quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A POLÍTICA DAS RUAS

Desde 2013, o Brasil vive conjuntura de crise. Forças sociais puxam o país em direções opostas em jornais, sites, tribunais, Parlamento e na rua.
O período é curto, mas se quebra em três ciclos de protestos. Do primeiro ninguém esquece, o fatídico junho de 2013, que pegou governo e partidos de calças curtíssimas. De bate-pronto, muitos exaltaram o nascimento de movimento progressista. Mas a cena era mais complicada —antes um mosaico de pequenos movimentos independentes, distribuídos em dois grandes campos.
Grupos autonomistas, puxados pelo MPL, deram a ignição, com protestos performáticos (catracas queimadas), horizontalismo (negação da hierarquia de gênero e de liderança política), estética anarquista e símbolos das manifestações por justiça global, com defesa de práticas autossustentáveis, comunitárias e libertárias.
Atarantados, os movimentos sociais de viés socialista engrossaram. Linha de frente dos protestos desde a redemocratização, trouxeram seu roteiro de costume: bandeiras vermelhas, tônica redistributiva, organização vertical.
Essas duas frentes à esquerda ganharam companhia. Emergiu um campo de manifestantes independentes, sem coordenação ou experiência política, atraídos pela internet ou pelo noticiário. Mais expressivo que propositivo, içou a bandeira nacional. Cartazes, roupas, pinturas faciais recuperaram os símbolos nacionalistas dos movimentos pela redemocratização e pelo impeachment de Collor.
Eis o resumo de 2013: três grupos repartidos em dois campos polares. Nas trincheiras autonomista e socialista, demanda por expansão e melhora de políticas sociais, transporte, saúde, educação. No front patriota, críticas à hipertrofia e ineficiência do Estado, aos políticos e retomada da divisa do Fora Collor: "ética na política".
Embora se dissessem apartidários, orientaram-se todos pelo sistema político, postando-se à esquerda ou à direita do governo do PT. A efetiva novidade de 2013 foi que à mobilização por expansão de direitos, usual desde a redemocratização, juntou-se clamor liberal, pró-mercado, anti-Estado.
Esse campo patriota ganhou ossatura e volume num segundo ciclo de mobilização em 2014, enquanto socialistas e autonomistas esmaeciam. Três associações lideraram os eventos: a liberal Vem pra Rua, o Movimento Brasil Livre, mais à direita, e, no extremo, o Revoltados On Line. Em março de 2015, 54 grupos similares se albergaram na Aliança Nacional dos Movimentos Democráticos, fincada em Estados tucanos, sobretudo São Paulo, e com suporte do empresariado.
O foco se fechou na contestação ao governo Dilma, expressa em retórica moralizadora de dois sentidos: a afirmação da moralidade pública (anticorrupção) e o moralismo, reiteração de valores da sociedade tradicional (como pátria, religião, família), óbvios nos atos encerrados com rezas e hino nacional.
Farpas contra "políticos em geral" confluíram na demanda por impeachment da presidente. E a pasteurização levou à busca de lideranças fora da política profissional. Na mesma operação simbólica em que Lula virou Pixuleco, o juiz Moro sagrou-se salvador da pátria.
O terceiro ciclo explodiu mais recentemente, quando a rua passou a objeto de disputa. Persistiram os patriotas, hibernaram os autonomistas, acordaram os socialistas. Os aliados tradicionais do PT, os sindicatos, e duas novas coalizões, a Frente Povo sem Medo (cerca de 30 movimentos) e a Frente Brasil Popular (com mais de 70 organizações), recuperaram a pauta petista dos anos 1980: defesa do Estado de direito ("não vai ter golpe"), pró políticas sociais e combate ao oligopólio dos meios de comunicação ("o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo"). Essa foi a linha dos atos anti-impeachment e em desagravo a Lula.
O que nasceu junto-e-misturado decantou em campos apartados: um anti-PT, outro antigolpe. A cerca invisível de 2013 virou muro de concreto nas votações do impeachment na Câmara e no Senado.
Ao longo desses ciclos de protestos, o protagonismo nas ruas deslizou da nova esquerda autonomista para a nova direita patriota, com a esquerda socialista desafiada pelos dois lados.
O fim do processo institucional do impeachment remata essa febre de manifestações?
O efeito dos protestos em sequência é que o novo governo nasceu em sociedade mobilizada. O campo socialista não o reconhece e segue ebulitivo. Já os patriotas se recolheram, uma vez atingido o objetivo de desalojar o PT do poder. Mas não celebraram Temer.
Os dois campos tomaram o espaço público para criticar o governo em 2013 simultaneamente, mas por razões diferentes. Tampouco precisam de pauta positiva compartilhada para tornar a fazê-lo. Basta um inimigo comum. A vaia que recebeu na Olimpíada sinaliza que Temer é bom candidato ao posto. 

Fonte: "ilustríssima" - Ângela Alonso - Folha de S.Paulo - Set/2016

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Nostalgia e romantismo no cinema


Praias do Ceará I




Vistas antigas de praias do Ceará em cartões postais que trazem no versos notícias de pessoas que nos visitavam. Mensagens perdidas no tempo abandonadas pelos destinatários recolhidas por mãos anônimas exibidas em feiras de antiguidades  

Praias do Cewará II


Praias do Ceará III


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O futuro do Sus

Bomba-relógio (Drauzio Varella)

A medicina de hoje custa os olhos da cara. Na contramão de outros ramos da atividade econômica, na assistência médica a produção em escala e a incorporação de novas tecnologias encarecem o produto final.
Até os anos 1960, os medicamentos eram relativamente baratos e dispúnhamos de poucos recursos laboratoriais. Os exames de imagem ficavam praticamente restritos ao eletrocardiograma e ao raio-X simples ou contrastado.
Nos últimos 50 anos, surgiram exames que nos permitem analisar detalhes da fisiopatologia humana e das características dos germes que nos atacam. Ao mesmo tempo, a automatização e a informática possibilitaram acesso aos resultados das análises de sangue e de outros líquidos corporais em algumas horas.
Ultrassons, tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas, PET-CTs, cintilografias, endoscopias, cateterismos e outras tecnologias que fornecem imagens anatômicas nítidas e dão ideia do funcionamento dos órgãos internos revolucionaram nossa capacidade de fazer diagnósticos e avaliar a eficácia dos tratamentos.
No mesmo período, a indústria farmacêutica soube aplicar os conhecimentos gerados na academia para desenvolver drogas e agentes biológicos de toxicidade baixa, capazes de curar infecções graves e controlar doenças crônicas por muitos anos.
Ao lado desses avanços técnicos que tiveram enorme impacto na qualidade de vida e longevidade da população estão os custos exorbitantes trazidos por eles.
Os 150 milhões de brasileiros que dependem exclusivamente do SUS convivem com a falta de recursos e os problemas crônicos de gerenciamento do sistema público. Os 50 milhões que pagam planos de saúde queixam-se das mensalidades e dos entraves burocráticos para marcar consultas, exames e internações.
A pobreza do SUS todos conhecem. O que poucos sabem é que a saúde suplementar trabalha com margens de lucro perigosas. Contabilizando os planos mais lucrativos e os deficitários, as operadoras têm, em média, 2% a 3% de lucratividade.
No Brasil, a faixa da população que mais cresce é a que está acima dos 60 anos -justamente a que demanda os cuidados médicos mais dispendiosos, que o sistema público não tem condições de suportar e as operadoras não conseguem transferir para seus usuários sem levá-los à inadimplência.
Não é necessário pós-graduação na Getúlio Vargas para constatar que a persistirem os custos crescentes, nosso sistema de saúde ficará inviável: o SUS em crise permanente por falta de verbas; a saúde suplementar, pelo risco de falência.
Não existe saída, senão deslocar o foco das políticas públicas da doença para a prevenção. É insano esperar que as pessoas adoeçam para então nos preocuparmos com elas.
Se 52% dos brasileiros estão com excesso de peso, metade das mulheres e homens com mais de 50 anos sofre de hipertensão, o diabetes se acha instalado em mais de 10% dos adultos e a dependência do fumo corrói em silêncio o organismo de quase 20 milhões, haveria alternativa?
A responsabilidade é de todos, inclusive dos médicos. Saem de nossos receituários as requisições de exames desnecessários, medicamentos caros e condutas que contradizem evidências científicas.
As faculdades de medicina têm que ensinar noções de economia e de gerenciamento. É um absurdo nababesco prescrevermos remédios e exames sem ter ideia de quanto eles custam.
O sistema de saúde brasileiro vai quebrar se não criarmos estímulos para que cada cidadão assuma a responsabilidade de cuidar do próprio corpo, conscientizarmos os médicos e a população de que exames desnecessários consomem recursos e trazem riscos, exigirmos que hospitais e centros de atendimento apresentem indicadores que permitam avaliar a qualidade e o custo/benefício dos serviços prestados, negociarmos com a indústria os preços abusivos de algumas drogas, próteses e equipamentos, e estabelecermos critérios rígidos para impedir que a judicialização errática de hoje se perpetue em benefício dos que podem contratar advogados.
Uma população sedentária que fuma, engorda e envelhece é uma bomba-relógio para um sistema de saúde perdulário e subfinanciado como o nosso. 

Fonte: Folha de S.Paulo (05/03/2016)

O turismo do clima

Museu de Lisboa / Torreão Poente

São Petersburgo

Saint Peterburg
Foto: Emil Kan

O passeio das freiras

Les nonnes en virée - New york
(Freiras em viagem de carro - Nova Iorque)
Foto: Édouard Boubat

Escadas em caracol

Flight of windig Stairs - Germany
(Lance de escadas em caracol - Alemanha) 
Foto: Daniel Sainthorant

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Cochilo- um N a mais

Fonte: Folha de S. Paulo - 31/07/20

Nem a Folha de São Paulo, um grande jornal, escapa dos cochilos gramaticais



quinta-feira, 28 de julho de 2016

O trio Rosário

As irmãs Maria Isabel, Maria Beatriz e o irmão José Augusto então em Portugal acolhidos pelo carinho dos avós . Duas presenças e uma saudade. Os três então estavam longe de imaginar o que seria a aventura brasileira.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Getúlio Vargas e Walt Disney em visita ao Brasil


                                  Olhares curiosos à mesa do que parece ser uma solenidade

Todas as Mulheres do Mundo


                              Cartaz de um dos bons filmes brasileiros. Estrelado por Leila Diniz
                                         que era casada com o diretor Domingos de Oliveira

Cemitério de automóveis

                      Curiosa montagem de um cemitério de automóveis tendo por fundo a catedral
                      da cidade do Rio de Janeiro

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Atualidade, o Brasil crucificado

*Publicação "História da Caricatura Brasileira: 
Os precursores e a consolidação da caricatura no Brasil"
de Luciano Magno (Vol. 1)

O bicho de pé

"Extracting a jigger, scene in the Brazils (c. 1822)".
(Extração de bicho-de-pé, cena nos Brasis, c. 1822).
 Aquarela, 20,3 x 21 cm. National Library of Australia.

*Publicação "História da Caricatura Brasileira: 
Os precursores e a consolidação da caricatura no Brasil"
de Luciano Magno (Vol. 1)

A lentidão do progresso

*Publicação "História da Caricatura Brasileira: 
Os precursores e a consolidação da caricatura no Brasil"
de Luciano Magno (Vol. 1)

Atualissima


Charge "Manipanço brasileiro", em que Cândido de Faria faz a caricatura do Imperador D. Pedro II a oferecer pastas para seus ministros e aliados. Ao centro as caveiras com os dizeres: Vítimas da seca do Ceará. O MEQUETREFE Nº 120, de 10-01-1878.

*Publicação "História da Caricatura Brasileira: 
Os precursores e a consolidação da caricatura no Brasil"
de Luciano Magno (Vol. 1, Pág. 222)
*Publicação "História da Caricatura Brasileira: 
Os precursores e a consolidação da caricatura no Brasil"
de Luciano Magno (Vol. 1)

terça-feira, 3 de maio de 2016

Fonte: Jornal O GLOBO (Sexta-feira, 25/06/1993)