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sábado, 12 de maio de 2012

Uma lágrima (apud Daniel Piza)

Amanheci a quinta feira com a triste notícia da partida do Sinésio. Um corpo de 97 anos, uma alma de criança. Como costumam ser as almas dos poetas.

O corpo gasto não suportou o trauma terapêutico. A lucidez não o abandonou até o fim.

Deixou pronto o último "Mensageiro da Poesia" que não pode levar no alforge da eternidade para entregar no paraiso celeste. Terá a oportunidade de passar a mensagem ele mesmo.

sábado, 28 de abril de 2012

Cartas II

Cartas constituiram sempre um importante meio de comunicação entre as pessoas. A partir delas é possível perceber relações humanas, quanto à sua intensidade e qualidade, entender episódios e atitudes que se explicam nas correspondências.

Sua natureza reservada enseja a revelação de fatos e sentimentos que normalmente não viriam à luz mas explicam vidas e trajetórias pessoais.

Por isso são inúmeras as obras publicadas com base nas correspondências de escritores e políticos com o objetivo de contribuir para um melhor conhecimento desses personagens e compreensão do ambiente em que atuaram.

Tornaram-se famosas cartas de amor e despedidas de suicidas.

O gênero epistolar saiu de moda. Já não se escrevem cartas. Tudo que chega nas caixas dos correios são extratos bancários, cobranças, propaganda comercial, convites, uma papelada burocrática ou inútil.

A comunicação se faz agora pelas asas velozes da internet. O nome da carta é email. O papel foi substitutido pela tela brilhante do computador. O resgate das mensagens está agora na órbita dos bisbilhoteiros divulgadas segundo sua conveniência.

O wikileaks é a expressão máxima desse voyeurismo virtual.

O imediatismo do email não tem compromisso com a posteridade. O estilo telegráfico inova a linguagem, introduz palavras e uma nova ortografia. Anuncia a morte lenta da escrita cursiva.

Nesse clima de decadência do missivismo há os que ainda exploram o gênero para interpretar emoções e confidências reservadas aos destinatários.

É o caso da revista Correspondências - o gênero epistolar, edições Colibri, cujo número 1 data de 1998. No texto de abertura afirma-se que " carta instala-se na fronteira instável entre o que é e o que não é literatura, se é que alguma vez se poderá chegar a uma conclusão segura sobre o assunto".

A pergunta talvez não encontre resposta mas o conteúdo das cartas é um campo fértil para o estudo dos autores e suas obras.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

De volta para o futuro - Lee Siegel

Às vezes você sai de casa e tropeça numa metáfora. Foi o que ocorreu outro dia no meu exame médico anual. Primeiro, porém, preciso lhes falar do meu médico, vamos chamá-lo de Doutor X.

O Doutor X costuma dizer que gostaria de ser escritor. Isso se deve, talvez, ao fato de que, como muitos de seus colegas, ele sente que perdeu sua autoridade para empresas de assistência médica burocráticas e processos judiciais onerosos. Os escritores, por sua vez, não precisam preencher 20 formulários para cada peça que publicam, e raramente são processados. E, enquanto as pessoas se sentirem indispostas por alguns minutos a cada dia, os escritores serão lidos. Mesmo que logo esquecido, ser lido confere uma migalha de autoridade.

De minha parte, eu cobiço a vida do Doutor X. Ele é calmo, responsável, senhor de si, e um curandeiro talentoso. E tem mais, ele é rico. Como gastroenterologista, ele realiza, assim me disseram, aproximadamente 20 colonoscopias por semana a US$ 1.500 cada uma. Se eu recebesse meros US$ 10 a cada vez que me deparei, socialmente, com essa parte particular da anatomia, o New York Times recorreria a mim e não a Carlos Slim na próxima vez que precisasse tomar US$ 250 milhões emprestados.

O tipo de escritor a que o Doutor X aspira ser, em suas breves fantasias vicárias, é o comentarista político. E assim, durante o exame da minha próstata - não, não é esta a metáfora, não ainda - ele trouxe à baila o tema da economia americana. Não dá para ficar empurrando com a barriga, disse ele sobre a dívida nacional. Não há vontade política para mudar isso, tampouco, ele prosseguiu. Há apenas resistência absoluta de um lado, e equívoco absoluto do outro. A situação, concluiu, enquanto terminava, arrancando sua luva de látex, é desesperadora. Não se preocupe, ele disse, dando-me um tapinha nas costas enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas, 'eu não me referia a você'.

O exame prosseguiu e a conversa enveredou para outros países, outras economias. Então eu lhe contei - me gabei, se querem saber a verdade - que acabava de ser contratado por este jornal para escrever uma coluna quinzenal. Ele parou e me fitou, os olhos bem abertos. "Brasil!", exclamou. É um lugar notável, disse. Poderoso e crescendo, cheio de esperança e promessa. Sorriu para mim e se despediu com um aperto de mão.

Você chega ao outro lado dos 50 e suas visitas anuais ao médico mudam. Há mais temores, mais medicações, mais exames. O médico já não lhe pergunta como vão seus pais. Pergunta como eles morreram. O prazer de viver começa lentamente a se fundir no negócio de permanecer vivo. Civilizações são assim, também. Enquanto eu crescia, o Brasil era a forma empolgante do que estava por vir. Brasília começou a subir em seu planalto quase na mesma época em que nasci. São Paulo estava se transformando quando eu frequentava o primário. Em romances e filmes, o Brasil era retratado como o futuro dourado.

Agora, de uma perspectiva americana, o futuro do Brasil é o passado dos Estados Unidos. O Brasil é o passado americano dourado. Com sua economia florescente e suas classes sociais em ascensão, o País lembra os Estados Unidos logo depois da 2.ª Guerra Mundial, quando a política funcionava, as pessoas tinham empregos, e a mobilidade social era a norma para muitas pessoas. O Brasil virou o lado brilhante do capitalismo.

Nos Estados Unidos de hoje (eis a metáfora), o prazer de viver se tornou agora o negócio de permanecer vivo. Há muitos temores, muitos exames, mas nenhum remédio à vista. O capitalismo americano, impelido por seus excessos, caiu em seu lado escuro. O sentimento por aqui é de que não há ninguém nos controles. Ninguém tem uma autoridade decisiva.

Ninguém sabe cuidar de ninguém. Nessa situação, todos desejam ser um médico capaz de sanar a deterioração do ambiente. Mas, enquanto entregava meu cartão de seguro a uma dentre meia dúzia de assistentes do doutor, ali na mesa de recepção - junto com amostras para o laboratório -, eu me lembrei de suas palavras de despedida e sorri. Brasil, eu disse para mim, você pode perfeitamente acrescentar alguns anos à vida de um escritor americano.

* Fonte: O Estado de S. Paulo (7 de novembro de 2011)

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Escrita

Alguns estados americanos tornaram opcional o ensino da escrita cursiva nas escolas.

Pretendem com isso incentivar nos alunos o uso da escrita digital julgada mais útil à vida contemporânea.

Os cadernos de caligrafia, nos quais muitos de nós fomos treinados, são apenas nostalgia dos anos de aprendizagem escolar.

Sou ainda um usuário renitente da escrita manual que costumo treinar em cadernos de caligrafia que descobri em empoeiradas papelarias do centro da cidade.

Ao reproduzir as singelas frases dos cadernos cultivo uma estética da escrita ao tempo em que alivio tensões do dia a dia.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Kombi



O veículo mais antigo a venda no Brasil, e talvez no mundo, é a Kombi.

Com 54 anos o modelo é imbatível no segmento de furgões. Esta ano já foram vendidos 9,9 mil veículos contra 5,5 mil do segundo colocado.

"Se o produto está no mercado há tanto tempo é porque é bom, é porque o cliente quer compra-lo", diz Carlos Leite gerente da área de comerciais leves da Volkswagen.

Até agora foram vendidas no país 1,4 milhão de unidades da Kombi.

Jovem, sem carro, utilizei duas delas para meus programas: uma, de luxo, pertencia ao meu tio Otávio Alencar e outra ao também meu tio Adelino Alcântara, que tinham a coragem de me emprestar carros que eram de seu uso.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Homenagem

A jornalista Silvana Frota acaba de publicar o livro Meus pais: duas histórias de trabalho e determinação. Trata-se de uma homenagem da filha ao casal Edson Bezerra Gomes e Maria do Carmo Ximenes Gomes feita domingo passado em Reriutaba.

Na ocasião se comemorava os oitenta anos do professor Edson a quem tenho prazer de conhecer e atestar sua importante colaboração para o desenvolvimento do município, em particular da educação, fundador que foi do colégio Raimundo Mesquita.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Boas lembranças

domingo, 16 de maio de 2010

MEMÓRIAS DE UM CORONEL DE POLÍCIA 251

(Dr. Lúcio Alcântara e Coronel Bessa)

Hoje é o natalício do Dr. Lúcio Gonçalo de Alcântara. O Dr. Lúcio foi Senador da República, Governador do Ceará, Vice-Governador, Deputado Federal, Prefeito de Fortaleza, Secretário de Saúde do Estado do Ceará etc.

Médico e Político, é um dos mais destacados homens públicos do Brasil.

O Dr. Lúcio chega aos seus 67 anos de existência carregando sua marca indelével: HUMILDADE.

Conhecia o Dr. Lúcio somente pela televisão, haja vista que seu papel de político assim o notabilizou, entretanto, desde criança, lá no meu querido Quixadá - CE, já ouvia minha família e o povo daquelas paragens falar da sua família, composta também por honradas pessoas públicas, tal o Dr. Waldemar Alcântara, que inclusive derá o nome ao principal colégio da minha cidade natal - Ginásio Waldemar Alcântara.

Já na Polícia Militar, entre o final de 1994 e meados de 1999, trabalhando na 1ª Companhia de Guarda e também na segurança do Governador do Estado, no Palácio do Cambeba e Casa Militar, cruzei algumas vezes com o Dr. Lúcio pelos corredores do Palácio e em eventos políticos pelo Ceará afora, mas nunca tive a oportunidade de estreitar nenhum contato ou laço de amizade com o mesmo.

Em 2002, convidado por ex-colegas da Escola de Formação de Governantes, prestei colaboração ao Movimento Ceará Cidadania, tendo o Dr. Lúcio sido eleito Governador do Ceará naquele ano. Já era Diretor do CIOPS/SSPDS desde 2001, quando já em 2004 e 2005, recebemos em duas ocasiões a visita do Dr. Lúcio no CIOPS.

Sensível, atendeu nossos apelos e do então Secretário de Segurança, Dr. Wilson Nascimento, e junto ao Governo Federal e com recursos próprio do Estado do Ceará, aportou muitos recursos para o nosso CIOPS, porquanto o órgão foi totalmente potencializado.

Passamos a contar com mais tecnologia agregada que deixou o nosso CIOPS como um dos melhores do mundo, lugar que já ocupava com destaque no Brasil. O CIOPS recebeu piso elevado, todos os computadores foram trocados, recebemos viaturas novas, microônibus, rádios portáteis, móveis e fixos, geradores de energia, novos softwares e licenças, homologação de sites, up-grade de sistemas e tecnologia de atendimento, novo Mapa Digitalizado da Região Metropolita de Fortaleza e acesso ao Mapa Mundi GPS/Ominisat/Autotrac, novo software de gravação, degravação, URA, No-Break, móveis, utensílios, telefones, headsets, Display Screen (um dos poucos órgãos de atendimento de emergência do mundo a dispor de tal tecnologia - foto abaixo), além de ajudar na motivação de nossos profissionais. Pela primeira vez na história do Estado do Ceará, profissionais da segurança pública, como o então Cabo Narcélio e o então Major Russo, foram agraciados com a Medalha Estadual do Mérito Profissional Público por, respectivamente, invento (VHF + UHF) e publicação doutrinária (Manual de Telemática).

O Dr. Lúcio enquanto Governador do Ceará, também assinou convênio com a Prefeita de Fortaleza, Profª Luizianne Lins, que possibilitou a continuação do processo de integração do CIOPS com outros órgãos, tipo assim a AMC, Guarda Muncipal, etc.

E o Dr. Lúcio fez muito mais...

Foto do Display Scream do CIOPS
em operação com o Mapa digitalizado d
a
Região Metropolitana de Fortaleza
Depois, já em 2006, quando era Secretário Executivo da Polícia Militar do Ceará, fui chamado até a residência Oficial do Governo do Estado, juntamente como o CEL PM Herdez Antônio de Miranda, e fui convidado para o Comando Geral Adjunto da Polícia Militar do Ceará.

Aceitei o convite, mas divergindo do respeitável Comandante ante umas promoções para oficiais do QOA - Quadro de Oficiais de Administração, em 24 de maio de 2006, acabei solicitando minha exoneração do cargo em 31 de maio daquele mesmo ano.

No segundo semestre de 2006, fui chamado novamente por ex-colegas da Escola de Formação de Governo para colaborar com a Proposta do Programa de Segurança do Governo para 2007-2010 ante a campanha pela reeleição do Dr. Lúcio, mas acabei não aceitando, quanto perdi qualquer contato com a estrutura de governo. O Dr. Lúcio na oportunidade não foi reeleito.

Como não tinha nenhum contato próximo com o Dr. Lúcio, somente o reencontrei em 2008, num evento do Programa "História Empresarial Vivida", sob os auspícios do saudoso Prof. Cleber, ante um jantar com o Presidente de uma Multinacional em visita a Fortaleza.

Depois reencontrei o Dr. Lúcio nos demais eventos de "História Vivida" e assim tive, para prazer meu, maior proximidade e contato com o dileto e exemplar homem público.

Rogo a Deus, Dr. Lúcio Alcântara, extensivo a família, que continue com sua bela jornada de paz, prosperidade, saúde, sucesso e muita disposição para continuar servindo ao povo do Ceará e do Brasil.
PARABÉNS E FELIZ ANIVERSÁRIO !
JUNTOS, AVANÇAREMOS MAIS !

domingo, 16 de maio de 2010

Anos

Hoje é o dia dos meus anos. Mas nunca chega o dia de fazer os versos lindos do Fernando Pessoa.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Cerco

Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão.
Se fecharem uns poucos caminhos, mil trilhas nascerão...

Do cântico de comunhão entoado na missa inaugural da Paróquia mãe Santissima, no bairro Dois Irmãos, quando tomou posse como pároco o Padre Reginaldo Guimarães.

Fiquei sensibilizado com a lembrança de meu nome pelo apoio dado por mim à comunidade no período em que fui prefeito de Fortaleza.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Liceu

Dia 19 de outubro último, aniversário do Liceu do Ceará, compareci ao colégio para atender ao convite de uma equipe de alunos que participava de uma gincana.

Na ocasião, tive oportunidade de fazer uma breve palestra sobre minha passagem por aquela escola, que tanto influenciou minha vida como médico e político.

Confraternizei com alunos e professores, que me fizeram carinhosa recepção.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Semana Santa

Passei a Semana Santa, de quinta a domingo, entre os municípios cearenses de São Gonçalo do Amarante e Guaramiranga, em companhia da família e de amigos. Na primeira, reencontramos as origens na velha casa de meus avós paternos, preservando uma tradição que se repete a cada ano.

Participei da tradicional procissão, na madrugada de sexta feira, 10 de abril, pela décima vez, sem solução de continuidade, que percorre um trecho do interior até a igreja matriz, na sede do município, puxada por participantes que se revezam carregando pesada cruz em memória da paixão de Cristo.

Banhei-me com a água da chuva, que jorrava abundante da boca do jacaré na fachada da casa, como acontecia no tempo de criança. Só deixei de mergulhar na lagoa por falta de quem quisesse me acompanhar.

Senti falta da matraca, cuja estridência convocava os fieis para os atos litúrgicos próprios da data. E dos panos roxos que cobriam, durante a quaresma, as imagens dos santos.

As chuvas copiosas lembravam meu pai, o qual inobstante as elevadas posições que galgou, nunca se desprendeu do sertão, levado dentro de si com os hábitos que guardou. Sempre que podia, corria em direção a ele, sobretudo, como agora, quando as chuvas vestiam-no de verde.