terça-feira, 5 de agosto de 2008

Nazismo


O Ministro Celso Amorim, das Relações Exteriores, ao criticar, a propósito das negociações para liberação do comércio mundial, a reiteração americana de que a intransigência do Brasil, apesar de contemplado, era a responsável pelo impasse nos entendimentos, comparou a manobra à estratégia de Goebbels, que determinava repetir uma mentira à exaustão, para que parecesse verdade.

Foi o bastante para que os Estados Unidos, dizendo-se ofendidos, puxassem um cortejo de países para censurar, pelo exemplo invocado, o Chanceler brasileiro. Ajudou a manobra o fato da chefe da delegação americana ser filha de judeus, que padeceram em campos de concentração.

Tivesse Celso Amorim, para exemplificar a tática americana, citado Voltaire - Caluniai, caluniai, que alguma coisa fica -, teria se dispensado de formular um pedido público de desculpas, ainda que reafirmando sua tese.

3 comentários:

Augusto disse...

Foi uma frase muito infeliz do nosso ministro.
Pena que ele não tem a elegância diplomática do senhor.

Anônimo disse...

Caluniai,caluniai, esta foi umas das estrategias usada contra o sr. e alguns de seu familiares no periodo que o sr. era governador. Mas o tempo eh sabio, aguarde com paciencia,2010 esta chegando e tenha csrteza tem muitos cearences com vontade de reparar alguns erros cometidos com a tal CALUNIAI,CALUNIAI,

Anônimo disse...

Dr. Lúcio,

Afirmo que, se tivesse o ministro das RELAÇÕES EXTERIORES sua visão, sua postura, sua sabedoria, Dr. Lúcio, com certeza teria tido uma atitude mais digna e sensata na Rodada de Doha. Aliás, é o que se espera de um representante do governo brasileiro junto a orgãos internacionais, especialmente numa mesa de negociação.

Citar Goebells, um ministro de Adolf Hitler, foi de extrema infelicidade, por mais insuportável que fosse sua ira contra os "adversários" (parece que é assim que ele considera os chamados países ricos, né?). Sou até tentada a chamar essa fala infeliz de burrice arrogante, jamais permitida sequer a um diplomata em começo de carreira.

Celso Amorim desobrigou-se das sutilizas inerentes à diplomacia e, em linguagem chula, deu um chute na canela dos membros do outro lado da mesa que, intransigentes ou não, defendiam interesses numa mesa de negociação. Não era uma mesa de bar, embalada pela cerveja e papos jogados fora.

Mesmo que Susan Schwab não fosse judia filha de sobreviventes do Holocausto, outro que ali estava poderia ser. Numa mesa de negociação, a citação foi deselegante, desnecessária e descabida.

Esse é o novo Itamaraty de Celso Amorim, Samuel Pinheiro e Marco Aurélio Garcia. Que exerce um arreganho político imperdoável ao considerar publicamente como força beligerante os narcotraficantes terroristas das FARC, parceiros do governo do PT no Foro de São Paulo.

O Itamaraty virou agora um órgão de doutrinação política, conforme afirmou o ex-embaixador do Brasil nos EUA Roberto Abdenur. Ele afirmou em entrevista que "O Itamaraty sempre teve um prestígio singular na diplomacia internacional pela continuidade da política externa, pelo equilíbrio, pela excelência de seus quadros e pelo apartidarismo. O Itamaraty precisa resgatar o profissionalismo a salvo de posturas ideológicas, de atitudes intolerantes e de identificação partidária com a força política". E eu acrescento: a salvo também de despautérios como esse de Amorim na Rodada de Doha.

Cris