segunda-feira, 19 de maio de 2008

Boa notícia

No intervalo de janeiro a abril deste ano, o Estado do Ceará exportou 25,6 milhões de pares de calçados, superando o Rio Grande do Sul, tradicional exportador.

O desafio dos industriais cearenses será o de vender a mercadoria por preço médio mais elevado. O deles, é US$ 18,40, e o nosso, US$ 4,42.

O resultado é que o valor total das vendas dos gaúchos, no período, é mais de três vezes superior à nossa.

Saiba mais no jornal Diário do Nordeste, edição de 17/05/08.

sábado, 17 de maio de 2008

Jornais

Os jornais são um produto velho de uma sociedade antiga e não têm futuro, afirmou Juan Luis Cebrián, em conferência que pronunciou na Universidade Lusófona de Lisboa.

E olha que o homem é insuspeito para falar, pois fundou o El País, jornal espanhol que se impôs rapidamente como um dos mais prestigiosos da Europa.

Segundo ele, a concentração da mídia é inevitável, pois sem empresas fortes, não há liberdade de expressão.

Ao dizer que a fragmentação debilita a mídia, sugere que há outros mecanismos para assegurar a liberdade de expressão e a pluralidade de opiniões.

Conclui, alertando: as maiores dificuldades serão enfrentadas pelos órgãos que são demasiado grandes para serem estritamente locais e demasiado pequenos para serem globais.

Será assim mesmo ?

Publicidade

O suporte de comunicação do Governo já tem um pai e um filho.

O espírito santo a gente sabe que existe e tem poder, mas não vê...

Fim

O Presidente do Banco da Inglaterra, que corresponde ao nosso Banco Central (BC), cunhou uma frase que foi manchete dos jornais europeus: The nice decade is over.

Quer dizer , acabou o tempo bom...

A alta do preço do petróleo, a escassez de alimentos, a ameaça da inflação e a crise do sistema financeiro americano, traçam um cenário nada animador para a economia mundial nos próximos anos.

Que o Brasil comece a se precaver com o que pode vir por aí.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Poesia

Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui - ai meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no fim do corredor da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas - doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Para, meu coração!
Não penses, deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.

Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Destaque

O jornal Estado de S. Paulo, edição de 12/05/08, destaca o trabalho que faz o casal Carlile Lavor e Míria, em Angola, implantando o programa Vigilante da Saúde. O País tem uma das mais altas taxas de mortalidade infantil do mundo, com a malária grassando impiedosamente. A ação teve início em 2007, em seis cidades.

Carlile, que é médico, cearense de Jucás, criou, a partir do Ceará, o programa Agente de Saúde, relevante na redução da mortalidade infantil. Hoje, implantado nacionalmente.

Meu contemporâneo durante o curso médico, formado, mudou-se para Brasília, onde lecionou na Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB).

Aposentado, Carlile inscreveu-se em concurso público para a carreira de saúde pública, criada em minha gestão como Secretário de Saúde, à época com atraente salário e perspectiva de ascensão funcional. Aprovado, designado para Iguatu, iniciava uma trajetória de grande contribuição para a melhoria das condições de saúde no Ceará.

Nordeste

O Nordeste passou o Sul em consumo, ficando atrás, apenas, do Sudeste. A taxa de crescimento foi de 25%, segundo pesquisa feita pela consultoria Target.

A notícia me surpreendeu. Denota uma redistribuição do consumo no Brasil para a qual certamente contribuíram a implantação de novas empresas na Região, o aumento real do salário mínimo, que ainda tem importância como piso salarial para nós, nordestinos; melhora da renda familiar e programas sociais, como o Bolsa Família.

Saiba mais em O Globo, edição de 12/05/08.

Obras inacabadas

Manchete de primeira página, do jornal Diário do Nordeste, edição de 12/05/08:

Obras inacabadas comprometem desenvolvimento
Pelo menos cinco obras importantes na Grande Fortaleza estão virando lenda. Uma delas já dura 11 anos.


No texto, a notícia cita as cinco obras. São elas: BR-116, avenida Sargento Hermínio, Ponte da Sabiaguaba, Projeto Costa Oeste, transferência do Beco da Poeira.

Obra parada é a obra mais cara. Isso, para não falar dos transtornos que provoca.

Quando Governador do Estado, dei prioridade à conclusão de obras iniciadas, a maioria das quais encontrei paralisadas. Age ao contrário o atual Governo do Ceará. Parou, injustificadamente, obras em andamento, prejudicando a população e encarecendo seus preços. A retomada de obras paradas tem sempre um custo adicional.

Obras iniciadas em decorrência de convênios, celebrados entre o Estado e municípios, algumas para atender exigências do Ministério Público, estão paradas em decorrência da interrupção de repasses previstos nos referidos convênios.

Gostos do gestor não devem comprometer o princípio da impessoalidade da administração pública.

O nome disso é desperdício e nanismo político.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Marina


É mais que um nome de mulher. É uma guerreira terna e delicada, frágil. E, ao mesmo tempo, forte, como a natureza que busca proteger.

Tombou como uma árvore da floresta, que lhe serviu de berço, abatida pela serra elétrica, acionada por intrigas do poder e a inércia da burocracia.

Fomos colegas no Senado Federal. Fizemos amizade pavimentada por uma comunhão de ideais e mútuo respeito.

Tive-a ao meu lado, quando produzi o texto que se converteria na que viria a ser conhecida como a lei da natureza. Sendo doce e suave, era, no entanto, inflexível em suas convicções essenciais.

Como Governador do Ceará, visitei-a algumas vezes, em seu gabinete, para tratar de assuntos de interesse do Estado. Parecia um corpo estranho na engrenagem do poder.

Foi mais um ícone que uma Ministra do Governo. Creio que tenha se mantido tanto tempo no cargo por sua trajetória de vida e o reconhecimento universal. Caindo, ajuda mais que ficar esvaziada a vagar como um zumbi na selva de concreto, vidro e aço de Brasília.

Foi menos uma executiva de uma política ambiental e mais um símbolo poderoso da natureza e dos riscos que corre a vida na terra.

Trânsito


O trânsito nas grandes cidades brasileiras anda infernal. Fortaleza não é exceção.

Ruas estreitas, o traçado em xadrez, estacionamento nas duas margens e fluxo nos dois sentidos. Enxurrada de novos carros, transporte público precário, falta de investimento no sistema viário, órgãos técnicos desaparelhados e com pouco pessoal compõem um cenário desanimador.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro estão sendo postas em prática medidas drásticas de proibição da circulação de caminhões em determinadas áreas e em certos horários.

E aqui em Fortaleza, faz-se algo nesse sentido?

(foto DN - Kid Júnior)

terça-feira, 13 de maio de 2008

Livros

A Câmara Municipal de Oeiras, Portugal, que corresponde à nossa Prefeitura, designou uma Comissão Científica para escolher Os dez livros que mudaram o mundo, ao mesmo tempo que convidou conferencistas de renome para falarem sobre as obras escolhidas.

Os dez, acabaram sendo onze. A editora portuguesa Quasi publicou um volume com o teor das conferências.

A seguir, a relação dos livros indicados:
1- Breve História do Tempo. Stephen Hawking
2- O Príncipe. Nicolau Maquiavel
3- A interpretação dos Sonhos. Sigmund Freud
4- Manifesto do Partido Comunista. Karl Marx
5- Odisseia. Homero
6- A Origem das Espécies. Charles Darwin
7- A República. Platão
8- A Riqueza das Nações. Adam Smith
9- O Erro de Descartes. Antonio Damasio
10- Bíblia e Alcorão

Marx definiu a religião como o ópio do povo. Não obstante, na China comunista as religiões só têm crescido. Florescem, apesar do controle e opressão do Governo. As estatísticas revelam que mais de 300 milhões de pessoas, acima de 16 anos, se definem como religiosas. As principais religiões são o budismo, o taoismo, o cristianismo e o islamismo.

Em relação aos católicos, há uma igreja oficial, controlada pelo Governo, independente do Papa, e a outra, vinculada à Roma, que atua clandestinamente. O cristianismo é a religião que mais tem aumentado. E os católicos, somados os dois ramos, perfazem 10 milhões de fiéis.

Donglu, uma pequena cidade de 12.000 habitantes, à 140 km de Pequim, é conhecida como a cidade mais católica da China. Estima-se que mais de 8.000 de seus habitantes sejam católicos. Ali, desde 1900, ocorrem visões de Nossa Senhora.

Saiba mais em O Globo, edição de 11/05/08.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Ortografia

O Ministério da Educação acaba de publicar resolução na qual exige que os livros didáticos, a serem adquiridos para as escolas públicas, estejam de acordo com as novas normas ortográficas da Língua Portuguesa.

O mesmo documento também autoriza as editoras a fazerem as alterações no ano que vem. A decisão se baseia no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em dezembro de 1990.

O acordo já foi ratificado pelo Brasil e outros três países de língua portuguesa. Espera-se que o parlamento português também o faça, no próximo dia 15.

A matéria, em Portugal, tem suscitado intenso debate. Intelectuais e editores insurgem-se contra o mesmo. Recentemente, manifesto contrário à medida, contendo mais de 17 mil assinaturas, foi encaminhado à Assembléia da República.

Há motivações de natureza econômica, invocadas pelos editores portugueses, que se queixam do custo do ajuste que terão que fazer em suas publicações, ao tempo que temem perder para o Brasil, o mercado de livros didáticos nos países lusófonos. De outra parte, lingüistas e escritores insurgem-se contra o que consideram uma investida para homogeneizar a língua, na verdade feita pelo povo no seu cotidiano.

De fato, as mudanças são poucas, e como o nome indica, restritas à ortografia. No Brasil, o acordo deve vigorar a partir de janeiro de 2009. A Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros), por intermédio de seu Presidente, Jorge Arinos, considerou a decisão do Ministério da Educação precipitada.

Saiba mais em O Estado de S. Paulo, edição de 09/05/08.

Premonição

Há pouco mais de dois anos, um político cearense falava de influência doméstica no Governo do Estado...

Seria pressentimento do que viria acontecer?

Os 7 pecados

Em seu livro, Em Brasília, 19 horas, lançado recentemente, o jornalista Eugênio Bucci lista o que considera os 7 pecados capitais do discurso autoritário.

São eles:
1-O esquecimento proposital
2-O coletivo compulsório
3-A futrica instrumental
4-A apologia do aparelhismo
5-O ódio à imprensa
6-A arrogância sem substância
7-Condenar a priori

Saiba mais em O Globo, edição de 05/04/08.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Placas

Quando o comandante do CIOPAER, no início do atual Governo do Ceará, num ato de vandalismo retirou a placa que assinalava a inauguração de suas novas instalações, o Secretário de Segurança, numa atitude digna, determinou sua reposição.

Quando se efetivou a aquisição e posse, pelo Estado, do antigo quartel do CPOR, foi ali afixada placa de bronze que assinalava o fato e indicava sua destinação futura. A aposição deu-se por ocasião de singela solenidade.

Feita a reforma do prédio e procedida a inauguração recente das novas dependências, notou-se a falta da placa. Pelo menos no local onde fora aposta.

O zeloso Secretário de Segurança poderia esclarecer o episódio.

Imprensa e Estado II

Parlamentares da oposição e a imprensa, de uma maneira geral, criticaram a idéia da criação da TV Brasil pelo Governo Federal.

O temor era que a nova televisão fosse mais uma máquina de propaganda do Governo, além dos custos com uma atividade suprida satisfatoriamente pela iniciativa privada. Assim, segundo eles, não se justificaria a medida.

Dois fatos ocorridos vieram dar alguma razão aos críticos:

1- O jornalista Eugênio Bucci acaba de publicar o livro Em Brasília, 19 horas. Ele presidiu a Radiobras, no Governo Lula. É professor universitário, respeitado teórico da comunicação, tem livros publicados. É militante do Partido dos Trabalhadores (PT). Foi responsável pela parte de comunicação do programa de governo do candidato Lula e primeiro editor da revista Teoria e Debate, editada pelo PT de São Paulo. Não lhe faltam credenciais profissionais e partidárias, portanto.

Não obstante, menciona no livro as pressões e críticas que recebeu de ministros e outros membros do Governo sobre a programação da Radiobras, por eles considerada de "oposição", contrária aos interesses do Governo.

Revela, assim, as dificuldades que enfrentou na busca de garantir que o noticiário da emissora, financiada pelo Tesouro Nacional, isto é, pelo povo brasileiro, fosse isento e transparente. Entende ele que informação é um direito tão fundamental quanto a educação, a saúde ou a moradia.

2-O jornalista Luiz Lobo, demitido da TV Brasil, acusou o Palácio do Planalto de interferir na programação da emissora. Segundo ele, a direção da TV teria proibido o uso do termo dossiê, que seria substituído pela expressão levantamento sobre o uso dos cartões. Ele acusou Jaqueline Paiva, coordenadora de telejornais da TV Brasil, de editar textos conforme interesses políticos do Governo. Ela, por sua vez, justifica a demissão por impontualidade e recusa em assinar contrato de trabalho.

Luis Carlos Belluzzo, Presidente do Conselho Curador, integrado por várias personalidades, decidiu instalar comissão para ouvir as partes e investigar o assunto. Age em defesa do caráter público, que deve orientar o funcionamento da empresa.

Os dois episódios ilustram a dificuldade que existe para que um órgão de imprensa estatal seja isento e imune às pressões do Governo, para colocá-lo ao seu serviço. O problema só pode ser minorado dando-se a ele independência, liberdade de ação e acompanhamento, mediante instâncias administrativas de controle social. A BBC, emissora inglesa, é o melhor exemplo disso. Nem assim está imune a críticas.

Por isso, quando o Governador do Estado do Ceará propôs, e a Assembléia Legislativa cearense aprovou, a transferência da TV Ceará, da órbita da Secretaria de Cultura (Secult) para a Casa Civil, pasta eminentemente política, alertei sobre os riscos de distorção funcional que estávamos correndo.

Sugeri a criação de um Conselho Curador, capaz de acompanhar a programação da emissora, zelando pela sua natureza pública e servindo como canal de comunicação com a sociedade. Infelizmente, o cuidado que houve na criação da TV Brasil não se reproduziu aqui.

A TV Ceará é uma TV pública ou uma TV do Governo? Respondo à pergunta com outras duas:

Algum crítico do Governo, parlamentar ou não, já foi convidado a participar de um de seus programas de maior duração, para expor seu ponto de vista?

As polêmicas viagens do Governador cearense em jatinhos fretados, que ocupam largo espaço na mídia local e nacional, foram, alguma vez, sequer mencionadas nos seus noticiários?

A conclusão é sua!

Saiba mais em O Globo, edições de 5, 8 e 18 de abril, e em O Estado de S. Paulo, edições de 8 e 9 de abril.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Decisão

Durante meses recentes, considerei a hipótese de uma candidatura à Prefeitura de Fortaleza nas eleições deste ano.

Animava-me o desejo de servir, próprio dos homens de vocação pública e em idade produtiva. Mais ainda pela expectativa que vi se formar em torno do meu nome.

Eram pessoas comuns que me paravam nas ruas, para pedir que me colocasse à disposição da cidade. Percebia, nessas pessoas, um sentimento de insatisfação com os rumos que a nossa Capital tem tomado, e preocupação com os desafios postos diante de nós. Sou grato a quantos me manifestaram sua confiança.

Hoje, posso dizer que já tenho uma decisão clara sobre o assunto.

Observo que há lideranças emergentes, gente que ainda não teve, como já tive, oportunidade de administrar a Capital, que almeja receber a confiança do povo e a honra de merecê-la.

Estou a serviço da causa pública e do desenvolvimento do Ceará há muitos anos. E a este compromisso pretendo ser fiel pelo tempo que Deus me permitir viver.

No momento, porém, venceram-me outras motivações de naturezas diversas, pessoais e profissionais.

Há tempo de agir. Para mim, este é um tempo de esperar.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Imprensa e Estado I

No Brasil, a imprensa é filha do Estado. Nasceu com os prelos ingleses que chegaram aqui com a mudança de D. João VI, que se transferia para o Brasil acossado por Napoleão. Por decreto de 13 de maio de 1808, foi criada a Impressão Régia, editora encarregada de publicar obras de literatura, ciência e outras de interesse da administração.

Iniciativas anteriores de implantação de tipografias na colônia foram reprimidas pela coroa. Dos prelos régios, saiu também o primeiro periódico impresso no Brasil: a Gazeta do Rio de Janeiro. O jornal, sob a tutela da Secretaria dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, publicava atos referentes aos assuntos da pasta, avisos, anúncios, notas fúnebres, aniversários, notícias de interesse da família real. Tratava-se de uma espécie de Diário Oficial, aberto às publicações estranhas aos assuntos administrativos.

Muitos anos depois viriam outros jornais oficiais, pertencentes aos governos de diferentes níveis. Quem lembra da Noite, no Rio de Janeiro, sediado em imponente edíficio na Praça Mauá, órgão do Governo Federal?

Não seria diferente com o surgimento do rádio. Basta falar na Rádio Nacional, que durante anos liderou audiência Brasil afora. Os estados, na medida do possível, seguiram os passos da União, instalando jornais e rádios sob seu controle. Até pouco tempo, o Governo da Paraíba ainda dispunha de um jornal de circulação diária, chamado União.

Com o advento da televisão não foi diferente. Copiando o modelo europeu, onde os países costumam ter emissoras estatais, o Governo Federal e muitos governos estaduais implantaram estações de televisão, algumas com propósitos educativos, inspiradas na proposta do ensino à distância, como forma de impulsionar a instrução pública.

O avanço do Estado no campo da comunicação, deu-se amparado em diferentes motivações. Invocava-se a necessidade de suprir lacunas da iniciativa privada e preservar a unidade nacional, levando notícias a regiões remotas; oferecer programação cultural de qualidade, não atendida pela mídia privada, demasiadamente comprometida com as exigências do mercado; expandir oferta de ensino utilizando o potencial da comunicação para a educação pelo rádio e a televisão. Um outro objetivo, pouco mencionado, ou dissimulado, era o de promover a propaganda e a defesa do Governo face uma imprensa livre, às vezes francamente hostil.

A onda liberal que assolou o mundo nos últimos anos, pregava a redução do tamanho do Estado e a necessidade deste se desfazer de ativos onerosos ou estranhos às suas funções clássicas. Foi o período das privatizações, da venda de bens públicos, da adequação do Estado ao novo modelo preconizado por economistas e instituições financeiras multilaterais internacionais.

A decisão do Governo Federal de criar a TV Brasil vai na contramão dessa tendência. Fundada com o objetivo de atender aos interesses nacionais, relegados pela imprensa privada, depara-se com o desafio de ser pública. E não governamental.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Reflexão


Este ano assinala 400 anos de nascimento do Padre Antônio Vieira. Jesuíta português que foi missionário, diplomata, profeta, pregador e homem de Estado.

No Brasil, viveu largo tempo na Bahia e no Maranhão, tendo chegado em missão até a Ibiapaba, no Ceará.

Deixou belíssimas peças vazadas em estilo único, tendo sua obra levado o poeta Fernando Pessoa a denominá-lo Imperador da Língua Portuguesa.

E, para homenageá-lo, refletindo sobre a real dimensão do homem, reproduzo sermão que proferiu na igreja de Santo Antônio, em Roma, em uma quarta-feira de cinzas:

Ora suposto que já fomos pó e não pode deixar de ser, pois Deus o disse; perguntar-me-eis, e com muita razão, em que nos distinguimos uns dos outros? Distinguimo-nos os vivos dos mortos, assim como se distingue o pó do pó. Os vivos são pó levantado, os mortos são pó caído; os vivos são pó que anda, os mortos são pó que jaz; hic jacet. Estão essa praças no verão cobertas de pó: dá um pé de vento; levanta-se o pó no ar, e que faz? O que fazem os vivos, e muitos vivos. Não aquieta o pó, nem pode estar quedo: anda, corre, voa: entra por esta rua, sai por aquela: já torna adiante, já torna atrás, tudo cobre, tudo envolve, tudo perturba, tudo toma, tudo cega, tudo penetra, em tudo e por tudo se mete, sem aquietar, sem socegar um momento: enquanto o vento dura. Acalmou o vento, cai o pó, e o vento parou, ali fica: ou dentro de casa, ou na rua, ou em cima de um telhado, ou no mar, ou no rio, ou no monte, ou na campanha. Não é assim? Assim é. E que pó, e que vento é este? O pó fomos nós: Quia pulvia es: o vento é a nossa vida: Quia ventus est vita mea. Deu o vento, levantou-se o pó; parou o vento, caiu. Deu o vento, eis o pó levantado: estes são os vivos. Parou o vento, eis o pó caído; estes são os mortos. Os vivos pó, os mortos pó: os vivos pó levantado, os mortos pó caído; os vivos pó com vento e por isso vães: os mortos pó sem vento, e por isso sem vaidade.

Grau de investimento

A agência de classificação de risco Standard & Poor's, concedeu ao Brasil o aguardado grau de investimento.

Outras agências ainda não alteraram a nota do País. A classificação é importante, pois a agência passa a considerar o País porto seguro para investimentos.

Espera-se um aumento de investimentos estrangeiros, queda dos juros e aumento do Produto Interno Bruto (PIB).

A conquista não é definitiva. Analistas e investidores cobram a continuação das reformas econômicas e mais qualidade nos gastos governamentais.

Demos mais um passo na busca da maioridade de nossa economia.

Novela

Exames de DNA comprovaram serem dos príncipes Alexei e Maria Romanov, as ossadas achadas em Yekaterimburgo, na Rússia.

O Czar Nicolau II e a Czarina Alexandra, além dos cinco filhos, foram executados em 1918, por ocasião da tomada do poder pelos comunistas.

Sempre se especulou que um dos príncipes teria sobrevivido. Alexei e Maria eram os dois únicos ainda não identificados.

Os resultados põem termo à novela sobre o destino dos Romanov.

Saiba mais em O Globo, edição de 01/05/2008.

Eleições

Calma pessoal, foi na Grã-Bretanha.

Os trabalhistas foram esmagados nas eleições locais na Inglaterra e País de Gales. Tiveram o pior resultado em 40 anos. Amargaram o terceiro lugar em percentual de votos. Os conservadores obtiveram 44%, os liberais democratas 25% e os trabalhistas 24%.

O Partido Trabalhista comanda a política inglesa desde 1997, mas os últimos resultados eleitorais podem estar anunciando o fim de um ciclo de poder. Os conservadores também venceram em Londres, governada pelo trabalhista Ken Livingstone, desde 2000, quando os londrinos adquiriram o direito de eleger seu prefeito.

Boris Johnson, o vencedor, é um fenômeno de mídia. Jornalista, é mais conhecido pelas gafes que comete, pela postura provocadora e carisma na televisão. É um político conservador, de pouca tradição.

Saiba mais em O Globo, edição de 03/05/08.

De volta

Após quatro dias aproveitando o feriado em Guaramiranga, estou de volta.

Como não tenho internet no sítio, fiquei impossibilitado de fazer postagens.

Espero que tenham tido um bom fim de semana.

A frase do dia

Saber é ciência; julgar que se sabe é ignorância.

Hipócrates