quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Poesia I

Sou restos de um menino que passou
Sou rastos erradios num caminho
Que não segue, nem volta, que circunda
A escuridão como os braços de um moinho.

Paulo Mendes Campos



Lupi

Lupi pode ter ganho uma sobrevida à frente do ministério do trabalho. Pelo noticiário a presidente Dilma, mesmo insatisfeita com o comportamento atabalhoado do ministro, teria decidido dar-lhe uma chance. Sabe-se lá porque.

No PDT correligionários muito próximos ja insinuam sua saída sob o argumento de resguardarem a imagem do partido imolado na imprensa graças às travessuras do ministro.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Emendas

A angústia do governo para aprovar a DRU (Desvinculação de Receitas da União), essencial ao equilíbrio de suas contas, pagou alto preço.

Além da liberação urgente das emendas parlamentares o relator do orçamento de 2012 aumentou em R$ 2 milhões o valor das emendas a que tem direito cada parlamentar. Cada um disporá de 15 milhões no próximo ano.

Em São Paulo, o jornal O Estado de S. Paulo tem publicado uma série de matérias mostrando irregularidades e desvios na aplicação de recursos oriundos de emendas dos parlamentares estaduais. É um escândalo!

Já aqui...

Europa

Na Europa os governos caem como pedras de dominó. Sucessivamente cairam os governos da Irlanda, Portugal, Eslováquia, Grécia, Itália. O da Espanha só espera o dia da eleição, que está próximo.

Políticos são substituidos por técnicos à frente dos governos. Foi o que aconteceu na Grécia e na Itália. Não por coincidencia os dois com carreiras no mundo das finanças internacionais.

Assombrados com o tamanho da crise os partidos políticos encontram um mínimo de consenso para aplicação das duras normas impostas pelas instituições financeiras internacionais aos paises hiper endividados.

Enquanto isso há especulações sobre a formação de um núcleo duro de países, Alemanha, França, Áustria e Holanda, que manteriam o euro como moeda comum, ficando os demais fora da união monetária.

A notícia foi desmentida. José Manuel Durão Barroso, português, presidente da Comissão da União Europeia, atacou a proposta duramente mostrando o quanto a Alemanha se beneficiou da integração dos paises europeus e as perdas que teria em caso de fracionamento da união.

O remédio para a crise, que é econômica, mas também política, é mais, e não menos, Europa. Não é possível uma moeda única com políticas econômicas e financeiras nacionais diferentes.

O desafio é como estabelecer uma política econômica unificada preservando o que restar de autonomia nacional. O projeto europeu enfrenta seu maior desafio. Ou se consolida em definitivo ou se desfaz de vez. 

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

SAÚDE - Algo saiu muito errado

Comecemos por desejar toda sorte do mundo ao ex-presidente Lula. Quem já passou por essa doença desgraçada sabe como o momento é difícil, mesmo paras os mais fortes. A pessoa precisa se concentrar no tratamento, entender que essa é sua prioridade, mas também não pode ficar inteiramente nisso. Precisa tocar a vida no tempo possível. Lula começou bem, naquele seu estilo positivo. Força! 
Não vamos, portanto, personalizar a questão. É errado fazer isso. Mas há na praça um tema político, social e econômico, do qual já tratamos algumas vezes nesta coluna, e que merece a atenção de todos.
Vamos falar francamente: em um país que mantém um sistema público de saúde, universal, administrado diretamente pelo governo, é no mínimo embaraçoso que as autoridades da República, sem exceção, busquem tratamento na rede privada. 
Não há crime, não é ilegal nem anti-ético em muitos casos - como das autoridades que pagam seus próprios planos de saúde. Mas há situações mais complexas. O Congresso Nacional fornece assistência médica praticamente irrestrita a deputados e senadores e, em muitos casos, a seus familiares. Parlamentares são tratados nos melhores hospitais privados, não raro no exterior, tudo por conta da casa - quer dizer, dos contribuintes. 
Funcionários do Legislativo federal têm planos de saúde, como muitos outros colegas. O pessoal do Ministério da Saúde também não se trata no SUS, mas na rede provida por um convênio particular. Militares vão aos hospitais das Forças Armadas. 
Resumindo: autoridades e funcionários de um determinado escalão para cima não vão ao SUS. Cuidam-se (e de seus familiares) nas redes privadas, com pagamento total ou subsídio do setor público. De novo, não é ilegal. 
O sistema de saúde definido na Constituição brasileira é misto. O básico é o público, universal e gratuito, baseado no princípio: saúde é direito do cidadão e dever do Estado. Subsidiariamente, os constituintes admitiram um sistema privado, como acessório. E foi por pouco.
Havia um forte viés estatizante entre os constituintes de 88. A tendência era de se eliminar o sistema privado, de tal modo que todos hospitais e clínicas passariam ao controle público. Depois, diante do óbvio exagero dessa proposta - e de seu custo, pois seria preciso pagar indenizações para estatizar - passou-se a admitir que a rede privada então existente poderia continuar, mas sem expansão. Após muita negociação saiu o texto que consagra o SUS, mas aceita um sistema privado acessório e, de algum modo, controlado e supervisionado pelo Estado. 
Hoje, esse sistema "acessório" atende quase 50 milhões de brasileiros, na maioria por meio dos planos e seguros de saúde. Mais do que isso. Como demonstram pesquisas feitas com as novas classes médias, um dos sonhos dessas famílias emergentes é justamente poder pagar o plano de saúde para escapar do SUS. (E também uma escola particular). 
Portanto, sem esse sistema privado, a saúde brasileira simplesmente entraria em colapso, milhões de pessoas seriam prejudicadas. Logo, esse "acessório" deveria ser tratado como essencial. E entretanto, as autoridades reguladoras nos governos Lula e Dilma mantém uma atitude, digamos, de bronca pesada com o setor privado. Para resumir: controlam o preço das mensalidades (das operadoras - planos e seguradoras) e exigem a prestação de cada vez mais serviços limitam a receita e impõem ampliação do atendimento, ou seja, dos gastos.

É como se esse sistema privado tivesse que ser punido. Por que? Ora, porque é a demonstração concreta dos fracassos do SUS. O pretexto, como sempre, é que o sistema precisa de regulação e que os consumidores (pacientes) devem ser protegidos da sanha de lucro das companhias privadas. 

Mas o que conseguem? Uma piora do serviço nos planos e seguros mais acessíveis às classes médias e o encarecimento brutal daqueles que dão direito à medicina fornecida por hospitais como o Sírio. 
Assim, quem pode ser curado nos hospitais de ponta? Os muito ricos, que pagam diretamente as famílias de renda alta, que podem pagar planos e seguros de ponta empregados de boas companhias privadas que pagam parte das mensalidades autoridades, funcionários públicos de escalão elevado e políticos lá de cima, financiados pelos órgãos públicos, ou seja, pelos contribuintes. 
Classes médias já vão para os hospitais de segundo nível. E o povão vai para as filas do SUS, para ser tratado com equipamentos e medicamentos inferiores. 
Algo saiu errado, pois há sistemas públicos de saúde que funcionam melhor que o brasileiro, a custos proporcionais. E há sistemas privados mais baratos e mais acessíveis que os nossos. 

(Carlos Alberto Sardenberg)
* Fonte: O Estado de S. Paulo - 7 de novembro de 2011

De volta para o futuro - Lee Siegel

Às vezes você sai de casa e tropeça numa metáfora. Foi o que ocorreu outro dia no meu exame médico anual. Primeiro, porém, preciso lhes falar do meu médico, vamos chamá-lo de Doutor X.

O Doutor X costuma dizer que gostaria de ser escritor. Isso se deve, talvez, ao fato de que, como muitos de seus colegas, ele sente que perdeu sua autoridade para empresas de assistência médica burocráticas e processos judiciais onerosos. Os escritores, por sua vez, não precisam preencher 20 formulários para cada peça que publicam, e raramente são processados. E, enquanto as pessoas se sentirem indispostas por alguns minutos a cada dia, os escritores serão lidos. Mesmo que logo esquecido, ser lido confere uma migalha de autoridade.

De minha parte, eu cobiço a vida do Doutor X. Ele é calmo, responsável, senhor de si, e um curandeiro talentoso. E tem mais, ele é rico. Como gastroenterologista, ele realiza, assim me disseram, aproximadamente 20 colonoscopias por semana a US$ 1.500 cada uma. Se eu recebesse meros US$ 10 a cada vez que me deparei, socialmente, com essa parte particular da anatomia, o New York Times recorreria a mim e não a Carlos Slim na próxima vez que precisasse tomar US$ 250 milhões emprestados.

O tipo de escritor a que o Doutor X aspira ser, em suas breves fantasias vicárias, é o comentarista político. E assim, durante o exame da minha próstata - não, não é esta a metáfora, não ainda - ele trouxe à baila o tema da economia americana. Não dá para ficar empurrando com a barriga, disse ele sobre a dívida nacional. Não há vontade política para mudar isso, tampouco, ele prosseguiu. Há apenas resistência absoluta de um lado, e equívoco absoluto do outro. A situação, concluiu, enquanto terminava, arrancando sua luva de látex, é desesperadora. Não se preocupe, ele disse, dando-me um tapinha nas costas enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas, 'eu não me referia a você'.

O exame prosseguiu e a conversa enveredou para outros países, outras economias. Então eu lhe contei - me gabei, se querem saber a verdade - que acabava de ser contratado por este jornal para escrever uma coluna quinzenal. Ele parou e me fitou, os olhos bem abertos. "Brasil!", exclamou. É um lugar notável, disse. Poderoso e crescendo, cheio de esperança e promessa. Sorriu para mim e se despediu com um aperto de mão.

Você chega ao outro lado dos 50 e suas visitas anuais ao médico mudam. Há mais temores, mais medicações, mais exames. O médico já não lhe pergunta como vão seus pais. Pergunta como eles morreram. O prazer de viver começa lentamente a se fundir no negócio de permanecer vivo. Civilizações são assim, também. Enquanto eu crescia, o Brasil era a forma empolgante do que estava por vir. Brasília começou a subir em seu planalto quase na mesma época em que nasci. São Paulo estava se transformando quando eu frequentava o primário. Em romances e filmes, o Brasil era retratado como o futuro dourado.

Agora, de uma perspectiva americana, o futuro do Brasil é o passado dos Estados Unidos. O Brasil é o passado americano dourado. Com sua economia florescente e suas classes sociais em ascensão, o País lembra os Estados Unidos logo depois da 2.ª Guerra Mundial, quando a política funcionava, as pessoas tinham empregos, e a mobilidade social era a norma para muitas pessoas. O Brasil virou o lado brilhante do capitalismo.

Nos Estados Unidos de hoje (eis a metáfora), o prazer de viver se tornou agora o negócio de permanecer vivo. Há muitos temores, muitos exames, mas nenhum remédio à vista. O capitalismo americano, impelido por seus excessos, caiu em seu lado escuro. O sentimento por aqui é de que não há ninguém nos controles. Ninguém tem uma autoridade decisiva.

Ninguém sabe cuidar de ninguém. Nessa situação, todos desejam ser um médico capaz de sanar a deterioração do ambiente. Mas, enquanto entregava meu cartão de seguro a uma dentre meia dúzia de assistentes do doutor, ali na mesa de recepção - junto com amostras para o laboratório -, eu me lembrei de suas palavras de despedida e sorri. Brasil, eu disse para mim, você pode perfeitamente acrescentar alguns anos à vida de um escritor americano.

* Fonte: O Estado de S. Paulo (7 de novembro de 2011)

Poderosa

Nem os governos militares ousaram acabar com a meia entrada.

A Fifa ameaça extingui-la nos jogos da Copa de 2014.

Poesia II

"Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,/que não exista força humana alguma/que esta paixão embriagadora dome"

"E que eu por ti, se torturado for/possa feliz, indiferente à dor,/morrer sorrindo a mumurar teu nome".

O autor desses versos é Carlos Marighella que os escreveu num presídio em São Paulo, no ano de 1939.

Quando jovem o futuro revolucionário respondeu em versos, no Ginásio da Bahia, a uma prova de física que versava sobre a lei da reflexão dos espelhos.

Saiba mais na coluna de José Miguel Wisnik, sob o título A bolsa ou a vida, no jornal O Globo, edição de 05/11/11

Poesia

     Inluação

Aos inventores do protetor solar
peço que inventem o protetor lunar:

Sombra nenhuma da noite protege
a alma ardente exposta ao luar:

Carlos Nóbrega

in Corsário, nº 1 - julho/2011

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Corrigindo

O governador falando em evento do PCdoB disse, segundo o jornal O Povo, lamentar que o hoje Senador Inácio Arruda não tenha sido eleito quando disputou a prefeitura de Fortaleza.

Tambem não disse se havia votado nele. Para corrigir o que considerou um erro bastava apoia-lo agora já que o senador anuncia que irá concorrer ao mesmo cargo na eleição do próximo ano.

A frase do dia

Considero isso uma das reais chaves da vida: Não confunda quem é você com o momento que você está vivendo.

Netinho, o cantor.

Missa

Bispos católicos solicitaram aos fiéis do estado americano de Wisconsin que não levem armas às missas.

Em comunicado oficial advertem que as igrejas não podem se transformar em locais de possíveis violências.

Naquele estado foi aprovada uma recente lei que permite aos cidadãos portar armas em locais públicos.

Sustentabilidade

A Levi Strauss, está preocupada com o alto consumo de água na produção e lavagem de seus produtos, as conhecidas calças jeans.

Segundo a empresa, do algodoal à cesta de roupa suja uma calça jeans consome em média 3.480 litros de água durante seu ciclo de vida.

A Levi não quer apenas projetar uma imagem de responsabilidade ambiental. Preocupa-se com a sustentação de seu negócio. A escassez de água poderá encarecer o produto e comprometer seus resultados.

Para poupar água financia um programa que vai do emprego de técnicas para reduzir o consumo do líquido na cultura do algodão, ao uso de brim desbotado com pedras, e não água, e aplicação de etiquetas conclamando os consumidores a lavarem menos as calças.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 07/11/2011

sábado, 5 de novembro de 2011

Bebida

Se beber não dirija; se dirigir não beba.

Agora mais que nunca a máxima é importante. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu: dirigir embriagado é crime.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 03/11/11

Royalties II

O tema, tal como vem sendo tratado, coloca em risco o pacto federativo e a comunhão entre as unidades federadas que formam a união. Bom senso, espírito público e sensatez se fazem necessários para levar a delicada questão a um desfecho que não comprometa a União.

Esta, como não tem deputados nem senadores que a defendam, pode ser a mais prejudicada com a perda de recursos e o desentendimento entre estados.

É bom que não esqueçam os governadores do norte e nordeste que o STF considerou inconstitucional o critério de rateio do Fundo de Participação dos Estados determinando prazo para que seja elaborada lei que defina a forma de distribuição do dinheiro entre os estados.

Ceará, Bahia e Maranhão, por exemplo, estão entre os grandes beneficiados pela regra atual. Na hora de votar a nova lei, ninguem se engane, haverá uma ofensiva dos demais estados contra o que chamarão os privilegiados de hoje.

O argumento será o de que pobres, os há, e em número considerável, por toda parte. Foi com argumentos desse tipo que vi, indignado, com minha tenaz oposição, o Senado ampliar o limite legal do nordeste no estado de Minas Gerais e incorporar o Espírito Santo.

Isso significa dizer que os novos nordestinos passaram a gozar dos incentivos fiscais e creditícios a que a região tem direito através do Banco do Nordeste e da Sudene. Relembro que na ocasião houve tentativa, malograda, de estender a fronteira da região até Campos (RJ) alegando a pobreza do norte fluminense.

Ao aprovar essa lei esdrúxula os senadores cumpriram a profecia ancestral que anunciava : um dia o sertão vai virar mar.

Royalties I

Os governadores dos estados não produtores de petróleo viram no pré sal e consequente aumento da quantidade de óleo extraido uma oportunidade para participarem da receita auferida mediante uma participação percentual no resultado obtido.

Estavam em seu direito e lutavam pelas unidades que governam. Escorados em folgada maioria parlamentar tripudiaram sobre a união e os estados produtores.

 A tunga não dispensou sequer os poços em exploração cujas regras de divisão pactuadas estão em vigor e as receitas incorporadas aos orçamentos de estados e municípios.

A sangria dos cofres dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo pode chegar, segundo leio na imprensa, a algo como 25% de suas receitas. É a decretação da falência das duas unidades federadas.

A confusão foi parar na mesa do então presidente Lula que vetou o projeto aprovado no Congresso.

O risco de queda do veto desencadeou novo debate tendo afinal o Senado aprovado uma nova proposta, algo diferente da anterior mas ainda assim extremamente danosa aos dois estados. A matéria está soba apreciação da Câmara dos Deputados.

Gelatina

Além da bancada da saúde, do nordeste, dos evangélicos, dos ruralistas, e outras menos conhecidas surgiu agora uma nova associação de parlamentares : a "bancada gelatina," formada por um grupo de cerca de 80 deputados insatisfeitos com o governo.

Esses grupos suprapartidários se reunem em torno de interesses comuns que desconhecem, quando necessário, limites partidários e obediência ao governo.

Os gelatinosos subordinam seus votos à satisfação de suas conveniências. Por ora não incomodam tanto devido à ampla base de apoio de que dispõe o governo Pelo que conheço a tendência desse insólito grupo é aumentar de tamanho.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 04/11/2011

Assembleia Legislativa

A ampla maioria do governo no parlamento estadual rejeitou todos os requerimentos do Dep. Heitor Ferrer que pediam informações sobre o escândalo dos empréstimos consignados.

É a Assembleia escusando-se de uma obrigação básica: o dever de fiscalizar. Se não fiscaliza já não faz questão sequer de se informar.

Depois, ninguém se admire do descrédito da instituição junto à sociedade.

Saiba mais no jornal Diário do Nordeste, edição de 04/11/11

A frase do dia

É inadmissível num hospital faltar material. Tudo falta.

Deputado Augustinho Moreira (PV), criticando a situação do HGF.

Faltou dizer que o centro cirúrgico fechou por falta de material.

Gregos II

Por uma pequenissima margem de votos o parlamento grego aprovou voto de confiança ao governo. Significa que o susto maior passou.

O programa de estabilização fiscal prossegue e o povo grego ainda vai continuar a pagar um preço alto pelo desregramento financeiro dos governos que dirigiram o país nos últimos anos amparados no facilitismo de crédito dos bancos.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

ONGs

A presidente Dilma suspendeu por 30 dias o repasse de recursos do governo federal para ONGs. Elas estão no epicentro das crises desencadeadas pela corrupção que mina a administração e já levou à degola  seis ministros.

As irregularidades vão desde a não prestação dos serviços contratados, à falta de prestação de contas e o desvio de dinheiro para os bolsos de particulares.

A medida cautelar adotada é importante, mas apenas uma luz amarela acesa no trânsito das falcatruas. Afinal foram, em sete anos, R$ 19,2 bilhões repassados à essas organizações pela união.

O que virá depois dela, dependendo de sua consistência e abrangência, poderá interromper o fluxo livre de verbas que irriga contas de partidos e companheiros.

Gregos

Os gregos não se entendem, ou não são entendidos.

Quando parecia que a união europeia havia enfim lhes arremessado uma boia de salvação feita de mais empréstimo e uma redução de 50% no valor da dívida soberana com os bancos o premier grego Papandreou ateou fogo ao mercado anunciando a convocação de um plebiscito para ratificar o acordo.

Com o povo nas ruas em permanente manifestação contra o remédio amargo das medidas de combate à crise ninguem poderia esperar algo diferente da rejeição da proposta.

Surpresos com o anúncio da proposta grega a União Europeia, leia-se Merkel e Sarkozy, radicalizaram : cabe à Grécia decidir se quer continuar a jornada juntos ou deixar a zona do euro.

Os economistas são unânimes em afirmar que sair do euro nas circunstâncias atuais equivale a um hara-kiri econômico.

A reação pragmática do ministro grego das finanças contra o plebiscito chamou o governo à realidade e a convocação foi desfeita. Da aprovação de um voto de confiança no parlamento depende o destino do governo.

Já há quem fale em renúncia do gabinete para dar lugar a um novo governo de coalizão com maior consistência política para dar prosseguimento ao plano de resgate financeiro do país.

Leituras

Acabei de ler há poucos dias livros que recomendo sobretudo aos que se interessam por histórias de escritores e livros.

São eles :

1-Diário de um Pároco de Aldeia, George Bernanos, editora É

O autor é um católico conservador francês que lutou na primeira guerra mundial e anos depois exilou-se no Brasil onde morou em Barbacena tendo mais tarde retornado à França.

O livro trata das crises místicas de um cura de uma pequena cidade do interior da França, seu envolvimento com os paroquianos, a formação e atuação dos padres e os dilemas da igreja.

Não é um livro fácil de se ler. Tem uma densidade que pede atenção e leva o leitor a refletir sobre o homem no mundo e suas tribulações.

2-Se Um de Nós Dois Morrer, Paulo Roberto Pires, Alfaguara.

Sobre o legado póstumo de um advogado culto, autor de um único livro, vítima da falta de inspiração, da falta de persistência, ou de ambas, que não consegue escrever outra obra.

As pastas recheadas de documentos, textos dispersos, instruções a serem cumpridas, algumas bizarras, que confia a ex namorada constam de impressões sobre autores, personagens das relações de ambos, um editor oportunista e planos de obras não realizadas.

Reflexões de alguém que padece do mal de Montano e recomenda à herdeira de seus papeis procurar o escritor Enrique Vila Matas e entregar-lhe um desabafo sobre o processo criativo em literatura.

3-Livro Livre, vários autores, editora Imã.

Reflexões sobre o livro, a edição e a leitura a propósito dos novos suportes e os leitores digitais, os e-books, eas repercussões sobre o hábito de ler e a cadeia do livro.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Saudade

Esta é uma palavra mítica. Não tem sinônimo, não teria correspondente em outras línguas. Seria um monopólio da língua portuguesa.

Achei no livro Excerptos, F. Briguiet e Cia. Rio de Janeiro, MCMXXX, de autoria do médico, escritor, que pertenceu à Academia Brasileira de Letras, Aloysio de Castro o texto que se segue, um gesto que define uma palavra.

                                                                 A Saudade

Recordo-me que certa vez, quando era médico de uma enfermaria de mulheres, indaguei de uma polaca, ali recolhida, que sentimento era o zal. A mulher quiz responder, mas nada disse e olhou ao longe sem palavras. Eu senti então que a saudade é um olhar ao longe, sem palavras.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Lula II

Lula antes de ser um político, um ex-presidente, é um doente que sofre a mesma ansiedade e temor de qualquer um que se veja subitamente diagnosticado com um câncer como o dele.

Merece, não apenas pelo seu passado de lutas e serviços prestados ao país, mas como qualquer ser humano, a solidariedade e o apoio dos brasileiros.

Os ataques que tem sofrido na rede só desqualificam seus autores pelo que têm de inoportuno. Revelam o lado sórdido do ser humano e a pusilanimidade dos que se ocultam no anonimato.

Nesse aspecto a internet é bastante vulnerável. A agressividade e a falta de respeito com que agem alguns não tem justificativa servindo para descredenciar esse importante instrumento de comunicação.

As críticas que Lula mereça como agente político não devem ser formuladas no momento em que está frágil física e emocionalmente.

Não é justo misturar sua doença no vale tudo da política ou com o ódio que alimenta a manifestação de alguém que por qualquer razão não o aceite.

Se o SUS tem deficiências, e o atendimento aos brasileiros anônimos deixa muito a desejar, é justo que cada um cobre do governo melhorias no sistema.

A doença do ex-presidente pode até servir de pretexto para se fazer isso. A forma como alguns o fazem é abjeta e merece repúdio