sábado, 6 de setembro de 2008

Censura

A editora americana Random House recuou da idéia de lançar o livro da jornalista Sherry Jones, A Jóia de Medina, um romance histórico sobre a vida de Maomé.

O acordo já estava praticamente firmado entre escritora e editora, a qual pagaria U$ 100.000,00 a autora. O lançamento deveria ter ocorrido em 12 de agosto próximo passado.

A Random House desistiu do projeto, por receio de retaliações dos muçulmanos, que poderiam se sentir ofendidos pela obra.

O livro narra a vida de uma menina de nome Aisha, desde os seis anos prometida a Maomé, como sua mulher.

Uma editora inglesa, a Gibson Square, aceitou o risco de incorrer na ira islâmica. A editora já publicou outros trabalhos polêmicos, como o livro de Alexander Litvinenko, ex-espião russo assassinado em Londres, há dois anos, com uma substância radioativa.

Martin Rinja, da Gibson Square, declarou que a não publicação pelas razões aludidas seria "andar de marcha atrás até as épocas obscuras".

Saiba mais no Diário de Notícias, de Lisboa, edição de 05/09/08.

Fumo

O Presidente Lula, em entrevista à imprensa, afirmou fumar em seu Gabinete, ainda que a lei proíba.

Foi infeliz, o Presidente.

Um líder de sua dimensão, deve pregar pelo exemplo e observar a lei, acima da qual ninguém está.

Aqui, seu homólogo faz pior, fuma na sala de trabalho. E em qualquer outro espaço confinado, segundo comenta-se. Desrespeita a lei e os interlocutores. Não poupa sequer hospitais. Mesmo o destinado a tratar das vítimas do cigarro.

Há algum tempo, jornal da cidade estampava sua foto ao baforar contra a lei e o bom senso, em ambiente nosocomial.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Memória


Em livro recém lançado nos Estados Unidos, The Woman Who Can´t Forget (A Mulher Que Não Consegue Esquecer), Jill Price, 42 anos, conta o que tem sido conviver com uma memória infalível.

Segundo ela, é capaz de lembrar com exatidão de qualquer dia de sua vida. E recordar o que comeu no almoço, onde passou a tarde, qual era a atração da televisão à noite, as principais manchetes dos jornais. O arquivo registra tudo, a partir dos 14 anos de idade.

É como se alguém, conta Jill, me seguisse cotidianamente com uma câmera e guardasse a fita em uma prateleira no fim do dia. Quando escuto a menção de uma data, é como se eu fosse até a prateleira, pegasse a fita e colocasse para rodar.

Eu repasso minha vida o tempo todo e isto está me deixando louca, queixa-se Jill. O que a maior parte das pessoas chama de dádiva, eu chamo de fardo, continua.

Foi com estas palavras que se dirigiu ao pequisador James McGaugh, fundador do Centro de Neurobiologia do Aprendizado e da Memória, da Universidade da Califórnia, pedindo ajuda para o seu caso.

Em 2005, após cinco anos de estudos, a equipe liderada por McGaugh concluiu estar diante de uma nova doença, que ganhou o nome de hyperthymestic syndrome, por analogia com a palavra grega thymesis, que significa lembrança.

A rapidez e exatidão com que lembra os fatos e datas, elimina a hipótese de uma estratégia de memorização ou cálculo, desenvolvida por alguns autistas superdotados, diz McGaugh.

A divulgação da história de Jill, com a descrição científica de uma nova doença, fez com que outras pessoas, com queixas semelhantes, procurassem a equipe da Universidade da Califórnia.

Até agora, dois casos, além de Jill, tiveram diagnóstico confirmado.

Saiba mais na revista Época, edição de 02/06/08.

Cisão

Do blog do jornalista Ricardo Noblat (04/09/08 às 23,48 hs) :

Do blog do jornal O Povo, do Ceará:

O Deputado Federal Ciro Gomes (PSB) participou nesta noite, pela primeira vez, de um comício ao lado de Patrícia Saboya (PDT) na comunidade São Vicente. O Partido de Ciro como se sabe está na coliogação que apoia Luizianne Lins (PT).

Até agora, Ciro havia feito manifestações públicas pró Patrícia e tinha contado com a presença da candidata na platéia de palestras suas. Foi também à convenção que oficializou a candidatura. Mas não tinha participado de atos de campanha e teve o uso de sua imagem vetado na campanha pedetista.

(Comentário meu (do Ricardo Noblat, evidentemente): É curiosa a situação no Ceará. O Governador do Estado é irmão de Ciro e apóia a reeleição de Luizianne. As relações entre os irmãos estão frias, quase geladas. Ciro sempre foi ligado ao Senador Tasso Jereissati (PSDB). O irmão governador quer ver Tasso pelas costas e pressiona Ciro a se afastar dele.)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Ibiapaba


Compartilho com vocês esta bela descrição da Ibiapaba, que está no livro PADRE ANTÓNIO VIEIRA - A Missão de Ibiapaba. Editora Almedina. Coimbra. Julho de 2006.

Descrição do sítio da serra de Ibiapaba: sua dificultosa subida; sua altura que excede às nuvens.

Ibiapaba, que na língua dos naturais quer dizer terra talha, não é só uma serra, como vulgarmente se chama, senão muitas serras juntas, que se levantam ao sertão, das praias de Camuci, e mais parecidas a ondas de mar alterado que a montes, se vão sucedendo e como encapelando umas após das outras, em distrito de mais de quarenta léguas. São todas formadas de um só rochedo duríssimo, e em partes escalvado e medonho, em outros coberto de verdura e terra lavradia, como se a natureza retratasse nestes negros penhascos a condição de seus habitadores, que, sendo sempre duros e como de pedras, às vezes dão esperanças e se deixam cultivar.

Da altura destas serras não se pode dizer cousa certa, mais que são altíssimas e que sobe as que o permitem com maior trabalho da respiração que dos mesmos pés e mãos, de quer é forçoso usar em muitas partes. Mas depois que se chega ao alto delas, pagam muito bem o trabalho da subida, mostrando aos olhos um dos mais formosos painéis, que por ventura pintou a Natureza em outra parte do Mundo, variando de montes, vales, rochedos e picos, bosques e campinas dilatadíssimas, e dos longes do mar no extremo dos horizontes. Sobretudo, olhando do alto para o fundo das serras, estão se vendo as nuvens debaixo dos pés, que como é coisa tão parecida ao Céu, não só causam saudades, mas já parece que estão prometendo o mesmo que se vem buscar por estes desertos.

Os dias no povoado da serra são breves, porque as primeiras horas do Sol cobrem-se com as névoas, que são contínuas e muito espessas. As últimas escondem-se antecipadamente nas sombras da serra, que para a parte do Oceano são mais vizinhas e levantadas. As noutes, com ser tão dentro da zona tórrida, são frigidíssimas em todo ano, e no Inverno com tanto rigor, que igualam os grandes frios do Norte, e só se podem passar com a fogueira sempre ao lado. As águas são excelentes mas muito raras, e a essa carestia atribuem os naturais ser toda a serra muito falta de caça de todo género.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

PM X Ronda

Tem se sucedido incidentes envolvendo integrantes da Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE) e da outra polícia, a Ronda. Eles decorrem de situações circunstanciais, que desencadeiam o conflito. Todavia, há, é inegável, um substrato comum que os alimenta.

Refiro-me ao fato de se ter criado com a Ronda, uma terceira polícia, quando, de fato, não deveria passar de uma ação, por eficaz que seja, desenvolvida no âmbito da Polícia Militar, e, como tal, sujeitos seus integrantes às normas e subordinações hierárquicas vigentes na corporação.

Comando paralelo, fardamento distinto, salários diferenciados e veículos luxuosos acabaram por criar um quisto dentro da Polícia Militar. Ilustro o que digo, com dois exemplos. O salário de um policial da Ronda, com menos de um ano de serviço, é igual ao de um tenente da Polícia Militar. O concurso aberto para recrutar novos policiais é anunciado para ingresso na Ronda, como se esta fosse uma instituição à parte.

Fascinado pelo marketing, o Governo quer vender um projeto como se tivesse criado uma nova organização policial.

Não importa que isto implique na desagregação da Polícia, comprometa a hierarquia e gere ressentimentos e antagonismos no interior do organismo militar.

Valoriza-se a aparência em detrimento da substância das coisas.

Poesia

Em perseguir-me, Mundo, que interessas?
Em que te ofendo, quando só intento
por belezas em meu entendimento,
não meu entendimento nas belezas?

De Sor Juana Inés de la Cruz, escritora, religiosa mexicana. Protagonizou uma célebre polêmica, a propósito de um sermão do Padre Vieira, sobre a condição da mulher. Seus argumentos, refutando o jesuíta português, foram expostos em carta, sob a promessa de sigilo, ao Bispo de Puebla, que terminou por divulgá-la. Os versos acima traduzem seu temor em despertar, por sua obra e estudos seculares, a fúria da inquisição.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Agnóstico

Ultimamente, a imprensa tem divulgado o lançamento de livros escritos por cientistas que questionam a fé e a existência de Deus. São inimigos de Deus e das religiões. Esgrimem argumentos científicos para se opor à crença em Deus. São, sobretudo, os evolucionistas que têm se mostrado os mais aguerridos neste combate.

Do outro lado, há cientistas que acreditam ser possível conciliar fé e razão, ciência e religião. Um dos mais prestigiosos militantes dessa corrente é Francis S. Collins, Diretor do Projeto Genoma, autor do livro A Linguagem de Deus, da Editora Gente. Foi neste livro que encontrei a origem da palavra agnóstico, e a narração de como o cientista britânico Thomas Henry Huxley a cunhou, em 1869.

Com a palavra, Huxley : Quando atingi a maturidade intelectual e comecei a me perguntar se era ateísta, teísta ou panteísta; um materialista ou um idealista; um cristão ou uma pessoa com opiniões próprias, descobri que quanto mais aprendia e meditava, menos conseguia uma resposta pronta; até que enfim, cheguei a conclusão de que não criei nem ajudei a criar nenhuma dessas definições, a não ser a última. A única coisa em que a maioria dessas boas pessoas concordava era a única que me tornava diferente delas.

Estavam bastante certas de que ligar-se a uma determinada "gnose" resolveria mais ou menos o problema da existência; embora tivesse bastante certeza de que eu não havia resolvido, e tinha uma convicção muito sólida de que esse problema era insolúvel.

Assim, tomei cuidado, e inventei o que imaginava ser o título adequado de "agnóstico". Isso veio à minha mente como uma antítese sugestiva ao "gnóstico" da história da igreja, que aparentava saber muito justamente sobre coisas que eu desconhecia.

Um agnóstico, afirma Collins em seu livro, diria que o conhecimento sobre a existência de Deus simplesmente não pode ser alcançado.

No mesmo livro, há uma passagem que narra um encontro de Darwin com dois ateístas, aos quais teria perguntado por que se chamavam ateístas, e disse preferir o termo agnóstico, de Huxley. Um deles, respondeu-lhe que o agnóstico era um ateísta claramente respeitável, e o ateísta, apenas um agnóstico explicitamente agressivo.

Curiosidade

E aí, o Governador já processou a revista Veja?

Cuca fresca

O fortalezense é cuca fresca, mas os cucas até agora continuam uma fria...

Passados quatro anos, ainda não saiu o primeiro!

Desencuca, Fortaleza!

Bengaleiro

Há quatro bengalas no bengaleiro.

Uma está disponível, mas não convém usá-la em público.

Três são exibíveis, mas a exposição está vedada por lei.

domingo, 31 de agosto de 2008

Reflexão

Aceita
as surpresas
que transtornam teus planos
derrubam teus sonhos,
dão rumo
totalmente diverso
ao teu dia
e, quem sabe,
à tua vida
Não há acaso.
Dá liberdade ao Pai,
para que ele mesmo conduza
a trama dos teus dias.

D. Hélder Câmara

sábado, 30 de agosto de 2008

Nepotismo III

Alguém sabe informar, se há algum Deputado Federal ou Senador do Estado do Ceará, atingido pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que pos fim ao nepotismo?

Sábios

Aquele que não sabe, e não sabe que não sabe, é tonto; fuja dele.

Aquele que não sabe, e sabe que não sabe , é humilde; ensina-o.

Aquele que sabe, e não sabe que sabe, está dormindo; desperta-o.

Aquele que sabe, e sabe que sabe, é sábio; siga-o.

Sabedoria chinesa

Cuidado

O colunista Fábio Campos, ao analisar os programas do horário eleitoral veiculados pela televisão, demonstra estar preocupado com os políticos que se vinculam a candidatos a Prefeito, e com os que atacam adversários. Acha que podem terminar prejudicados.

Faz a apologia da esperteza. A dissimulação como prática. O negócio é apoiar, sem que apoie. Ou, sem que apoie, apoiar.

Não se preocupa com os candidatos que usam o tempo da propaganda para mentir. E há quem o faça, com grande desfaçatez.

É ver para crer.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Previdência

O Deputado Roberto Cláudio (PHS) levantou, da tribuna da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará, a situação do município cearense de Maranguape, em relação a uma dívida com a Previdência Social referente a período em que a Prefeitura do Município dispunha de um sistema previdenciário próprio para seus servidores.

O Ministério da Previdência e a Assembléia Legislativa bem que poderiam pesquisar os casos em que os sistemas municipais foram encerrados, revertendo os servidores à condição de contribuintes do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).

E o que foi feito do dinheiro que os servidores recolheram aos cofres dos municípios?

Eis aí uma boa pergunta que, se feita, deixaria muita gente em maus lençóis...

A imprensa livre e investigativa do Ceará tem aí um bom tema para apreciar.

Saiba mais em O Estado, edição de 29/08/08.

Charada

A coluna sustenta o oceano com o pretérito do querer espanhol.

1 e 2.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Encontro de boas idéias








Tiago Viana, Emílio Moreno e Lúcia Alcântara.





Jornalista Donizete Arruda, do cearaagora, e George Cintra, bom comentarista...

Nilton, Luíza, Karla, Manoel Timbó, Lúcia, Augusto e Luíza.







Entrevistado por Chico Rocha.






Hugo Abreu, Wilson - novo blogueiro, Andrade e Marco Aurélio.








Daniela, sempre atenta aos meus posts.








Com o jornalista Carlos Alberto Alencar.

Amigos, comentaristas, blogueiros...

Cláudia e Mário Perucchi




Roberto Andrade e Telma Sousa
Jornalista Kelly de Castro


Amanda e Lucas










Fernando e Guedes Neto.
Juventude no computador






Joseoly Moreira e filha.










Auxiliadora, Chico Rocha e Márcia Dias.





Fernando, Fernandinha e Magá.






Professor Auriberto e família.










Sérgio Cerqueira e Tetê.











Karla, Luíza e Augusto.












Rumo aos 100 mil

Wanderley Filho (em pé), do blog do Wanfil.


Joseoly Moreira, do blog Humor que fica.
Tiago Viana, Rastreadores de Impurezas.

Mário César e Emílio Moreno, do blog Liberdade Digital

Setúbal

Faleceu Olavo Setúbal, filho do escritor e historiador Paulo Setúbal, autor de Confiteor, um livro que me impressionou quando o li, na juventude.

Morreu em São Paulo, aos 85 anos, de insuficiência cardíaca. Era Presidente do Conselho de Administração do Banco Itaú, cuja gestão havia transferido para o filho, Roberto, há alguns anos.

Engenheiro, espírito cartesiano, cultor da disciplina e dedicação ao trabalho, construiu um grande banco, praticando fusões e aquisições, profissionalizando a administração, internacionalizando operações e elegendo clientelas preferenciais.

Integram o conglomerado Itaú, a Itautec, a Duratex e a Deca, indústrias de computadores, aglomerados de madeira e ferragens para louças sanitárias, respectivamente.

Fundou o Instituto Itaú Cultural, destinado à preservação e promoção da literatura e artes plásticas brasileiras. Sua sede, plantada na Avenida Paulista, é, por si só, uma obra de arte, um marco da moderna arquitetura brasileira. A meu pedido, chegou a ser implantado um núcleo do Instituto, aqui em Fortaleza, sob os auspícios do Amarílio Macedo.

Na área social, outra instituição ligada ao Banco, apoia projetos de educação e inclusão digital.

Na vida pública, foi Prefeito de São Paulo (1975-1979), e Ministro das Relações Exteriores, no Governo Sarney.

Afastou-se do Ministério para disputar o governo de São Paulo. A rasteira que levou, do partido político ao qual era filiado à época, impediu sua candidatura e curou-o da política.

Conheci-o quando, escolhido pelo Governador Virgílo Távora para ser Prefeito de Fortaleza, antes de assumir, empreendi viagem, em companhia do arquiteto Airton Ibiapina, a algumas cidades brasileiras, para colher experiências de administrações municipais bem sucedidas.

O Dr. Olavo, como o chamava, estava em seus últimos dias como Prefeito. Depois que me fez uma breve exposição sobre sua experiência e feitos, indaguei-lhe sobre o que achava ter mais agradado à população como um todo. Sem tergiversar, ele me disse, pavimentação de ruas e iluminação pública.

A partir daí, principalmente por intermédio de meu amigo Cláudio Lembo, tornamo-nos amigos.

Costumava visitá-lo com alguma freqüência, ocasião em que trocávamos idéias sobre economia, política e cultura.

Era uma pessoa simples, de convicções liberais firmes, otimista quanto ao futuro do Brasil. Um empreendedor bem ao estilo dos bandeirantes, antigos e modernos.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A frase do dia II

A dor não guarda proporção com o tamanho da ofensa, mas sim com sua natureza, e a sensibilidade do ofendido.

A frase do dia

Não dá dois anos e arte da vanguarda vira retaguarda.

Ariano Suassuna

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Imagens

Os que agora, furibundos, atacam a Prefeita Luiziane Lins por impedir, na Justiça, a veiculação de imagens do Presidente Lula no programa de televisão de sua candidata são os mesmos que, na campanha eleitoral de 2006, agiram de forma idêntica comigo.

É quando cabe o dito popular: o que dá para rir, dá para chorar...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Licitação do Porto de Pecém

Aos leitores

Das regras básicas do bom jornalismo, nem sempre tem sido praticada a que recomenda a quem escreve, e, mais ainda, a quem assina, ouvir as partes envolvidas em um determinado assunto, quando o jornalista pretende denunciar algum fato que, a seu juízo, considera irregular.

Falta ainda mais grave, é, tendo recebido as informações cabíveis, praticar a omissão voluntária, sobretudo quando há relevância na matéria, seja pela dimensão das suas repercussões sobre o que é bom ao interesse público, seja por atingir a honra das pessoas.

A Coluna Política deste jornal, assinada pelo jornalista Fábio Campos, tem agido assim, quando trata de um assunto que nos diz respeito, a licitação para as obras do Porto do Pecém, durante a vigência do meu mandato como Governador do Estado do Ceará (2003/2006), um tema recorrente da Coluna, tratado mais recentemente em três de suas edições (09, 15 e 17 de agosto).

A relutância demonstrada pelo colunista, em considerar objetivamente os fatos apresentados, nos obriga a contratar espaço neste jornal, para que possamos merecer do leitor a oportunidade de prestar importantes esclarecimentos a respeito do assunto.

Ao tratar do tema, a coluna almeja expor, com intuito “pedagógico”, o que imagina ser “as entranhas da relação que as grandes empreiteiras mantêm com as mega-obras públicas”, mas, na prática, apresenta dados contraditórios e omite informações - deliberadamente, tomando como referência, e exemplo de máxima lisura, as mudanças efetuadas no processo licitatório pela atual gestão.

Fala em diferença de custos, previstos entre a licitação autorizada pelo meu Governo, em 2006, e a atual, que a teria reduzido em cerca de 120 milhões, mas omite (com que intenção, desconheço) diversos dados, decisivos para a correta informação aos leitores do jornal, entre as quais pretendo por ora destacar:

1- O quebra-mar, que seria de 1,5 mil metros, foi encurtado no projeto atual em um terço, para apenas mil metros (500 metros a menos, numa peça deste porte, representam custo relevante).

2- Outro fator que reduz o valor nominal licitado, é que as “camisas metálicas” (revestimento das estacas de sustentação da obra), tiveram seus elevados custos excluídos da licitação, mas continuam compondo o preço final, pois estarão, agora, sob encargo dos investimentos diretos do Estado. Logo, sem decréscimo no valor total previsto para a obra.

3- Quando lançada em nosso Governo, a licitação tinha orçamento referenciado na Tabela Seinfra vigente naquele ano, 2006. Muito embora já exista a Tabela 2008, a licitação do atual Governo tomou por base, ainda, a Tabela de 2007. Significa dizer que o preço real da obra não será o indicado no Edital de Licitação, mas de valor corrigido com base numa atualização monetária de 11% - soma expressiva, se considerado o montante da obra.

4- Outra distorção comete a Coluna, em seu esforço “pedagógico”, quando omite que a licitação inicial, de 2006, inicialmente deserta, foi relançada com o projeto da obra ampliado, o que, aliado à mudança na Tabela Seinfra, determinou o aumento no valor da mesma. Ou seja, custaria mais porque seria maior, e de outro modo não poderia ser, com melhoria nas suas operações e retorno previsível para as receitas do Estado.

5- No que se refere ao adiantamento de 5% sobre o valor total da obra à empresa licitada, a Coluna insiste em condenar este procedimento, como algo sem precedentes, “inédito”, quando o jornalista já foi informado – e dois anos já transcorreram desde então! –, que estava transmitindo aos seus leitores uma informação equivocada.

Para não ir muito longe, citamos o Rodoanel de São Paulo, a maior obra viária urbana em andamento no País, que adota o mesmo procedimento, acatado pela Justiça como probo e obediente à lei, pois adiantamento não é doação, sendo deduzido das parcelas de pagamento. Além do mais, a obra conta com seguro de 10% sobre o seu valor total. Só aí, é o dobro da parcela antecipada. A Coluna acusa, mas não define onde haveria dano.

Por fim, não custa nada lembrar que a licitação em nosso Governo, foi submetida, por mais de uma vez, ao crivo do Poder Judiciário, a quem compete julgar sua legalidade e moralidade, nela nada a Justiça encontrando de irregular.

Logo, não há o que a Coluna se esforçar em denunciar como “Licitação Drácula”, uma metáfora agressiva. O que há, como fica agora esclarecido, é o uso de argumentos inconsistentes e omissões deliberadas, de aspectos fundamentais à correta compreensão dos fatos – com que objetivo, não me cabe julgar.

Não seria necessária esta nossa decisão, de abrir espaços no jornal para garantir a prevalência da verdade, se a Coluna tivesse analisado, com isenção e prudência, as informações de conhecimento público, considerado objetivamente as informações já oferecidas anteriormente pelo nosso Governo, ou tivesse atendido à regra simples do bom jornalismo de nos consultar, como parte envolvida.

Não o fez. “Pedagógico”, isto sim, é retificar os equívocos cometidos e expor a distância que separa fato e versão.

Convido os leitores da Coluna Política para o exercício saudável de uma reflexão isenta, provida pelo amplo conhecimento da verdade que lhe tem sido sistematicamente sonegada.

Lúcio Alcântara

* Esta nota foi publicada na edição de domingo, 24/08/2008, do jornal O Povo. Aos leitores do Blog, estou disponível para esclarecimentos adicionais, se necessário.