O processo aberto para apurar a quebra de decoro do Senador Renan Calheiros permite, se examinado com cuidado, tirar algumas lições do comportamento dos diversos protagonistas envolvidos na disputa:
Hipocrisia 1- Quarenta e três senadores afirmam ter votado pela cassação. Só foram apurados trinta e cinco votos favoráveis. Os demais o gato comeu.
Hipocrisia 2- O PSDB e o DEM fecharam questão pela cassação do senador. Esqueceram de um pequeno detalhe. A votação era secreta, como previam as regras em vigor. Portanto, a resolução era inócua. Para inglês ver. E os incautos acreditarem.
Para quem se interessar pelo assunto, recomendo ler a coluna da Tereza Cruvinel, no "O Globo", edição de 13/09, que demonstra cabalmente a contribuição da oposição para a absolvição do acusado.
sábado, 15 de setembro de 2007
Obstrução

Partidos de oposição falam em parar o Senado Federal, impedindo suas votações mediante o emprego de medidas regimentais.
Podem, com isso, infernizar a vida do Senador Renan Calheiros, dificultando, assim, o governo do Presidente Lula. Travar a tramitação de matérias relevantes, para vingar-se de um resultado adverso, é trabalhar contra o País. Paralisar o Senado é obstruir o Brasil.
Podem, com isso, infernizar a vida do Senador Renan Calheiros, dificultando, assim, o governo do Presidente Lula. Travar a tramitação de matérias relevantes, para vingar-se de um resultado adverso, é trabalhar contra o País. Paralisar o Senado é obstruir o Brasil.
Verde
Em meio ao debate sobre o Cocó,você é capaz de lembrar quem tomou a primeira medida concreta em defesa do rio, implantando o Parque Adahil Barreto em sua margem? A propósito, que saudade da Socema (Sociedade Cearense do Meio Ambiente), do Joaquim Feitosa, da militância verde do Flávio Torres, do Hélio Rola, do Samuel Braga, do Jorge Neves e de tantos outros.
Despertai, ambientalistas!
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Brasil Melhor
No Brasil, o emprego informal tem diminuído. Há mais trabalhadores com carteira assinada. Houve redução de trabalho infantil. O número de alunos matriculados cresceu 350% nos últimos dez anos. No Ceará, dobrou o número de domicílios com acesso à energia no mesmo período. Em 2006, a renda média do brasileiro aumentou 7,2% em relação ao período anterior. Mais de quinhentas mil pessoas ultrapassaram a linha de pobreza no nosso estado. Enfim, O brasileiro tem um trabalho melhor, ganha mais, ampliou os estudos e vive por mais tempo.
Sim, o Brasil melhorou, é o que se pode depreender dos índices apresentados pelo recém-divulgado relatório do PNAD – a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, o levantamento socioeconômico que o IBGE promove periodicamente no país, e que na sua mais recente edição revela que houve uma sustentada desconcentração da renda em todas as regiões brasileiras. Há menos pobres no país e muitos dos que continuam pobres estão menos pobres.
Mesmo que sejam resultados em uma medida ainda insuficiente, o levantamento indica que o país vive, e o cenário internacional contribui para isto, um momento promissor. Parece haver uma maior confiança na nossa capacidade de sustentar o nosso desenvolvimento em bases, se não compatíveis com a pressão da demanda, pelo menos o suficiente para nos fazer acreditar que estamos no rumo certo.
Esta percepção positiva é importante, na medida em que nos permite manter alguns consensos capazes de consolidar a estabilidade e garantir a continuidade daquelas políticas públicas que estejam associadas às razões do crescimento.
É preciso persistir naquilo que se comprovou eficiente e avançar na direção de novas conquistas. É preciso ampliar a agenda comum, portanto, e nada como bons resultados para mover as forças sociais na direção deste entendimento.
Por doze anos, como Senador da República e Governador de Estado, estivemos intensamente comprometidos com a busca de soluções para os desequilíbrios sócio-econômicos do país, com especial interesse nos aspectos relacionados ao desenvolvimento do Nordeste e do Ceará, em especial. Neste período, o país viveu mudanças significativas na sua estrutura econômica e no seu modelo de Estado.
Tudo isto se deu no curso de um processo de consolidação do regime democrático, onde a alternância de poder e os mecanismos de participação social legitimaram os caminhos escolhidos e compartilharam responsabilidades que nos fez a todos, em maior ou menor medida, sujeitos, e não apenas objeto, destes resultados.
É pouco. São maiores as necessidades do país, sobretudo dos milhões de brasileiros que ainda se encontram à margem dos benefícios do desenvolvimento. Mas constatar que avançamos aumenta a nossa confiança no futuro.
Sim, o Brasil melhorou, é o que se pode depreender dos índices apresentados pelo recém-divulgado relatório do PNAD – a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, o levantamento socioeconômico que o IBGE promove periodicamente no país, e que na sua mais recente edição revela que houve uma sustentada desconcentração da renda em todas as regiões brasileiras. Há menos pobres no país e muitos dos que continuam pobres estão menos pobres.
Mesmo que sejam resultados em uma medida ainda insuficiente, o levantamento indica que o país vive, e o cenário internacional contribui para isto, um momento promissor. Parece haver uma maior confiança na nossa capacidade de sustentar o nosso desenvolvimento em bases, se não compatíveis com a pressão da demanda, pelo menos o suficiente para nos fazer acreditar que estamos no rumo certo.
Esta percepção positiva é importante, na medida em que nos permite manter alguns consensos capazes de consolidar a estabilidade e garantir a continuidade daquelas políticas públicas que estejam associadas às razões do crescimento.
É preciso persistir naquilo que se comprovou eficiente e avançar na direção de novas conquistas. É preciso ampliar a agenda comum, portanto, e nada como bons resultados para mover as forças sociais na direção deste entendimento.
Por doze anos, como Senador da República e Governador de Estado, estivemos intensamente comprometidos com a busca de soluções para os desequilíbrios sócio-econômicos do país, com especial interesse nos aspectos relacionados ao desenvolvimento do Nordeste e do Ceará, em especial. Neste período, o país viveu mudanças significativas na sua estrutura econômica e no seu modelo de Estado.
Tudo isto se deu no curso de um processo de consolidação do regime democrático, onde a alternância de poder e os mecanismos de participação social legitimaram os caminhos escolhidos e compartilharam responsabilidades que nos fez a todos, em maior ou menor medida, sujeitos, e não apenas objeto, destes resultados.
É pouco. São maiores as necessidades do país, sobretudo dos milhões de brasileiros que ainda se encontram à margem dos benefícios do desenvolvimento. Mas constatar que avançamos aumenta a nossa confiança no futuro.
Crise da saúde II
Diante da inação estadual, a justiça assumiu o controle da crise da saúde. São os juízes que dizem o que deve e o que não deve ser feito. Menos mal.
Doação de órgãos
"Doação de órgãos cai pelo terceiro ano consecutivo" é o título de matéria publicada na "Folha de S. Paulo", edição de 03/09 deste ano.
Segundo a notícia, o índice nacional de doadores no primeiro semestre foi de 5,4 a cada um milhão de pessoas, contra 7,6 em 2004, e 35 na Espanha, País que tem excelente desempenho nessa área.
Estamos andando para trás. Corremos o risco de perder os avanços até aqui obtidos. Falta capacitação de pessoal, estrutura hospitalar, sensibilização da população, articulação e integração das estruturas de saúde para atingirmos resultados mais satisfatórios.
Valter Duro Garcia, responsável pelo registro de transplantes na Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), já fala no risco de um "apagão de transplantes".
Mateus está no céu, destino certo das crianças inocentes como ele. Não houve tempo de ser salvo pela solidariedade cearense.
Fica uma lição: ações solidárias valem muito mais que palavras solidárias. É a distância entre intenção e gesto, como ensina a canção.
Não basta dizer que é doador, é preciso ser doador!
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Poesia
Renda
O mar de esmeraldas
Borda com fios de espuma
Rendas efêmeras na praia,
Que o vento desfaz
Zunindo no ventre
Dos búzios vestidos
De algas.
Lúcio Alcântara
O mar de esmeraldas
Borda com fios de espuma
Rendas efêmeras na praia,
Que o vento desfaz
Zunindo no ventre
Dos búzios vestidos
De algas.
Lúcio Alcântara
Queda livre
Deu no "Estado", edição de 11/09/07: " Ceará lidera queda industrial no País. Recuo da produção industrial cearense em julho foi de 5,8% em relação ao mês anterior''.
No Brasil, a queda foi de 0,4%", manchete de primeira página. "A produção industrial cearense apresentou, no mês de julho, a maior queda do País, com recuo de 5,8% em relação ao mês anterior. O resultado é também 4,7% menor que o obtido em julho do ano passado", página 9.
De liderança deste tipo não fazemos questão!
No Brasil, a queda foi de 0,4%", manchete de primeira página. "A produção industrial cearense apresentou, no mês de julho, a maior queda do País, com recuo de 5,8% em relação ao mês anterior. O resultado é também 4,7% menor que o obtido em julho do ano passado", página 9.
De liderança deste tipo não fazemos questão!
"Vixe" !

Vocês ja viram o que o meu colega Nonato Albuquerque, do blog "Antena paranóica", pensa da atuação parlamentar do Senador Inácio Arruda? Confiram.
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Paternidade envergonhada

"O filho eterno", de Cristovão Tezza(foto), editora Record, é a história de um escritor, pai de uma criança com síndrome de Down, e de sua rejeição ao filho, considerado por ele evidência de seu fracasso. À vergonha de ter um filho que não é "normal", soma-se o fato de ainda não ter publicado um livro. Crueldade e coragem misturam-se na forma como o narrador expõe seus sentimentos em relação ao filho.
O texto é a evolução de duas carreiras, de pai e de escritor, e de suas influências recíprocas O livro embaralha ficção e realidade, o autor, na vida real, é pai de uma criança com essa condição. É inevitável pensar que na crueza do texto haja expiação de culpa.
Há poucos dias os jornais divulgaram que o famoso dramaturgo Arthur Miller teve um filho com síndrome de Down, recolhido desde cedo a uma instituição especializada, e cuja existência sempre omitiu. Nunca falou sobre ele, nem mesmo quando escreveu suas memórias. No fim da vida refez seu testamento para legar-lhe parte substancial de sua fortuna. Os dois episódios revelam a dificuldade que têm alguns pais de lidar com situações como estas. Conheço exemplos na direção oposta. Casais que amam, com dedicação extrema, essas criaturas humanas especiais que Deus lhes mandou.
O texto é a evolução de duas carreiras, de pai e de escritor, e de suas influências recíprocas O livro embaralha ficção e realidade, o autor, na vida real, é pai de uma criança com essa condição. É inevitável pensar que na crueza do texto haja expiação de culpa.
Há poucos dias os jornais divulgaram que o famoso dramaturgo Arthur Miller teve um filho com síndrome de Down, recolhido desde cedo a uma instituição especializada, e cuja existência sempre omitiu. Nunca falou sobre ele, nem mesmo quando escreveu suas memórias. No fim da vida refez seu testamento para legar-lhe parte substancial de sua fortuna. Os dois episódios revelam a dificuldade que têm alguns pais de lidar com situações como estas. Conheço exemplos na direção oposta. Casais que amam, com dedicação extrema, essas criaturas humanas especiais que Deus lhes mandou.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Pranto

Em Modena, Itália, o cisne cantou pela última vez. Pavarotti calou para sempre. Ele foi mais que um grande tenor. Pelo seu carisma tornou-se sucesso de público. Midiático, arrebatou platéias .
Atraiu atenções dentro e fora do palco. Gostava dele até quem não apreciava ópera. Sua simpatia há de ter feito muitos novos aficionados do canto. Sem ele o mundo fica um pouco menos melodioso.
Bartleby, o arquiteto
(Bartleby, em ilustração de Götting, 2004.)É o título do trabalho do arquiteto Iñaki Abalos para pregar em favor da idéia de sustentabilidade em arquitetura, que implica na produção de edifícios que atendam satisfatoriamente a requisitos ambientais, sociais e econômicos.
O autor chama atenção para os modismos em arquitetura, que muitas vezes distorcem a idéia original que impulsionou o surgimento de novos conceitos. À onda dos prédios inteligentes, segue-se o culto à sustentabilidade, agregada ao significado estético das obras.
O autor reage à submissão da arquitetura ao aparato, e recomenda perguntar o que verdadeiramente interessa neste conceito que não signifique apenas manipulação de palavras mágicas pela indústria da construção. Assim, a idéia de sustentabilidade pode se manifestar na recusa em projetar, ou executar uma obra, julgada desnecessária, ou postergável.
À semelhança do personagem do conto de Herman Melville, "Bartleby, o escriturário", que a cada ordem recebida no escritório repetia o bordão "preferiria não fazê-lo", o arquiteto coerente com a pureza do conceito de sustentabilidade é o que recusa fazer uma determinada obra. Isto é, o melhor a fazer é não fazer.
Leia mais: Bartleby, el arquiteto. Publicado no suplemento "Babelia" de "El Pais", edição de l0 de março de 2007.
sábado, 8 de setembro de 2007
A frase do dia
A consciência é o melhor livro de moral, e aquele que menos se consulta.
Blaise Pascal (1623-1662), filósofo, físico e matemático francês.
Blaise Pascal (1623-1662), filósofo, físico e matemático francês.
Estatística

O fato das estatísticas em relação à violência mostrarem que a situação de Fortaleza, apesar de não ser boa, é melhor que a de várias outras regiões metropolitanas, incomodou muita gente. Acusações de manipulação de dados não se sustentam por absoluta falta de comprovação. Os dados continuam a ser colhidos da mesma forma e, basicamente, pelas mesmas pessoas.
Podem falar sobre a correção dos procedimentos no passado, o delegado José Nival, ex-superintendente da Polícia Civil, e o coronel Bessa, ex-diretor do Ciops, atualmente Secretário Adjunto de Segurança e Comandante da Polícia Militar, respectivamente.
O que se busca é uma tentativa de explicação para o fato do Ceará ter ficado fora do Pronasci, Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania, que elegeu para transferência de recursos estados onde a situação é mais grave. Quer dizer, tem gente aqui torcendo para que a situação seja pior do que de fato é. Incrível!
Além disso, o fato das estatísticas revelarem um aumento do número de homicídios, em comparação com o passado, perturba os atuais responsáveis pela segurança pública. Para concluir, sugiro que os interessados consultem o "Mapa da violência dos municípios brasileiros", de autoria de Júlio Jacobo Waiselfisz, que não se valeu de nenhum dado fornecido pela Secretaria de Segurança do Ceará, e sim de informações do Datasus do Ministério da Saúde e do IBGE.
Podem falar sobre a correção dos procedimentos no passado, o delegado José Nival, ex-superintendente da Polícia Civil, e o coronel Bessa, ex-diretor do Ciops, atualmente Secretário Adjunto de Segurança e Comandante da Polícia Militar, respectivamente.
O que se busca é uma tentativa de explicação para o fato do Ceará ter ficado fora do Pronasci, Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania, que elegeu para transferência de recursos estados onde a situação é mais grave. Quer dizer, tem gente aqui torcendo para que a situação seja pior do que de fato é. Incrível!
Além disso, o fato das estatísticas revelarem um aumento do número de homicídios, em comparação com o passado, perturba os atuais responsáveis pela segurança pública. Para concluir, sugiro que os interessados consultem o "Mapa da violência dos municípios brasileiros", de autoria de Júlio Jacobo Waiselfisz, que não se valeu de nenhum dado fornecido pela Secretaria de Segurança do Ceará, e sim de informações do Datasus do Ministério da Saúde e do IBGE.
Explicação
Estive fora do ar alguns dias por problema de conexão com a internet. Não obstante reiteradas reclamações, até agora a velox não resolveu a situação. Estou usando uma solução provisória, para não interromper por mais tempo meu contato com os interessados nos assuntos que temos tratado neste blog. Desculpem, não foi falha nossa.
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Para entender a crise da saúde
Muitas pessoas me indagam, como médico e político, as razões do caos que se implantou na saúde do Ceará. As causas são estruturais, agravadas pela conduta do Governo do Estado.
Algumas causas estruturais:
Do financiamento
Algumas causas estruturais:
Do financiamento
- Congelamento do valor do "teto" de recursos do SUS transferidos para o Estado, o qual não é reajustado ha vários anos.
- Baixo valor per capita estabelecido para efeito de cálculo dos valores repassados ao Estado. A quantia é menor que a de vários estados brasileiros.
- Congelamento da tabela de preços dos procedimentos. Não é reajustada há anos.
Da demanda
- A introdução de novas tecnologias e medicamentos onerando mais o sistema.
- O aumento da violência, congestionando hospitais e encarecendo o atendimento.
- O envelhecimento da população, com atenção mais custosa aos idosos.
Ações ou omissões do Governo do Estado:
- Instabilidade gerencial. A interinidade prolongada de gestores da saúde do Estado, inclusive diretores de grandes hospitais, produziu um clima de insegurança que afetou a gestão do sistema.
- O desmonte do programa "Saúde mais perto de você", que comprometeu seriamente o atendimento à população nos hospitais polos do interior e aumentou o fluxo de pacientes para Fortaleza.
- A redução dos gastos com saúde, inclusive do repasse aos grandes hospitais especializados de Fortaleza, causando desabastecimento, redução de horas de trabalho de profissionais da saúde e precarização do atendimento às pessoas.
- A não colocação em funcionamento da UTI do Hospital Geral de Fortaleza, deixada pronta pelo governo anterior.
- A não convocação dos profissionais aprovados em concurso público, apesar da notória carência da rede estadual de saúde.
Espero ter contribuído para que tirem suas próprias conclusões, indagando se vale a pena guardar dinheiro assim, CONGESTIONANDO HOSPITAIS E ENCARECENDO MEDICAMENTOS.
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Reforma ortográfica

Entrou em vigor, oficialmente, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, firmado pelos países lusófonos em 1990. Ajudei a aprová-lo no Senado, acompanhando o parecer do saudoso senador Josafá Marinho. O objetivo é acabar com as diferenças ortográficas entre os países cuja língua oficial é o Português.
A cisão vem de 1911, quando o governo português fez, à revelia do Brasil, a primeira normatização oficial da língua portuguesa. Três países - Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Princípe - já ratificaram o acordo, o que tecnicamente enseja sua aplicação. Remanescem resistências em Portugal, de natureza cultural e econômica.
Tradicionalistas denunciam a "brasilificação" da língua, e editores resistem à alteração alegando gastos e com receio de perderem mercado.
Mas, afinal em que consiste a mudança? São basicamente alterações ortográficas: incorporação definitiva das letras w, k, y; eliminação do trema; supressão de acento nas palavras paroxítonas com ditongos em ei e oi (idéia,herói), no hiato oo (enjôo), e nas formas verbais crêem, lêem. Nos países que ainda a utilizam, está prevista a supressão da consoante muda (acção, director,húmido). Diminuem, mas não terminam, as regras para emprego do hífen.
As diferenças entre o português de Portugal e do Brasil não acabam, pois são sobretudo semânticas e léxicas. Se a nossa pátria é a língua portuguesa, como ensinou Fernando Pessoa, ela não é uma, são várias. Assim como um povo é que faz a pátria, dá-se o mesmo com a língua, para alem de regras geradas nos gabinetes acadêmicos.
A cisão vem de 1911, quando o governo português fez, à revelia do Brasil, a primeira normatização oficial da língua portuguesa. Três países - Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Princípe - já ratificaram o acordo, o que tecnicamente enseja sua aplicação. Remanescem resistências em Portugal, de natureza cultural e econômica.
Tradicionalistas denunciam a "brasilificação" da língua, e editores resistem à alteração alegando gastos e com receio de perderem mercado.
Mas, afinal em que consiste a mudança? São basicamente alterações ortográficas: incorporação definitiva das letras w, k, y; eliminação do trema; supressão de acento nas palavras paroxítonas com ditongos em ei e oi (idéia,herói), no hiato oo (enjôo), e nas formas verbais crêem, lêem. Nos países que ainda a utilizam, está prevista a supressão da consoante muda (acção, director,húmido). Diminuem, mas não terminam, as regras para emprego do hífen.
As diferenças entre o português de Portugal e do Brasil não acabam, pois são sobretudo semânticas e léxicas. Se a nossa pátria é a língua portuguesa, como ensinou Fernando Pessoa, ela não é uma, são várias. Assim como um povo é que faz a pátria, dá-se o mesmo com a língua, para alem de regras geradas nos gabinetes acadêmicos.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Canal do Panamá
Tiveram início as obras de modernização do canal do Panamá (foto:AP/La Nación). Deverão se estender até 2014, e consumirão, segundo as previsões, mais de 5 bilhões de dólares. Será construído um novo conjunto de eclusas no canal, por onde passam entre 12 a 14 mil navios por ano, conduzindo mercadorias que respondem por 5% do comércio marítimo mundial.Estima-se que estiveram presentes ao evento mais de 50 mil pessoas, entre elas o ex-presidente dos Estados Unidos, James Carter, em cujo governo deu-se a transferência da administração dos americanos para o Panamá.
O canal teve sua construção iniciada pelo francês Lesseps entre l880 e l889, que malogrou, depois de consumir enorme soma de dinheiro. Não fez o canal, mas introduziu uma palavra nova no vocabulário, panamá, sinônimo de desperdício, corrupção e desvio de recursos. Afinal, entre 1904 e 1914, os americanos concluíram a obra que viriam administrar até 1977.
Veja matéria completa sobre este assunto no jornal La Nación, da Costa Rica.
domingo, 2 de setembro de 2007
Para a reflexão do domingo
Todo homem que tem poder é tentado a abusar dele. Vai até onde encontra limites. Quem o diria! A própria virtude precisa de limites. Só pela disposição das leis o poder pode frear o poder.
Montesquieu, in "O espírito das leis"
Montesquieu, in "O espírito das leis"
Fé e ciência
"A ciência sem religião é aleijada, a religião sem ciência é cega."
Albert Einstein.
Está aí, na voz autorizada de um grande cientista contemporâneo, um bom começo para os descrentes na conciliação entre ciência e fé, razão e crença, refletirem com mais cuidado sobre o tema, antes de se renderem incondicionalmente à racionalidade científica.
A discussão é mais uma vez oportuna, no momento em que há um surto de lançamentos editoriais negando a existência de Deus.
Albert Einstein.
Está aí, na voz autorizada de um grande cientista contemporâneo, um bom começo para os descrentes na conciliação entre ciência e fé, razão e crença, refletirem com mais cuidado sobre o tema, antes de se renderem incondicionalmente à racionalidade científica.
A discussão é mais uma vez oportuna, no momento em que há um surto de lançamentos editoriais negando a existência de Deus.
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Estilo bôbô

O Prefeito socialista de Paris, eleito em 2001, Bertrand Delanoë, que inaugurou eleitoralmente a onda bôbô, inundou Paris de bicicletas para atender a quem deseja usar este transporte alternativo. São inicialmente mais de 10.000 bicicletas, com um design especial, distribuídas em 750 locais, disponíveis a preço baixo, pagável de acordo com a utilização.
O uso não é exclusivo de turistas, mas se destina a funcionar como um novo tipo de transporte público. Basta tomá-la em uma base, e entregá-la na base mais próxima ao destino. A distância entre uma estação e outra nunca será superior à 300 metros. Sugestão: quando for a Paris, teste o sistema. Depois me conte!
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Bôbô
As últimas eleições presidenciais francesas apontam, segundo analistas, para um novo desenho da esquerda. As grandes cidades passaram a votar nos candidatos de esquerda, e a maioria dos jovens sufragou Ségoléne Royal.
O jornalista americano David Brooks cunhou a expressão bourgeois bohème (bôbô), para caracterizar eleitores de esquerda bem remunerados, intelectualizados, adeptos de culturas alternativas e morando nos velhos quarteirões reabilitados das grandes cidades. Eles seriam pessoas menos conservadoras e mais abertas às mudanças sociais. Qualquer semelhança com nossas antiga esquerda festiva não será mera coincidência...
O jornalista americano David Brooks cunhou a expressão bourgeois bohème (bôbô), para caracterizar eleitores de esquerda bem remunerados, intelectualizados, adeptos de culturas alternativas e morando nos velhos quarteirões reabilitados das grandes cidades. Eles seriam pessoas menos conservadoras e mais abertas às mudanças sociais. Qualquer semelhança com nossas antiga esquerda festiva não será mera coincidência...
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Parque do Alagadiço
Tenho acompanhado pela imprensa a discussão sobre o Parque do Alagadiço, no Bairro Ellery, e o debate sobre a conveniência de se construir ali uma quadra coberta pela Prefeitura.
O Parque foi implantado na minha gestão como Prefeito. É a única área verde pública de toda aquela região. Por ter dimensões pequenas não comporta um equipamento como o que se pretende fazer.
Como governador, desapropriei o Patronato Juvenal de Carvalho, pertencente ao Instituto Rocha Lima, que somado à área fronteira, já de posse do Estado, permitirá, integrado ao terreno da Prefeitura, a expansão substancial do parque.
De quebra, um belo edifício a ser preservado, que deverá ter um uso compatível com a destinação dada ao terreno. Lazer, educação ambiental, convívio com a natureza. Mãos à obra, pessoal!
O Parque foi implantado na minha gestão como Prefeito. É a única área verde pública de toda aquela região. Por ter dimensões pequenas não comporta um equipamento como o que se pretende fazer.
Como governador, desapropriei o Patronato Juvenal de Carvalho, pertencente ao Instituto Rocha Lima, que somado à área fronteira, já de posse do Estado, permitirá, integrado ao terreno da Prefeitura, a expansão substancial do parque.
De quebra, um belo edifício a ser preservado, que deverá ter um uso compatível com a destinação dada ao terreno. Lazer, educação ambiental, convívio com a natureza. Mãos à obra, pessoal!
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
São Paulo e o Ceará
Quando governador do Estado, por iniciativa do secretário da fazenda, implantamos programa pioneiro de pagamento a pessoas físicas e entidades filantrópicas, creditado em conta bancária em nome do beneficiado, proporcional ao valor das notas fiscais encaminhadas ao órgão arrecadador.
A medida atendia dois objetivos. Educação tributária, porque criava o hábito de pedir a nota fiscal das compras efetuadas, estimulando a cidadania. Combate à sonegação, com a exigência da nota fiscal e pelo cruzamento das informações obtidas pelo fisco.
Os resultados alcançados foram surpreendentes. Tomei conhecimento que a Assembléia Legislativa de São Paulo acaba de aprovar lei, de iniciativa do Executivo, obedecendo, em linhas gerais, o mesmo fundamento do que se vinha praticando no Ceará. Fico feliz por verificar que fizemos escola.
A medida atendia dois objetivos. Educação tributária, porque criava o hábito de pedir a nota fiscal das compras efetuadas, estimulando a cidadania. Combate à sonegação, com a exigência da nota fiscal e pelo cruzamento das informações obtidas pelo fisco.
Os resultados alcançados foram surpreendentes. Tomei conhecimento que a Assembléia Legislativa de São Paulo acaba de aprovar lei, de iniciativa do Executivo, obedecendo, em linhas gerais, o mesmo fundamento do que se vinha praticando no Ceará. Fico feliz por verificar que fizemos escola.
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