quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Lançamento no dia 21/11/18 (quarta-feira) as 19 horas,
no Conselho Regional de Medicina.

(Apresentação de Lúcio Alcântara)

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Imagem do Dragão do Mar por Ângelo Agostini.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Cycles Perfecta, 1902, Alphonse Mucha 1860-1939 © Mucha Trust
Franz Kafka Museum 2015 (www.kafkamuseum.cz)
Based on original drawing by F.K. / podle püvodní kresby F.K. 
(FRANZ KAFKA MUSEUM)

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Ruka sv. Krsevana (XIV st.), Sv. Stosija - Zadar.
Reliquary with the hand of St. Chrysogonus, 14th c., cathedral of St. Anastasia, Zadar.
Armreliquiar des hl. Grisogonus, 14. Jh., die Kathedrale Hl. Anastasia - Zadar.
Main de St Chrysogone, XIVème s., Ste Anastasie - Zadar.
Reliquiario con la mano di S. Crisogono, XIV sec., Cattedrale di S. Anastasia, Zadar.
Soovenirs - Ljubljana, SLOVENIA

terça-feira, 18 de setembro de 2018

PRAHA -PRAGUE - PRAG - PRAGA
Dancing Building (Ginger & Fred) - Tänzendes Haus
Le Maison qui Danse - La Casa Danzante
www.inkworks.info

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Gilbert & George
Seven Heroes, 1982 (Sonnabend Gallery)
COMO (...) COISAS QUE NÃO EXISTEM
Uma exposição a partir da 31ª Bienal de São Paulo
02 Out 2015 - 17 Jan 2016
- ETCETERA, Petition to Francis Pope, for the final abolition of hell, 
2014-2015, Courtesy, Courtesy: Etcetera Archive. -

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Mucha Trust 2015
PRESCO PUBLISHING

JAN SPLÍCHAL
z cyklu KRAJINY (1974)

sexta-feira, 29 de junho de 2018


SWINGING NUNS
Foto: @Bettmann/CORBIS

sexta-feira, 15 de junho de 2018

EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e animação Cultural
EGEAC.PT
LITTLE MONKEYS IN THE ATTIC.
To have "litthle monkeys in the attic"
means "to be an idealist"
- the attic being the head.
RAPHAEL BORFALLO-PINHEIRO
(Ninettenth Century Portuguese Artist)
WORDS FLY, WRITING REMAINS.
This Portuguese saying mentions
that the ephemerality of words is
only lost once we resort to writing.
FERNANDO PESSOA 
(Twentieth Century Portuguese Poet)
WHATEVER COMES TO THE NET IS FISH
This expression is used in Portugal to
say that there are those who will take
anything they can get their hands on.
FICTIONAL CHARACTER

quinta-feira, 26 de abril de 2018

UM PRAZER SOLITÁRIO
Jorge Coli



Não faz muito tempo, fui assistir a uma ópera. Era "As Bodas de Fígaro", de Mozart. Lá para o final, o personagem mais importante, Fígaro, faz um retrato cruel das mulheres. Diz: "Abram um pouco os olhos, homens incautos e bobos. Olhem essas mulheres, olhem o que elas são".

Segue enumerando: "São bruxas que enfeitiçam para nos deixar sofrendo, sereias que cantam para nos afogar... São rosas espinhosas, raposas maliciosas, mestras de engano e de angústias, que fingem e mentem, que amor não sentem, não sentem piedade". Conclui: "O resto do que são capazes não digo: cada um já sabe". E Mozart, com seu humor malicioso, faz então soarem as trompas: o nome do instrumento em italiano é "corno".

No século 18, quando "As Bodas de Fígaro" foi composta, a sala toda ficava iluminada. Não se deixava o público no escuro, como hoje. Os cantores podiam então interpelar diretamente a assistência. Na montagem que vi, o diretor de cena teve a ideia de acender as luzes da sala durante a ária de Fígaro, que saiu do palco e dirigiu-se aos homens presentes.

Eu estava na extremidade da fileira, ao lado do corredor por onde ele passava. Logo atrás de mim, na segunda fila, uma senhora furiosa levantou-se. Fez o sinal de "não" nas fuças do pobre cantor e retirou-se protestando em voz alta. De início, pensei que fosse parte do espetáculo —hoje em dia, com as montagens modernas, tudo é possível. Mas não, era uma feminista embravecida.

Pensei que ela poderia ter prestado mais atenção. O tema nuclear de "As Bodas de Fígaro" é atual: trata-se de desmascarar, denunciar e punir um poderoso aristocrata que é violento predador sexual.

A peça da qual a ópera foi extraída é de um francês, Beaumarchais. Pareceu subversiva e foi proibida. Nela, a velha Marcelina proclama, de maneira eloquente, a tirania masculina.
Diz, entre outras coisas: "Mesmo na sociedade mais elevada, as mulheres obtêm dos homens apenas uma consideração irrisória... Somos mantidas numa real submissão, tratadas como menores de idade no que se refere aos nossos bens, mas como maiores quando devemos ser punidas". Mozart excluiu esse trecho para evitar a censura, mas, ainda assim, fez uma clara acusação antimachista.

Aquela senhora furiosa não deu tempo para a conclusão da ópera, não viu a condenação do conde brutal e revoltou-se antes do tempo. Tal suscetibilidade, irritada pela situação inferior em que, do modo mais injusto, as mulheres são mantidas em nossas sociedades, é compreensível. Levou-a a partir antes que as acusações de Fígaro contra o gênero feminino fossem desmentidas. Indignou-se cedo demais.

Indignação: eis o problema. Nunca tive simpatia por essa palavra. Pressupõe cólera e desprezo. Quando estamos sozinhos, a indignação nos embriaga como se fosse uma droga. Arrebata a alma, enfurece as vísceras, dilata os pulmões e nos faz acreditar na veemência do nosso ódio. Viramos heróis justiceiros diante de nós mesmos.

A solidão indignada faz grandes discursos interiores contra aquilo que erigimos como inimigo. Serve para dar boa consciência. É autossatisfatória. Um prazer solitário. Exaltados, arquitetamos vinganças e reparações. Depois, o balão murcha, sobrando apenas nossa miserável impotência. Talvez tenha sido Stendhal o escritor que melhor caracterizou esses estados irritados, ineficazes e inócuos.

Ao se manifestar na presença de outra pessoa, ou de duas, ou num pequeno grupo, a indignação leva ao descontrole. Nervosos, falamos alto e dizemos coisas que, na calma, jamais pronunciaríamos.

Quando um de seus heróis se deixa levar pelos discursos coléricos, Homero faz alguém sempre repreender: "Que palavras ultrapassaram a barreira de teus dentes!". Porque não somos mais nós que falamos, mas algo que está em nós e que ocupou nosso corpo esvaziado de qualquer poder reflexivo: a indignação. Assim também ocorre com os jorros furibundos de palavras que inundam as redes sociais.

A multidão indignada é, por sua vez, uma catástrofe. Tomada por um furacão de pulsões, ela atropela, esmaga, lincha.

A indignação trava as forças racionais. Alimentada pelas paixões, usa uma aparência de razão como fole para soprar nas brasas. Está claro, aceita só argumentos que servem a reforçar e ampliar seu domínio. É feita de radicalismos.

Assim, anula todas as complexidades e nuanças, bloqueia qualquer compreensão que não seja inteira e simplificada. Anula também o outro, como ser humano, se ele não compartilhar de nossa própria indignação.

Jorge Coli
É professor titular de história da arte na Unicamp e autor de 'O Corpo da Liberdade' (Cosac Naify).

Fonte: Folha de S. Paulo - ilustríssima - 4/02/2018. 

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Da série : BRASILIAN SOUVENIR 
(publicado por LUDWIG & BRIGGS lithographers)
Rio de Janeiro
Da série : BRASILIAN SOUVENIR 
(publicado por LUDWIG & BRIGGS lithographers)
Rio de Janeiro
 Da série : BRASILIAN SOUVENIR 
(publicado por LUDWIG & BRIGGS lithographers)
Rio de Janeiro

terça-feira, 24 de abril de 2018


A insurgência dos vaga-lumes

Em vez de optar pela desesperança, há quem continue a apostar na rebelião do pensamento



Imagine um livro denso sobre a obra e o pensamento de Franz Kafka que, para ser lido, exija o trabalho prévio de desatarraxar com chave de fenda dois pequenos parafusos enferrujados trespassando todas as páginas, desde a capa até a contracapa.

Ou um volume que, a propósito de falar de insurreições e revoltas de rua, tenha a extremidade das folhas chamuscadas, exemplar a exemplar, e por isso recenda levemente a papel queimado.

Ou, ainda, uma brochura sobre o inferno do sistema prisional, com as costuras da lombada à vista, acondicionada dentro de um marmitex de papel alumínio, simulando uma quentinha.

Tais ousadias gráficas, que dessacralizam o formato livro e ao mesmo tempo convertem tais publicações em objetos de arte, constituem apenas um dos muitos aspectos instigantes dos títulos lançados por uma editora alternativa paulistana, de catálogo tão enxuto quanto insubmisso às convenções do mercado.

Para além do artesanato e dos experimentalismos materiais que nos atiçam os sentidos, o portfólio da n-1 edições impressiona pelo espírito transgressivo de sua proposta editorial. Não são livros destinados ao mero deleite, à leitura de puro entretenimento. Foram escritos, de modo deliberado, para ferroar consciências.

"A ideia é oferecer pontos de vista que ponham em xeque a perspectiva da razão ocidental, branca, masculina, heteronormativa, eurocêntrica", explica o filósofo, professor e tradutor Peter Pál Pelbart, que dirige a editora ao lado do sócio, o produtor cultural Ricardo Muniz Fernandes. "Queremos suscitar alteridades e insurreições de pensamento, por meio da propagação de vozes plurais que sejam minoritárias, quase inaudíveis."

Desde o primeiro lançamento, "Máquina Kafka", de Félix Guattari, em 2011, até os títulos mais recentes, como "As Existências Mínimas", de David Lapoujade, a n-1 investe em uma linha transdisciplinar que abarca da antropologia à estética, do teatro à filosofia, da política à literatura. Mas sempre trabalhando nos interstícios do mercado, na tentativa de promover fissuras em relação aos discursos hegemônicos.

O filósofo camaronense Achille Mbembe, com "Crítica da Razão Negra", e a americana Judith Butler, com "Corpos que Contam", figuram entre os próximos lançamentos. Autores brasileiros, como Eduardo Viveiros de Castro ("Metafísicas Canibais"), Suely Rolnik ("A Hora da Micropolítica") e Vladimir Safatle ("Quando as Ruas Queimam: Manifesto pela Emergência"), também estão no catálogo.

"Resolvemos publicar esse tipo de livro diante de nossa insatisfação com a maneira rasa de pensar que tomou conta do mercado editorial", comenta Pelbart. "Queremos ativar sensibilidades, promover a potência do pensamento complexo, buscar afinidades com movimentos já em curso."

Tamanho arrojo gráfico-editorial esbarra nas óbvias limitações mercadológicas relativas a esse tipo de produção. Para tentar prosseguir sustentável, a editora instituiu recentemente uma espécie de financiamento coletivo.

Por meio de pequena quantia mensal, o interessado recebe em casa publicações do catálogo, incluindo os impetuosos folhetos da série intitulada "Pandemia", feitos para serem repassados de mão em mão, produzindo o efeito de contágio.

Questionado sobre se, ante o recrudescimento da onda conservadora, é possível sobreviver à custa de uma tática que ele próprio define como "guerrilha editorial", Pelbart responde parafraseando um trecho de "A Sobrevivência dos Vaga-lumes", do francês Georges Didi-Huberman.

"A dança dos vaga-lumes se efetua justamente no meio das trevas", diz, com voz tranquila e pausada. "Quanto mais pesada é a penumbra, mais somos capazes de captar as insurgências do mínimo clarão, perceber os lampejos fugidios e nômades no meio do escuro."

Bom saber que, em vez de optar pelo lamento quase geral de desesperança ou pela rendição cínica ao pragmatismo, existe gente que continua a apostar na alteridade e na rebelião do pensamento. Mesmo que, no presente instante, a luminescência insubordinável dos vaga-lumes pareça eclipsada pelos clarões artificiais dos refletores midiáticos e pelo lusco-fusco entorpecente das multitelas.

"Devemos nos tornar vaga-lumes e, desse modo, formar novamente uma comunidade do desejo, uma comunidade de lampejos emitidos, de danças apesar de tudo, de pensamentos a transmitir", propôs Didi-Huberman. "Dizer 'sim' na noite atravessada de lampejos e não se contentar em descrever o 'não' da luz que nos ofusca."

Lira Neto
Jornalista, pesquisador e biógrafo, já ganhou quatro prêmios Jabuti por sua obra.

Fonte: Folha de S. Paulo - ilustrada - 04/02/2018.