quinta-feira, 5 de março de 2009

Proeza

Em dois anos do atual governo do Estado do Ceará, o número de casos de dengue já é igual aos quatro anos do governo anterior.

Imprensa IV

Fiquei surpreso ao ler notícias de condenação de jornalistas à prisão, em Portugal, em decorrência de alegados crimes no exercício da profissão.

O primeiro caso foi o do jornalista Manuel Maria Múrias, detido durante 14 meses por ter fundado, em fins de 1974, portanto após a Revolução dos Cravos, o semanário BANDARRA.

Liberto, fundou outro semanário, A RUA, no qual viria a publicar artigo insultuoso sobre Mário Soares, que valeria condenação com pena de prisão, por alegado crime de abuso de liberdade de imprensa.

A antiga diretora do jornal INDEPENDENTE, que já não existe, Inês Serra Lopes, poderá ser a segunda jornalista a cumprir pena de prisão, após o 25 de Abril.

Foi condenada pelo Tribunal da Relação a um ano de prisão, pelo crime de favorecimento pessoal na sua forma tentada no processo Casa Pia ( um escândalo de pedofilia em uma instituição de abrigo para menores, que envolve jornalistas, políticos e pessoas de destaque na sociedade).

Ela teria favorecido, mediante notícia distorcida, pessoa acusada no processo que, entretanto, tinha seu pai por advogado.

A liberdade de imprensa é um valor inquestionável, garantidor da democracia. Cumpre zelar por ele e exigir dos jornalistas que estejam à altura da sua importância moral.

Saiba mais no Diário de Notícias, edições de 08/01/09, 06/02/09, 04/03/09; e no Público, edição de 17/01/09.

Imprensa III

Em Portugal, à semelhança da Inglaterra, a imprensa é acompanhada por um organismo, a Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), que zela pelo equilíbrio da cobertura, a veracidade das informações veiculadas e o respeito à imagem das pessoas alvo do noticiário.

Observo que a RTP, estatal, distribui equitativamente o tempo dos telejornais entre os partidos e as personalidades políticas. Diferentemente do que acontece com a TV Ceará, por exemplo...

Anote-se que, no momento, em ano eleitoral, o Primeiro Ministro José Sócrates, é diariamente fustigado pela imprensa, acusado de envolvimento no licenciamento favorecido de um grande centro comercial, o Freeport.

A propósito, o diretor do semanário O SOL, declarou que alguém próximo do Primeiro Ministro, mas não integrante do governo, conhecedor da delicada situação financeira do jornal e das negociações em curso para obtenção de aporte de capital, disse que tudo iria depender das próximas publicações...

Seguramente não se trata de filme inédito.

Imprensa II

Aqui, como em qualquer outro lugar, os jornais se queixam de dificuldades financeiras decorrentes da competição com as novas midias e da mudança de hábitos dos leitores, agravadas pela crise em que o mundo submergiu a partir do segundo semestre do ano passado.

A entidade portuguesa que congrega proprietários dos meios de comunicação sugeriu ao governo, como medida para enfrentar a crise, conceder incentivos fiscais às empresas que anunciassem através deles. A resposta foi, obviamente, negativa.

Na França, foi diferente. O Presidente Sarkozy anunciou investimento de 600.000.000 de euros, em três anos, para salvar os jornais. A iniciativa atende a 90 propostas contidas no livro verde, elaborado por um grupo de trabalho intitulado Estados Gerais para a Imprensa.

Entre outras medidas, consta a duplicação do investimento em comunicação institucional do Estado e organismos públicos na imprensa.

Os jornais espanhóis acusam perda de leitores e anunciam demissão de funcionários. Mesmo o ABC, único cujas vendas sobem, informou que irá despedir mais da metade dos seus trabalhadores.

Imprensa

Chama-me atenção, na imprensa portuguesa, o número de títulos de publicação regular, se tivermos em conta que a população do país gira em torno de dez milhões de pessoas.

São vários jornais diários e alguns semanários, bem como numerosas revistas, de periodicidade variável, temáticas ou de conteúdo múltiplo. Os diários adotam o formato tabloide, os semanários o tamanho maior.

Têm ainda como característica uma profusa distribuição de brindes aos compradores dos jornais e revistas, muito variados, alguns colecionáveis, (livros, taças, talheres, DVDs, etc), gratuitos ou vendidos a preços módicos. Ora junto com os jornais, ora a serem retirados nas bancas no dia seguinte, mediante apresentação do cupon que vem anexo à publicação.

Aos sábados acompanham os jornais revistas de boa qualidade gráfica e editorial.

Os jornais diários de maior tiragem, Correio da Manhã e Jornal de Notícias, chegam próximo dos 100.000 exemplares cada.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Reunião

O governador do Estado do Ceará e a prefeita de Fortaleza estiveram reunidos durante onze horas, para decidirem sobre ações integradas a serem desenvolvidas no território do município. Ao cabo do encontro, tudo que ficou decidido é que haverá nova reunião. Não se sabe se com a mesma duração...

De qualquer modo, esta integração já deu pelo menos um resultado: a paralisação das obras do projeto Costa Oeste. Tão logo empossado, o governador retribuiu o apoio da prefeita para sua eleição, transferindo a responsabilidade da execução do projeto para o município.

Nem sei como terá sido possível, uma vez que o empréstimo da Caixa Econômica Federal (CEF) para realização da obra fora concedido ao estado do Ceará.

A prefeita, que ao meu tempo de governador tudo fizera para impedir a obra, realizaria, agora, seu sonho: mudou-lhe o nome e parou-a.

Do entendimento entre os dois, poderá sair outra decisão. A pretexto de preparar Fortaleza para uma das sedes da Copa do Mundo de Futebol, a prefeita autorizaria as obras do Estádio Presidente Vargas, interditado há tempos, mediante dispensa de licitação.

Trata-se de urgência encomendada. Isto é, protela-se a solução do problema até que se possa alegar a urgência, para contornar a exigência da concorrência pública, que é o procedimento recomendado.

Foi assim no âmbito do governo do Estado com as obras de dois presídios.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Centenário II

Suas ligações estreitas com a igreja católica, fizeram-no assumir os trabalhos de conclusão e colocação em funcionamento do Hospital Cura D'Ars, antiga iniciativa da previdência do clero, há tempos inconclusa.

Pela reputação que adquiriu, como profissional e cidadão, foi conduzido ao posto de secretário de saúde pelo governador Plácido Castelo. À frente da pasta, veio a dotar o estado de modernas estrutura médicas, na capital e no interior.

Assim foi com o Serviço de Prevenção do Câncer Ginecológico, o Centro de Saúde de Sobral, o Serviço de Verificação de Óbitos e o Hospital São José de Doenças Transmissíveis.

Era a infraestrutura que faltava para uma ação mais efetiva de saúde pública.

Ligado à igreja católica, conseguiu para o estado a cessão de antigas dependências, nunca usadas, destinadas a um dispensário para tratamento de tuberculosos, com fim de adaptá-las para instalação de um hospital de doenças transmissíveis, de cuja existência Fortaleza se ressentia.

Devo-lhe a oportunidade que me ensejou, como médico recém chegado de São Paulo, onde me especializara, de organizar, instalar e ser o primeiro diretor do Hospital São José, que tantos serviços prestou, e presta, ao povo.

Esta passagem da minha vida terá sido de suma importância a tudo que viria me suceder mais tarde, como médico e político. Devo-lhe este reconhecimento, de resto feito por mim algumas vezes, desde quando tive a honra de sucedê-lo como secretário de estado.

Como governador, dei seu nome ao Serviço de Verificação de Óbitos, construído durante minha gestão, homenagem à sua memória e seu pioneirismo.

Foi um católico militante, marido e pai de família exemplar, constituindo com dona Zilda um casal digno de nossa maior admiração.

Centenário

A família do dr. Rocha Furtado celebra seu centenário de nascimento, tendo me convidado para a reunião comemorativa. Fora do Brasil, não tenho como comparecer à festa, o que muito me agradaria.

José da Rocha Furtado é daqueles que passou pela vida deixando um rastro de realizações que devem orgulhar seus descendentes. Formado em medicina, no Rio de Janeiro, regressou ao seu Piauí natal, tendo contribuido muito para melhorar o padrão da medicina exercida em Teresina, particularmente na cirurgia. O sucesso profissional e suas qualidades humanas levaram-no à política.

Governou o Piauí em um período assaz conturbado, quando imprimiu à administração a marca do seu caráter e de suas convicções, o que lhe valeu tenaz oposição e uma definitiva desilusão com a política.

Certa feita, comentou comigo o quanto o maltrataram à época a deslealdade e a injustiça de que foi vítima. Disse-me que fora emblemático daquele período, a traição sofrida de um líder (prefeito?) do município de Beneditinos, cuja foto manteve em sua mesa de trabalho durante algum tempo, como símbolo de tudo que sofrera.

Concluído o governo naquele estado, veio refazer sua vida profissional no Ceará, que o acolheu fraternamente. Destacou-se como profissional zeloso e competente, a par de um comportamento irrepreensível, credenciais que lhe propiciaram proveitosa clínica no domínio da ginecologia.

Teve importante atuação comunitária exercida no Lions Clube e em organizações da igreja católica, voltadas para o proselitismo cristão com vistas à instituição familiar.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A frase do dia

Quem não lê, não quer saber; quem não quer saber quer errar.

Padre Antonio Vieira (1608 - 1697)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

São Valentim


No dia 14 de fevereiro, consagrado à São Valentim, comemora-se aqui o Dia dos Namorados.

O coração, como sempre, é a grande inspiração publicitária a estimular a aquisição de presentes para oferta entre os enamorados.
A Sociedade Portuguesa de Cardiologia aproveitou o mote para fazer uma campanha publicitária, advertindo sobre os riscos e a prevenção das doenças cardiovasculares.

Fala dos males do coração, não dos partidos de amor, mas dos destroçados pela hereditariedade, o fumo, o sedentarismo, a obesidade e a alimentação gordurosa.

A doença cardiovascular, aí incluídas as doenças cardíacas, os acidentes vasculares cerebrais e as doenças vasculares periféricas, mata anualmente 18 milhões de pessoas no mundo, ou seja uma morte a cada 2 segundos.

Na região europeia da Organização Mundial da Saúde (OMS), que compreende 52 países, esta doença é a primeira causa de morte. Em Portugal, as estatísticas mostram que mais de 30% das mortes ocorridas anualmente devem-se à doença cardiovascular.

Esclarecedor encarte, de excelente feição gráfica, circulou junto com jornais no Dia de São Valentim, contendo informações úteis sobre a doença e o texto integral da Carta Europeia para a Saúde do Coração, que foi apresentada ao Parlamento Europeu a 17/06/07 e aprovada no Conselho Europeu de Ministros, sob a Presidência Portuguesa, a 06 de Dezembro do mesmo ano.

Para que tenham ideia da importância do documento, que contém 18 artigos, reproduzo um dos seus enunciados que considero muito significativo como compromisso para o futuro: Toda criança nascida no novo milênio tem o direito de viver, pelo menos até os 65 anos de idade, sem sofrer de uma doença cardiovascular evitável.

Saiba mais no encarte Carta Europeia do Coração, que circulou junto com o jornal Público, edição de 12/02/09.

Obama III

Grandes esperanças investidas em governantes não são certeza de feitos à sua altura. O tempo dirá se eram fundadas e factíveis.

Nos Estados Unidos mesmo, Jimmy Carter esteve longe de atender às expectativas que embalaram sua eleição para presidente, em um ambiente marcado pelo trauma da guerra do Vietnam e do escândalo do Watergate, que veio a redundar no impeachment de Ricard Nixon.

O plantador de amendoim que governara a Georgia não esteve à altura do desafio. Atingido pelo escândalo dos contras, envolvidos em operações clandestinas de contra-revoluções na América Central, e o fracasso do resgate dos americanos da embaixada no Irã.

Fez uma presidência bisonha e não logrou reeleger-se, não obstante deva-se reconhecer seu empenho na defesa dos direitos humanos e da democracia, de que até hoje se ocupa como um missionário.

Muito se falou de Obama, apoiadores e adversários. O que não se sabe é como se comportará no exercício do poder, diante de suas ciladas e exigências, limitações e oportunidades. O potencial do governante nunca é de todo conhecido, a não ser diante de uma prova e das suas circunstâncias.

A tragédia da democracia é não realizar suas promessas.

Saiba mais n'O Estado de S. Paulo, edição de 16/11/08; Público, edições de 17/01, 14/02 e 15/02/09; Diário de Notícias, edição de 21/01/09 e revista Pública, edição de 19/02/09.

Obama II

Diz-se que Obama será medido pela comparação com Roosevelt. Embora sempre mencione Lincoln como fonte de inspiração. Ambos, Roosevelt e Obama, assumiram a presidência em momentos críticos para os americanos.

Chegaram ao poder embalados pela esperança e a angústia dos ameaçados pelo desemprego e a miséria.

À recessão de 1929, Roosevelt respondeu de imediato com medidas corajosas, adotadas nos primeiros cem dias de governo. Diz-se dele que traiu sua classe para salvar a América.

Houve quem não gostasse do discurso de posse de Obama, sobretudo quando comparado com os pronunciamentos de campanha, marcados por imagens generosas impregnadas de esperança. Demarcava-se, ali, o presidente do candidato.

A linguagem contida e sóbria é a mais apropriada ao estadista, que tem consciência de suas responsabilidades.

Disse que o mundo mudou e os Estados Unidos precisavam mudar, mas conclamou os americanos a se voltarem para o exemplo dos founding fathers (pais fundadores).

Conciliar os interesses americanos num mundo multipolar, que anseia por uma convivência fraterna e frutuosa, será o grande desafio para quem, como ele, falou tanto de solidariedade e paz.

Talvez esta não seja exatamente a mudança que os americanos desejem.

Reclamava urgência no encaminhamento de medidas para enfrentar a crise. Deparou-se com resistências políticas no Senado, que minaram a hipotése de unanimidade, adiarando a aprovação de seu plano, que segue questionado.

Ainda não conseguiu completar sua equipe de governo. E a renúncia de seu Secretário de Comércio, um senador republicano, denota a rejeição da oposição às medidas econômicas por ele propostas.

Falou de mudanças mas não desprezou de todo a herança de Bush. Manteve os Secretários da Defesa e Interior.

Será que o antigo presidente já começou a assistir a reabilitação que previu em seu discurso de despedida?

Denunciou os lobbies, propôs uma nova ética pública mais rigorosa, no entanto dois nomes que recrutou para o governo deviam ao fisco, e outro estava processado por corrupção no período em que foi governador de estado. Dos três, dois desistiram de assumir.

Pregou a integração econômica entre os países e a comunhão com os povos, todavia seu plano econômico é claramente protecionista em relação aos produtos americanos. Foi o Senado que atenuou o buy american do seu conteúdo.

Que ninguém se iluda, seu primeiro dever é para com o povo que governa.

Obama

Ainda não são decorridos trinta dias da posse de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos. Mas já não vejo nos seus olhos o mesmo brilho que iluminava o rosto do candidato. O olhar do presidente já padece daquela opacidade cética, que marca o encontro com o poder e suas realidades.

Durante a campanha muito se falou do candidato. De sua vida, cheia de percalços, de sua família, de sua fé, moldada em circunstâncias singulares, de sua oratória empolgante, de sua tolerância, de sua sensibilidade social, de sua disposição de promover um reencontro da América com o mundo.

Sua eleição despertava uma sensação de desafogo nos Estados Unidos e por toda parte, rompendo com todas as formas de opressão e intolerância, econômica, racial, religiosa, militar. A eclosão da crise econômica, que abalou os americanos e o mundo, tornou mais premente sua vitória.

A posse bateu recorde de público em cerimônias do gênero. Nem o frio rigoroso afugentou a massa que celebrou sua vitória como o último capítulo da luta dos negros e das minorias étnicas. Os bailes e a animação nas ruas festejavam a chegada do primeiro negro à suprema magistratura do país.

Diante das televisões, o mundo acompanhava tudo animado por uma esperança natural.

O juramento sobre a bíblia de Lincoln assinalava o compromisso com a nação e o legado de seu longinquo e célebre antecessor.

Ceará

A imprensa portuguesa noticia a apresentação, no Festival de Berlim, do filme Garapa, produção brasileira que denuncia a fome das crianças pobres do Ceará, alimentadas, a falta de outra coisa, com água açucarada.

Segundo o jornal, garapa é a mistura de água e açucar que estes sertanejos do Ceará dão aos filhos em vez de leite. Porque não há leite para lhes dar; aliás não é só leite que não há. Não há comida e a pouca que há é para os filhos (os pais muitas vezes não comem nada o dia inteiro), não há emprego, não há dinheiro, não há modo de ganhar a vida, não há absolutamente nada a não a ser a ajuda dos centros de dia, da assistência social, dos programas governamentais contra a pobreza.

José Padilha, autor do filme, diz que este não é um filme brasileiro, mas sim universal, porque a fome não é exclusiva do Brasil. Mas, para o jornalista, pode e deve ser lido como a continuação da investigação das contradições da sociedade brasileira, que começou em Onibus 174 e Tropa de Elite.

Guerra Junqueiro, a partir de notícias de imprensa sobre a grande seca de 1877, no Ceará, escreveu o poema A Fome no Ceará, sem nunca ter lá ido. Quem sabe o filme inspira novos intérpretes europeus da nossa realidade.

Na foto acima, vemos o cineasta José Padilha (à esquerda) e o montador Felipe Lacerda (Letícia Pontual/Folha Imagem).

Saiba mais no Público, edição de 13/02/09.

Nemesis

A nemesis do Estado foi o crescimento incontido, tentacular, na economia e na sociedade em geral.

A do liberalismo econômico foi a crença na teologia autoregulatória do mercado.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Lusas II

1. Carteiristas
Viajando nos transportes públicos de Lisboa, leio o aviso cuidado com os carteiristas! Enquanto não chego ao destino, fico pensando: se quase ninguém mais usa carteira de cédulas, que esta seja uma profissão em extinção.

2. Carmen Miranda
O dia 9 de fevereiro marcou o centenário de Carmen Miranda. Portuguesa de Marco de Canavezes, levada para o Brasil aos dezoito meses de nascida, foi a primeira artista latino- americana a fazer sucesso nos Estados Unidos. Diz-se ter sido, à época, a atriz mais bem remunerada naquele país.

Acusada no Brasil de americanização, sempre lembrou que continuava a cantar em português. Nunca se recusou a receber brasileiro ou português, contrariando ordens do seu empresário, que a procurasse em seu camarim.

Faleceu aos 46 anos devorada pela fama, barbitúricos, amores e as tensões da carreira. Deixou suas mãos impressas na calçada fama de Hollywood, e é nome de rua em Los Angeles. Além de Aurora, que também cantou e fez filmes, tinha outra irmã, Olinda.

Segundo Ruy Castro, biógrafo de Carmen, esta, com o mesmo espírito descontraído de Carmen, era mais bonita e tinha melhor voz. Tuberculosa, foi enviada para Portugal, onde veio a falecer no sanatório do Caramulo, aos 23 anos. Teria sido ela a ensinar a irmã, a música e a faceirice que a fizeram famosa.

Era o destino a traçar os caminhos de Carmen. Jornais e televisão portugueses deram grande espaço ao centenário de nascimento da artista. A Cinemateca vai promover um ciclo de exibição de seus filmes. E em sua terra natal, além das comemorações aniversárias, implanta-se um museu em sua memória.

Saiba mais no Diário de Notícias, edição de 07/02/09.

3. Goya
A tela O Colosso, exposta no Museu do Prado, em Madri, onde está desde 1931, atribuida à Goya, teve esta autoria descartada, a partir de pesquisas realizadas por peritos, desde junho do ano passado. Uma das descobertas, foi a presença das iniciais A J no canto inferior esquerdo do quadro. O autor poderia ser Asensio Juliá, principal discípulo de Goya.

O Prado insiste em não assegurar a identidade do pintor da obra, pintada entre 1808 e 1812. Ao chegar ao Prado, foi logo tida como expressão máxima do Goya moderno, embora diferisse, em termos, de estilo e tema do restante de sua obra.

Se você, caro leitor, teve a felicidade de ir ao Prado, e se deslumbrar diante dela, não deixe de admirá-la por se ignorar seu autor. O anonimato não lhe subtrai a beleza.

Saiba mais no Diário de Notícias, edição de 27/01/09.

4.Violência
O Brasil pode ter acrescentado mais um item à lista de produtos de exportação. A polícia portuguesa suspeita de que um dirigente da organização criminosa Primeiro Comando da Capital, foragido de uma prisão de São Paulo, esteja em Portugal para implantar o Primeiro Comando de Portugal.

Brasileiros ilegais têm sido detidos na busca de identificar-se o marginal. O alerta foi dado pela Interpol e Europol. As polícias dos dois paises trabalham em conjunto para esclarecer o caso.

Saiba mais no Diário de Notícias, edição de 10/02/09.

5. Universidades Portuguesas
Segundo o Ranking Web das Universidades do Mundo, feito pelo Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), da Espanha, as universidades do Porto e do Minho estão entre as 300 primeiras do mundo. Na 271ª e 300ª classificações, respectivamente.

O critério classificatório considera as atividades científicas e a visibilidade que cada instituição alcança em face delas.

Saiba mais no Diário de Notícias, edição de 10/02/09.

6. Automóveis
Desde que saiu da linha de montagem, em 1908, o primeiro Ford T, o automóvel se associou indissoluvelmente à cultura americana. O fascínio deste ícone do século expandiu-se daí para o mundo, mas foi na matriz que se infiltrou, definitivamente, na cultura contemporânea.

Personagem assídua nos filmes, na música, na literatura, cenário de colóquios amorosos de adolescentes sôfregos, o automóvel entranhou-se de tal forma na vida cotidiana, que já não queremos deixá-lo para ver filmes, comprar hamburgueres ou sacar dinheiro em caixas eletrônicos. Para isso, inventaram-se o drive-in e o drive thru.

Virou objeto do desejo, a ser cavalgado na vertigem da velocidade, condenada a imobilidade no trânsito enfartado das grandes cidades ou a ataúde dos espatifados em corridas alucinadas.
É a morte que imortaliza. Vide James Dean e Airton Sena.

Modelos famosos tornaram-se objetos de culto, símbolos de poder, beleza, exemplos de desenhos industriais marcantes.

Pela primeira vez, a pátria do automóvel perdeu o posto de maior mercado mundial de carros. Em janeiro deste ano, os chineses compraram mais carros que os americanos. Foram 650 mil contra 790 mil.

Saiba mais no Diário de Notícias, edição 10/02/09.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Medicina

Jean Bernard, grande clínico e professor francês, ao discorrer sobre o futuro da medicina e os riscos da profissão, vaticinou que a ciência médica moderna se fundamentaria na prevenção e na predição.

As vacinas, os hábitos saudáveis, a alimentação equilibrada, os exames médicos periódicos são instrumentos em vigor capazes de assegurar vida longa e com qualidade.

A predição começa a ganhar espaço, na medida em que se amplia o conhecimento genético e se conhece a predisposição dos indivíduos para desenvolver, mais tarde, determinadas doenças.

O conhecimento científico e o emprego da tecnologia em assuntos vitais, como o sacrifício de embriões e a manipulação genética, devem ser submetidos a uma discussão ética, antes da aceitação universal.

Nasceu, na Inglaterra, o primeiro bebê sem o gene do cancro de mama. A criança teria uma enorme probabilidade de desenvolver a doença. O Reino Unido foi o primeiro país a aprovar o diagnóstico pré-implantatório para doenças tardias.

Portugal, por exemplo, reune condições técnicas para efetuar o procedimento, mas depende de uma aprovação ética, que ainda não se deu.

Saiba mais no Diário de Notícias, edição de 30/01/09.

Astronomia da crise

Há poucos dias, Teixeira dos Santos, ministro das Finanças de Portugal, perplexo com a crise, diante da ineficácia das medidas adotadas, desabafou, em público, ao dizer que agora só prescrutando as estrelas...

Não está só na procura de solução nos astros. Agora, foi Anatole Kaletsky, principal colunista econômico do Times, de Londres, que em longo artigo afirmou : A economia está onde estava a astronomia antes da chegada de Copérnico.

Até que surja o Copérnico da economia, é fazer como o Lula, orar pelo Obama. E pelo mundo, acrescento eu...

Saiba mais no Diário de Notícias, edição de 06/02/09.

Pessoanas

1. O Brasil é Portugal a solta.
Fernando Pessoa

2. Uma alfarrabista disse-me que o texto de Fernando Pessoa, Um Banqueiro Anarquista, foi inspirado em Agostinho Fernandes, um grande empresário português, que além de industrial incursionou na área da cultura, tendo fundado uma produtora de filmes, Cinelândia, e uma editora, Portugália, que ainda existe. Foi, ainda, um grande colecionador de arte.

Detentor de muito capital, indagaram-lhe, certa feita, se não desejava ser banqueiro. Teria respondido : Nem banqueiro, que enterra vivos, nem cangalheiro, que enterra mortos.

Hoje, há uma fundação com seu nome, empenhada em atividades culturais, proprietária das tradicionais livrarias Sá da Costa e Buchholz, esta última com uma nova unidade no Chiado, e da editora Portugália.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Formigas e Cigarras

Na política, como na natureza, há formigas e cigarras. Uns trabalham, outros cantam. Uns produzem, outros gozam.

Maranguapinho

Há poucos meses, o governo do Estado do Ceará lançou, com o espalhafato publicitário que o caracteriza, o projeto de revitalização do rio Maranguapinho e requalificação urbana de suas margens.

Parecia coisa nova. Mais uma vez, não era.

Trata-se de importante projeto ambiental e social, iniciado no meu governo, em parceria com a Caixa Econômica Federal (CEF). Visa o reassentamento de famílias residentes em áreas de risco, às margens do rio e adjacências das favelas do Capim e Alto do Bode.

O projeto inclui ainda urbanização com implantação de áreas de lazer e esporte, limpeza do rio e dos canais do Conjunto Ceará e sangradouro do Genibaú.

A continuidade administrativa traz o progresso e o desenvolvimento.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Dívidas

Um desses economistas nobelizados, cujo nome não me recordo, afirmou, segundo li nos jornais, que a grande mudança na economia mundial deveria ser o desendividamento, dos governos, das empresas e das famílias. O mundo estaria envenenado por uma gigantesca dívida, que trava a movimentação da economia.

Em Portugal, o sobreendividamento a nível pessoal sobe e preocupa. Uma entidade, a Associação de Defesa do Consumidor (DECO), que tem um setor, o Gabinete de Apoio ao Sobreendividado (GAS), auxilia as pessoas em dificuldade para pagar empréstimos junto aos bancos.

Em 2008, foram atendidas 2.034 famílias nessa situação, 3% a mais que no ano anterior. Os casos de sobreendividamento devem-se, principalmente, aos três "ds": desemprego, doença, divórcio, que respondem por mais de 80% dos casos. O encarecimento do crédito já começa a aparecer como fator de inadimplência.

O fenômeno está associado à expansão desmedida do crédito.

A Associação só se ocupa de casos de consumidores de boa fé, com manifesta impossibilidade de cumprir os compromissos assumidos.

Pelo que sei, o endividamento de muitos brasileiros já está a justificar a criação de uma entidade que ajude os excessivamente endividados.

Saiba mais no Diário de Notícias, edição de 08/01/09.

Lusas

1. Os professores portugueses da rede pública travam uma queda de braço contra o Governo, que se arrasta há meses. São contra reformas que alteram seu estatuto e introduzem avaliação de desempenho. O Governo contratou peritos isentos, que aprovaram as mudanças que vêm sendo feitas no sistema de ensino.

2. Portugal vive um inverno dos mais rigorosos. Octogenários me dizem não se lembrarem de ter visto coisa igual. Neva em boa parte do País, inclusive em lugares onde o fenômeno é raro. Chuva, ventos fortes, mar agitado, arrancam árvores, interditam estradas, derrubam prédios, suspendem a navegação pesqueira e fazem vítimas.

3. Os três melhores hostels do mundo estão em Lisboa, segundo avaliação de uma firma irlandesa. Para quem não sabe, hostel é um tipo de pousada, destinada sobretudo a jovens, com um conceito muito simples: os quartos e a cozinha são partilhados pelos hóspedes e todos os espaços são de convívio. Para os interessados, aí vão os nomes dos hostels distinguidos com o Hoscar da Hostelworld de Dublin:
- Travellers House
- Rossio Hostel
- Lisbon Lounge Hostel


4. Um salto para levantar vôo é o título da matéria que fala sobre estes lagartos voadores que deixaram de existir há 65 milhões de anos. Trata-se dos pterossauros, que podiam pesar até 230 kg, e que usavam o impulso das quatro patas para descolar.

O box informa que cientistas americanos descobriram um pterossauro na região da chapada do Araripe, no Ceará (Brasil), revelou a revista Paleontology em dezembro. O animal, cujas asas mediam cinco metros, extinguiu-se há cinco milhões de anos. A nova espécie foi batizada de Lacusovagus magnificens, que significa andarilho gigante do lago.

O cearense assemelha-se a um outro, chinês, que media 60 centímetros, do tamanho do crânio da espécie brasileira. Ainda segundo o jornal, o fóssil estava esquecido numa gaveta de um museu alemão.

De que tamanho seria essa gaveta, pergunto eu...

A notícia confirma a riqueza paleontológica da região e a decisão acertada que tomei, quando Governador do Ceará, de criar o Geopark, homologado pela Unesco.

Espera-se que o atual Governo transforme palavras em ação, e cuide de consolidá-lo, antes que a Unesco o descredencie.

Saiba mais no Diário de Notícias, edições de 08/01/09 e 28/01/09.