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segunda-feira, 3 de setembro de 2012

As leis da biblioteconomia

As cinco leis da biblioteconomia segundo S.R. Ranganathan:

1 - Os livros são para usar

2 - A cada leitor seu livro

3 - A cada livro seu leitor

4 - Poupe o tempo do leitor

5 - A biblioteca é um organismo em crescimento

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Leitura

Acabo de ler Traduzindo Hannah, de Ronaldo Wrobel, editora Record. Dos romances que li ultimamente foi um dos que mais me agradou.

O enredo gira em torno da migração judaica para o Brasil e a Argentina na primeira metade do século passado intensificada pela perseguição aos judeus desencadeada a partir da assunção de Hitler ao poder a frente do nazismo.

O Rio de Janeiro é o grande cenário do romance. A ficção reproduz a vida daquela comunidade na então capital do Brasil com todas as vicissitudes dos imigrantes pobres atraidos para uma nova terra onde os aguardavam oportunidades e dificuldades a vencer.

É a história das "polacas" prostituídas exploradas por rufiões, dos mascates oferecendo seus produtos de porta em porta, da vida que girava num núcleo urbano que tinha como epicentro a Praça Onze.

A moldura institucional era dada pelo estado novo e a ambiguidade política de Getúlio que vacilava entre a Alemanha e os Estados Unidos enquanto sua polícia espionava comunistas entre judeus recém chegados.

Ao longo do texto sobram expressões e referências aos costumes judaicos preservados pela comunidade amalgamada por suas tradições religiosas.

Dessas passagens pincei duas que representam bem o humor e uma forma algo cética com que encaram a vida.

continua...

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Policial II

Vamos às regras:

1- O criminoso deve ser mencionado na primeira parte da narrativa, mas não deve ser ninguém cujos pensamentos o leitor teve oportunidade de acompanhar

2- Nenhum agente sobrenatural é admitido

3- Não deve haver mais de um quarto ou passagem secretos

4- Nenhum veneno desconhecido deve ser usado ou, de fato, qualquer aparelho que exija uma longa explicação científica

5- Nenhum chinês deve fazer parte da história

6- Nenhum acaso deve auxiliar o detetive, assim como ele não deve possuir uma intuição inexplicável.

7- O próprio detetive não pode cometer o crime ou contar com qualquer pista que não tenha sido imediatamente apresentada ao leitor

8- O amigo bobo do detetive, o Watson, deve ser ligeiramente, mas não mais que ligeiramente menos inteligente que o leitor médio e seus pensamentos não devem ser ocultados

9- E, por fim, irmão gêmeos e sósias em geral não devem aparecer, a menos que o leitor tenha sido devidamente preparado para eles.

Segundo P.D James "essas regras, se aceitas como obrigatórias, teriam reduzido a história de tetive a um enigma quase intelectual, no qual o leitor exercitaria sua inteligência não só contra o assassino fictício mas contra o escritor, cujas peculiaridades ou recursos ardilosos os aficiondos se empenhariam em reconhecer e refutar".

Policial

Sou um adepto de romances policiais. Tramas inteligentes urdidas por ícones do gênero me proporcionam momentos agradáveis de leitura que aliviam tensões e fazem esquecer preocupações.

No momento estou lendo Segredos do Romance Policial, de P.D.James, editora Três Estrelas, uma das grandes do gênero.

Trata-se de um passeio pelas obras de autores de diversas épocas, desde Poe, tido como precursor de histórias policiais, estudando estilos e personagens que desvendam crimes misteriosos com o recurso à inteligência.

No mencionado livro encontrei um conjunto de regras elaboradas por Ronald Knox no prefácio ao livro Best Detective Stories 1928-29 por ele editado que orienta a  elaboração dos enredos das tramas policiais.

continua...

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Getúlio

Acabei de ler Getúlio - Dos anos de formação à conquista do poder, de meu amigo Lira Neto.

Gostei bastante do livro. O estilo é agradável, é muito informativo, esclarece episódios nebulosos da vida de Vargas e é bem documentado. Não foge das questões polêmicas inevitáveis em uma biografia tão rica como foi a de Getúlio.

O ciúme despertado em alguns historiadores é compreensível, o que não lhes concede o direito de reivindicar reserva de mercado em matéria cultural.

O livro não é elegíaco. Numa trajetória de sucesso como foi a dele o brilho pessoal é inevitável.

As hesitações, os vacilos, as tergiversações, as manobras que o autor revela, o companheirismo instável, são a expressão de uma personalidade ambígua que surfou no mar traiçoeiro da política com incomparável êxito.

Anotei no texto duas pequenas curiosidades:

1 - Nas diversas tentativas feitas em busca de um acordo com Washington Luis, Getúlio apresentou uma fórmula conciliatória para a sucessão presidencial. Sugeriu para presidente Estácio Coimbra, que presidia Pernambuco e para vice Matos Peixoto, que ocupava cargo idêntico no Ceará.

2 - Depois de tentar, sem êxito, outros nomes os líderes da revolução decidiram entregar o comando militar do movimento ao coronel Goes Monteiro, que exigiu para assentir inteira liberdade de ação, o que lhe foi concedido.

No comboio ferroviário que largou de Porto Alegre rumo ao Rio de Janeiro conduzindo a tropa e o estado maior da revolução, sob a presidência de Getúlio, Goes Monteiro acomodado em um dos vagões conduzia um gramofone com uma pilha de discos de óperas que animavam a viagem.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Hemingway

Graças a um acordo entre a editora americana Scribner e os herdeiros serão publicados as 47 versões escritas por Hemingway para o final de Adeus às Armas, um romance que tem como cenário a primeira guerra mundial.

A iniciativa mostra as diferentes alternativas que o Nobel de Literatura experimentou até encontrar a versão adotada para fecho do livro que o autor admitiu ter algo de autobiográfico.

domingo, 24 de junho de 2012

Leitura

Muito se fala sobre o caráter libertador da leitura. O quanto ela pode contribuir para a formação cultural das pessoas.

Não é sem razão que governos e organizações não governamentais têm se empenhado em estruturar  programas de incentivo à leitura e formação de leitores.

Agora surge uma iniciativa que visa abrir as portas das prisões para condenados que se tenham tornado bons leitores.

Quanto mais livros o preso ler por ano mais cedo sairá da prisão. Cada obras literária deverá ser lida no prazo de 21 a 30 dias. Ao final de um ano o preso poderá ter lido 12 livros e, assim, descontado 48 dias na sua pena.

Na lista do acervo bibliográfico das penitenciárias há 124 títulos. A medida vale apenas para os detidos nas 4 penitenciárias federais. A experiência teve início na penitenciária de Catanduvas no Paraná.

Saiba mais em O Globo, edição de 24/06/12.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Miguilim

Miguilim é um pequeno heroi de Guimarães Rosa que só veio a descobrir a beleza do mundo através de lentes de grau quando um médico descobriu sua miopia.

Soube agora por meio de uma crônica de Sérgio Abranches, mineiro de Curvelo, que o médico era seu bisavô José Lourenço Vianna que clinicava naquela cidade.

Miguilim era o menino Guimarães Rosa, filho do seu Rosa do Mutum que passou a enxergar o mundo de Cordisburgo pelos óculos redondos do médico.

Foi assim que o Dr José Lourenço do Curvelo entrou a cavalo da verdade na ficção de Rosa, o pequeno míope predestinado a ser um grande escritor brasileiro.

Saiba mais no caderno Ilustríssima da Folha de S. Paulo, edição de 17/06/12


quinta-feira, 7 de junho de 2012

Bradbury

Faleceu o escritor Ray Bradbury. Justo no momento em que estou lendo o livro Fahreneit 451, que o fez famoso e depois virou filme.

É a história de uma distopia onde bombeiros incendiários se dedicam a atear fogo aos livros, objetos indesejáveis por fazerem pensar, guardarem a memória e instalarem a dúvida no espírito das pessoas.

Toda sociedade que queima livros mais tarde queima tambem pessoas. É só uma questão de tempo. Basta lembrar o que aconteceu na vigência do nazismo.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Merquior

José Guilherme Merquior, um dos mais brilhantes e controversos intelectuais brasileiros, diplomata e escritor, precocemente falecido aos 50 anos, terá sua obra completa publicada em uma série que reúne 22 volumes.

"Colecionava adversários intelectuais com a mesma facilidade que citava nomes imemoráveis. Erudito, denunciava plágios e fustigava opositores com adjetivos ruidosos".

Definia-se assim: liberal em economia, social-democrata em política, e anarquista em cultura.

O organizador da biblioteca é o professor João César de Castro Rocha, autor de vários livros que resolveu encarar o desafio por considerar que seu itinerário e independência se parecem com a trajetória do homenageado.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 07/01/12

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A frase do dia

É reconfortante a sensação de pegar um livro da estante e ele dizer sempre a mesma coisa.

Jonathan Franzen, escritor que não gosta de e-books.

Clássico

Clássico, segundo Italo Calvino, é "um autor que ninguém gosta de ler, mas que todo mundo gostaria de ter lido".

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Cartas

Serão necessários 15 anos para que a Cambridge University Press dê conta de reunir, organizar e publicar toda a correspondência de Ernest Hemingway. O trabalho teve início em 2002.

O conteúdo, composto de cartas, telegramas, rascunhos não enviados, será abrigado em 18 volumes.

A Martins Fontes adquiriu os direitos para publicar no Brasil o primeiro volume que abrange o período de 1907 a 1922. O lançamento deverá ocorrer em 2013.

Leitura II

O Plano Nacional do Livro e da Leitura  (PNLL) prevê para 2012 a capacitação de 7.672 agentes de leitura.

Os agentes irão promover a leitura mediante visitas domiciliares, empréstimos de livros, rodas de leitura e outras ações que fomentem o hábito de ler.

Fico feliz de ver um projeto desenvolvido durante meu governo se transformar num programa nacional a cargo do governo federal.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Leitura

A Presidente Dilma acaba de lançar em boa hora o Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL) o qual contempla várias ações para facilitar o acesso ao lvro e difundir o hábito da leitura.

Entre outras atividades previstas está a implementação do programa de agentes de leituras a serem distribuidos por todo território nacional.

A iniciativa nasceu no meu governo para despertar nas populações mais humildes o interesse pela leitura, a contação de histórias e maior aproximação com as raizes populares da nossa cultura.

Seu sucesso levou-o a ser adotado pelo governo federal.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Livros

23 de abril, Dia Mundial do Livro

Livros são a medicina do esquecimento.

Padre Antonio Vieira

segunda-feira, 26 de março de 2012

Dicionários

O comportamento politicamente correto consiste numa atitude que visa evitar constrangimentos, discriminações, preconceitos, em razão de etnias, cor, religião, gênero, política e preferencias sexuais.

Tem por fundamento justiça, solidariedade e humanismo.

Uma interpretação excessiva, radical, dessa ideia tende a desmerece-la e até ridicularizar algo que era inicialmente uma boa iniciativa.

Uma visão alheia à história tem levado a ações descabidas como a proposta de modificação de livros de Monteiro Lobato por considerar seus conteúdos racistas.

Ao enveredar por esses caminhos os caçadores de incorreções políticas teriam muito o que fazer em relação a incontáveis obras da literatura brasileira e mundial consagradas através dos anos.

Fariam melhor se olhassem a obra e o contexto histórico dentro do qual foi escrita.

O exagero desses patrulheiros da assepsia política chega agora aos dicionários. Incursionam contra verbetes do Houaiss que consideram acolher usos pejorativos do vocábulo.

Uma das vítimas dessa patrulha é o termo cigano para o qual o dicionário registra significado usado de forma ofensiva àquele povo, no passado ou no presente.

Parece pois uma rematada tolice investir contra acepções de vocábulos dicionarizados, por serem, ou terem sido de uso do povo, sem que isso implique em endossar significados colhidos em pesquisas linguísticas e lexográficas.

Para quem se interesse pelo tema recomendo a leitura da crônica de Lya Luft, Vamos Queimar os Dicionários, na revista Veja, edição de 14/03/12.

domingo, 25 de março de 2012

Leitura

Acabei de ler Meus dias de escritor, de Tobias Wolff, Ediouro.

Numa escola, rapazes aprendizes de escritor concorrem com seus textos à aprovação de autores reconhecidos com direito a um convívio privado quando da vinda deles ao internato.

Rivalidades, ostensivas ou disfarçadas, idiossincrasias dos mestres, rituais tradicionais e um plágio que marca o ápice do enredo.

O último convidado, Hemingway, mata-se antes de visitar o colégio.

Recomendado.

sexta-feira, 16 de março de 2012

D. Pedro I

Chega ao Brasil uma biografia de nosso primeiro imperador, D. Pedro I. Tem o título de O Império é Você e por autor um espanhol, Javier Moro.

O livro valeu-lhe o prêmio Planeta, 600.000,00 euros, em dinheiro inferior apenas ao Nobel. Em 500 páginas Moro narra a vida aventurosa do heroi de duas pátrias, Brasil e Portugal, um sucesso editorial que vendeu em menos de um ano 400 mil exemplares.

Longe de ser uma unanimidade entre historiadores o livro desembarca no Brasil sob o selo Planeta do Brasil sob uma chuva de críticas. É acusado de ser apenas um copidesque de obras sobre o personagem e de imprecisões ou mesmo inverdades históricas.

Há até quem fale da obra como uma manifestação de neocolonialismo espanhol.

Das acusações o autor se defende ao dizer ter escrito a história romanceada e não um romance histórico. E continua : Eu não inventei personagens nem cenas. Não relatei nenhuma situação que não tenha existido realmente.

Javier  Moro chega ao Brasil dia 18 para promover o livro em seis cidades.

Saiba mais em O Globo, edição de 10/03/12

sábado, 10 de março de 2012

Livros II

Acabo de ler A Leitura Real, de Alan Bennett, editora Asa.

Uma sátira a propósito de uma rainha da Inglaterra que foi atraída para a leitura por um pajem e um bibliotecário de um carro biblioteca que costumava estacionar nos jardins do palácio uma vez por semana.

Tornou-se uma leitora voraz, transformou o pajem em interlocutor sobre livros e passou a inquirir pessoas sobre obras e autores inclusive o primeiro-ministro em suas visitas semanais.

Tal comportamento trouxe preocupação aos seus assistentes que acabaram por afastar o pajem e confiarem a um provecto conselheiro real a tarefa de sugerir à Rainha uma redução no ritmo de leitura.

O conselho acaba por despertar nela a ideia de escrever um livro o que surpreende a Corte face ao ineditismo do fato em se tratando de reis e rainhas ingleses.

Mais tarde, em um banquete em sua homenagem,  sua majestade se depara com seu antigo pajem, agora um prestigiado acadêmico.

O livro é uma deliciosa sátira que exalta de forma sutil o poder da leitura com humor e sensibilidade.

Sem que o autor dê nomes fica claro que a rainha da ficção é Elisabeth II.