Ensaio publicado no livro O Liceu do Meu tempo - Vol. 2, organizado pelo professor Auriberto Vidal Cavalcante.
O Liceu não foi para mim a escola risonha e franca do poeta. Foi sim a oportunidade para conhecer de perto as assimetrias econômicas e culturais da nossa sociedade. Saído de um colégio pequeno, particular, o “Ginásio Farias Brito”, dirigido por amigos de família, os professores Ari de Sá Cavalcante e João César, estava protegido dos impactos que só o convívio com pessoas de diferentes camadas sociais revela. Decidido que iria cursar o científico lá – como se chamava o ciclo de três anos que encerrava o secundário – tive que me submeter à um exame de seleção para disputar uma das vagas remanescentes oferecidas à estudantes oriundos de outros estabelecimentos de ensino. Lembro com que apreensão galguei as escadarias da porta principal, defronte à Praça Fernandes Vieira, primeiro para me submeter às provas, e depois, aprovado, matricular-me e iniciar as aulas. Tudo era novo e diferente. Colegas, professores, disciplina, relacionamento com funcionários. Sentia-me desprotegido e com a sensação de que a partir daí tudo iria depender de mim, do meu esforço e desempenho. A segurança dos pais e a atmosfera familiar do antigo colégio, ficara para trás. O espaço público onde acabara de ingressar a todos nivelava, e foi essa constatação que inicialmente me assustou. Começava ali minha descoberta do mundo. Iniciava o aprendizado de suas belezas e misérias.
Indicaram-me o alfaiate especialista na confecção da farda de cáqui, túnica com botões negros com a efígie do colégio, calça, e uma boina azul. Nunca esqueci seu nome, Miririco, baixinho e hábil no mister de coser uniformes. Com ela frequentei os dois anos do turno da manhã, suando em bica no percurso feito a pé, do colégio até minha casa, sita à Avenida Bezerra de Menezes, vizinho ao quartel do CPOR, na companhia alegre de colegas, entre os quais ressalto a figura bondosa do José Tarcísio Sindeaux Gurgel, amizade querida, conservada até sua morte.
Na sala de aula éramos alunos de várias procedências. Muitos, vindos do interior, hospedados em casas de parentes, na Casa do Estudante, ou em pensões precárias, enfrentando enormes dificuldades. Alguns, de Fortaleza, filhos de famílias modestas. Uns poucos, como eu, membros da classe média que buscavam o Liceu pela qualidade do ensino. A primeira dificuldade a superar era a da integração com os colegas, sem deixar-me isolar, por preconceito ou desconfiança. Nisso fui bem sucedido. Gozei da estima de todos e fiz ali amizades que ainda hoje perduram. Essa primeira lição aprendida me acompanhou pelo resto da vida, e foi a meu juízo fator decisivo para o êxito profissional e político que alcançaria mais tarde. E isso foi o mais importante. Não sei bem o que aprendi, mas lembro com quem aprendi. Em primeiro lugar com os outros alunos, com seu testemunho de vida, particularmente os colegas do turno da noite, para o qual me transferi no terceiro ano científico afim de ter mais tempo de me preparar para o vestibular de medicina. Estudante profissional, assim chamados os que como eu não precisavam trabalhar para manterem-se, convivia com muitos, que bêbados de sono assistiam as aulas, vindos diretamente de quartéis, escritórios, estabelecimento comerciais, e repartições públicas.
Comovia-me o esforço deles, levando-me a refletir sobre a desigualdade de nossas condições materiais. Essa, a segunda lição que estava aprendendo sutilmente, sem precisar dos compêndios sobre as teorias sociais e a divisão de classes. As conversas animadas no intervalo das aulas, as discussões sobre os fatos do momento, e até altercações rápidas atiçadas pela política partidária, enchiam nossas horas livres. Não raro, a algazarra se estendia até a praça, terminando na leiteria situada na esquina da Rua Guilherme Rocha, onde nos servíamos de uma coalhada de cujo sabor até hoje me recordo.
Dos professores guardo imagens inesquecíveis bem como dos ensinamentos que armazenei, desafiado pela necessidade de superar deficiências pessoais e aprender que sem estudo não havia como vencer os obstáculos que teria pela frente. Quanto de português aprendi nas aulas caóticas, pela galhofa dos jovens, mas cheias de conteúdo, do professor Boanerges Luz? Ou nas lições do mestre Martins de Aguiar, às vésperas da aposentadoria, envergando terno branco com uma imagem de Nossa Senhora na lapela? Linguagem desabrida e disciplinadora, impunha respeito e metia medo à turma. O que ficou da língua francesa ensinada pelo professor Tupá com base no “Manuel de Français” de Henri de Lanteuil, e que se apresentou no primeiro dia de aula explicando a origem do seu nome? Não esqueço a fisionomia bondosa de Waldemar Barros, com óculos enormes, esforçando-se para nos ensinar o inglês, e que a irreverência dos alunos apelidava às escondidas de “how many”. Quanta eficiência e disciplina imprimiu ao seu magistério Rebouças Macambira, ao ponto de dar-me em um único ano, com base no “Manual de Espanhol”, de Idel Becker, o preparo para no futuro ler e entender a língua de Cervantes. Ou de como me ajudaram a vencer dificuldades com a matemática o método rigoroso e exigente do Professor Jaborandi e a figura amena do Manuel Cavalcante. Tudo a partir de um livro sisudo, de lombada roxa, conhecido como “Os Quatro Autores”. Tenho vivo na memória as figuras de Praciano e Sobreira a ensinarem desenho, carregando réguas, esquadros, e compassos enormes, que quase requeriam um auxiliar para transportá-los. E as lições de história de Fernando Maia, que ficaram na lembraça pelo vigor cênico com que narrava as batalhas da segunda guerra mundial. As fórmulas químicas do Rouquayrol, ensinadas com rigor e austeridade, eram uma espécie de transição entre antigos e novos modos docentes. Não há como deixar de falar em Ademar Batista, que parecia carregar o Liceu no peito tal seu amor pelo colégio. Bem assim, de Boanerges Sabóia, figura indissociável da escola que dirigiu por muitos anos. Não dá, no reduzido espaço de que disponho, para falar de todos. Mas de cada um guardo uma recordação feliz, e a gratidão por terem me ensinado à sua maneira a descobrir os caminhos do mundo.
Ainda é preciso lembrar duas figuras que marcaram o Liceu do meu tempo, – o “seu Néon”, o bedel que zelava pela disciplina, cujo filho era nosso colega, e a Dona Maria, esposa do Pierre Lima, que ensinava Ciências e depois foi vereador em Fortaleza. Na secretaria do colégio ela nos atendia paciente, informando a todos as notas dos exames com uma atenção a ser imitada por todo servidor público.
Bons tempos aqueles em que ser aluno ou professor no Liceu, era motivo de destaque e orgulho, e dirigi-lo posto muito disputado. O ensino tinha bom nível, mas as vagas disponíveis eram muito limitadas e o acesso restrito. A escola pública expandiu-se e ficou mais democrática, mas o ensino deteriorou-se. A lição do Liceu que frequentei não é a do saudosismo imobilizador, mas a da alta valia da educação pública para os jovens e o País.
O possessivo do título se explica por ter sido esse o Liceu que vi, no meu tempo e nas minhas circunstancias, como cada um tê-lo-á vivido ao seu modo. Daí poder dizer-se, a partir de tantos pontos de vista distintos, Liceu, Liceus. Adoráveis recordações da juventude que passou, sem passar.
sábado, 20 de outubro de 2007
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Choque de gestão - Ceará pioneiro
Li, na Folha de S. Paulo, artigo do governador Aécio Neves (link para assinantes) sobre choque de gestão em seu governo. Estranhei quando ele afirmou que o Banco Mundial elegeu Minas Gerais como o primeiro Estado do Brasil a receber um empréstimo sem a devida contrapartida financeira. A contrapartida oferecida pelo Estado, segundo ele, foi o modelo de gestão. Por uma questão histórica, e de justiça, mandei o seguinte e-mail ao Governador, que compartilho com meus leitores:
Caro amigo Aécio,
li com interesse o artigo que você escreveu na" Folha de S. Paulo" sobre as importantes medidas de gestão tomadas em seu governo. Elas crescem de importância se lembrarmos as condições em que você recebeu o Estado. Permita todavia que faça pequeno reparo ao seu texto, por se tratar de uma questão histórica. O primeiro Estado a contratar um empréstimo com o Banco Mundial, dispensada a contrapartida financeira, permutada por compromissos de gestão, foi o Ceará, na minha administração. Conhecida como operação swap, desenvolvida por técnicos do governo do estado junto com o pessoal do Bird, serviu de modelo para outros empréstimos que se seguiram. Parabéns pelo sucesso administrativo e político que você vem merecidamente alcançando.
Um abraço do Lúcio.
Transcrevo, a seguir, a resposta de Aécio Neves:
Caro amigo Lúcio,
Recebi e li com atenção seu e-mail e, se cometi esse equívoco, desculpe-me por ele. Reitero que a sua administração à frente do Governo Cearense serviu de inspiração para o projeto que iniciamos em Minas.
Tenha sempre a certeza de minha amizade e admiração.
Com o abraço do amigo,
Aécio Neves
Caro amigo Aécio,
li com interesse o artigo que você escreveu na" Folha de S. Paulo" sobre as importantes medidas de gestão tomadas em seu governo. Elas crescem de importância se lembrarmos as condições em que você recebeu o Estado. Permita todavia que faça pequeno reparo ao seu texto, por se tratar de uma questão histórica. O primeiro Estado a contratar um empréstimo com o Banco Mundial, dispensada a contrapartida financeira, permutada por compromissos de gestão, foi o Ceará, na minha administração. Conhecida como operação swap, desenvolvida por técnicos do governo do estado junto com o pessoal do Bird, serviu de modelo para outros empréstimos que se seguiram. Parabéns pelo sucesso administrativo e político que você vem merecidamente alcançando.
Um abraço do Lúcio.
Transcrevo, a seguir, a resposta de Aécio Neves:
Caro amigo Lúcio,
Recebi e li com atenção seu e-mail e, se cometi esse equívoco, desculpe-me por ele. Reitero que a sua administração à frente do Governo Cearense serviu de inspiração para o projeto que iniciamos em Minas.
Tenha sempre a certeza de minha amizade e admiração.
Com o abraço do amigo,
Aécio Neves
Cargos e salários
Servidores da Secretaria de Saúde do Estado prometem manifestação em frente à sede do orgão para reivindicar o plano de cargos e salários. Onde estará Lúcia Arruda, antiga porta-estandarte da proposta, na rua sob o sol, ou na sombra do gabinete de chefe do setor de recursos humanos da secretaria?
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Boa nova
O prefeito do Rio, César Maia, baixou decreto que torna a bossa nova Patrimônio Cultural da cidade. Pouco antes, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) havia tombado o samba carioca. A música brasileira é uma das expressões da nossa cultura mais reconhecida, inclusive no exterior, onde alcança sempre enorme aceitação. É um dos setores de excelência brasileira. Acostumados ao tombamento material, de imóveis ou objetos, alguém pode se surpreender com o tombamento imaterial, isto é, de modos de ser, ou fazer algo, que precise ser preservado antes que desapareça ou seja esquecido. É o caso dos dois gêneros musicais recentemente tombados.
Nunca esqueci quando, anos atrás, numa noite fria, em Gröningen, na Holanda, em um congresso político, em meio à uma reunião social, me surpreendi deliciado ouvindo uma melodia brasileira. Secretamente enchi o peito de orgulho. Afinal, de brasileiros éramos só eu e a música do Tom, nacional e universal ao mesmo tempo.
Nunca esqueci quando, anos atrás, numa noite fria, em Gröningen, na Holanda, em um congresso político, em meio à uma reunião social, me surpreendi deliciado ouvindo uma melodia brasileira. Secretamente enchi o peito de orgulho. Afinal, de brasileiros éramos só eu e a música do Tom, nacional e universal ao mesmo tempo.
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Avaliação
Para os fanáticos pela avaliação, uma anedota que circula na web.
A- Exercício:
6 + 7 = 18
B- Análise :
A grafia do número 6 está absolutamente correta.
O mesmo se pode concluir quanto ao número 7.
O sinal operacional + indica-nos, corretamente, que se trata de uma adição.
Quanto ao resultado, verifica-se que o primeiro algarismo, 1, está corretamente escrito - corresponde ao primeiro algarismo da soma pedida. O segundo algarismo pode muito bem ser entendido como um 3 escrito simetricamente - repare-se na simetria, considerando um eixo vertical! Assim, o aluno enriqueceu o exercício recorrendo a outros conhecimentos... a sua intenção era, portanto, boa.
C- Avaliação:
Do conjunto de considerações tecidas nesta análise, podemos concluir que a atitude do aluno foi positiva: ele tentou!
Os procedimentos estão corretamente encadeados: os elementos estão dispostos pela ordem precisa.
Nos conceitos, só se enganou num dos seis elementos que formam o exercício, o que é perfeitamente negligenciável.
Na verdade, o aluno acrescentou uma mais valia ao exercício ao trazer para a proposta de resolução outros conceitos estudados - as simetrias...- realçando as conexões matemáticas que existem em qualquer exercício...
Em consequência, podemos atribuir-lhe um excelente...
Acrescento eu: quando o errado vira certo, avaliação é embromação. Às vezes, cara e perigosa.
A- Exercício:
6 + 7 = 18
B- Análise :
A grafia do número 6 está absolutamente correta.
O mesmo se pode concluir quanto ao número 7.
O sinal operacional + indica-nos, corretamente, que se trata de uma adição.
Quanto ao resultado, verifica-se que o primeiro algarismo, 1, está corretamente escrito - corresponde ao primeiro algarismo da soma pedida. O segundo algarismo pode muito bem ser entendido como um 3 escrito simetricamente - repare-se na simetria, considerando um eixo vertical! Assim, o aluno enriqueceu o exercício recorrendo a outros conhecimentos... a sua intenção era, portanto, boa.
C- Avaliação:
Do conjunto de considerações tecidas nesta análise, podemos concluir que a atitude do aluno foi positiva: ele tentou!
Os procedimentos estão corretamente encadeados: os elementos estão dispostos pela ordem precisa.
Nos conceitos, só se enganou num dos seis elementos que formam o exercício, o que é perfeitamente negligenciável.
Na verdade, o aluno acrescentou uma mais valia ao exercício ao trazer para a proposta de resolução outros conceitos estudados - as simetrias...- realçando as conexões matemáticas que existem em qualquer exercício...
Em consequência, podemos atribuir-lhe um excelente...
Acrescento eu: quando o errado vira certo, avaliação é embromação. Às vezes, cara e perigosa.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Crescimento
Li no blog do Deputado Leo Alcântara que o Fundo Monetário Internacional(FMI) reviu a previsão de crescimento mundial para 2008, reduzindo-a em 0,4%, para 4,8%.
Segundo aquele organismo internacional, o Brasil também será afetado pela queda, o que pode significar crescimento menor do nosso Estado.
Segundo aquele organismo internacional, o Brasil também será afetado pela queda, o que pode significar crescimento menor do nosso Estado.
Gratidão

O evangelista Lucas nos deu, domingo passado, a lição da (in)gratidão.
Foram dez os leprosos que pediram a Cristo, e obtiveram, a cura do mal.
Só um, o estrangeiro, voltou para agradecer.
Se amanhã, só um em cada dez voltar a você para agradecer um benefício, não se queixe, terá atingido a marca de Cristo.
Se menos, não é causa para desespero. Lembre-se, você é apenas uma pobre criatura humana e não irá querer rivalizar com o Salvador.
Foram dez os leprosos que pediram a Cristo, e obtiveram, a cura do mal.
Só um, o estrangeiro, voltou para agradecer.
Se amanhã, só um em cada dez voltar a você para agradecer um benefício, não se queixe, terá atingido a marca de Cristo.
Se menos, não é causa para desespero. Lembre-se, você é apenas uma pobre criatura humana e não irá querer rivalizar com o Salvador.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Agravantes da insegurança pública
Ninguém ignora a complexidade do problema da segurança pública e a diversidade de fatores envolvidos na questão. Por isso mesmo, não há solução a curto prazo para o problema.
Na ânsia de vencer a eleição, alguns políticos valem-se da angústia da população para prometerem resolver a questão rapidamente. Foi o que ocorreu aqui. O candidato a governador do Ceará não prometeu apenas a ronda de quarteirão, mas disse que iria solucionar a questão da violência.
A situação, ao contrário, agravou-se. E por que? Vejamos algumas razões objetivas, de responsabilidade do Governo do Estado, que ajudam a compreender o que aconteceu:
Na ânsia de vencer a eleição, alguns políticos valem-se da angústia da população para prometerem resolver a questão rapidamente. Foi o que ocorreu aqui. O candidato a governador do Ceará não prometeu apenas a ronda de quarteirão, mas disse que iria solucionar a questão da violência.
A situação, ao contrário, agravou-se. E por que? Vejamos algumas razões objetivas, de responsabilidade do Governo do Estado, que ajudam a compreender o que aconteceu:
- Redução drástica no custeio da polícia. Como conseqüência, tivemos viaturas paradas por falta de manutenção, falta de pneus e peças de reposição, telefones sem funcionar, falta de combustível.
- Redução e até suspensão de gratificações. Quando Governador, instituí, por lei, a gratificação por reforço de serviço operacional, que remunera o policial que o desejar, por horas trabalhadas em período de folga. Com isso, se combate o serviço prestado por policiais a particulares, o conhecido bico, aumentando-se, na prática, o efetivo notoriamente insuficiente. A gratificação foi inicialmente suspensa, depois concedida apenas uma ou duas vezes por mês. Já a gratificação por apreensão por arma de fogo, também iniciativa nossa, foi suspensa.
- Descaso com o concurso. Deixei em andamento avançado dois concursos, para as polícias civil e militar, com objetivo de aumentar os efetivos das duas. A falta de empenho do Governo que chegou, na conclusão dos mesmos, ainda não permitiu a integração dos aprovados.
- Hierarquia e comandos. A interinidade prolongada dos comandos e o provimento de cargos de chefia por critérios políticos geraram um ambiente de instabilidade nas corporações e desentendimento entre os dirigentes, comprometendo a hierarquia e a disciplina.
- Promessas de grandes melhorias salariais. O reajuste ficou aquém da expectativa criada entre os policiais pelo próprio Governo.
- Desmotivação dos policiais. Em decorrência dos fatos mencionados acima, instalou-se um clima de desânimo que compromete o desempenho profissional.
domingo, 14 de outubro de 2007
Direitos humanos
Deu na "Vertical", jornal "O Povo", edição de 13/10/07 :
In loco. Aguarda-se para a semana que vem a presença, em Fortaleza, da Secretaria Especial de Direitos Humanos. Entre objetivos, avaliar operação desastrosa da PM do Ceará que, em perseguição a assaltantes, metralhou por engano carro onde estava turista espanhol Marcelino Ruiz.
In loco. Aguarda-se para a semana que vem a presença, em Fortaleza, da Secretaria Especial de Direitos Humanos. Entre objetivos, avaliar operação desastrosa da PM do Ceará que, em perseguição a assaltantes, metralhou por engano carro onde estava turista espanhol Marcelino Ruiz.
Descontinuidade

O engenheiro Mário Elizio Aguiar Soares, excelente exemplo de administrador público, acaba de publicar o livro Estádio Plácido Aderaldo Castelo - Castelão, editora ABC, no qual narra a história do nosso maior estádio de futebol.
Durante meu Governo, ele foi administrador do Castelão, tendo realizado trabalho austero, e implantado a Lei estadual 13.330, de 17 de julho de 2003, conhecida como lei da evasão de rendas.
Muitas pessoas entravam no estádio sem pagar ingressos. O anúncio da renda era saudado com estrepitosa vaia, tal a desproporção entre o número de assistentes e o valor anunciado.
A Lei veio para acabar com o abuso dos privilegiados, que ofendia o trabalhador, que se sacrificava para comprar seu ingresso.
O autor, à página 125 de seu livro acima citado, revela que após a Lei, a taxa de evasão caiu de 19,49% para 0,47%. Isto só foi possível com determinação e coragem de contrariar pessoas e corporações habituadas à gratuidade indevida. E também pelo funcionamento das catracas eletrônicas, algumas vezes danificadas por vândalos inconformados.
No atual Governo, voltou-se, inexplicavelmente, ao obsoleto ingresso de papel, que impede o controle adequado do acesso aos espetáculos, além de ensejar maiores possibilidades de fraude.
Descontinuidade administrativa gera atraso e retrocesso.
Durante meu Governo, ele foi administrador do Castelão, tendo realizado trabalho austero, e implantado a Lei estadual 13.330, de 17 de julho de 2003, conhecida como lei da evasão de rendas.
Muitas pessoas entravam no estádio sem pagar ingressos. O anúncio da renda era saudado com estrepitosa vaia, tal a desproporção entre o número de assistentes e o valor anunciado.
A Lei veio para acabar com o abuso dos privilegiados, que ofendia o trabalhador, que se sacrificava para comprar seu ingresso.
O autor, à página 125 de seu livro acima citado, revela que após a Lei, a taxa de evasão caiu de 19,49% para 0,47%. Isto só foi possível com determinação e coragem de contrariar pessoas e corporações habituadas à gratuidade indevida. E também pelo funcionamento das catracas eletrônicas, algumas vezes danificadas por vândalos inconformados.
No atual Governo, voltou-se, inexplicavelmente, ao obsoleto ingresso de papel, que impede o controle adequado do acesso aos espetáculos, além de ensejar maiores possibilidades de fraude.
Descontinuidade administrativa gera atraso e retrocesso.
sábado, 13 de outubro de 2007
Grave
O Secretário de Segurança do Estado fez duas afirmações sérias através da imprensa.
Na primeira, disse que há boicote por parte de setores da polícia à sua administração.
Na segunda, afirmou que há grupos de extermínio na polícia.
As duas justificam plenamente sua ida à Assembléia Legislativa, para esclarecer os fatos que são de indiscutível gravidade.
Como se trata de pessoa comedida, é de se imaginar que disponha de elementos para confirmar suas declarações, ao tempo que deverá informar as medidas que está tomando para corrigir os problemas.
Sem isso, fica a impressão de manobra diversionista, para tirar do foco as graves ocorrências envolvendo a polícia, e jogar tudo na vala do esquecimento.
Fica o alerta à Assembléia Legislativa do Estado do Ceará.
Na primeira, disse que há boicote por parte de setores da polícia à sua administração.
Na segunda, afirmou que há grupos de extermínio na polícia.
As duas justificam plenamente sua ida à Assembléia Legislativa, para esclarecer os fatos que são de indiscutível gravidade.
Como se trata de pessoa comedida, é de se imaginar que disponha de elementos para confirmar suas declarações, ao tempo que deverá informar as medidas que está tomando para corrigir os problemas.
Sem isso, fica a impressão de manobra diversionista, para tirar do foco as graves ocorrências envolvendo a polícia, e jogar tudo na vala do esquecimento.
Fica o alerta à Assembléia Legislativa do Estado do Ceará.
Marilyn Monroe

A atriz Marilyn Monroe teve vida curta, agitada, e trágica. Não tem paz nem depois de morta.
A Receita Federal, alegando descumprimento da legislação de importações, reteve as fotografias que deverão integrar exposição a se realizar no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Por causa disso, a abertura da mostra foi adiada. São imagens colhidas pelo fotógrafo Bern Stern, semanas antes dela falecer, e que já foram expostas em museus de Paris e Nova York.
Os cariocas vão ter que esperar pela solução da controvérsia burocrática, antes de poderem apreciar as famosas fotos.
E eu, que sou fã confesso dela, nem assim vou ter este prazer...
A Receita Federal, alegando descumprimento da legislação de importações, reteve as fotografias que deverão integrar exposição a se realizar no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Por causa disso, a abertura da mostra foi adiada. São imagens colhidas pelo fotógrafo Bern Stern, semanas antes dela falecer, e que já foram expostas em museus de Paris e Nova York.
Os cariocas vão ter que esperar pela solução da controvérsia burocrática, antes de poderem apreciar as famosas fotos.
E eu, que sou fã confesso dela, nem assim vou ter este prazer...
Continuidade
Está se realizando no município cearense de Tauá e cidades vizinhas, o III Festival de Circo, Bonecos e Artes de Rua, uma das iniciativas do meu Governo, visando descentralizar as ações culturais e dar oportunidade às populações do interior de participarem de manifestações artísticas de qualidade.
Fico feliz de ver uma ação bem sucedida ter prosseguido.
É com continuidade administrativa que se promove o desenvolvimento.
Fico feliz de ver uma ação bem sucedida ter prosseguido.
É com continuidade administrativa que se promove o desenvolvimento.
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Exportação
Há programas de transferência direta de renda para os pobres, ao que saiba, em pelo menos três países, Chile, México e Brasil.
A cidade de Nova York, nos Estados Unidos, com base na experiência brasileira e mexicana, vai adotar a prática, beneficiando inicialmente 5.100 famílias, cujos pais receberão 25 dólares por mês, e igual quantia os filhos, se a freqüência às aulas atingir 95%.
A diferença do programa americano está na origem dos recursos. Lá, o dinheiro é privado. Sai da Fundação Rockfeller e do bolso do Prefeito, o milionário Bloomberg.
Depois de dois anos, se aprovado, o programa poderá ser custeado com recursos do Governo.
Que tal se os milionários brasileiros seguissem o exemplo?
A cidade de Nova York, nos Estados Unidos, com base na experiência brasileira e mexicana, vai adotar a prática, beneficiando inicialmente 5.100 famílias, cujos pais receberão 25 dólares por mês, e igual quantia os filhos, se a freqüência às aulas atingir 95%.
A diferença do programa americano está na origem dos recursos. Lá, o dinheiro é privado. Sai da Fundação Rockfeller e do bolso do Prefeito, o milionário Bloomberg.
Depois de dois anos, se aprovado, o programa poderá ser custeado com recursos do Governo.
Que tal se os milionários brasileiros seguissem o exemplo?
Biocombustíveis
Cresce no mundo a perspectiva de utilização de fontes de energia renováveis, que além de atenderem ao princípio da segurança energética, reduzem o impacto de lançamento de gás carbônico na atmosfera, abrindo caminho para o desenvolvimento econômico.
O Brasil tem amplas possibilidades nessa área. Terra disponível, tecnologia própria e dinamismo empresarial.
A produção de etanol, a partir da cana-de-açúcar, e de óleos combustíveis de origem vegetal nos coloca em vantajosa posição na produção de alternativas ao petróleo. O que poderia parecer unanimidade já suscita discordâncias dos que temem que a produção do álcool venha em detrimento dos alimentos, provocando o desmatamento de florestas e danos ao meio ambiente.
A Deputada Elisa Ferreira, do Parlamento Europeu, ex- ministra do meio ambiente de Portugal, em entrevista ao "O Estado de S. Paulo", edição de 7/10/07, diz que "o Brasil incomoda, no bom sentido", e que não tem cabimento a restrição ao álcool brasileiro sob o pretexto de defesa da amazônia.
Diz, também, que não há, por exemplo, uma preocupação de certificação do petróleo importado. Forças sociais, culturas enraizadas e lobbies bem plantados, podem comprometer o futuro promissor do agronegócio e frustrar nosso desenvolvimento com base na produção de bioenergéticos.
O que poderia parecer consensual, já preocupa, demandando forte ação política e diplomática, com um esforço de comunicação do Brasil em relação ao mundo.
O Brasil tem amplas possibilidades nessa área. Terra disponível, tecnologia própria e dinamismo empresarial.
A produção de etanol, a partir da cana-de-açúcar, e de óleos combustíveis de origem vegetal nos coloca em vantajosa posição na produção de alternativas ao petróleo. O que poderia parecer unanimidade já suscita discordâncias dos que temem que a produção do álcool venha em detrimento dos alimentos, provocando o desmatamento de florestas e danos ao meio ambiente.
A Deputada Elisa Ferreira, do Parlamento Europeu, ex- ministra do meio ambiente de Portugal, em entrevista ao "O Estado de S. Paulo", edição de 7/10/07, diz que "o Brasil incomoda, no bom sentido", e que não tem cabimento a restrição ao álcool brasileiro sob o pretexto de defesa da amazônia.
Diz, também, que não há, por exemplo, uma preocupação de certificação do petróleo importado. Forças sociais, culturas enraizadas e lobbies bem plantados, podem comprometer o futuro promissor do agronegócio e frustrar nosso desenvolvimento com base na produção de bioenergéticos.
O que poderia parecer consensual, já preocupa, demandando forte ação política e diplomática, com um esforço de comunicação do Brasil em relação ao mundo.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Queda
Manchete do jornal " O Estado", edição de 10/10/07: Ceará é o único com queda na produção industrial.
E continua: A pesquisa mensal do IBGE aponta o Estado como o único do País a apresentar perda da produção industrial no acumulado deste ano em relação à igual intervalo de 2006. No comparativo de agosto de 2007 com o mesmo mês do ano passado, a queda foi de 0,8%, o que posiciona o Ceará como o pior do País.
E continua: A pesquisa mensal do IBGE aponta o Estado como o único do País a apresentar perda da produção industrial no acumulado deste ano em relação à igual intervalo de 2006. No comparativo de agosto de 2007 com o mesmo mês do ano passado, a queda foi de 0,8%, o que posiciona o Ceará como o pior do País.
Denúncia
O deputado Ely Aguiar (PSDC) denunciou, da tribuna da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará, que não foram apenas fuzis roubados do Quartel do Comando Geral da Polícia Militar. À boca miúda, fala-se que também desapareceram pistolas e coletes.
A afirmação do Secretário de Segurança de que poderia estar sendo boicotado pela própria polícia, aliada à demissão inexplicada do Comandante da Polícia Militar, justificam uma convocação do Secretário para informar à sociedade sobre assuntos tão relevantes.
Onde estão os zelosos guardiães da Segurança no passado?
A afirmação do Secretário de Segurança de que poderia estar sendo boicotado pela própria polícia, aliada à demissão inexplicada do Comandante da Polícia Militar, justificam uma convocação do Secretário para informar à sociedade sobre assuntos tão relevantes.
Onde estão os zelosos guardiães da Segurança no passado?
Continuidade
O Governador do Estado do Ceará tem dado ordem de serviço para realização de obras de saneamento básico em vários municípios. As obras integram o Projeto Sanear II, financiado pelo BID, negociado, aprovado e contratado durante o meu Governo.
É com continuidade administrativa que se promove o desenvolvimento.
É com continuidade administrativa que se promove o desenvolvimento.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Livreiro

Ante uma livraria de pesadelo...
"A Oração do livreiro"
Te rogo Senhor, não me obrigues a entrar aí.
Te prometo que cuidarei de todos meus livros
E terão muito bom aspecto para meus clientes.
Te prometo cuidar de cada livro e de cada cliente
Como se fosse um dom teu.
Te rogo Senhor, não me obrigues a entrar aí.
Traduzido do espanhol por Lúcio Alcântara,
a partir do texto publicado em El bibliômano.
Minha homenagem ao grande livreiro Sérgio Braga, que nos suporta com santa paciência.
"A Oração do livreiro"
Te rogo Senhor, não me obrigues a entrar aí.
Te prometo que cuidarei de todos meus livros
E terão muito bom aspecto para meus clientes.
Te prometo cuidar de cada livro e de cada cliente
Como se fosse um dom teu.
Te rogo Senhor, não me obrigues a entrar aí.
Traduzido do espanhol por Lúcio Alcântara,
a partir do texto publicado em El bibliômano.
Minha homenagem ao grande livreiro Sérgio Braga, que nos suporta com santa paciência.
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Segurança
Desnorteado, o Governo assiste, perplexo, à explosão da violência. Descontrolada e sem apoio, a polícia morre e mata todos os dias.
Transplante


Isabelle Dinoire, a francesa que se tornou a primeira mulher no mundo a receber um transplante facial, acaba de publicar um livro no qual fala de sua experiência inédita.
Chama-se Le baiser d'Isabelle (O beijo de Isabel). Nele, descreve a vida com o rosto de outra mulher, que viria a descobrir, se suicidara. Diz ter aprendido novamente a comer e falar, mas não superou o maior desafio, beijar. Os médicos afirmaram não terem certeza que voltará a fazê-lo. Por enquanto, só beija as recordações.
Chama-se Le baiser d'Isabelle (O beijo de Isabel). Nele, descreve a vida com o rosto de outra mulher, que viria a descobrir, se suicidara. Diz ter aprendido novamente a comer e falar, mas não superou o maior desafio, beijar. Os médicos afirmaram não terem certeza que voltará a fazê-lo. Por enquanto, só beija as recordações.
Terceirizados x Concursados
Estupefato, li no jornal "O Povo" que o deputado Nelson Martins (PT) defende os terceirizados em detrimento dos concursados, sob o argumento de que os primeiros saem mais barato para o Estado. Incrível, mas verdadeiro.
Não há fisco eficiente sem sistema de informática eficaz. E isso se consegue com pessoal competente. Assim, criamos carreira específica para profissionais de informática, na Secretaria da Fazenda, onde realizamos concurso público para recrutar pessoal especializado, por ser esta uma área muito sensível.
O Governo não chama os aprovados em disputada e rigorosa seleção, preferindo contratar empresa fornecedora de mão- de- obra. A decisão é absurda, e ainda encontra quem a defenda...
Quando assumi o Governo, anunciei meu propósito de reduzir as terceirizações. Para isso, promovi muitos concursos públicos. Receio que neste caso, meu esforço tenha sido inútil.
Não há fisco eficiente sem sistema de informática eficaz. E isso se consegue com pessoal competente. Assim, criamos carreira específica para profissionais de informática, na Secretaria da Fazenda, onde realizamos concurso público para recrutar pessoal especializado, por ser esta uma área muito sensível.
O Governo não chama os aprovados em disputada e rigorosa seleção, preferindo contratar empresa fornecedora de mão- de- obra. A decisão é absurda, e ainda encontra quem a defenda...
Quando assumi o Governo, anunciei meu propósito de reduzir as terceirizações. Para isso, promovi muitos concursos públicos. Receio que neste caso, meu esforço tenha sido inútil.
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Timbuktu
É o nome da cidade perdida nas areias do Saara, que foi um florescente centro comercial e cultural entre os séculos 12 e 16. Hoje é apenas um punhado de casas baixas, decadentes, que faz parte do Mali, e é considerada patrimônio da humanidade pela Unesco.
Ismaël Haïdara na biblioteca de sua família, iniciada por
ancestrais que fugiram da perseguição religiosa na Espanha
no século 15. (Foto: Candace Feit/The New York Times)

Do período áureo, quando abrigava até uma universidade, e fazia parte de uma importante rota comercial, acolheu árabes expulsos da Espanha, restou importante coleção de livros antigos guardados em baús de couro e armários empoeirados, arriscados a se desfazerem fragilizados pelo tempo.
Para preservar este rico acervo, a África do Sul e outros países e instituições culturais se mobilizam para acondicioná-lo adequadamente, ao mesmo tempo disponibilizar o acesso a pesquisadores interessados.
Queremos uma Alexandria da África negra. É a chance de reconquistarmos o lugar que merecemos na história, diz Mohamed Dicko, Diretor da Biblioteca Ahmed Baba, de Timbuktu.
Saiba mais na Folha de S. Paulo, edição de 12/08/07.
Ismaël Haïdara na biblioteca de sua família, iniciada por
ancestrais que fugiram da perseguição religiosa na Espanha
no século 15. (Foto: Candace Feit/The New York Times)

Do período áureo, quando abrigava até uma universidade, e fazia parte de uma importante rota comercial, acolheu árabes expulsos da Espanha, restou importante coleção de livros antigos guardados em baús de couro e armários empoeirados, arriscados a se desfazerem fragilizados pelo tempo.
Para preservar este rico acervo, a África do Sul e outros países e instituições culturais se mobilizam para acondicioná-lo adequadamente, ao mesmo tempo disponibilizar o acesso a pesquisadores interessados.
Queremos uma Alexandria da África negra. É a chance de reconquistarmos o lugar que merecemos na história, diz Mohamed Dicko, Diretor da Biblioteca Ahmed Baba, de Timbuktu.
Saiba mais na Folha de S. Paulo, edição de 12/08/07.
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