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sábado, 12 de maio de 2012

Uma lágrima (apud Daniel Piza)

Amanheci a quinta feira com a triste notícia da partida do Sinésio. Um corpo de 97 anos, uma alma de criança. Como costumam ser as almas dos poetas.

O corpo gasto não suportou o trauma terapêutico. A lucidez não o abandonou até o fim.

Deixou pronto o último "Mensageiro da Poesia" que não pode levar no alforge da eternidade para entregar no paraiso celeste. Terá a oportunidade de passar a mensagem ele mesmo.

sábado, 5 de maio de 2012

Uma lágrima

O Bilas partiu sem querer que os amigos se despedissem dele.

Quando soube que seu estado de saúde se agravara, e fazia algum tempo que não o via, procurei-o, mas não consegui falar com ele. Recorri a um de seus amigos, um dos  mais próximos e mais fiéis.

Em vão. Ele mesmo já não obtinha resposta aos seus chamados.

Parecia que o Bilas já comprara a passagem mas não queria dar adeus à ninguém. Ético e bom jornalista, o sucesso premiou suas qualidades.

Deixou o DN, onde alcançou o ápice da carreira, por ter, em certo episódio, optado pela via ética da solidariedade profissional. No que pode ter sido uma armadilha solerte montada pela inveja dos que na redação conviviam mal com seu êxito.

No governo foi meu coordenador de imprensa por ter sido antes um jornalista competente e íntegro. Depois foi meu amigo por ter sido eficiente e leal.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Uma lágrima

Perdemos a Ivonete Maia. Sabia-a enferma grave há algumas meses.

Iluminou tudo que fez no jornalismo e no magistério com sua determinação e inteligência. Houve um tempo em que para atender a um apelo telúrico recolheu-se à sua querida Jaguaruana. Ali embalou um sonho político nunca realizado.

Deixou sua marca na restauração da matriz da cidade, trabalho de que muito se orgulhava.

Convocada para redimir a Associação Cearense de Imprensa, a tradicional ACI, empreendeu reformas que ajustaram a entidade aos dias que correm. Cometeu à escritora Angela Barros Leal a tarefa de escrever o livro que reconstituiu a história da instituição e sua importância para sociedade cearense.

Deixa um exemplo de ética e competência no exercício da profissão digno de ser seguido por seus colegas jornalistas.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Uma lágrima

O recentemente falecido jornalista Daniel Piza usava em sua coluna a expressão, para lamentar o óbito de alguém, ou fato triste, que merecesse seu pesar. Passarei a usá-lo aqui em sua memória.

Perdi um amigo. Desses que a gente não esquece mesmo sem que o veja há muitos anos.

Refiro-me à Hamilton dos Santos Monteiro, meu professor de Histologia e Embriologia no primeiro ano da Faculdade de Medicina. Desprendido, próximo dos alunos, boêmio e romântico, foi poeta e patologista competente.

Os exames que realizava na sala de operações, convocado por renomados cirurgiões davam-lhes segurança nos seus atos. Bem humorado, sempre em em meio aos jovens, conservou a juventude num comportamento folgazão que que não respeitava cronologias.

Por sua mão me deslumbrei com a descoberta do mundo novo das células organizadas na riqueza cromática dos tecidos sob a luz dos microscópios.

Estimulado por ele me iniciei na pesquisa científica e estagiei na Faculdade de Medicina da Universidade do Recife. Passos iniciais, porém muito importantes na minha formação médica.

Mais tarde, já formado, convivemos nos fins de semana na Praia do Futuro onde disputavámos animadas partidas de totó das quais participava, entre outros, seu sobrinho, o Procurador Geral da República Roberto Gurgel, que reencontrei anos mais tarde em Brasília.

A última vez que o vi, já abatido pelo tempo e as vicissitudes da vida, vendia aos colegas seus livros de poesia para custear a impressão.

Sabia-o há algum tempo vivo, mas desconectado do mundo, certamente sem o riso franco que estampava na face expondo dentes inconfundíveis sob um basto bigode.

Tenho certeza que para muitos, como eu, ele terá sido um mestre inesquecível.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Pranto

Será celebrada hoje, dia 14 de abril, a missa da ressureição de Nicinha Pinheiro, falecida depois de longa enfermidade.

Em vida, distinguiu-se na sociedade cearense, junto com o marido, Edmilson, como uma anfitriã frequente e simpática, que fazia da arte de receber uma permanente alegria.

São inesquecíveis suas recepções no Rancho Alegre, em Parangaba. E no Santa Isabel, no Eusébio. Momentos de descontração, mesa farta e amistosa convivência.

Ouvi de meus pais como se conheceram em Quixadá, no início da vida profissional de papai. E de que forma contribuíram para a aproximação e casamento de Nicinha e Edmilson.

Muitos anos depois, o Rancho Alegre foi palco de cena constrangedora, que o casal anfitrião superou com elegância e sóbria altivez.

Por ocasião da sucessão do Presidente Geisel, o senador Magalhães Pinto ensaiou uma candidatura civil à Presidência da República, quando a escolha do candidato se restringia ao meio militar, com o Congresso Nacional (CN) ratificando o nome do ungido.

Magalhães Pinto apresentava-se como candidato, com a credencial de ter sido, quando governador de Minas Gerais, um dos líderes do movimento de 64. Viajava pelo Brasil pregando a abertura política com um civil presidente.

Amigo de meu pai, então vice-governador do Ceará, desde o Senado, ao planejar sua vinda ao Ceará procura-o, para articular sua programação local. Entre outros compromissos, ficou acertado um jantar em sua honra oferecido pelo casal Edmilson Pinheiro.

Entre os convidados estava o Comandante da 10ª Região Militar, o General Milton Tavares de Sousa, salvo engano, o qual, suponho, desconhecia o motivo da recepção. Tão logo chega o homenageado, o General e seus acompanhantes se retiram em protesto, por considerar o senador um dissidente do regime por ele representado.

O impacto da atitude dissolveu-se na cordialidade reinante, no uísque generoso e na classe dos anfitriões.

Do convívio com o casal guardamos, minha mulher e eu, a lembrança de um agradável fim de semana na fazenda de Quixadá, às margens do Cedro, em companhia, entre outros, de Lúcio Brasileiro, Régis Jucá e do meu professor, o médico Aluísio Pinheiro, irmão do dono da casa.

Desses amigos, os que já partiram levaram consigo, como agora Nicinha, um pedacinho de nós, deixando conosco outro tanto deles.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Pranto

Morreu Márcio Moreira Alves, o Marcito.

Jornalista do Correio da Manhã, integrante da elite carioca, passou à história por ter dado o pretexto para a edição do Ato Institucional nº 5, o AI-5, em 1968.

Deputado Federal, fez um discurso despretensioso, no horário conhecido como pinga-fogo, destinado à breves comunicações, destituídas de maior importância, no qual, entre outras coisas, inspirado no exemplo grego, conclamava as moças a recusarem a dança aos militares.

Por considerar o pronunciamento uma ofensa às forças armadas, o executivo solicitou ao Congresso Nacional (CN) licença para processar o referido deputado. A solicitação foi negada. Como consequência, editou-se o AI-5, que fechou o parlamento e cassou Márcio e mais outros políticos.

Durante a tramitação do pedido, destacou-se a figura de um político liberal, integrante do partido do governo, o deputado Djalma Marinho, do Rio Grande do Norte, que presidia a Comissão de Constituição e Justiça que, ao resistir às pressões para conceder a licença, ecoou a frase histórica: Ao rei tudo, menos a honra.

Integrava a Comissão, o deputado pelo Ceará, Vicente Augusto, que votou contra a concessão.

Quando fui senador da República, convivi com Márcio, que frequentava a bancada da imprensa junto ao plenário daquela Casa, já então em decadência física e profissional. Presenciei, à época, constrangido, uma áspera reprimenda que lhe aplicou o então senador Antônio Carlos Magalhães, sem que esboçasse justificada reação.

Insucesso eleitoral travou sua volta à Câmara dos Deputados (CD). Suspeito que nunca tenha absorvido de todo seu retorno ao Congresso apenas como jornalista.

Afinei-me com ele por meio da bibliofilia, que também cultivava, tendo se dedicado ao comércio de livros antigos, através do Sebo Fino.

Depoimentos de contemporâneos atestam sua integridade e espírito democrático.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Pranto


Alcançou-me em Lisboa a notícia da morte do Dr. Juraci Magalhães.

Administrador operoso, deixou importante acervo de obras em Fortaleza, cuja prefeitura ocupou por três vezes.

Caracterizou-se por usar, no embate com adversários, metáforas recheadas de humor, às vezes irônicas, que terminaram por lhe definir um estilo muito pessoal de comunicação.

Foi um político muito popular, que conseguia, inclusive, tornar vantagem política o defeito que os oponentes lhe atribuiam.

Considero demonstração de grande fortaleza interior, a maneira altiva como enfrentou a doença grave que lhe acometeu, quando de um de seus mandatos à frente da prefeitura.

Durante os dois anos que governei o Estado do Ceará, com ele na prefeitura, mantivemos excelente relacionamento, que removeu incompreensões herdadas de meus antecessores.

Votos de pesar para Dona Zenaide e família.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Pranto

Morre uma dama.

Nícia Marcílio, que já foi primeira, quando o marido, Flávio Marcílio, governou o Ceará, nunca deixou de sê-la na afeição dos que com ela privaram, graças ao jeito doce e a forma gentil com que tratava as pessoas, irradiando serenidade, apanágio dos espíritos bem constituídos.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Pranto

Faleceu Raimundo Gomes da Silva. O Oliveira, para os amigos e família.

Foi Deputado Estadual e Federal, com vários mandatos. Presidiu a Assembléia Legislativa do Estado do Ceará, exercendo importante liderança política na Região do Vale do Curu.

De temperamento afável e fala mansa, era dotado de grande coragem pessoal, testada em confrontos políticos dentro e fora do parlamento.

Primo e amigo de meu pai, os dois foram aliados, com grande protagonismo na política cearense.

Sucedi-lhe na amizade e solidariedade, que sempre lhe dedicamos.

Sua morte fecha mais um capítulo da história do Ceará.

Meus sentidos pêsames à viúva Yeda e todos os familiares.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Pranto

Baleado por um assaltante ao chegar em sua casa, faleceu o Pastor Helnir Cortez, de tradicional família evangélica, que embora jubilado, continuava a colaborar com a Igreja Presbiteriana da Rua Carolina Sucupira, no bairro da Aldeota, aqui em Fortaleza, onde exerceu o ministério por muitos anos.

Encontrava-o com alguma freqüência, sempre admirando sua atuação discreta e ponderada, que contribuia para maior diálogo entre os cristãos. Por mais de uma vez, deparei-me com ele celebrando, junto com um padre, casamentos ecumênicos.

A quantidade de pessoas no velório e sepultamento diz bem do quanto era estimado.

Meus pêsames à esposa, professora Célia Cortez e família.

sábado, 20 de setembro de 2008

Pranto


Manoel Lima, o fotógrafo, que se encontrava mais perto do céu, subiu até lá, apressado por um choque elétrico fulminante.

Há algum tempo não o via. Costumava encontrá-lo em minhas andanças pelo interior, nos mais diferentes munícipios do nosso Estado.

Rosto redondo, avermelhado, um sorriso estampado entre os lábios carnudos. Era a imagem da simpatia e da operosidade.

Viajante contumaz, a chamado de Deus, antecipou a viagem definitiva. (Foto: Divulgação/DN)

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Pranto

Faleceu Araken Peixoto, músico, filho de músicos, irmão de músicos e cantores, entre eles o cantor Cauby Peixoto. Aos 77 anos, depois de ter animado a noite de bares e boates do Rio de Janeiro e São Paulo.

Deixou dois CDs com o mesmo nome, Um piston dentro da noite. Possuo um deles, que está entre meus discos prediletos.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Pranto

Tomei conhecimento em Lisboa, onde me encontro, do falecimento do Luiz Esteves Neto. Perdemos um homem de bem. Tive o privilégio de ter sido seu amigo e convivido de perto com ele.

Sempre admirei seu temperamento ponderado, sua cordialidade, sua liderança natural e sua afabilidade. Dele guardo agradáveis recordações de conversas mantidas na sua Tiprogresso, ao pé de sua mesa de trabalho, que, como sabem seus interlocutores, era um primor de organização...

Sei que quando chegar ao céu, e São Pedro indagar ao abrir-lhe a porta: Como vão as coisas lá embaixo? Ouvirá dele o refrão de sempre, estão boas e vão melhorar mais.

Ele era assim, um eterno otimista, um lutador que nunca esmoreceu. Nem diante da doença e do prolongado sofrimento.

Meus pêsames à dona Ileana, família e colaboradores.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Pranto

D. Aloísio foi chamado por Deus para um Concílio no céu. Lá, entre outros amigos, vai encontrar Paulo VI e João Paulo II, e certamente continuar em outro ambiente o ministério que exerceu na terra.

Com a saúde minada por uma doença cardíaca que durou anos, e pode ter lhe tirado o papado, exerceu posições de relevo no governo da Igreja no Brasil, encerrando sua carreira como Arcebispo de Aparecida. Gaúcho de Estrela, franciscano, foi Bispo de Santo Ângelo, RGS, Secretário e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Presidente da Conferência Episcopal Latino Americana (CELAM), Arcebispo de Fortaleza, quando foi sagrado Cardeal.

Marcou a história da Igreja no Ceará por uma permanente atuação em defesa dos pobres e dos perseguidos. Foi um crítico contundente do regime militar e um corajoso paladino dos direitos humanos. Feito refém por presos de uma penitenciária, sua foto com uma faca sobre a garganta, correu o mundo falando da desumanização dos cárceres e do embrutecimento dos presidiários.

Com ele trabalhei de perto quando Prefeito de Fortaleza, inclusive nos preparativos para a memorável visita do Papa João Paulo II à cidade. Embora nunca tenha ouvido dele, creio que a convivência com nossa dura realidade social tenha tido grande influência na definição de seu perfil pastoral.

De seu grande valor humano e espiritual tive oportunidade de falar em livro que sobre ele organizou meu colega Marcelo Gurgel, e, recentemente, em depoimento para um filme em elaboração pela TV Aparecida. Cativou-me ainda pela forma carinhosa com que tratava minha mãe quando a encontrava, e depois acompanhando seu sofrimento durante longa enfermidade.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Pranto


Morreu Heloneida Studart, cearense de Fortaleza, que migrou para o Rio de Janeiro, onde fez carreira como escritora e política.

Teve sete mandatos de Deputada Estadual e escreveu vários livros. Foi, ainda, uma voz importante do movimento feminista no Brasil.

Faleceu subitamente após ter se submetido a uma cirurgia cardíaca.

domingo, 28 de outubro de 2007

Pranto


Faleceu Hans Stern, fundador e proprietário da rede de joalherias H. Stern.

Judeu alemão, veio para o Brasil fugindo da perseguição nazista. Dedicou-se à pesquisa e comercialização de pedras preciosas, que culminou com a criação da H. Stern. Ele foi responsável pela valorização das pedras brasileiras e a criação de um design de jóias reconhecido internacionalmente.

A pedido de minha mulher, abriu espaço em sua organização para treinamento de artesãos de Quixeramobim, hoje um dinâmico polo de produção e comercialização de jóias. A presença da marca, sinônimo de qualidade, nas principais cidades do mundo, não deixa de despertar uma ponta de orgulho nos brasileiros em viagem.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Pranto


Tirou ontem o passaporte para eternidade Manuel Eduardo Pinheiro Campos, o Manuelito Eduardo.

Vi-o hoje pela manhã, pela última vez. E pela primeira vez sem aquele sorriso franco que era sua marca.

Extrovertido, caloroso, dono de impressionante energia, nunca capitulou diante das vicissitudes da vida. Superou tudo com altivez e incansável capacidade de produção intelectual na literatura, no teatro, na imprensa e na administração de entidades culturais, sempre atento aos avanços da tecnologia e da modernidade.

Foi golpeado na trincheira da luta fazendo o que sabia bem, uma conferência.

Como governador tive a oportunidade de reparar uma injustiça, coloquei-lhe no peito a Medalha da Abolição.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Pranto


Em Modena, Itália, o cisne cantou pela última vez. Pavarotti calou para sempre. Ele foi mais que um grande tenor. Pelo seu carisma tornou-se sucesso de público. Midiático, arrebatou platéias .
Atraiu atenções dentro e fora do palco. Gostava dele até quem não apreciava ópera. Sua simpatia há de ter feito muitos novos aficionados do canto. Sem ele o mundo fica um pouco menos melodioso.

sábado, 21 de julho de 2007

Pranto

Compaixão. É a única unanimidade em relação à tragédia de Congonhas. É dever dos órgãos competentes apurar as causas do acidente e identificar responsáveis. É obrigação do Governo Federal adotar medidas para oferecer o máximo de segurança ao tráfego aéreo. Atribuir culpas de forma precipitada é no mínimo imprudência. Explorar o fato politicamente é uma forma vil de buscar dividendos eleitorais.