quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Em defesa do Estado

Artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, em 30/09/09.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Livros

Em 2004, o Governo Federal concedeu isenção do PIS/Cofins para o setor editorial, uma desoneração de 10% para a área, que corresponde a cerca de R$ 300 milhões de renúncia de receita.

A contrapartida assumida à época pelos editores foi de que as empresas contribuiriam com 1% do faturamento anual para o Fundo Pró-Leitura, que financiaria atividades destinadas a incentivar o hábito de ler.

Estimava-se que o Fundo arrecadaria cerca de R$ 60 milhões anuais, o que não veio a ocorrer, além do que os livros não teriam baixado de preço. R$ 6 milhões é tudo que o Fundo tem em caixa.

O descumprimento do acordo induziu setores do Governo ligados ao Ministério da Cultura, a propor a criação de um imposto, ou melhor, de uma contribuição, que seria a Cide do livro. A ideia não agrada a área técnica do Ministério da Fazenda.

Empresários ligados à indústria do livro argumentam que outros setores foram beneficiados com isenções fiscais sem se obrigarem a contrapartidas. O Governo, por seu lado, ameaça com o retorno da cobrança do PIS/Cofins.

O deputado Marcelo Almeida (PMDB-PR), presidente da Frente Parlamentar Mista da Leitura, teria conseguido um acordo de tal forma que o imposto, ou contribuição, como preferem chamar o novo tributo, seria cobrado da seguinte forma: 0,33% para os editores, 0,33% para os livreiros e 0,33% para os distribuidores. A receita anual está estimada em R$ 40 milhões.

O entendimento envolve ainda a isenção em caráter definitivo do PIS/Cofins para o setor. A proposta, apoiada pelo Ministério da Cultura, está sob análise na Fazenda, que tem restrições ao plano.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edições de 22 e 29/08/09 e 17/09/09.

Refis III

A legislação prevê a figura da remissão de dívidas para com o fisco. A medida é de natureza excepcional, só justificada em situações especiais, geralmente abrangendo débitos de pequena monta.

Nunca, em respeito ao tratamento isonômico, para premiar pagadores impontuais, alguns caloteiros, em detrimento dos cumpridores de suas obrigações fiscais e financeiras.

A lei de responsabilidade fiscal em seu artigo 14, estabelece critérios a serem observados sempre que houver renúncia de receita, como é o caso presente.

A proposição submetida pelo Governo ao crivo do legislativo cearense, desrespeita frontalmente a lei e desobedece os princípios de rigor fiscal, que devem nortear a ação do administrador público.

O projeto carece de fundamento legal e moral. Os deputados devem se debruçar sobre ele com a cautela e acuidade que a relevância do assunto exige, e suscitar a necessidade de exame prévio por parte do Tribunal de Contas do Estado.

Saiba mais nos jornais Diário do Nordeste, edições de 28/08, 03/09 e 18/09, e O Estado, edição de 22/09/09.

Refis II

Sem constar da ementa, o que é estranho, o projeto de lei que institui o Programa de Refinanciamento de Impostos Devidos trata das dívidas contraídas juntos ao BEC, o Banco do Estado do Ceará, concedendo remissão ou grande abatimento aos inadimplentes.

A proposição prevê a remissão, isto é, o perdão, a extinção de dívidas iguais ou inferiores à R$10.000,00, e a redução de 60% do total da dívida atualizada, passível de parcelamento em 3, 15 ou 45 vezes.

Quando governador, decidi enfrentar o problema do BEC, que se arrastava há anos, após sua federalização, impondo ao Estado uma contínua sangria financeira, decorrente de vultosa dívida contraida junto à União para saneá-lo.

Como o Governo Federal, instado por mim e por parlamentares do partido do governo, se recusasse sistematicamente a absorvê-lo em uma das instituições financeiras por ele controladas, só restava o caminho da venda do Banco para liquidar a dívida.

Além do preço obtido em leilão, o Estado recebeu ainda da União R$ 60.000.000,00, a título de indenização pela conta dos servidores, vinculada ao comprador, fato inédito nas alienações semelhantes realizadas anteriormente.

A carteira de devedores do Banco continuou com o Estado, que deveria diligenciar para o recebimento das importâncias devidas.

Os críticos da operação se dividiram entre os que temiam perder o emprego, os desinformados, e os levianos, que sabedores da verdade, agiam de má fé, caluniando e difamando.

Esses últimos chegavam a dizer que o tratamento dispensado ao BEC, desde a intervenção federal, tinha por objetivo o esquecimento das dívidas dos amigos do poder. Falavam abertamente em queima de arquivo, alguns políticos e jornalistas.

O dep. Nelson Martins, bancário de profissão, foi um dos que propagaram a versão, apesar de recebido por mim, sempre que solicitava, e conhecer todos os fatos relacionados ao tema.

Como integrante da bancada do Governo e seu lider, gostaria de saber como o deputado irá se manifestar, agora que o governador do Ceará propõe perdoar e/ou abater dívidas em até 60% do total, independentemente do valor, dividido em módicas prestações.

Não seria essa a queima de arquivo anunciada por ele? Quem ganha com essa dadivosa oferta do Governo?

O Governo dá o que não lhe pertence. Faz cortesia com o chapéu alheio. Aliás, do povo.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Refis

Nos dias que antecederam o envio à Assembleia Legislativa do Estado do Ceará do projeto de lei que institui o Programa de Refinanciamento de Impostos Devidos, o Refis 2009, o governador e o secretário da Fazenda fizeram declarações à imprensa dizendo-se contra a medida, mas... iriam adotá-la.

Para amenizar o que soava como uma constrangida rendição, informavam que a proposta teria características diferentes das anteriores,voltada para os pequenos contribuintes inadimplentes, alcançaria os devedores do BEC, o Banco do Estado do Ceará, e seria imprescindível em razão da crise econômica que, diga-se de passagem, jamais admitiram ter atingido o Ceará.

Redução pelo Governo de dívidas de contribuintes em atraso com o fisco, é sempre passível de críticas por parte de pagadores regulares, que se julgam penalizados pela pontualidade no cumprimento de suas obrigações fiscais.

O texto do projeto de lei, em exame no legislativo, explica os receios do governador e seu secretário. É que nunca o Executivo estadual foi tão liberal, generoso mesmo, em iniciativas semelhantes no passado. Além da anistia, que é a dispensa de acessórios (juros e multas), o projeto prevê a remissão, isto é, o perdão, a extinção da dívida.

O artigo 2º do projeto estabelece que estão remidas todas as dívidas decorrentes de fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 1994. Independentemente de seu valor, ressalto. Os limites de R$10.000,00 e R$5.000,00 só prevalecem para débitos constituídos entre 1º de janeiro de 1995 e 31 de dezembro de 2006.

A liberalidade com que está sendo tratada a dívida fiscal não tem precedente na história recente do Estado do Ceará.

domingo, 27 de setembro de 2009

Jornalistas

Pesquisa revelou que quase dois terços dos americanos desconfiam das notícias divulgadas por jornalistas.

É o pior índice de credibilidade desde 1985, quando o Pew Research Center começou a fazer a pesquisa.

Entre as estatísticas sombrias, o estudo revela que 74% das 1.506 pessoas ouvidas acreditam que a mídia noticia fatos de cunho social ou político de forma preconceituosa.

Na continuação da curva descendente, a receita dos jornais americanos caiu 29% na primeira metade do ano.

O advento da internet promoveu a descentralização da notícia, quebrou o monopólio da imprensa tradicional. Gerou uma crise de identidade no jornalismo.

A nova mídia atingiu uma indústria da comunicação já em crise, pela perda de convicção da sua singularidade, como afirma a jornalista Lúcia Guimarães.

A verdadeira liberdade de imprensa chegou junto com a internet, no bojo da democratização da informação. Mas a perda de credibilidade jornalística decorre, em parte, do fato de todos falarem ao mesmo tempo.

Se, como quer a jornalista já citada, a rede instituiu uma nova hierarquia de notícias, o blog caseiro foi percebido como uma reação bolchevista para fazer justiça ao tzarismo do jornalista tradicional.

A incerteza sobre a descentralização da notícia embala a desconfiança do público na mídia jornalística.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 21/09/09.

G-20

A reunião dos países que integram o G-20, em Pittsburgh, pode ter iniciado uma nova era na coordenação da economia mundial.

Pelo que foi relatado do encontro, o grupo foi institucionalizado, passando a substituto do G-8 como fórum de discussão das políticas econômicas mundiais.

Admitindo que o pior da crise parece ter passado, os líderes assumiram o compromisso de:
- manter as medidas de estímulo à economia
- agir para garantir a volta dos empregos
- reforçar a regulamentação do sistema financeiro internacional para evitar novas crises no futuro.

Comprometeram-se, ainda, a instruir seus ministros da Fazenda a preparar estratégias de saída para, no momento certo, coordenarem o fim dos pacotes de modo a não afetar o crescimento mundial.

As maiores instituições financeiras ficarão sob vigilância, e a remuneração dos executivos ficará ligada ao desempenho. Parte do poder dos europeus no FMI e Banco Mundial será transferida aos países emergentes, em 5% e 3% respectivamente.

O grupo tornará a se reunir no Canadá, em junho de 2010, e na Coreia, em novembro do mesmo ano.

A tarefa atribuída ao G-20 vai exigir, para que seja eficaz, maior esforço de articulação entre seus membros e absorção do papel mais relevante que os emergentes conquistaram.

Saiba mais no jornal O Globo, edição de 26/09/09.

A frase do dia

Ler é a melhor forma de escutar.

Daniel Piza

sábado, 26 de setembro de 2009

Leminski

Paulo Leminski, poeta, compositor, tradutor, professor de cursinho e publicitário, foi no dizer do jornalista Jotabê Medeiros, um erudito boêmio.

Filho de pai polonês e mãe negra, é autor de Catatau, o texto revolucionário que lembra o Finnegan's Wake de Joyce.

Junto com Dalton Trevisan, é o escritor paranaense mais conhecido, embora não exista nenhum centro ou instituição dedicada à sua memória, à guarda e conservação de sua obra. Tudo que há é um esforço da família para organizar e divulgar sua produção, conhecida e inédita. A tarefa aguarda financiamento.

A obra múltipla do autor, é o foco da mostra Ocupação Paulo Leminski: Vinte Anos em Outras Esferas, a ter lugar no Itaú Cultural, de 01/10 a 08/11.

Teve um fim melancólico, isolado até dos antigos amigos, alcoólatra, despediu-se do mundo aos 44 anos. Em um bilhete falou do desapego à vida: Nunca estive muito interessado em envelhecer, eu que sempre amei a juventude.

Nas caixas, guardadas por Áurea Leminski, filha do poeta, contendo cadernos, folhas soltas, fotografias, livros, recortes de jornal, é possível garimpar inéditos como os dois poemas reproduzidos abaixo.

feliz macaco do passeio público
nas tardes de domingo
os guris jogam pipocas
a mão dos homens
pinga esmolas
na pata dos mendigos


morrer
como uma barca
morrer
entre meus livros
lendo
como Petrarca
escrevendo
como Flaubert
afundar entre meus livros
como quem afunda numa mulher


Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 25/09/09.

Senado

Pesquisa realizada pelo Instituto Análise junto à população sobre o Senado Federal, revelou que a maioria das pessoas é favorável à sua existência.

52% dos consultados defendem a continuação do Senado, 35% sua extinção e 13% não sabem/não responderam.

O resultado surpreende, uma vez que a sondagem foi feita em meio à revelação de numerosas irregularidades envolvendo funcionários e senadores.

Serve também para desarmar os apressados, que a pretexto de punir culpados pregavam a extinção do Senado. É como se quisessem punir o adultério removendo o sofá da sala.

A consulta demonstra que a maior parte das pessoas separa os senadores, cujo comportamento tem sido deplorável, da instituição.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 21/09/09.

Crise

O pânico passou, mas não a crise; ela está pior que há um ano.

Jeffrey Sachs
Economista e diretor do Earth Institute da Universidade Columbia

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Refinaria

A refinaria de petróleo a ser construída no Ceará está sendo reavaliada. O próprio presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, é quem dá a informação evitando se comprometer com prazos para construção e início da operação.

A empresa continua a mesma, esquiva e escorregadia, a não ser quando seus interesses imediatos estão em jogo.

Aliás, será que já pagou a dívida contraída com o governo do Estado? Se o fez, quais foram, afinal, as condições para ressarcir o dinheiro do povo cearense?

Saiba mais em O Povo, edição de 23/09/09, na matéria Petrobrás reavalia projeto da refinaria cearense, e no Diário do Nordeste, edição de 23/09/09, no texto Refinaria não é mais garantida para 2013.

Big Mac x Billy

O poder de compra do consumidor é medido em todo mundo pelo preço de um hamburguer padrão. O lendário índice foi instituído pela jornalista Pam Woodall, da revista The Economist, em 1986.

O Big Mac faz de Hong Kong uma das cidades mais baratas do mundo. Lá, o sanduíche custa U$ 1,75; em Oslo, a mais cara, U$ 6,15.

Agora, a jornalista Kristian Siedenburg, da agência Bloomberg, desenvolveu um novo índice que permite interessantes comparações. A IKEA, multinacional sueca, tida como a McDonald's da indústria do mobiliário, produz uma estante padrão, popular, em 38 países. Conhecida como Billy, a estante seria uma opção para efeito de calcular o poder de compra.

Ela é mais barata em Dubai, com preço de U$ 47,64, mais cara em Israel, onde custa U$ 103,48. O preço médio no mundo alcança U$ 60,15. Ninguém analisou o significado das diferenças e o porque das variações de preços.

A Billy, usada em conjunto com o Big Mac, pode ser um instrumento útil para calcular a solidez financeira de moedas ao redor do mundo.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 19/09/09.

PIB

Pela primeira vez este ano o mercado admite que o PIB do Brasil não será negativo.

No auge do pessimismo, a previsão chegou a ser de 0,73 negativo. Na pesquisa Focus, do Banco Central, a tendência de melhora do PIB se confirmou no levantamento de 18 de setembro. Agora, a expectativa é de que o resultado final passe de 0,15 negativo para estabilidade.

O resultado aponta para o fim da crise, embora ainda haja muita incerteza quanto ao futuro. A nível mundial, a preocupação gira em torno da forma, e do momento, de retirar os pesados subsídios injetados pelos governos no setor privado, sem que haja uma uma recaída da crise.

Seria um dilema parecido com o do médico que precisa decidir sobre a hora de retirar o respirador artificial de um doente grave, em recuperação, internado em uma UTI.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 22/09/09.

Poesia

Perguntas de um Trabalhador que Lê

Bertolt Brecht

Quem construiu a Tebas de sete portas
Nos livros estão nomes de reis.
Arrastaram eles os blocos de pedra?
E a Babilônia várias vezes destruida -
Quem a reconstruiu tantas vezes? Em que casas
Da Lima dourada moravam os construtores
Para onde foram os pedreiros, na noite em que
a Muralha da China ficou pronta?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A decantada Bizâncio
Tinha sòmente palácios para seus habitantes? Mesmo
na lendária Atlântida.
Os que se afogavam gritaram por seus escravos
Na noite em que o mar a tragou.

O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Sozinho?
César bateu os gauleses.
Não levava sequer um cozinheiro?
Filipe da Espanha chorou, quando sua Armada
Naufragou. Ninguém mais chorou?
Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?

Cada página uma vitória.
Quem cozinhava o banquete?
A cada dez anos um grande homem.
Quem pagava a conta?

Tantas histórias.
Tantas questões.

Tradução de Paulo César Sousa

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Sucesso


Dan Brown lança, depois do enorme sucesso de O Código Da Vinci, novo livro The Lost Symbol, com previsão de edição brasileira, pela Sextante, em dezembro deste ano.

O livro inova pelo fato de ter sido lançado simultaneamente nas versões em papel e eletrônica. Normalmente o formato eletrônico surge algum tempo após o tradicional.

O Código Da Vinci vendeu 80 milhões de cópias em todo mundo. E Lost Symbol, no primeiro dia de lançado atingiu a marca de 1 milhão. Na Amazon, o novo título ocupa o topo da lista nas duas formas.

Outra novidade em relação à obra de Brown, é que a versão eletrônica, o e-book, que só pode ser lido no e-reader, o Kindle, vende mais que o formato em papel.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 21/09/09.

Sinal Trocado

O deputado Ciro Gomes em entrevista concedida à TV Bandeirantes, ao abordar a questão da segurança, afirmou que no Ceará a violência havia sido reduzida em 34%.

Equivocou-se. Trocou de sinal.

O jornal Diário do Nordeste, edição de 24/08/09, estampou na primeira página a seguinte manchete:

Criminalidade na grande Fortaleza
Assassinatos aumentam 33%

De janeiro a julho, foram registrados, nada menos que 768 crimes de homícidio, contra 577 em igual período de 2008

Os dados, que podem ser conferidos no site da Secretaria de Segurança, revelam a contínua escalada da violência entre nós.

Cariri


Semana passada demorei-me no Cariri, entre Juazeiro do Norte e Crato, por três dias.

Além dos muitos contatos políticos que tive ocasião de fazer, revi amigos e concedi muitas entrevistas a emissoras de rádio e televisão.

Por toda parte a mesma insatisfação com as manobras que buscam descartar a competição política e asfixiar o debate democrático.

No Instituto Cultural do Cariri lancei a última série de oito títulos de obras raras sobre o Ceará, reeditadas pela Fundação Waldemar Alcântara (FWA), que integram a Biblioteca Básica Cearense.

Entre eles está o Cariri, de autoria do médico e intelectual caririense Irineu Pinheiro. Foram doadas coleções para bibliotecas das duas cidades.

Na mesma ocasião, foi firmado convênio entre a FWA e a Diocese do Crato para seleção e digitalização de documentos inéditos relacionados ao Padre Cícero, para posterior publicação.

Recebi, então, a comunicação de que havia sido escolhido para integrar o quadro daquele Instituto, na condição de membro titular, na seção de ciências, ocupando a cadeira que tem como patrono meu pai Waldemar Alcântara.

Visitei o distrito de Ponta da Serra, no Crato, quando conheci um interessante projeto, o Verde Vida, voltado para a educação formal, música, televisão, cinema e teatro de crianças e adolescentes.

A iniciativa tem o apoio de católicos alemães e já ganhou alguns editais de instituições nacionais para financiamento de projetos especiais em desenvolvimento.

No momento, está em fase final de conclusão moderna padaria, cujo prédio lembra a arquitetura alemã em enxaimel, com inauguração prevista para breve.

Mestres alemães capacitam a mão-de-obra local, tendo tido a oportunidade de provar, durante a visita, produtos da excelente pastelaria alemã made in Ponta da Serra.

Para quem quiser saber mais sobre essa viagem ao Cariri, recomendo acessar o Blog do Crato, que traz bom texto e boas fotos de Wilson Bernardo.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Trem do Cariri


O jornal O Estado de S. Paulo, edição de 20/09/09, traz matéria com o título Trem do Cariri não tem onde parar, assinada pela jornalista Carmen Pompeu.

Ao historiar a origem e desenvolvimento do projeto, bem assim o início das obras da via férrea e a fabricação os trens, a jornalista remete ao meu Governo, que foi quando tudo começou, sob a coordenação e acompanhamento do secretário Luis Eduardo Barbosa de Morais e seu imediato, Rômulo Fortes, hoje presidente do Metrofor.

O atual Governo do Ceará mudou o nome de Trem para Metrô do Cariri, e a cor dos comboios de amarelo para verde. Esse é apenas um dos muitos projetos que datam do meu Governo e que tiveram os nomes trocados para parecer coisa nova.

Quanto à demora para que os trens comecem a circular é preciso que se diga que no atual Governo a obra esteve parada por muitos meses.

Conclusão


De Saul Galvão, crítico de gastronomia e enólogo, morto recentemente:


Superego sabe nadar. Se você está triste, bebe e fica mais triste. Se está feliz, bebe e fica mais feliz.

Perda


Aos 87 anos, faleceu em Brasília, no último domingo, 20 de setembro, Paulo Cabral de Araújo.

Filho de Guaiuba, no Ceará, projetou-se cedo no rádio, conduzindo programas populares de grande repercussão na Ceará Rádio Clube, a PRE-9.

Do microfone da emissora saltou para a Prefeitura de Fortaleza, a que concorreu inscrito na UDN. Foi pioneiro em abrir caminho para a política através do rádio. Creio que data de sua administração a nova usina que supriu Fortaleza de energia elétrica.

Depois foi deputado estadual, penso que por um único mandato.

Seguiu carreira no jornalismo ascendendo a elevadas posições nos Diários Associados, que dirigiu por largo tempo em Minas Gerais e depois Brasília. Com a morte de Assis Chateaubriand, presidiu o condomínio que administra a organização associada, da qual se afastou há poucos anos.

Exerceu a presidência da Associação Nacional de Jornais (ANJ), no período 1994-2000, tendo sido ainda secretário-geral do ministério da Justiça, no governo de Ernesto Geisel (1974-1979).

Meu pai e ele foram amigos, apesar de militarem em partidos distintos, e eu fui colega de seu filho Paulinho, sendo que juntos recebemos o diploma de doutores do ABC.

Muitos anos depois meu pai adquiriu a casa onde morara, aqui em Fortaleza, à avenida Sargento Hermínio, em Monte Castelo, onde vim a residir depois de casado. Guardo a lembrança da casa com a ampla varanda e um gramado verde onde sobressaia uma enorme castanholeira.

Colada ao muro estava a igreja do Senhor do Bonfim, que me permitia, assim quisesse, assistir à missa sem precisar sair de casa. O templo mais tarde transferiu-se para um prédio moderno e a bucólica igrejinha remanescente foi destruída, após criminosa conversão em oficina de carros.

Mídia

Em matéria sobre o conflito gerado entre o Governo e a imprensa argentina, em razão da polêmica proposta de lei para a comunicação social que tramita no parlamento, O Estado de S. Paulo, edição de 20/09/09, traz curiosa afirmação atribuída à Peron.

Segundo a notícia, em 1974, pouco antes de morrer, ele teria dito:

Fui deposto quando tinha todos os meios de comunicação a meu favor. E ganhei as eleições quando os tinha todos contra mim.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A frase do dia

O pessimista é alguém que confunde não ter crenças com acreditar na descrença.
Daniel Piza

sábado, 19 de setembro de 2009

Poe II

Para que tenham uma noção dos riscos e opções labirínticas das traduções, transcrevo aqui extrato do poema original e das versões oferecidas por Machado de Assis e Fernando Pessoa.

The Raven
Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
"Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door -
Only this, and nothing more".

O Corvo
Em certo dia, à hora, à hora
Da meia noite que apavora,
Eu caindo de sono e exusto de fadiga´
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho
E disse essas palavras tais:
"É alguem que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais".

Tradução de Machado de Assis (1883)


O Corvo
Numa meia noite agreste, quando eu
lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências
ancestrais
E já quase adormecia, ouvi o que
parecia
O som de alguém que batia levemente aos meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo
a meus umbrais.
É só isto e nada mais"

Tradução de Fernando Pessoa (1924)

Poe

Edgar Allan Poe, poeta, romancista, crítico literário e dramaturgo americano, cujo bicentenário de nascimento decorre este ano, foi figura importante do romantismo, tendo sido precursor do romance fantástico e da ficção científica, sobretudo do primeiro, ambos popularizados nos dois séculos seguintes.

Órfão cedo, de pai e mãe, Poe teve um início de vida sombrio, até ser adotado por uma família abastada, que o batizou com o nome que se tornaria famoso, a qual lhe propiciou esmerada educação.

Incursões no jornalismo e na crítica literária, esta feita em estilo muito próprio, que lhe dá alguma popularidade, não lhe garantem sucesso para As Aventuras de Arthur Gordon Pym, primeira obra completa em prosa.

Sistematicamente, Poe via seus trabalhos serem recusados pelos editores e outros levados à concursos não obterem qualquer prêmio. O reconhecimento, dentro de um círculo restrito, viria com Manuscrito Encontrado Numa Garrafa, que lhe valeu o prêmio do Baltimore Saturday Visit.

Entre sucessos efêmeros e desilusões, só é reconhecido em 1845, quando o jornal Evening Mirror publica o poema de sua autoria O Corvo, logo transcrito por vários jornais.

Até falecer, aos 40 anos, consumido por uma saúde precária, agravada pelo alcoolismo, alimentou polêmicas com grandes nomes das letras, da política e do jornalismo.