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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Prêmios

O cinema português acaba de ter dois filmes premiados no Festival de Berlim.


Rafa, de João Salaviza, levou o Urso de Ouro na competição dos curtas.

Tabu, de Miguel Gomes, recebeu o Prêmio Alfred Bauer destinado ao filme que "abre novas perspectivas à arte do cinema", além da premiação dada pelos críticos presentes ao evento.

Saiba mais no Público, edição de 19/02/12

domingo, 19 de junho de 2011

Marilyn

O vestido usado por Marilyn Monroe no filme O Pecado Mora ao Lado foi arrematado por 3,2 milhões de euros. O traje é aquele que veste a loura na famosa cena da saia esvoaçante.

O resultado surpreendeu pois, da mesma atriz, o vestido usado no filme Os Homens Preferem as Louras atingiu 800 mil euros.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Estrelas III

...continuação.

Por trás da imagem estereotipada de uma diva do cinema havia uma mulher sensível e inteligente que emergeria na sólida amizade que dedicou a Montgomery Clift, por quem se apaixonara durante a filmagem de Um Lugar ao Sol (1950).

Clift foi um homossexual semiassumido, personalidade torturada, imposto por ela como seu parceiro em Reflexos num Olho Dourado (1967) que entretanto morre e é substituido por Marlon Brando.

Cria a Fundação Clift e colabora com Associação Americana para Doenças de Coração e a Sociedade Britânica da Crianças Deficientes Mentais.

Quando Rock Hudson, seu amigo desde os tempos de Gigante, perto de morrer de Aids assume sua homossexualidade, ele um dos galãs do cinema americano, Elizabeth Taylor enceta uma campanha contra a hipocrisia de Hollywood, em defesa dos homossexuais, centrada no ator medíocre que foi Ronald Reagan figura de proa do macartismo no meio cinematográfico.

Uma carreira tão longa e vitoriosa não escaparia de insucessos, tais Boom e Cerimônia Secreta (1968) e protagonismos em filmes sem grande representatividade (X,Y e Z e Por que Morre o Nosso Amor).

Encenou o gigantesco fracasso de George Cukor, O Pássaro Azul (1976), e nem o fabuloso elenco( Rock Hudson, Tony Curtis, Kim Novak) de O Espelho Quebrado (1980) bastou para livra-la do papel de canto do cisne.

Depois disso aparições em séries da televisão marcaram seu declínio e o fim da carreira cinematográfica.

Uma vida sentimental tumultuada, doenças graves, internações em clínicas de recuperação de alcoolismo, excesso de peso, operações plásticas, hostilidade da imprensa, não abateram seu ânimo que acondicionado num corpo frágil venceu todas adversidades.

Ela foi, como está em uma matéria que veio no Público : uma beleza deslumbrante resultante de uma química inexplicável operada pela luz e pelo olho da cãmara.

Mito vivo e imperecível, segundo o mesmo jornal, instituido no mínimo pelos close-ups de Um Lugar ao Sol; o seu solilóquio final em Bruscamente no Verão Passado; a imponente entrada em Roma, de Cleópatra; a fúria sanguinária de Quem tem Medo de Virgínia Woolf.

Saiba mais no jornal Público, edição de 24/03/11

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Estrela III


Elizabeth Taylor - a última das estrelas, integrante de um grupo vinculado aos grandes estúdios de Hollywood no apogeu do cinema americano.

Greta Garbo, Ava Gardner, Rita Hayworth, Marlene Dietrich, Grace Kelly, protagonizavam nas telas e na vida real cenas luxuosas cheias de glamour e elegância semeando escândalos feitos de excessos que desdenhavam das normas sociais.

A filmografia de Taylor é extensa e divizível em grupos de filmes que correspondem a fases de sua vida.

A menina pura e casta de Lassie e a boneca de rosto perfeito e olhos violetas de Mulherzinhas (1949) e o Pai da Noiva (1950) não advinhavam ainda a devoradora de homens de sucessivos casamentos e vida tumultuosa  que se constituiu em prato cheio para a imprensa ávida de notícias escandalosas.

Na primeira metade dos anos 50 atuou em filmes de aventuras como Ivanhoé (1952), melodramas, Rapsódia (1954) com o esplendor de sua fotogenia e no final da década, já uma figura sexy, em peliculas das quais Gata em Telhado de Zinco Quente 1958) é um exemplo.

Como Cleópatra (1963) viria a desempenhar seu papel paradigmático movida pela paixão na tela e na vida real por Marco Antonio na pele de Richard Burton com quem casou duas vezes numa relação turbulenta regada a álcool e diamantes.

O encontro com Burton culmina um desfile de maridos e amantes que começa com um rico herdeiro da cadeia de hóteis Hilton, seguindo-se o produtor Mike Todd, o ator inglês Michael Wilding e Eddie Fisher, que "roubou" à sua amiga Debbie Reynolds o que lhe valeu a censura social e o fim do estado de graça de sua imagem pública.

Matrona preoccemente envelhecida revela-se atriz de insupeitados recursos nos filmes Adeus as Ilusões (1965) e Quem Tem Medo de Vírginia Woolf .
continua...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Estrelas II

Maria Schneider - jovem atriz, tornou-se conhecida pela atuação no filme Último Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, tendo como parceiro Marlon Brando.

O filme teve enorme repercussão, foi tido como pornográfico, proibido em vários paises, inclusive o Brasil, famoso por uma cena de sexo facilitada pelo emprego de manteiga.

Estigmatizada pelo papel que desempenhou, aos 19 anos, declarou-se traida pelo diretor, a quem jamais perdoou; teve uma carreira medíocre com papeis secundários em filmes sem importância.

A exceção foi o filme Profissão -  Repórter, de Michelangelo Antonioni  no qual contracenou com Jack Nicholson.

Disse-se arrependida da cena polêmica que afirmou não estar prevista no roteiro original.

O trauma levou-a ao consumo de drogas tendo sofrido ainda transtornos mentais que provocaram inernamentos em hospitais.

Faleceu de câncer, aos 59 anos. Era filha do ator francês Daniel Gélin.

Estrelas

Este ano perdemos três estrelas do cinema, Annie Girardot, Maria Schneider e Elizabeth Taylor. Três vidas, três estilos, três destinos.

Annie Girardot - Jean Cocteau a considerou  o mais belo temperamento dramático do pós-guerra. Atriz popular francesa por excelência dizia-se verdadeira, totalmente verdadeira.

Seu percurso é uma sobreposição de representação e vida. Segundo ela tudo o que representava tinha de o sentir verdadeiro e pessoal.

Sua revelação veio em uma película do neo-realismo italiano no papel de Nadia que Luchino Visconti filmou em Rocco e Seus Irmãos (1960). Contracenou com o ator italiano Renato Salvatori que viria a ser seu marido e pai de sua filha Giulia.

Sofrendo de Alzheimer gravou há três anos um depoimento sobre a doença para Nicolas Baulieu - Annie Girardot, Ainsi Va la Vie.

Falecida aos 79 anos em 1996 ao receber o prêmio César como melhor atriz secundária no filme Os Miseráveis disse : não sei se fiz falta ao cinema francês, mas o cinema francês fez-me falta... loucamente...perdidamente... dolorosamente... 

Atuou nos seguintes filmes : Treize à Table (estreia), Morrer de Amar (1971), Docteur Françoise Gailland (1976), O Pianista (2000).

Foi ícone feminista, as mulheres reconheciam-se nela como alguém que as representava.

Saiba mais no jornal Público, edição de 01/03/11

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Liz Taylor

Para ler melhor clicar sobre o texto

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Humberto Teixeira

A atriz Denise Dumont deve estar muito feliz por ter realizado o sonho de sua vida, o filme O Homem Que Engarrafava Nuvens, sobre seu pai, o cearense de Iguatu, Humberto Teixeira, o doutor do baião.

A felicidade aumentou por ver o filme arrebatar prêmios no Cine Ceará, entre eles o trofeu Oscarito.

Durante sua permanência em Fortaleza, uma nuvem turvou a tranquilidade de sua vitória, foi assaltada em plena avenida Beira-Mar.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Mitos

Não os consideraria meus mitos, mas não nego que sinto um certo fascínio por eles. Refiro-me a Marilyn Monroe e John Fitzgerald Kennedy.

Lendo o livro Marilyn e JFK, de François Forestier, editora Objetiva, conheci melhor os bastidores da política americana e suas conexões com o mundo do cinema e do crime.

Soube mais da forma como se constituiu a dinastia dos Kennedy, sob a liderança do patriarca Joseph Kennedy, que não respeitou limites para se tornar rico e ter acesso ao topo da política americana.

O clã que esbanjou charme e poder nos EUA, não constituía propriamente um modelo de família recatada e de estrutura sólida. As incursões de Kennedy junto às mulheres, revelam uma compulsão sexual, algo ansiosa, que não respeitava oportunidade e lugar.

O texto revela um cenário suntuoso onde abundam políticos, estrelas do cinema e do show business, milionários, cafetões e mafiosos movidos pelo poder e pelo dinheiro, vigiados por um sistema de espionagem que alimentava a chantagem e a extorsão, com objetivos políticos e financeiros.

Nesse contexto, a vítima não poderia ser outra: Marilyn. A menina de origem pobre, produto de uma família esfacelada pelo álcool e a loucura, bela e talentosa, despreparada para o sucesso e suas armadilhas.

Os insucessos matrimoniais, a bebida, os estimulantes e os antidepressivos consumidos imoderadamente, devastaram sua personalidade frágil, destruida pelo turbilhão do estrelato.

Joe DiMaggio, que parece nunca ter deixado de amá-la,viu-a migrar, atraida pela auréola do poder e o charme pessoal, para os braços do político promissor, que era então o jovem senador.

De longe, acompanhou sua ruina física e moral até na morte.

A relação dela com Kennedy parece ter sido mais profunda que as incontáveis digressões sexuais passageiras do presidente, tendo seu ápice e epílogo na encenação da atriz no primor erótico do happy birthday presidencial.

Descrito por Forestier, assim: Aqueles sete minutos passam instantaneamente para a história pop do século XX.

A morte trágica de ambos completou a obra, que os entronizou na galeria dos ícones do século passado.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O Blog do Lúcio Agora Também em Papel

Sou um bibliófilo assumido.

E, como um amante dos livros, a ideia de deixar um registro em papel, dos meus escritos na internet, me perseguia desde que entrei para a blogosfera, há 2 anos.

Esse sonho agora se materializou.

Está saindo do forno, minha nova publicação Blog de Papel. Um livro que reúne informações sobre música, cinema, literatura, cultura em geral. Um olhar crítico sobre a administração pública no Ceará, no Brasil e no mundo; dicas de economia. Enfim, é bem variado.

Quero compartilhar este momento com vocês, que me acompanham e me ajudam a dar vida ao Blog do Lúcio.

Afinal, sem os comentários - favoráveis e desfavoráveis - a vontade de escrever não seria tão intensa. E o número de acessos não se manteria.

Marquei o lançamento do livro para este próximo sábado, dia 16 de maio. E quero encontrar vocês para ganhar os parabéns.... Afinal, é meu aniversário.

Tudo bem se os cumprimentos forem pelo livro e pelo meu natalício. Mais motivo pra festa.

Estarei no Clube Náutico esperando todos, das 12 às 15 horas.

Serviço:
Náutico Atlético Cearense
Avenida da Abolição, 2727
Meireles
60165-081 Fortaleza Ceará
Telefone (85) 3242 10 23
Lançamento do livro Blog de Papel
Dia 16 de maio de 2009
Das 12 às 15 horas

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Cinema

Há um filme que, pelo que li, merece ser visto. É Katyn, do renomado cineasta polonês Andrzej Wajda. O autor confessa que há anos é obcecado pela ideia de narrar o episódio sinistro do genocídio de oficiais poloneses.

O fato, inicialmente atribuído aos nazistas, foi de responsabilidade dos comunistas. Durante a guerra, a Polônia foi ocupada pela Alemanha, tendo se estabelecido um governo polonês no exílio, com sede em Londres.

Quando a derrota alemã estava prestes a ocorrer, aliados de um lado e russos de outro, avançavam sobre a Europa, Churchil insistia com Roosevelt para garantir o retorno ao poder dos poloneses exilados.

A leniência do presidente americano em relação à Stalin permitiu a ocupação da Polônia e de outros países do leste europeu, bem como a divisão da Alemanha. Constituída a URSS, estava pronto o cenário da guerra fria.

A Polônia, a meio caminho da Rússia, tem sido uma vítima de todas as guerras europeias, palco de muitas tragédias. Vítima da tirania dos invasores.

Katyn é o nome da floresta russa na qual teriam sido mortos 14.000 poloneses, entre militares e civis, inclusive o pai de Wajda.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 08/04/09.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Visto, Lido, Ouvido III

Cinema

Tive oportunidade de assistir bons filmes em minha temporada lisboeta. Seguem-se alguns de que me recordo:

Amália
Produção portuguesa sobre a vida, paixões, sofrimento e desilusões de uma menina pobre que se tornou ícone de Portugal no mundo, a fadista Amália Rodrigues. Há menção a sua proximidade com Salazar e restrições internas que enfrentou, após a revolução de 25 de Abril.

O banqueiro morto era a promessa irrealizada de uma felicidade que nunca foi completa nem permanente.

Não falta a etapa brasileira e o amor tropical colhido na efervescência de Copacabana.

A Troca
Baseado em um episódio verídico, ocorrido nos Estados Unidos, na década de 30, salvo engano, retrata o sofrimento de uma mãe cujo filho desaparece, sendo-lhe impingido um outro, como se fora o seu.

É um relato cruel do poder policial e do poder médico que, associados, determinam a internação compulsória da mulher em um manicômio, para ocultar o erro cometido e o despreparo e corrupção da polícia.

Seu único "erro" era saber que a criança que lhe entregaram não era seu filho, e a persistência com que recusava a solução dada e continuava a buscá-lo.

É um filme que impressiona pela brutalidade do enredo e a pungência do drama. Tanto maior quando se sabe tratar-se de obra de ficção inspirada em um fato real. Imperdível.

Benjamin Button
Filmado a partir de um conto de F. Scott Fitzgerald, sobre um menino que nasce velho e rejuvenesce com o passar do tempo, até tornar-se um bebê.

Um drama interessante, com quadros de humor, frutos de situações incomuns, algumas constrangedoras, criadas em decorrência do inusitado fenômeno cronológico. A paixão que une por algum tempo o casal inviável, é de uma beleza atroz. Existe mesmo isso? Foi a expressão que me ocorreu para descrever o que vi e senti.

Valquíria
Outro filme realizado a partir de fato real, transcorrido durante a Segunda Guerra Mundial. Narra a conspiração de oficiais alemães, pertencentes à elite do exército germânico que, insatisfeitos com a forma como Hitler conduzia o país e a guerra, queriam destituí-lo.

A figura central é o Coronel Stauffenberger, um aristocrata, herói de guerra, que encarnou o papel mais arriscado na trama.

O atentado falhou, mas, embrulhado no pacote do nazismo, ainda não foi completamente digerido pelos alemães. Haja vista as objeções encontradas pela produção para fazer as filmagens na Alemanha.

Não faltam violência, pusilânimidade, altivez, traição e acasos que escreveram a história. Há uma sucessão de cenas tensas, que deixam o espectador em estado de permanente alerta.

Quem quer ser um bilionário
Um filme diferente, ao mesmo tempo trágico e alegre. Realização inglesa com ingredientes da Bollywood indiana.

O cenário da Índia, a um só tempo majestosa e miserável, admite uma história inverossímil, mas com um forte conteúdo humano, que lhe dá surpreendente substância.

Trata-se de uma produção barata, cuidada, exitosa, que expõe as mazelas e a pobreza de uma potência emergente, que despertou reações negativas dentro e fora da Índia, arrebatando uma coleção de óscares.

Críticos torceram o nariz ao que consideram uma fórmula fácil para alcançar sucesso e uma rejeição não revelada a um filme com um improvável final feliz. A infelicidade parece ser, para alguns críticos de cinema, um elemento indispensável à aprovação de uma película.

Teatro

Assisti a uma adaptação para o teatro da obra de Eça de Queiroz, Os Maias. O João da Ega roubou a cena. Lido e representado, está entre meus personagens prediletos.

Um clima singular cercou a apresentação da peça. É que ela se deu no Teatro Trindade, que é belíssimo, e eu ainda não conhecia, cenário de encontros de Maria Eduarda e Carlos da Maia, heróis do romance.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Lusas II

1. Carteiristas
Viajando nos transportes públicos de Lisboa, leio o aviso cuidado com os carteiristas! Enquanto não chego ao destino, fico pensando: se quase ninguém mais usa carteira de cédulas, que esta seja uma profissão em extinção.

2. Carmen Miranda
O dia 9 de fevereiro marcou o centenário de Carmen Miranda. Portuguesa de Marco de Canavezes, levada para o Brasil aos dezoito meses de nascida, foi a primeira artista latino- americana a fazer sucesso nos Estados Unidos. Diz-se ter sido, à época, a atriz mais bem remunerada naquele país.

Acusada no Brasil de americanização, sempre lembrou que continuava a cantar em português. Nunca se recusou a receber brasileiro ou português, contrariando ordens do seu empresário, que a procurasse em seu camarim.

Faleceu aos 46 anos devorada pela fama, barbitúricos, amores e as tensões da carreira. Deixou suas mãos impressas na calçada fama de Hollywood, e é nome de rua em Los Angeles. Além de Aurora, que também cantou e fez filmes, tinha outra irmã, Olinda.

Segundo Ruy Castro, biógrafo de Carmen, esta, com o mesmo espírito descontraído de Carmen, era mais bonita e tinha melhor voz. Tuberculosa, foi enviada para Portugal, onde veio a falecer no sanatório do Caramulo, aos 23 anos. Teria sido ela a ensinar a irmã, a música e a faceirice que a fizeram famosa.

Era o destino a traçar os caminhos de Carmen. Jornais e televisão portugueses deram grande espaço ao centenário de nascimento da artista. A Cinemateca vai promover um ciclo de exibição de seus filmes. E em sua terra natal, além das comemorações aniversárias, implanta-se um museu em sua memória.

Saiba mais no Diário de Notícias, edição de 07/02/09.

3. Goya
A tela O Colosso, exposta no Museu do Prado, em Madri, onde está desde 1931, atribuida à Goya, teve esta autoria descartada, a partir de pesquisas realizadas por peritos, desde junho do ano passado. Uma das descobertas, foi a presença das iniciais A J no canto inferior esquerdo do quadro. O autor poderia ser Asensio Juliá, principal discípulo de Goya.

O Prado insiste em não assegurar a identidade do pintor da obra, pintada entre 1808 e 1812. Ao chegar ao Prado, foi logo tida como expressão máxima do Goya moderno, embora diferisse, em termos, de estilo e tema do restante de sua obra.

Se você, caro leitor, teve a felicidade de ir ao Prado, e se deslumbrar diante dela, não deixe de admirá-la por se ignorar seu autor. O anonimato não lhe subtrai a beleza.

Saiba mais no Diário de Notícias, edição de 27/01/09.

4.Violência
O Brasil pode ter acrescentado mais um item à lista de produtos de exportação. A polícia portuguesa suspeita de que um dirigente da organização criminosa Primeiro Comando da Capital, foragido de uma prisão de São Paulo, esteja em Portugal para implantar o Primeiro Comando de Portugal.

Brasileiros ilegais têm sido detidos na busca de identificar-se o marginal. O alerta foi dado pela Interpol e Europol. As polícias dos dois paises trabalham em conjunto para esclarecer o caso.

Saiba mais no Diário de Notícias, edição de 10/02/09.

5. Universidades Portuguesas
Segundo o Ranking Web das Universidades do Mundo, feito pelo Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), da Espanha, as universidades do Porto e do Minho estão entre as 300 primeiras do mundo. Na 271ª e 300ª classificações, respectivamente.

O critério classificatório considera as atividades científicas e a visibilidade que cada instituição alcança em face delas.

Saiba mais no Diário de Notícias, edição de 10/02/09.

6. Automóveis
Desde que saiu da linha de montagem, em 1908, o primeiro Ford T, o automóvel se associou indissoluvelmente à cultura americana. O fascínio deste ícone do século expandiu-se daí para o mundo, mas foi na matriz que se infiltrou, definitivamente, na cultura contemporânea.

Personagem assídua nos filmes, na música, na literatura, cenário de colóquios amorosos de adolescentes sôfregos, o automóvel entranhou-se de tal forma na vida cotidiana, que já não queremos deixá-lo para ver filmes, comprar hamburgueres ou sacar dinheiro em caixas eletrônicos. Para isso, inventaram-se o drive-in e o drive thru.

Virou objeto do desejo, a ser cavalgado na vertigem da velocidade, condenada a imobilidade no trânsito enfartado das grandes cidades ou a ataúde dos espatifados em corridas alucinadas.
É a morte que imortaliza. Vide James Dean e Airton Sena.

Modelos famosos tornaram-se objetos de culto, símbolos de poder, beleza, exemplos de desenhos industriais marcantes.

Pela primeira vez, a pátria do automóvel perdeu o posto de maior mercado mundial de carros. Em janeiro deste ano, os chineses compraram mais carros que os americanos. Foram 650 mil contra 790 mil.

Saiba mais no Diário de Notícias, edição 10/02/09.

domingo, 2 de novembro de 2008

Nudez

O ator Pedro Cardoso desatou uma polêmica ao se opor contra o que considera um abuso da nudez no cinema e na televisão. Fê-lo em discurso, antes da exibição do filme de Domingos de Oliveira, Todo Mundo Tem Problemas Sexuais, durante o Festival do Rio. Sugiro para o manifesto, o título de Toda Nudez Será Filmada.

O conhecido ator, que não tem nada de moralista, denuncia as implicações morais e trabalhistas da exigência de nudez para atender ao voyeurismo e disfunção sexual de diretores e roteiristas que nos impingem essas cenas macabras. Forte, não? Para ele, a nudez na arte, que foi uma conquista contra a repressão sexual, tornou-se apenas um modo de atrair público.

Haveria, assim, uma nudez natural, artística, aceitável, dentro de um determinado contexto narrativo. E outra forçada, pornográfica, destinada a chamar público ou atender instintos dos que detém uma posição de força em relação aos artistas.

A banalização da nudez não tem inspiração estética. Reproduz cenas de prostíbulos, que já abastecem os interessados, via canais especializados da TV a cabo. É o nu prostituto, erotismo de balcão.

Ouvidos pelo jornal Folha de São Paulo, vários diretores e atores se pronunciaram com entendimentos divergentes sobre a questão.

A atriz Cláudia Abreu, que apareceu nua e fez uma cena de sexo com Rodrigo Santoro, no filme Os Desafinados, apóia a posição de Pedro Cardoso, dizendo ter passado por uma situação dessas recentemente.

Já Lucélia Santos, afirma que o ator que tem vergonha de ficar nu é por um problema pessoal. Se como atriz perco a espontaneidade nua, não funciona.

Saiba mais na Folha de São Paulo, edições de 10 e 13/10/08.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Janela

Janela Indiscreta, o notável filme de Alfred Hitchcok, é baseado em um conto de Cornell Woolrich, cuja trama consiste na história de um homem imobilizado, que bisbilhota de sua janela a vida alheia.

É uma história de suspense, baseada no ponto de vista do personagem, James Stewart, que, ao contemplar seus vizinhos, suspeita que um crime acabe de ser cometido sob seus olhos.

Numa época em que Hitchcock fazia sucesso, era famoso, ganhava dinheiro mas não era levado a sério pela crítica, os franceses Chabrol, Rohmer e Truffaut, jovens críticos do Cahier du Cinema, entronizaram-no no panteão dos grandes cineastas.

A entrevista que Truffaut fez com Hitchcock esclarece muito sobre os filmes realizados pelo diretor americano. Transformada em livro, é considerado, por alguns, como um dos mais belos já escritos sobre cinema.

Grace Kelly substitui na tela o enfermeiro do livro, no filme que consiste em três momentos distintos: O homem imóvel que olha para fora; o que ele vê; a reação dele. O filme retrata o que Stewart vê e como ele reage ao que vê. É a pulsão do olhar que impele o voyeur a lançar a vista em derredor.

Para saber mais sobre o filme e o conto que lhe deu origem, recomendo:

Jornal O Estado de S. Paulo, edição de 27/09/08.

Janela Indiscreta e Outras Histórias - Cornell Woolrich. Companhia das Letras.

Hitchcock/Truffaut - Companhia das Letras. 2004.

domingo, 7 de setembro de 2008

Adriano


Adriano, o imperador romano, está sob os holofotes da mídia, que revive o interesse por esta figura histórica, intensamente promovida por Marguerite Yourcenar, no seu fascinante livro, Memórias de Adriano, lançado em 1951. O sucesso mundial de vendas ajudou a autora a chegar à Academia Francesa, sendo a primeira mulher a integrá-la.

Uma exposição no British Museum, aberta há um mês, a realização de um documentário pela BBC, junta-se à adaptação para o cinema do livro de Yourcenar, desencadeiam uma releitura de Adriano, ao tempo que projetam sua figura para o centro do interesse cultural.

A mostra teve 12.000 ingressos vendidos antecipados pela internet, um recorde para o Museu. O filme deverá estar pronto em 2010, com Antonio Banderas no papel do imperador e locações na Itália, Marrocos e Espanha.

O livro, que considerei delicioso quando o li, é escrito em forma de carta de Adriano, já no fim da vida, ao seu sucessor Marco Aurélio. Yourcenar levou 25 anos para escrever o livro, tendo realizado sólida pesquisa histórica para, segundo ela, refazer, por dentro, aquilo que os arqueólogos do século 19 fizeram por fora.

Saiba mais no jornal Folha de S. Paulo, edição de 26/08/08.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Banana

A banana é a fruta mais consumida no mundo.

Como alimento, só perde no consumo para o trigo, o arroz e o milho. É cultivada em 130 países. Originária do sudeste asiático, seu berço provável foi a Nova Guiné. São, ao todo, 35 espécies espalhadas pelo mundo.

Seu nome é fácil de pronunciar em qualquer língua, e ela é de uma versatilidade insuperável. Come-se in natura, assada, processada, cozida, amassada, doce ou salgada. Só ou acompanhada.

Versatilidade igual, só a das metáforas que sugere.

Dar uma banana é insultar alguém; o banana é um frouxo; entrar numa bananosa é estar em dificuldade. E da profusão de alguma coisa diz-se a preço de banana.

Pela sua forma tornou-se um símbolo fálico, que se presta a demonstrações e usos heterodoxos.

Está na letra de canções, nos trajes e cenários de musicais. Basta lembrar, como exemplo, a octogenária melodia, que falava da Chiquita Bacana, lá da Martinica, que se veste com uma casca de banana nanica...

É inspiração para a moda, o design, as artes plásticas, o cinema e a decoração. A banana é fashion.

Delícia exclusivamente tropical, quando conhecida, encantou europeus e americanos. Para terem uma idéia, um americano consome, em média, 150 bananas por ano.

Produto tão popular, envolve uma economia nada desprezível...

E aí, chegou à política. Ou melhor, à sua versão armada, guerras e revoluções.

Dois livros recentes, saídos nos Estados Unidos, Banana - The Fate of the Fruit that Changed the World, de Dan Koeppel e Bananas - How the United Fruit Company Shapped the World, de Peter Chapman, contam o que se passou em torno dela, sobretudo nos países da América Central, que ficaram conhecidas pelo apodo genérico de banana republics.
Os golpes, a corrupção e a violência desencadeadas pelas empresas interessadas em dominar a produção e o comércio da fruta inspiraram, também, muitos escritores. Os colombianos Gabriel Garcia Marquez e Alvaro Cepeda Samudio e o guatemalteco Miguel Angel Asturias são bons exemplos disso.

Agora, chegou a vez de sabermos que a prosaica banana é tão vilã quanto o petróleo, no fomento às guerras, misérias e tragédias mundo afora.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 26/04/08.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Cinema

O número de salas de cinema no Brasil está crescendo. O fato deve-se à expansão do setor de shoppings. Entre 1997 e 2007, o número de salas passou de 1.075 para 2.120. A previsão é de crescimento, pelo menos para os próximos quatro anos.

Estamos longe, ainda, de atingir a marca de 1975, quando eram 3.276 salas em funcionamento no País. O fundo do poço aconteceu em 1995, quando chegamos a ter apenas 1.033 salas exibidoras.

Apesar do aumento do número de salas, a quantidade de ingressos vendidos vem caindo desde 2005. O máximo vendido, no intervalo de dez anos, foi em 2004, de 117,5 milhões. O recuo de público é de 24% desde 2004.

O preço dos ingressos, por sua vez, aumentou 66%, desde 2000.

Depois de um longo período de estagnação, a produção de filmes no Brasil avançou em quantidade e qualidade. Parece faltar, ainda, uma política de exibição que dê mais sustentação ao setor.

Os cinemas de bairro e as grandes salas dos centros das cidades, desapareceram para se confinarem nos shoppings, segundo uma nova concepção funcional.

Um dia desses passeei, com meu neto Lúcio, pela Avenida Bezerra de Menezes e adjacências, para mostrar-lhe locais onde vivi, até deixar a casa de meus pais para me casar.

Atraído por uma notícia de jornal, que dava conta de sua reabertura, percorri a rua onde funcionou o Cine Nazaré, que freqüentei com assiduidade, durante minha infância. A fachada pobre estava decorada com três cartazes toscos, feitos a mão. Um deles, que anunciava o seriado do Durango Kid, me transportou de volta a um passado de despreocupação e felicidade, em parte vivido naquele salão modesto de um cinema de bairro.

Se alguém puder me ajude, o Durango Kid era o Hopalong Cassidy, montado em um cavalo branco, e sempre acompanhado de um trapalhão que chamávamos carinhosamente de doidinho?

Saiba mais no jornal Folha de S. Paulo, edição de 20/07/08.

sábado, 26 de julho de 2008

Simonal

No Festival de Cinema de Paulínia (SP), um filme documentário encantou a platéia. Foi Simonal, Ninguém Sabe o Duro que Dei, de Manoel, Micael Langer e Cavito Leal.

Conta a história do músico-cantor. O artista que inventou a pilantragem e tinha um jeito especial de encantar auditórios, que dominava com sua extraordinária facilidade de comunicação. Criou, para si, a imagem do malandro carioca, esperto, bon vivant.

No auge da fama, teve um desentendimento com seu contador, em quem mandou aplicar uma sova encomendada a agentes do DOPS. Terminou por ser acusado de informante da polícia política, responsável por prisões e torturas durante o regime militar.

Execrado pelo meio artístico, ficou sem gravar e fazer shows, até morrer, esquecido, consumido pelo álcool. Nunca chegou a ser reabilitado.

O filme está sendo elogiado por apresentar os fatos de forma neutra, sem enveredar pelo caminho, tão ao gosto dos brasileiros, das hagiografias post mortem.

Quem viu e ouviu Simonal, não esquece do seu talento e empatia, cantando com graça aliciante canções simples, como Meu Limão, Meu Limoeiro.

Foi, é inegável, um grande show man.

Saiba mais em O Estado de S. Paulo, edição de 10/07/08.

quinta-feira, 27 de março de 2008

São Luiz

O Cine São Luiz completa 50 anos. Foi, e é, um ícone da cidade de Fortaleza.

Sinônimo de elegância e conforto, acolheu platéias em suas luxuosas instalações, até a derrocada das grandes salas de exibição e o esvaziamento do centro da cidade.

A exibição de Anastacia, como na noite inaugural, é apenas nostalgia de uma época que não volta. E talvez esteja aí o seu sabor.

Ingrid Bergman, que encantou nossa adolescência, é a imagem desbotada de um glamour que a modernidade destruiu, impelida por costumes e estrelismos que não conhecem limites.

A esquina do pecado continua lá. Não sei se o vento é o mesmo. Se for, já não há saias a levantar. Se houvesse, os rapazes já não teriam interesse no espetáculo. Refiro-me ao costume provinciano que tinham os jovens de se postarem diante do cinema, à espera de que as piruetas do vento levantassem as saias largas das moças, para um vislumbre em bem guardadas maravilhas.

Quando aquela jóia correu o risco de desaparecer ou sucumbir a usos incompatíveis com seu esplendor, foi o Presidente do Sistema Fecomércio, Luis Gastão, que teve a feliz idéia de preservá-lo, dando-lhe destinação adequada, a cargo do Serviço Social do Comércio (SESC).