sábado, 16 de agosto de 2008

Big Ben

O Governo inglês, através de seu Embaixador em Brasília, Peter Collecott, entregou correspondência dirigida aos ministros Celso Amorim, das Relações Exteriores, e Tarso Genro, da Justiça, instando o Brasil a adotar uma série de medidas de controle da emigração para a Inglaterra, sob pena de restaurarem a exigência de visto para brasileiros que viajem para aquele País.

As medidas, inaceitáveis, propõem, entre outras coisas, a presença de um representante daquele País em nossos aeroportos, para triagem de passageiros com destino à Inglaterra.

Caso nosso Governo se recuse a cumprir as exigências feitas, o passo seguinte será a imposição do visto para brasileiros, o que resultaria, dentro do princípio da reciprocidade, em medida idêntica de nossa parte.

A atitude dos ingleses não difere, no geral, dos demais países europeus, cujas legislações são cada vez menos tolerantes com a imigração ilegal. Cerca de 600.000 imigrantes ilegais, por ano, desembarcam na Europa.

A globalização apagou fronteiras nacionais, a amenização ideológica derrubou um muro e ergueu uma cortina, a Guerra Fria terminou, mas a economia e a xenofobia se encarregaram de levantar barreiras invisíveis, mas eficazes, entre os povos.

Os mesmos homens que inventaram os transportes modernos, que encurtam distâncias, se encarregaram de aumentá-las, por meio da política e do preconceito.

Pelo gosto de muitos, a globalização deve se resumir à liberdade comercial e de fluxos financeiros. Gente, só complica.

Saiba mais n'O Estado de S. Paulo, edição de 16/08/08.

2 comentários:

Célio Ferreira Facó disse...

Cada vez mais xenófobas vão ficando agora Inglaterra, França, Espanha. Movidas já pelo medo desencadeado pelos ataques terroristas, já pela grave questão do emprego para os seus patrícios. E, entretanto, a imigração é, será a solução para as velhas nações da Europa, cujas populações não raro diminuem agora por causa dos programas de controle de natalidade. Para os países da periferia a emigração é, por seu lado, também uma oportunidade muito especial de ver uma parcela de seus filhos com renda e educação e emprego garantidos.

Reginaldo Almeida disse...

Perdôem-me o blogueiro e o comentarista, mas às vezes me canso de ver países sub-desenvolvidos como podem ser o Brasil e o México exportando seus problemas para outros países e depois chamando-os de xenófobos e posando de vítimas.

Há de se perguntar porque tanta gente quer deixar o Brasil, e não se criticar países como a Inglaterra que não quer descascar o nosso abacaxi.

Moro no fora do brasil há quase três anos e o que vejo é que a nossa reputação fora das fronteiras é péssima. Os bons brasileiros infelizmente pagam pelos maus.

A reciprocidade é outra batatada ufanista onde os que mais perdemos somos os próprios nacionais. Países como o Chile e o México foram bem mais inteligentes e trataram de aprender.

Aqui no México, a despeito de os EUA exigirem visto dos mexicanos, não se exige visto dos americanos. A coisa é profundamente simples: quem perde mais, os EUA por serem menos visitados pelos mexicanos ou o México por menos visitados pelos norte-americanos?

No Chile o visto para Mexicanos, Norte-Americanos e Canadenses (três países que exigem vistos dos chilenos) é outorgado no momento do desembarque, mediante o pagamento de uma taxa (equivalente ao custo da emissão do visto destes países) chamada "taxa de reciprocidade".

Se o Brasil fosse mais pragmático e menos ingênuo, estaria fazendo o mesmo.

No caso particular da Inglaterra, quem já teve a oportunidade de viajar para a Inglaterra a partir da França via Eurotúnel sabe que o trâmite migratório é feito a partir do lado francês. Eu pessoalmente não vejo nada de absurdo. Pior é se sujeitar à perda de tempo de se tirar um visto inglês, ou como está hoje, se sujeitar a ser deportado na chegada. Melhor nem sair de casa. Na verdade, o que estes oficias migratórios da Inglaterra fariam era a outroga do visto no ato do embarque, em lugar de gerar as longas filas dos consulados americanos.

O que realmente precisamos é de mais objetividade e mais pragmatismo, e obviamente menos ufanismo e boçalidade.