode ser descartada.

A medida tem que vir acompanhada de outras providências, ser discutida previamente com a comunidade e adotada por zonas da cidade de acordo com a incidência do crime. Seria interessante examinar experiências de outras cidades. De qualquer forma, é importante salientar que a decisão do Governo se dá num espaço adequado de atuação do estado. Afinal o mercado não pode ser senhor absoluto.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Pátria Brasil

Reportagem do jornal Folha de S. Paulo, publicada domingo (20), mostrou bem a realidade dos brasileirinhos apátridas (quem não tem acesso à Folha on line pode ler o texto completo no post abaixo). Cerca de 200 mil crianças em todo o mundo são hoje apátridas de ascendência brasileira, segundo a matéria.

A discussão deste assunto já dura sete anos e surgiu a partir de uma Proposta de Emenda Constitucional apresentada por mim, quando senador - a PEC 272, com o objetivo de conceder cidadania brasileira a crianças, filhas de pais brasileiros, nascidas fora do País.

É incompreensível como um assunto desses, que creio ser pacífico, pois foi aprovado no Senado rapidamente por unanimidade, tenha demorado tanto tempo para receber uma análise definitiva da Câmara. Foi graças ao empenho sobretudo do deputado Leo Alcântara, mas também do senador Eduardo Suplicy - que o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, constituiu uma comissão especial que visa alterar a Constitutição Federal, modificada naquela tentativa de revisão, que só alterou dois artigos praticamente da revisão – um foi reduzir o mandato do presidente para quatro anos e o outro foi esse, que não permite mais a criança nascida no exterior de pais brasileiros ser registrada como brasileira no consulado do Brasil.

Isso é um verdadeiro absurdo principalmente se considerarmos hoje o grande número de brasileiros vivendo fora do Brasil. Atento a essa reivindicação de muitos pais e avós de crianças brasileiras nascidas no estrangeiro fiz essa emenda constitucional, já aprovada no Senado e agora eu espero que seja aprovada na Câmara.

Espero que se transforme logo em realidade para acabar com essa angústia e com essa situação tão prejudicial que está acontecendo com as crianças filhas de pais brasileiros no exterior. Criou-se até um movimento chamado de Brasileirinhos Apátridas, que tem pressionado o Congresso no sentido de aprovar essa emenda rapidamente e acabar com essa situação esdrúxula.

Lei deixa 200 mil filhos de brasileiros no exterior sem pátria

Alan Marques/Folha Imagem

Passaportes e certidões de nascimento trazem
ressalva; bebês que nascem em países que exigem laços de sangue são considerados apátridas

Irina, que nasceu na Suíça e não é brasileira, com a mãe, Denise, e o irmão Yannik, brasileiros

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO

DA REPORTAGEM LOCAL

Aos nove anos, Irina pergunta à mãe, a paulistana Denise da Veiga Alves, 40, por que os irmãos Yannik, 14, e Aloysio, 2, são brasileiros e ela não. Pior. Nascida na Suíça, Irina não é oficialmente cidadã de nenhum país.

Como ela, outras 200 mil crianças em todo o mundo são hoje apátridas de ascendência brasileira.Uma emenda à Constituição, promulgada em 1994 no governo Itamar Franco, torna sem pátria filhos de casais brasileiros nascidos em alguns países, como Japão ou Portugal.O motivo: a partir dessa mudança, o Brasil adota primeiramente o "jus soli", princípio jurídico em que a nacionalidade é adquirida pelo local de nascimento. Brasileiro é quem nasce em território nacional.

Outros países, sobretudo os europeus, reconhecem o "jus sanguinis" (direito de sangue), a transmissão de nacionalidade pela ascendência. Pai ou mãe passam a cidadania aos filhos.Assim, surgem casos como o de Irina Ly da Veiga Alves. Ela nasceu em Genebra, em 1998, quatro anos depois da mudança constitucional. Como os pais são brasileiros e não têm cidadania suíça, Irina é apátrida. Já o seu irmão Yannik Vy-Dan Savelieff nasceu na mesma cidade em 1993 -antes da emenda- e é considerado brasileiro nato. O caçula, Aloysio da Veiga Alves, é de Brasília."É uma desigualdade dentro de casa. Para uma mãe, que teve os filhos saídos da mesma barriga, é inaceitável", diz Denise.

Passaporte provisórioResolução do Ministério da Justiça em conjunto com o Itamaraty concede passaporte e registro de nascimento a crianças no estrangeiro até completarem 18 anos. Mas o documento traz a seguinte ressalva: "A condição de brasileiro está sujeita à confirmação de dois eventos: residência no Brasil e opção pela nacionalidade brasileira perante juiz federal".O processo, reclamam os pais, é oneroso e demorado (em São Paulo levaria sete anos, diz a OAB).

Além disso, a maioria não quer abrir mão da vida que leva no exterior ou não pode sair do país estrangeiro porque vive ali ilegalmente.Uma proposta de emenda constitucional para conceder cidadania brasileira a crianças nascidas nessa situação foi aprovada no Senado há sete anos, mas tramita lentamente na Câmara.

Uma comissão especial foi criada para analisar a mudança que, na promessa dos deputados, deve ser promulgada ainda neste ano. "Temos um sentimento de origem muito forte. É uma situação precária e injusta", diz Rita Camata (PMDB-ES), relatora da comissão."Só soube dessa situação há dois meses, quando estive em Genebra", afirma o presidente da comissão especial da Câmara, Carlito Merss (PT-SC).

Pais costumam demorar para perceber situação problemática

Quando recebeu o convite para trabalhar em Lisboa há dois anos e meio, o casal Patrícia Vasconcelos Torres, 30, e Carlos Eugênio Torres, 26, não imaginava os problemas que teria para (não) registrar o filho que viria a nascer em Portugal. Hoje com 19 meses, o bebê Carlos Eduardo não tem certidão de nascimento.

Em Lisboa, o consulado brasileiro emitiu um registro com a ressalva de que a nacionalidade está sujeita à residência no Brasil e à ação na Justiça Federal. O governo português concede apenas um boletim, um documento meramente comprobatório de lugar de nascimento, sem valor jurídico.De passagem pelo Brasil em janeiro deste ano, o casal tentou, em vão, validar em um cartório de Fortaleza a certidão. Em nota, o cartório João de Deus diz que "não pode transcrever o documento sem determinação judicial".

Na prática, o apátrida não tem direitos e não é reconhecido nem amparado pelo Estado. Sem certidão de nascimento, não pode ter RG, não vota, não serve ao Exército, não vai à escola pública e provavelmente não conseguirá um emprego.Há 16 anos no Japão, Carmen Lúcia Tsuhako, 37, tem dois filhos sem cidadania brasileira, Isabela, 12, e Hiroshi, 5. "Demoramos anos para perceber em que situação nossos filhos se encontravam", diz a mãe.

Na Palestina há dez anos, Yusra Sayej, 36, de Pindamonhangaba (SP), vive situação parecida. Os filhos Maria, 3, e os gêmeos Jorge e John, de 22 meses, têm registros provisórios emitidos pelo representante diplomático em Ramallah."É revoltante. Sou brasileira e meus filhos não são? O que é isso? ", pergunta.Hoje na Austrália, os filhos de Ana Lúcia Pereira de Siqueira, Alícia, 5, e Dilan, 3, nasceram na Alemanha. O pai alemão lhes transmitiu cidadania daquele país, mas os meninos não são brasileiros.

Dos dois filhos da paulistana Helena Americano Fragman, 44 anos, há 19 anos em Rosh Ha'ayin (Israel), apenas o mais velho, de 14 anos, é brasileiro nato. Nascido em Israel antes da mudança na Constituição, Amir Fragman não entende o porquê de o irmão, Uri Fragman, não ter cidadania."São todos brasileiros de coração e alma, mas não têm documentos", diz Helena.Algumas nações, como Israel, concedem ajuda humanitária a pessoas nessa condição. Mas a mobilidade é restrita. Não podem, por exemplo, entrar nas Forças Armadas, uma das principais fontes de renda para jovens daquele país.

Movimento - Um movimento nascido na Suíça pressiona o Congresso a aprovar uma emenda à Constituição que devolva a condição de nacionalidade nata às crianças de ascendência brasileira no exterior. Protestos em frente às embaixadas brasileiras nos países com maior contingente de imigrantes estão previstos para os dias 1º e 2 de junho para cobrar agilidade na votação.

Curiosamente, brasileiros refugiados e exilados durante a época da ditadura tinham garantida a nacionalidade aos seus filhos, mesmo banidos do país pelos militares.Hoje, muitos deles estão no governo e têm filhos brasileiros nascidos no Chile ou na Europa. É o caso do governador paulista, José Serra."Os estrangeiros nascidos no Brasil adquirem automaticamente a nacionalidade brasileira. É absurdo, então, tirar a nacionalidade dos filhos dos emigrantes por nascerem no exterior", diz Rui Martins, responsável pelo organização Brasileirinhos Apátridas na Suíça. (VQG)

Situação iguala Brasil a países em guerra

A situação de filhos de casais brasileiros nascidos no exterior que são apátridas iguala o país a zonas de conflito e de guerras permanentes, como o triângulo Índia-Caxemira-Paquistão ou Rússia-Tchetchênia, segundo especialistas.

O cenário intrigou juristas de direito constitucional, que disseram à reportagem desconhecer a brecha legal.Para Dalmo de Abreu Dallari, advogado e professor aposentado da Faculdade de Direito da USP, "é absurdo obrigar um brasileiro a ir ao Judiciário para ser cidadão". "A Justiça existe para julgar conflitos. Não existe parte contrária. Não há conflito de interesses", avalia.

Membro da comissão de direito internacional da OAB, Eduardo Tess Filho se disse surpreso e afirmou desconhecer a situação."Deveria ser uma questão simples de registrar no setor consular", diz ele.Hoje, a ONU concede um passaporte amarelo a que é apátrida. (VQG)

Itamaraty vê cidadania condicionada

Para o Ministério das Relações Exteriores, crianças de ascendência brasileira nascidas no estrangeiro são consideradas "cidadãs condicionadas", mas não apátridas.A condição, expressa nos registros de nascimento e nos passaportes: fixar residência no Brasil e entrar com processo na Justiça Federal.

O Itamaraty diz reconhecer que filhos de brasileiros nascidos no exterior não são "cidadãos plenos". Sem decisão judicial, os pais não conseguem registrar certidão de nascimento em cartórios brasileiros. Sem ela, não se pode obter o RG e, no futuro, CPF ou título eleitoral.Como a mudança constitucional passou a vigorar em 1994, e as crianças estão amparadas por passaportes provisórios, os primeiros apátridas de pais brasileiros, diz o Itamaraty, surgirão em 2012 -proposta de emenda constitucional tramita no Congresso para evitar isso com filhos de brasileiros.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Secult Itinerante - um projeto vitorioso

Abaixo, mensagem enviada por Cláudia Leitão, secretária da Cultura durante meu Governo, falando sobre a classificação vitoriosa do Projeto Cultura em Movimento. Parabéns a toda a equipe que se empenhou neste trabalho.


Estamos muito felizes com o primeiro lugar na categoria “Gestão Cultural”, atribuído a Secult (2003-2006) pelo Instituto Pensarte. Afinal de contas, o “Projeto Cultura em Movimento - Secult Itinerante” foi um dos ícones da Gestão Lúcio Alcântara. Esse projeto pertencia ao “Programa de Valorização das Culturas Regionais”, que, por sua vez, também foi premiado em 2006, pelo Ministério da Cultura, como o melhor programa público de cultura do país.

Todo esse reconhecimento ratifica o acerto de nossa caminhada, definida em 2003 no nosso Plano Estadual da Cultura, através de dois grandes eixos norteadores: a valorização da diversidade e a promoção da cidadania cultural. Ao sairmos da capital e itinerarmos durante quase dois anos por todo o Estado, conhecemos e reconhecemos nossa diversidade cultural, ao mesmo tempo em que plantamos as sementes da cidadania cultural para os cearenses.

As sementes dessa cidadania cultural foram semeadas em todo o Estado através de várias ações: a criação do Sistema Estadual de Cultura ( que garante pelo menos metade dos recursos do FEC para o interior do Estado) e dos Fóruns Regionais de Cultura e Turismo; a capacitação de gestores municipais, artistas e produtores culturais; o mapeamento do nosso patrimônio material e imaterial; o cadastramento de nossos artistas e profissionais da cultura; a criação de Festivais voltados à formação e à reflexão sobre as linguagens artístico-culturais em todo o Estado, os agentes de leitura, entre tantas outras sementes plantadas ao longo do caminho. Semeamos em terra fértil.

O que plantamos brotou e certamente dará frutos. Sabíamos que as escolhas feitas seriam difíceis e desagradariam a alguns, mas o preço da insatisfação de poucos foi absolutamente recompensado pela cumplicidade e pelos afetos construídos por milhares de cearenses. A despeito dos equívocos, o projeto “Cultura em Movimento” nunca objetivou “interiorizar a cultura” (já que as inúmeras expressões culturais do nosso povo estão presentes de forma rica e variada em todo o Estado, especialmente em seu interior) mas buscou, isto sim, “interiorizar a Secretaria” e seus programas.

Essa política pública de descentralização e inclusão, que vem sendo liderada pelo Ministério da Cultura desde 2003, começa a ser materializada pelos estados e municípios brasileiros. O Ceará foi exemplar na criação de políticas para todos os cearenses e hoje comemora o reconhecimento de sua gestão. Mas, melhor do que prêmios e distinções é sabermos que, de Salitre a Pacoti, de Barroquinha a Icapuí, existe hoje uma população mais consciente e por isso mais próxima do exercício de seus direitos culturais. Que o Estado continue a garantir esses direitos.

Cláudia Leitão

sábado, 19 de maio de 2007

Deu no Diário do Nordeste

A roupa nova de Lúcio

Impelido à oposição, o ex-governador Lúcio Alcântara (PR) está se adequando ao novo papel. Em seu blog (www.lucioalc.blogspot.com ) já escreveu dois posts dos quais pinga veneno. O mais recente espeta o sucessor e o Sindicato dos servidores estaduais: ´O Governo do Estado anualmente, por ocasião do aumento do salário mínimo, elevava o piso salarial geralmente no mesmo percentual de reajuste do mínimo, ainda que o piso já estivesse em um valor superior ao anunciado. Este ano até agora nada aconteceu. Onde andará o ´Mova-se´ que não se move?...´

Em três vias. E com carimbo

O primeiro post crítico do blog de Lúcio Alcântara preserva a sutileza que caracteriza o fazer político do ex-governador: ´Preocupante é a situação da indústria no Ceará. No primeiro trimestre deste ano o crescimento industrial médio do Brasil foi de 3,8%. Apenas dois estados apresentaram desempenho negativo, o Amazonas (-2,5%) e o Ceará (-4,2%). Os dados são do IBGE´. Mas é interessante notar que Lúcio mirou em três alvos bem diferentes: o funcionalismo, a esquerda - representada pelo sindicalismo, que não largou do pé de sua gestão - e o empresariado.

Leia a Coluna Comunicado na íntegra

sexta-feira, 18 de maio de 2007

A França de Sarkozy e Fillon

Nicolas Sarkozy assumiu quarta-feira (16) a Presidência da França no lugar de Jacques Chirac, no poder havia 12 anos. No discurso de posse, o novo chefe de Estado prometeu defender a identidade e a independência da França e trabalhar por uma Europa que proteja seus próprios cidadãos.

Afirmou que irá "trazer de volta valores como o trabalho, o esforço, o mérito e o respeito". Disse, ainda, que nunca houve uma necessidade tão grande de se opor à intolerância e ao racismo.

Ontem (17), Sarkozy nomeou François Fillon para o cargo de primeiro-ministro, apostando na capacidade de negociação desse conservador moderado para superar a resistência sindical às reformas que o novo governo propõe. O novo premier, 53 anos, é senador e já ocupou os ministérios de Ações Sociais e da Educação.

Na eleição francesa, chamou a atenção a taxa de participação, estimada entre 85% e 86%. Segundo todos os institutos de pesquisa, foi uma das mais altas já registradas na França, comprovando o interesse do francês nesta disputa.

Tanto a candidata socialista Ségolène Royal como o conservador Nicolas Sarkozy propunham mudanças. É como se a França estivesse rompendo com o status quo e desejasse um novo rumo para os franceses.

A vitória do Nicolas mostra que a tendência conservadora na França, embora esse conservadorismo dele, que se assume como um homem de direita, propusesse mudanças importantes na economia e outras áreas da política francesa, está inspirada nestes movimentos que vimos nos últimos anos na França, de imigrantes, de desempregados nos subúrbios das cidades francesas, na banlieue de Paris, com grandes perturbações na ordem pública, mostrando que há na França uma estagnação política e até da economia que requer um novo posicionamento do governo e dos franceses de modo geral.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Em busca de esclarecimento

Integrantes da CPI do Senado, instalada hoje, se reuniram com o comando da CPI da Câmara para trocar informações sobre as investigações em andamento pelos deputados. E pelo que li na internet, surgiram as primeiras divergências. O presidente da CPI da Câmara, deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), e o relator da CPI no Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), demonstraram ter visões distintas sobre os relatórios finais a serem elaborados pelas CPIs.

Castro disse que seria um "escândalo" se as duas comissões chegarem a resultados diferentes ao final das investigações. Para Demóstenes, resultados diferentes podem naturalmente ocorrer em duas investigações distintas, mesmo quando abordam o mesmo tema.

Além da função legisladora, o Parlamento tem uma ação fiscalizadora. E a CPI é um instrumento importante de fiscalização, principalmente se não for manipulada. Nem pelo governo nem pela oposição. Ela deve buscar realmente esclarecer o assunto.

A desmilitarização do controle do tráfego aéreo é uma questão latente há muitos anos. Quando fui constituinte, já havia o desejo de separar o controle do tráfego aéreo. Eu e, acredito, todos os meus colegas constituintes fomos visitados por lobbys que defendiam as duas posições. Uma para manter o controle como ainda hoje é - dos militares da Força Aérea – e outra que queriam a separação.

O que se verifica é que essa separação é muito onerosa. Também não podemos esquecer que civil tem direito de reivindicar, de buscar melhores salários, melhores condições de trabalho.

No entanto, os controladores militares chegaram a um nível tal de irresponsabilidade, pela forma como conduziram a greve, que colocaram o tráfego aéreo em risco e milhares de pessoas em situação de desconforto, com atrasos e cancelamentos de vôos.

Foi uma atitude insana desses controladores, e que mostra que este é um problema sério a ser resolvido, vinculado até à discussão sobre o direito de greve em certas atividades, que exigem realmente um serviço contínuo e que não podem ser interrompidas, pois são de extrema necessidade e de grande interesse público.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

E o piso?

O Governo do Estado anualmente, por ocasião do aumento do salário mínimo, elevava o piso salarial geralmente no mesmo percentual de reajuste do mínimo, ainda que o piso já estivesse em um valor superior ao anunciado. Este ano até agora nada aconteceu. Onde andará o "Mova-se"que não se move...

terça-feira, 15 de maio de 2007

A retirada de Tony Blair

O primeiro ministro inglês, Tony Blair, anunciou sua renúncia abrindo a temporada de escolha de seu sucessor que, ao que tudo indica, será seu ministro da Fazenda, Gordon Brown. Ele foi o trabalhista a permanecer o maior tempo no posto. Foi o líder da renovação do trabalhismo inglês, pondo fim a anos seguidos de derrotas eleitorais.

Promoveu a reformulação do programa do partido e lançou a terceira via - uma versão repaginada da social democracia à inglesa. Modernizou o país, que desejava transformar em "farol do mundo"', levou a Inglaterra a anos seguidos de crescimento econômico e reformou o sistema educacional. Também incentivou a autonomia regional, instituindo, entre outras mudanças, os parlamentos regionais da Escócia e País de Gales. Foi responsável pela paz na Irlanda, levando protestantes e católicos à coalizão política na Irlanda do Norte.

No plano internacional, mostrou-se um firme aliado dos americanos, envolvendo seu país na guerra do Iraque a partir de mal explicadas evidências da existência de material nuclear naquele país, o que suscitou um escândalo que atingiu a tradicional BBC e os meios políticos ingleses. A participação na guerra do Iraque e a aliança visceral com Bush jogaram sua popularidade no chão e obrigaram-no a bater em retirada.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Preocupante...

...é a situação da indústria no Ceará.

No primeiro trimestre deste ano o crescimento industrial médio do Brasil foi de 3,8%. Apenas dois estados apresentaram desempenho negativo, o Amazonas (-2,5%) e o Ceará (-4,2%). Os dados são do IBGE.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Ceará - pioneiro

Matéria publicada na revista Veja, de 2 de maio, sob o título Governo de Resultados, motivou questionamento do deputado federal Leo Alcântara, em Brasília.

Merece reconhecimento o Governo do Estado de Minas Gerais pelo aprimoramento dos mecanismos de gestão pública. Mas a revista realmente cometeu um equívoco ao citar Minas como o primeiro estado do País a adotar como norma o compromisso com a definição de metas e avaliação de suas políticas a partir delas.

Em 2003, enquanto governador do Estado do Ceará, tornei público o Sistema de Metas Sociais, assunto amplamente divulgado por jornais de circulação local e nacional. Os principais pontos deste empreendimento estão reunidos no documento Ceará - a prática de uma gestão pública por resultados.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

João Paulo II e Bento XVI


Ao ver pela televisão a chegada do Papa Bento XVI a São Paulo, recordei de imediato o encontro que tive com seu antecessor João Paulo II, juntamente com Maria Beatriz, quando de sua visita ao Brasil iniciada por Fortaleza. Foi emoção forte e inesquecível e ainda que rápido o contacto foi suficiente para sentir o impacto de sua força espiritual. Era de fato um personagem cheio de carisma, capaz de transmitir a quem dele se aproximasse muito calor humano.

Enquanto o atual Papa é um intelectual, um teólogo, um homem de gabinete, vigilante na observância da doutrina, seu antecessor era jovem, esportista, ator de teatro na juventude, alpinista, combatente do nazismo e do comunismo num país onde a igreja católica sempre teve importante protagonismo político.

Junte-se a isso sua vocação midiática e simpatia natural, que lhe asseguravam sempre importantes espaços na imprensa. Basta recordar sua marca registrada de beijar o chão de cada lugar que visitava.

A grande sensibilidade, a habilidade política de João Paulo II e sua enorme disponibilidade para viagens aproximaram o Papa dos povos mais distantes de Roma, instaurando um novo tipo de papado. Além de tudo, o atentado de que foi alvo marcou dolorosamente seu pontificado o que contribui para atrair para si mais solidariedade.

Mas, pode se perguntar: do ponto de vista do governo da igreja, quais as semelhanças e diferenças entre os dois?

É importante lembrar que o atual Papa serviu a João Paulo em importante cargo na cúria, Congregação para Doutrina e a Fé, o Santo Ofício, a partir de onde se combateu duramente a teologia da libertação, vista como desvio doutrinário, culminando com a punição de alguns de seus maiores expoentes, como, por exemplo, Leonardo Boff.

Também no seu pontificado deu-se a substituição da hierarquia da igreja por prelados conservadores hostis ou desvinculados das chamadas idéias progressistas. Em relação aos dogmas e doutrina foi também sempre muito conservador, nunca abrindo a guarda.

A diferença seria então mais de estilo e desempenho pessoal? Devo dizer que ao encontrar em Roma o Papa, quando a convite de D.Fernando, Bispo do Crato, acompanhei-o para conduzir a documentação que pede a reabilitação do Padre Cícero pelo Vaticano, falei um pouco com ele, em inglês, sobre o Brasil e o motivo da viagem, tendo sentido nele uma afetividade que a distância não sugere.

São impressões que deixo ao exame de vocês, cuja opinião gostaria sinceramente de conhecer.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

O tema é cultura

Hoje é dia de cultura no blog do Lúcio Alcântara. O privilégio não é so nosso. Manchetes dos pricipais jornais europeus (entre eles o Público, de Portugal) anunciam o desaparecimento de mais de 70 obras do Instituto do Mundo Árabe, em Paris. É um dos mais importantes museus da capital francesa, inclusive pela sua curiosa arquitetura inspirada na arte islâmica e com um curioso sistema de arabescos de metal nas esquadrias que abrem e fecham dependendo da intensidade da luz solar.

Aqui no Brasil, nos últimos anos, são frequentes as notícias de desaparecimento de livros raros e obras de arte de nossos museus, bibliotecas e igrejas, sem pessoal e sistema de vigilância adequados à importância dos bens a serem protegidos.

Agora mesmo os funcionários das diversas instituições vinculadas ao Ministério da Cultura anunciam greve geral em busca de melhores salários, justamente quando se realizam no Rio os jogos Panamericanos que certemente atrairão muitos turistas. Mas, ao que parece, as dificuldades não estão apenas por aqui. Afinal, na capital dos grandes museus obras tambem andam desaparecendo...

Mostra em Lisboa revela potencial do brasileiro Cândido de Faria

Foto Diana Quintela/PÚBLICO (arquivo)


A exposição "Cartazes históricos do cinema mostram filmes vistos pelos nossos pais e nossos avós" a ocorrer entre l0 de maio e 24 de junho na Cordoaria Nacional, em Lisboa, exibe cartazes dos primórdios do cinema dando idéia da evolução desse importante instrumento publicitário.

Gostaria de estar lá para verificar a transformação do design gráfico e as primeiras peças produzidas para divulgar os filmes junto ao público. O que me chamou atenção nas informações sobre a mostra é o fato desses cartazes terem sido produzidos por um brasileiro em Paris, Cândido de Faria, o qual recebia encomenda de vários lugares do mundo.

Nunca ouvira antes falar dele apesar de meu interesse pelo design de um modo geral e em especial pelas artes gráficas. Temos aí mais um importante brasileiro desconhecido entre nós. Quem souber dele mande notícias. Minha nota é so aperitivo.

sábado, 28 de abril de 2007

Noite bem movimentada no Ideal Clube

Muito prestigiado o lançamento do livro-poema "O rio da minha infância", escrito por Lúcio Alcântara, com fotos de Joana França. O poeta, médico e diretor de Cultura do Ideal Clube, José Telles, foi o mestre de cerimônia.






O evento, que aconteceu na noite de quinta-feira (26), no Ideal Clube, além de reunir centenas de amigos do ex-governador, que fizeram questão de comparecer para adquirir a publicação, teve uma causa nobre.

Toda a verba arrecadada será destinada à Casa Vida, extensão do Instituto do Câncer, onde ficam os pacientes reconhecidamente pobres, que chegam do Interior e de estados vizinhos para fazer tratamento oncológico no Hospital.

Na mesa estavam Joana França, Murilo Martins, Adahil Barreto, Humberto Cavalcante, Lúcio Alcântara, Beatriz Alcântara, Sérgio Braga e Carlos Augusto Viana.






O deputado Leo Alcântara, entre Lúcio e o poeta Carlos Augusto Viana





Ao lado da esposa, Beatriz Alcântara










Antônio Albuquerque elogia o trabalho.








Na fila de autógrafos, Carol e Gustavo Barros de Oliveira, Augusto Alcântara e amigas.









Gerard Boris recebe autógrafo de Lúcio Alcântara
















Duarte Frota, Barros Pinho e o deputado estadual Adhail Barreto.




A infância revelada

Coluna Lêda Maria - Diário do Nordeste


Quem achou que Lúcio Alcântara havia esquecido da sua infância, vai encontrá-lo com boas e leves lembranças de sua cidade natal, São Gonçalo do Amarante, no livro que acabou de lançar, complementado por muitas fotos da sua sobrinha, a arquiteta Joana França.

Em solenidade concorridíssima, noite de quinta-feira, 26 no Ideal Clube, o governador do Ceará 2003/2006 entregou ´O Rio da Minha Infância´. A apresentação do autor e obra foram do jornalista Carlos Augusto Viana. Ricardo Guilherme leu o poema que intitula o livro e vários amigos discursaram. O ministro Ubiratan Aguiar mandou sua mensagem que foi lida pelo presidente da Casa, Humberto Cavalcante, na qual elogiava as poesias e as fotografias. A noite foi de muitos aplausos. Quase mil livros foram vendidos com renda para a Casa Vida.

Entre as mais de mil pessoas que prestigiaram Lúcio Alcântara estavam Murilo Martins, presidente da Academia Cearense de Letras; Ednilo Soárez, presidente da Academia Fortalezense de Letras; e Lurdinha Leite Barbosa, presidente da Academia de Letras e Artes do Nordeste. Constança Távora, Luiz Gastão, César Montenegro, Oto e Tales de Sá Cavalcante, Heloísa Juaçaba, Pedro Henrique Saraiva Leão, Juraci Magalhães, Thomaz Figueiredo, Estácio Brígido, Allan Aguiar, Gen. Théo Basto e Barros Pinho. Os velhos amigos, Iranildo Pereira e Leorne Belém, também marcaram presença. E mais as irmãs, os filhos e a amada, Beatriz, estavam ao lado de Lúcio Alcântara.

O coral Vozes de Outono brindou a noite com seu canto, cujo momento maior foi quando dedicou a música ´Se todos fossem iguais a você´, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, ao escritor e político Lúcio Alcântara.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

A visita de Bento XVI e a canonização de frei Galvão


A visita do papa Bento XVI ao Brasil, em maio, é muito importante para nossa Nação, que tem um grande contingente de católicos. O papa tem caracterizado seu pontificado por uma insistência nas normas, nos postulados, naquilo que constitui a essência da Igreja. É um chamado à responsabilidade dos católicos no sentido de que ninguém é obrigado a ser católico. Mas uma vez que é, evidentemente que com todas as falhas próprias do ser humano, deve procurar seguir aqueles postulados que orientam a ação e a atuação da Igreja.

O papa Bento XVI não tem o carisma da comunicação que tinha João Paulo II, mas tem uma solidez de conhecimento teológico muito grande. Acho que a Igreja Católica brasileira se ressente muito de que seus integrantes, principalmente o clero, tenha uma formação intelectual melhor, sejam mais preparados, inclusive para um debate, um diálogo, um pregação. E o papa, nesse sentido, tem sido um grande incentivador.


Outro ponto alto da visita do papa é a apresentação do primeiro santo brasileiro, que é frei Galvão. Não deixa de ser também uma glória para o Brasil. Normalmente, as canonizações são feitas pelo Papa, em Roma. Bento XVI abriu uma exceção e vai canonizar Frei Galvão em São Paulo, na Missa que celebrará no Campo de Marte, dia 11 de maio.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Discurso pronunciado no lançamento do livro o "Rio da minha infância"

Concluída minha missão à frente do governo do Estado, após breve período de descanso em Portugal, voltei-me para duas atividades com as quais tenho me envolvido ao longo de minha vida tanto quanto me permitiram honrosas e absorventes funções que vim a exercer. São elas, a literatura como fonte de prazer desfrutado com amigos em companhia dos livros, e a medicina como instrumento de prestação de serviços à comunidade. Com mais tempo disponível para o convívio com os intelectuais tenho aproveitado todas oportunidades surgidas para retomar projetos literários adormecidos, cuidar da biblioteca e por em dia leituras atrasadas. Tudo isso em um contexto de confortadora convivência familiar.

Afastado há muito da prática da medicina, nunca a esqueci, e a retomada de encargos administrativos em caráter voluntário à frente do Instituto do Câncer do Ceará, instituição filantrópica sexagenária presidida por meu pai até falecer, me reaproxima do meio médico ao mesmo tempo que enseja ocasião para que continue a prestar serviço à comunidade. Aliás esta festa, que se realiza por reiterada insistência de amigos, constitui uma síntese entre as duas áreas a que me dedico majoritariamente no momento, pois lanço uma publicação em conjunto com minha sobrinha Joana França destinando o produto da venda à Casa Vida da Rede Feminina de Combate ao Câncer meritória iniciativa voltada para o acolhimento de pessoas de fora em tratamento no Instituto.

Esta publicação, que casa texto e fotografia, está pronta há bastante tempo e não pretendia lança-la festivamente não fora persistência do meu amigo e grande poeta Carlos Augusto Viana acolitado entre outros por Sérgio Braga, Marcos Aurélio, Humberto Cavalcante, Erle Rodrigues. A estes e aos demais, meu comovido agradecimento.

O generoso interesse do Carlos Augusto não parou aí e fluiu nas palavras de encômio minha despretensiosa obra. Com ela dou seguimento à realização de um projeto editorial desenvolvido em parceria com a Joana iniciado com o livro “A casa da minha avó” e que une duas linguagens, o texto e as fotos. Ambas publicações vinculadas ao passado, à memória ou o que dela vem superfície.

Tudo começou após o imprimatur da Maria Beatriz a cujo rigor crítico submeti minhas primeiras produções. "O rio da minha infância” é uma pequena amostra de minhas lembranças e da minha relação com o rio que me banhou menino. Não é livro porque não fica de pé, não é poesia, dirão os inimigos do verso livre pois não há rima. Mas é, isso lhes garanto, fragmento da alma, retalho da memória, emoção, afetividade, evocação que certamente irá tocar a quantos tenham um dia mergulhado criança num rio inesquecível.

Mais que acidente geográfico, acidente sentimental, já muito cantado em prosa e verso mas sempre disponível para quem deseje revelar essa relação única, pessoal, intransferível. Em decorrência de muitas viagens que fiz, a trabalho ou como turista, conheci rios famosos e até naveguei em alguns deles no Brasil e no exterior. Entre Koenigswinter e Colônia percorri o Reno em dia quente e ensolarado refrescado pelo vinho azul de tanta ma fama; naveguei nos canais de Amsterdam jantando à luz de vela nos barcos turísticos; vi o Nilo cortando o Cairo, bobo como todo turista, assistindo um espetáculo falso de dança do ventre; olhei incrédulo o Jordão, imaginando como possa aquele fio de água estar à altura dos cenários descritos nas sagradas escrituras; admirei o Sena poluído pelas horríveis barcaças de areia que me distanciavam da imagem romântica de Charles Trenet entoando “La Seine”:”elle coule, coule, elle roucoule, coule/elle chente le jour, la nuit”.

Vi o Tâmisa cruzado pela ponte do milênio, ícone de uma nova era. Mas gostaria de ter encontrado o “Ouse”, riozinho desconhecido no qual Virginia Woolf seu gênio e a alma atormentada. Singrei o Yang Tse na trepidante Shangai, congestionado de embarcações, que engurgitada de tudo vive a China, em cujas margens o colonizador perverso plantou um jardim interditado à chineses e cães. Encontrei o Tejo em Toledo, acanhado. Revi-o majestoso em sua foz de onde partiram intrépidos marinheiros que descobriram meio mundo.

Estive no choupal olhando por cima do Mondego para apreciar na margem oposta a “Quinta das Lágrimas” cenário do drama de Inês de Castro e em Amarante, também no querido Portugal atravessei a ponte romana sobre o Tâmega construída pelo santo do meu nome, Gonçalo. No Douro vi o prodígio de aço de Eiffel ligando as duas margens e os tradicionais rabelos flutuando para deleite dos turistas. Em Roma, passei sobre o Tibre por uma ponte monumental para encontrar o Papa no estado do Vaticano. Da ponte Vecchia , assediado por mercadores de jóias de seculares tradições, debrucei-me sobre o Arno para lembrar Dante, o florentino genial que não chegou a possuir como eu a sua Beatriz.

No Brasil, extasiei-me com o Amazonas, suas lendas, e o abraço com o Negro; o São Francisco, meu Rubicão, cujas margem atingi em Ibotirama transpondo-o para chegar a Brasília para a aventura definitiva da política investido no mandato de Deputado Federal. Não me cabe dizer se venci, mas afirmo ter muito pelejado. Maravilhado, contemplei o espetáculo das cataratas de Iguaçu por mais que seja apenas um rio que tomba no dizer de Eça de Queirós. E o que dizer dos nossos rios, cearenses, nordestinos? Irregulares, inconstantes, espasmódicos, feitos mais de pedra e areia que de água. O Jaguaribe, duas vezes pinçado para conter a hemorragia na denúncia lírica do poeta Demócrito Rocha. O Salgado e seu boqueirão famoso, o Acaraú, berço de nobrezas sertanejas, o Curu, testemunha de feroz batalha entre índios e espanhóis, ainda hoje motivo de controvérsia entre estudiosos. E o meu rio, meu modesto rio? Quase anônimo, minha afeição fluvial permanente, que nunca deixou de correr dentro de mim e hoje emerge neste despretensioso trabalho.

O que sei dele já o disse, mesmo que sem talento e graça. Diante de embarcações majestosas que encontrei mundo afora aflorava a lembrança daquelas canoas modestas calafetadas de alcatrão, e assim mesmo inundadas, sangradas por cuias manuseadas diligentemente. Cruzei meu rio, não para esquecer, pois não é o Lethes da mitologia, mas para lembrar. Fui barqueiro, não para levar os mortos como Caronte, mas para lembrar aos vivos que as águas do tempo não são profundas bastante para sepultar emoções e lembranças. Aos que aqui vieram desejo agradecer emocionado, pois revelam amizade com suas presenças carinhosas o que me sensibiliza definitivamente.

Caderno 3 - Memórias Fotográficas

Entrevista a JOSÉ ANDERSON SANDES - Editor do Caderno 3 - Diário do Nordeste

Lúcio Alcântara:
“Sempre me interessei pelo passado, pela memória, o que guardei ou recuperei olhando para trás” (Foto: Denise Mustafá)

Pequenos poemas, às vezes cortantes, outros amorosos. Lembranças de infância. Memórias nunca são fáceis, as marcas do passado doem, são repletas de perdas. Retratos pendurados numa parede. Ausências jamais preenchidas. Um mundo que se fechou nos jamais. A recordação tem seus mistérios. Lúcio Alcântara se enreda pelo discurso da memória. Ainda em pequenos poemas - ou talvez, nem poemas - frases criativas, mas repletas de saudades - lembrar não é viver. “Na mesa austera da casa da minha avó não havia madeleines, mas a coalhada no prato fundo é puro Proust”, escreveu em “A Casa da Minha Avó”, seu primeiro livro de ficção. Foi nesses pequenos retalhos, frestas de lembranças que Lúcio se “afogou” para escrever “A Casa da Minha Avó”. Agora, repete a fórmula em “O Rio da Minha Infância”, obra que lança hoje no Ideal Clube. A seguir, trechos da entrevista que Alcântara concedeu ao Diário.

O senhor sempre foi um homem ligado aos livros. Agora, não apenas escreve seus primeiros poemas, como funda uma editora, a Labirinto. Sonho antigo?

Sempre tive desejo de ter uma editora, uma livraria e um bar. Muito mais sonho do que projeto realizável. Tive várias experiências editoriais à frente dos Institutos Tancredo Neves e Teotônio Vilela, Conselho Editorial do Senado, que tive a honra de presidir, e a própria Fundação Waldemar Alcântara. No livro ´A Casa da Minha Avó´ apresentei a Editora Labirinto e sua linha de trabalho. Iniciativa sem fins comerciais, é apenas uma atividade da Fundação Waldemar Alcântara.Nestes dois livros, ´A Casa da Minha Avó´ e ´O Rio da Minha Infância´, o senhor percorre momentos da sua vida. No primeiro, são lembranças esparsas - móveis, relógio, chão da sala -, quase a memória involuntária proustiana. O segundo, ´O Rio da Minha Infância´, é repleto de contrastes, paradoxos.


Poderia explicar melhor o contexto em que foi escrito estes dois livros, bem como o seu processo de criação?

Algumas pessoas que leram ´A Casa da Minha Avó´ se surpreenderam com o texto, que consideraram algo melancólico. Não imaginavam, me disseram, que eu fosse uma pessoa triste. Não acho que o seja, embora me considere reservado, tímido mesmo. Não é um comportamento que se espere de políticos, geralmente expansivos, conversadores, alguns até histriônicos. Sempre me interessei pelo passado, pela memória, o que guardei ou recuperei olhando para trás. As duas publicações foram concebidas e realizadas enquanto estava no governo, embora só agora esteja lançando ´O Rio da Minha Infância´. Talvez porque estando cercado de muitos, estivesse, de fato, sozinho. A parceria com a Joana obedece a um projeto gráfico que espero irá continuar. Buscamos uma sinergia entre imagem e texto, muito bem executada pela Expressão Gráfica.


Carlos Lacerda deixou um belo livro de depoimentos, bem como escreveu ´A Casa do Meu Avô´. Quer dizer, ele remexeu mais profundamente seu baú de memórias. O senhor pretende escrever as suas?

No momento não penso nisso, embora tenha muitas anotações. Alguém já escreveu que a descrição da vida não vale a sensação da vida. Por ora, prefiro guardar o meu olhar sobre os outros para o futuro.


Parece que o senhor está vivendo no espaço da saudade, tem muito a contar, a narrar. Estes dois pequenos livros seriam apenas o começo? Pedro Nava, também médico, escreveu suas memórias depois dos 60 anos. E, ao contrário de muitos memorialistas, revolveu seu baú de ossos sem meias palavras. Machucou amigos, inimigos e familiares. O senhor faria o mesmo?

A verdade pode não ser relativa, mas é múltipla. A de cada um, várias, e a verdadeira, muitas vezes desconhecida. Por mais que se tenha memória e critério, não é possível reproduzir integralmente o passado, são apenas retalhos vividos que ressurgem. Para mim Pedro Nava é incomparável como memorialista, pois falou de pessoas, cenários, costumes, com espantosa liberdade. Quem me dera chegar lá!


Quais os livros que mais lhe tocam?

Não tenho livro de cabeceira a não ser a Bíblia, que costumo ler aleatoriamente. Conforme o momento que esteja vivendo, ou o trabalho que realize, posso ter um ou mais livros à mão. No momento tenho três, um deles um livro policial.

A dobradinha política e literatura dá certo?
Comigo dá, porque sou mais leitor do que autor. Com freqüência fico pensando como certos políticos do passado construíram obras literárias extensas e de qualidade. Não creio que com as exigências da política contemporânea isso ainda fosse possível. De qualquer forma, a literatura me ajudou muito a conviver com as agruras da política.


A literatura tem seus códigos, máscaras, artifícios de linguagem. A linguagem está ligada às estruturas de poder. Como o senhor definiria a literatura?

Literatura é a metáfora. A vida em ficção. A ´Comédia Humana´, de Balzac, e ´Madame Bovary´, de Flaubert, são bons exemplos do que afirmo.


Tivemos a Semana de Arte de 22, a Geração de 45, enfim, nossa literatura do Romantismo (século XIX) até hoje parece buscar sua identidade. O senhor acha que, como a nossa República (ainda em construção), temos também, uma literatura em busca de sua identidade?

Cada época tem seus intérpretes. Esse período também terá os seus na ficção, na poesia e no ensaio. A globalização, o terrorismo, a cibernética, a integração econômica, a formação de blocos de países, a emigração maciça de pobres, são fenômenos que já estão e irão, cada vez mais, inspirar novos escritores. O cardápio é rico e aguarda talento e disposição para explorá-lo.O senhor seria um tradicionalista em meio a um mundo globalizado, pós-moderno?Não me considero um tradicionalista. Basta olhar detidamente para minha atuação no Parlamento e no Executivo, Prefeitura de Fortaleza e Governo do Estado do Ceará.Tivemos uma literatura bastante engajada durante a ditadura militar. Hoje nossos artistas se renderam à indústria cultural, de massa. Perdemos com essa opção mercadológica?Na presença da liberdade de expressão, manifestações ´marginais´ ou comprometidas politicamente tendem a desaparecer ou se reduzir significativamente. A indústria cultural é inevitável, não sendo em si mesmo um mal, enquanto oferta de produtos para uma sociedade de massa. Basta assegurar espaço para a cultura nacional, inclusive as manifestações locais e regionais. A cultura brasileira tem qualidade e consistência para resistir ao colonialismo cultural e até ser admirada por outros povos. O maior exemplo disso é a música popular brasileira.


A política deixou muitas marcas, mágoas?

Eu continuo na política. Marcas são sinais de luta. Mágoas, quem não as teve?


Serviço:
O Rio da Minha Infância, de Lúcio Alcântara. Fotos de Joana França. R$ 15,00. Lançamento hoje, às 20 horas, no Salão Nobre do Ideal Clube, com apresentação de Carlos Augusto Viana. Toda a renda será revertida para a Casa da Vida do Hospital do Câncer.



FIQUE POR DENTRO
- A escrita na solidão do poder -
Ricamente ilustrada por sua sobrinha, Joana França, O Rio da Minha Infância mostra um pouco do passado do ex-governador. Frases que apenas dão pistas de sua trajetória, revelam ainda muito pouco. Atualmente vivendo a experiência de estar sem mandato, pela primeira vez em décadas, depois de se desentender com colegas de partido e perder no primeiro turno a reeleição para o Governo do Estado, Lúcio não pensa em escrever suas memórias. Pelo menos por enquanto, atém-se ao lançamento da nova produção literária. ´As duas publicações foram concebidas e realizadas enquanto estava no governo, embora só agora esteja lançando ´O Rio da Minha Infância´. Talvez porque estando cercado de muitos, estivesse, de fato, sozinho´, reflete o autor, que diz realizar um antigo sonho, com a fundação de uma editora, a Labirinto.

Vida & Arte - Contrastes da memória

Entrevista ao Jornal O Povo - Caderno Vida & Arte (Foto: Evilázio Bezerra)

O ex-governador Lúcio Alcântara lança, hoje à noite, o livro-poema O rio da minha infância, pelo selo próprio Labirinto. Em entrevista, por email, Lúcio fala de poesia, livros e nas entrelinhas, de política



Lúcio Alcântara, o político, é um homem do consenso e do silêncio. Consegue calar quando todos esperam a resposta, a polêmica, o confronto. Mergulhado em si mesmo, voltado para a infância, tornou-se poeta, embora negue de pronto o título. "No máximo, escreve textos poéticos", aponta. A indisciplina confessa com o gênero, porém, não impediu o ex-governador de compor versos e transformá-los no livro poema que será lançado hoje à noite no Ideal Clube, O rio da minha vida. A estréia na poesia se deu com o livro A casa da minha avó. Nos dois, a memória da infância é latente. O sabor dos "biscoistos de madeilenes" invoca o menino de São Gonçalo, o lugar de nascença e da criancice, a mobília de casa e das redondezas. Na entrevista a seguir, Lúcio, conversa por email, com a discrição e poucas palavras que marcam sua história, dos livros, dos autores, da literatura. E, nas entrelinhas, os silêncios das respostas contidas




O Povo - No novo livro do Alberto Manguel (A Biblioteca à Noite), ele narra sobre o que vê na sua biblioteca à noite, construída numa espécie de castelo abandonado numa aldeia francesa. Como sei que o senhor tem uma bela biblioteca particular, queria então saber, como o senhor passeia por ela. Que memória o senhor guarda da sua construção. Que livros lhe são mais caros?

Lúcio Alcântara - A biblioteca é minha toca onde nada me atinge. A leitura ou fato de olhar, manusear os livros, me causam enorme bem estar. É uma blindagem contra tudo que me preocupa ou aborrece. Como diz Ina D. Coolbrith no poema “Na Biblioteca” – “aqui estão os amigos que nunca traem, o companheirismo que nunca se cansa”. Minha biblioteca é muito eclética, mas me agradam sobretudo os que herdei de meu Pai, os que tratam de alguma forma da relação medicina/literatura/ arte e os livros sobre livros. Ali também, “entre os livros da minha biblioteca há alguns que já não tornarei a abrir”, Borges, no poema “Limites”.

O Povo - Como o senhor começou a ser leitor? E que livros marcaram sua vida de forma definitiva?

Lúcio Alcântara - Comecei pela biblioteca do meu Pai, passava horas lá. Foi quando li Machado de Assis, José de Alencar, Cronin, “As Memórias de Casanova” , e o “Tesouro da Juventude” entre outros livros. Era o tempo das coleções da Jackson e da José Olympio. De Machado li os 31 volumes da coleção. Muita coisa não guardei, mas acho que devo a essas leituras poder ler e escrever razoavelmente mesmo sem lembrar as regras da gramática. Surgiu daí meu gosto pela leitura e os livros. É difícil falar de livros que me marcaram, mas citaria entre muitos: “Cazuza”; “Os Meninos da Rua Paulo”; “Angústia”; “O Tempo e o Vento”; “A Pele”; “A Tragédia do Homem”; “Lições de Abismo”; “O Arco do Triunfo”; a obra de José Lins do Rego e os cânones da Literatura Universal que consegui ler.


O Povo - Quando o senhor descobriu-se poeta? Quais os poetas que têm sido seus companheiros de vida?

Lúcio Alcântara - Não me considero poeta. Não tenho dimensão para tanto. No máximo escrevo alguns textos poéticos. Coisa recente, de uns oito anos para cá. É a lira tardia que só vai para o papel quando já não posso conte-la dentro de mim. A poesia é minha companheira esporádica. Leio-a de forma indisciplinada, sem nenhum planejamento.


O Povo -
No seu primeiro livro-poema (A Casa da Minhã Avó) são as imagens da infância que “pendem” nos versos. Estão nos objetos as lembranças que compõem o poema. No segundo livro, este que será lançado agora, mais uma vez o senhor percorre o rio da infância e navega pelo “contraste de lembranças”. Por que a infância se tornou tão presente agora, quando o senhor decidiu-se pela poesia? E como imagens e palavras vão se juntando ao longo do livro?

Lúcio Alcântara - Falo da minha infância porque ela foi feliz. E como disse Erico Veríssimo, ninguém se livra do menino que foi. O paradoxo das imagens corresponde à variação caudal dos rios nordestinos e as distintas visões da criança e do adulto. O que era longo, hoje é curto, o que foi largo, agora é estreito e assim por diante. A fusão de imagens e palavras corresponde a um projeto gráfico desenvolvido fotograficamente por minha sobrinha Joana a partir do meu texto. “O Rio da Minha Infância” é o segundo produto da dupla.


O Povo - Literatura e política são duas artes. O senhor lida com as duas. Onde está a interseção delas na sua vida?

Lúcio Alcântara - A Literatura para mim é fundamental pois sobre ela tenho autonomia. Isto é, leio o que, e quando quero. Escrevo se estou inspirado. Já a política...depende de muitas circunstâncias e vontades, é exigente e confortadora porque nos permite contribuir para o bem comum, sendo, não raro, ingrata. Da harmonia entre as duas, tiro meu equilíbrio mental.

O Povo - A literatura e a política são construídas por meio de personagens. No caso da literatura, alguns deles parecem saltar da página para a realidade. No caso da política, algumas vezes de tão inverossímeis, parecem ficção. Que personagens na política mais lhe surpreenderam?

Lúcio Alcântara - Toda proximidade surpreende. Não há ídolos vistos de perto.

O Povo - O tempo não foi dos mais fáceis durante o seu último mandato como governador. Que livros o senhor leu nesse período? E durante o processo eleitoral, quando a tempestade chegou, qual ou quais autores estavam na sua cabeceira?

Lúcio Alcântara - Li pouco durante meu governo. Sobrava pouco tempo para o lazer. Gosto muito de livros policial com certo requinte dos personagens e do ambiente onde se desenrola a trama. Aprecio, sobretudo, os autores ingleses mestres no gênero. No governo como na campanha fizeram-me excelente companhia.


O Povo - “Cruzar a passo a vida é o heroísmo de uma existência”, diz um dos versos do livro “O Rio da minha infância”. Que ocasião da sua vida política o senhor sentiu que “cruzava a passo a vida”?

Lúcio Alcântara - Acho que viver é sempre um ato de heroísmo por mais simples ou exitosa seja a vida da pessoa. Afinal disse o poeta Manuel Bandeira “que só é verdadeiramente vivo o que já sofreu”.

O Povo - Na apresentação do seu primeiro livro de poesia, o senhor fala de sonhos. O livro inteiro parece que é um sonho que lhe desperta as lembranças. Ou a saudade que ocupa o lugar das madeleines. Nesse último livro, o senhor torna a falar do lugar onde deixou seus sonhos de menino. Quais sonhos o senhor tem agora para a política e para a literatura?

Lúcio Alcântara - Se for verdade que o passado nunca termina de ser construído, vou continuar a trabalhá-lo. Quanto aos sonhos, na Literatura, é ler o mais que puder. Na política, é operar e esperar.



SERVIÇO O rio da minha infância. Será lançado hoje, 26, a partir das 20h, no Ideal Clube. O livro vai custar R$ 15 e o dinheiro será destinado à causa social .

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Revisão constituinte na Assembléia


Merece aplausos a iniciativa da Assembléia Legislativa de fazer uma revisão constitucional. É um trabalho que deve ser feito com cautela, com rigor, profissionalismo e espírito público, com atenção ao que está acontecendo no mundo.

Os deputados estaduais devem aproveitar este momento para corrigir os excessos que a Constituição tenha, e mesmo que o objetivo seja ampliar os poderes dos parlamentares para legislar, além de abrir espaço para participação popular, não é o caso de se estabelecer um cabo de guerra entre o Executivo e o Legislativo. É sim o momento de buscar sinergias, cada qual com sua autonomia, sua independência, mas compreendendo que a governabilidade, na verdade, não é só do Poder Executivo. Isso precisa ficar claro.

Quando se fala em governo são os três poderes, cada qual com sua competência, sua independência. Há uma interdependência que não deve ser perdida de vista. Todos os poderes têm que ter a consciência de que a governabilidade não é uma responsabilidade só do Executivo. Governo são os três poderes.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Sudene - ainda no papel

Embora esteja muito longe daquilo que se gostaria, eu espero que a nova Sudene saia do papel. Será uma Sudene fraca, sem recursos. Uma Sudene distante do que os nordestinos precisam para alavancar o desenvolvimento da Região. Mas já que foi algo prometido, e anunciado várias vezes, tem que ser recriada a fim de conceber projetos que nos levem a superar as diferenças entre os estados e as regiões brasileiras.

Mais comentários sobre este assunto:

A importância da Sudene para o desenvolvimento da Região Nordeste

Comemoração do 40° aniversário da criação da Sudene

Críticas aos escassos recursos destinados à Sudene

Liberação de recursos para conclusão de importantes projetos na Região Nordeste

Reivindicações dos governos e das bancadas nordestinas para o período de 1996/2010