sexta-feira, 13 de abril de 2012

Plenário homenageia Waldemar Alcântara em seu centenário


Em sessão especial nesta sexta-feira (13), o Senado Federal prestou uma homenagem ao ex-senador e ex-governador do Ceará José Waldemar Alcântara e Silva no centenário de seu nascimento. Nascido em São Gonçalo do Amarante, no Ceará, em 12 de abril de 1912, Alcântara e Silva faleceu em 10 de dezembro de 1990.
O presidente do Senado, José Sarney, em pronunciamento do lido pelo senador Paulo Paim (PT-RS), manifesta sua gratidão pelos atos de Alcântara e Silva na medicina e na política, “sempre com o objetivo maior de servir ao povo, de trabalhar pelo bem comum”. Sarney destaca a atuação deWaldemar Alcântara como deputado estadual e federal, secretário de Educação e Saúde, senador, vice-governador e governador do Ceará.
“José Waldemar Alcântara e Silva tinha como eixo principal de sua atuação política o desenvolvimento econômico e social do Ceará e do nordeste do Brasil, com especial dedicação às áreas de saúde pública e educação”, afirma Sarney no pronunciamento lido por Paulo Paim.
senador José Pimentel (PT-CE), autor do requerimento de homenagem, classificou o ex-parlamentar como “um dos construtores do Ceará” e salientou a preocupação social que o levou à vida política, além de sua participação ativa na criação da Faculdade de Medicina de Fortaleza, do Instituto dos Cegos do Ceará e do Instituto do Câncer do Ceará.
- Em sua virtuosa vida pública, ofereceu o testemunho inconteste e cotidiano de suas convicções acerca da arte da política. A política humanizada, que parte do ser humano e que a ele retoma como forma de mitigar as imponderáveis adversidades da existência, marcou a atuação pública desse cidadão. Um verdadeiro humanista, a um só tempo austero, firme e sensível. Um homem de seu século, capaz de prospectar e antecipar o futuro – afirmou José Pimentel.

José Pimentel ainda lembrou da atuação de José Waldemar Alcântara e 
Silva no Senado, onde denunciou as condições sanitárias do país e defendeu a medicina preventiva. Na avaliação de Pimentel, a esperança do político no progresso do Nordeste ressoa na atualidade, quando a região tem recebido “atenção especial do governo federal, de uma forma inédita na nossa República”.
- Acredito que, esteja onde estiver, certamente está feliz, pois o seu sonho de Nordeste como uma região forte e produtiva veio, ao longo dos últimos anos, se concretizando – disse o senador.
O ex-senador e ex-governador do Ceará Lúcio Alcântara, filho do homenageado, apresentou dados biográficos de seu pai, dizendo que sua vida foi marcada por “duas devoções: a medicina e a política”.
- Aplicado em tudo que fazia, costumava estudar os assuntos em profundidade para proferir discursos e pareceres com pleno domínio da matéria – disse Lúcio Alcântara, atribuindo grande parte do sucesso de seu pai “à sua desambição, ao espírito conciliador, despreocupado de formar grupos ou facções intrapartidárias”.
Entre as propostas defendidas por José Waldemar Alcântara e Silva no Senado, ele lembrou a da descriminalização da maconha, que teria surpreendido aqueles que só conheciam o perfil liberal-conservador do parlamentar, e “antecipou de anos uma discussão que hoje continua atual e inconclusa”.
Fonte: Agência Senado

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Centenário de nascimento de Waldemar Alcântara é comemorado na Assembleia

O centenário de nascimento do ex-governador do Estado, Waldemar Alcântara, foi celebrado na noite desta quarta-feira (11/04) na Assembleia Legislativa, em sessão solene solicitada pelo deputado Fernando Hugo (PSDB). O evento integra a programação de celebração da data, que acontecerá em todo o mês de abril.
Fernando Hugo ressaltou que existem determinadas figuras da vida pública que se diferenciam, pois em sua relação com a sociedade o timbre apresentado é sempre a prática do bem. Para o tucano, estas pessoas passam pela vida e, no lastro do trabalho, conseguem a cada passo e a cada tempo fazer um grande plantio, obtendo colheitas que são verdadeiras safras de inverno bom.
“Waldemar Alcântara cultivou, indiscutivelmente, uma dessas safras. Ocupou funções diversas e, interessantemente, o seu vínculo com a saúde pública do Ceará é enorme pelo fervor, determinação e vontade, mostrados quando almejou e teve a coragem de ir a Bahia estudar medicina”, acrescentou.
Fernando Hugo falou ainda sobre o Hospital Geral Waldemar Alcântara, localizado em Messejana. Lembrou que teve a sorte de batizá-lo com o nome do homenageado, e agradeceu em nome da cidadania cearense, por tudo que o ex-governador realizou.
A deputada Bethrose (PRP), que subscreveu o requerimento de Fernando Hugo, afirmou que “não se edifica o futuro relegando ao esquecimento sábias lições do passado”. Para ela, no elenco de nomes que devem ser lembrados por sua vida pautada na decência e no trabalho, despontam a personalidade exemplar de Waldemar Alcântara. Os deputados Roberto Mesquita (PV) e Fernanda Pessoa (PR) também se pronunciaram em homenagem ao ex-governador.
Na ocasião, foi entregue ao filho do homenageado e também ex-governador do Estado, Lúcio Alcântara, um pergaminho comemorativo ao centenário. Em nome de toda a sua família, ele agradeceu a iniciativa de Fernando Hugo e à Diretoria Regional da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). A esta última agradeceu pela forma como acolheu a sugestão de que fossem impressos um selo personalizado e um carimbo comemorativo à data, também lançados durante a solenidade.
De acordo com Lúcio Alcântara, foram várias as razões que fizeram com que seu pai obtivesse êxito na vida pública do Ceará, além das circunstâncias da época em que viveu. Entre elas, ele citou o espírito conciliador; a capacidade de interpretar e respeitar diferentes tendências que surgiam e que terminavam por conduzí-lo a posições de destaque no meio em que convivia, e a liderança e a paixão por aquilo que fazia e ao qual se dedicava integralmente.
Também estiveram presentes à sessão solene o ex-governador do Estado, Adauto Bezerra; o ministro aposentado do Tribunal de Contas da União, Ubiratan Aguiar; José Evaldo Silva, representando a Procuradoria Geral de Justiça; Francisco Haroldo Aragão Filho, diretor regional dos Correios, e o vereador de Fortaleza Machado Neto.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Jornal

O "Philadelphia Inquirer" foi vendido por U$55 milhões. O jornal que tem 183 anos de história foi adquirido por um grupo ligado ao Partido Democrata.

O que chama atenção na venda é a desvalorização do jornal na sequência de transações feitas nos últimos anos. O fenômeno se explica pela expansão das mídias digitais e perda de leitores e anunciantes.

Alguns grandes jornais deixaram de publicar versões impressas e outros acabaram vendidos.

O jornal viu seu faturamento ser reduzido nos últimos seis anos de U$500 milhões para a metade. A tiragem média nos dias de semana é de 331.374 exemplares  subindo para 482.597 aos domingos.

Em 2006 foi vendido por U$515 milhões e há dois anos, em nova venda, por U$139 milhões.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 04/04/12

Novidade

Da coluna do Ilimar Franco no jornal O Globo, edição de 07/04/12 :

O presidente do DEM, senador José Agripino (RN), está em Lisboa. Foi até lá para convencer o ex-deputado Moroni Torgan a antecipar seu retorno ao Brasil para concorrer a prefeitura de Fortaleza.

Raio

O Raio, criado no meu governo, foi uma iniciativa de sucesso na área da segurança. O atual governo fez tudo para acabar com o grupo. A estrela era o Ronda.

A realidade mostrou que o Raio, que goza de prestígio junto à comunidade, é mais barato e mais eficiente que o Ronda.

O atual secretário de segurança tão logo assumiu colocou a revitalização e fortalecimento do Raio como uma de suas principais propostas.

Agora, o governo concedeu aos seus integrantes uma gratificação especial e até celebrou o aniversário da equipe.

Quem te viu, quem te vê...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Acordo

Brasil e Estados Unidos chegaram a um acordo para proteger as denominações cachaça e bourbon, o uisque americano.

Tá tudo combinado, a cachaça é nossa e o bourbon é deles.

Centenário - Waldemar Alcântara

LIvro

Acabou de sair em Portugal o livro "O Grande Desígnio, de Stephen Hawking e Leonard Mlodinov, pela editora Gradiva.

Os dois tentam provar que a criação do mundo prescinde de Deus para explica-la. "Segundo os autores, as leis da física quântica explicam o ser da realidade do nosso universo, que não passa de um universo entre a possibilidade de outros universos infinitos".

O suplemento Q, do jornal português Diário de Notícias, edição de 17/09/11, traz um artigo do padre Joaquim Carreira das Neves no qual o sacerdote rebate os argumentos da obra dos dois físicos.

É mais um episódio do confronto entre ciência e fé.

Médicos estrangeiros

O governo vai afrouxar as regras para reconhecimento de diplomas obtidos no exterior por estrangeiros ou brasileiros

A carência de médicos na zona rural do Norte e Nordeste está levando o governo a considerar essa hipótese.

Hoje, diferentemente do que acontecia no passado, há um processo definido para os que desejarem ser reconhecidos no país, e ficarem aptos a exercerem a profissão.

Quando aluno da nossa faculdade de medicina lembro de um italiano que levou anos vagando pelos corredores da escola na busca da revalidação de seu diploma o que não sei se chegou a conseguir.

Tudo porque não havia uma definição objetiva do caminho a seguir o que tornava na prática impossivel a revalidação.

Hoje existe o Revalida, um exame de suficiência que avalia o nível de conhecimento profissional de médicos graduados no exterior.

Os argumentos dos favoráveis à medida são frágeis, quase infantis em certos casos. O projeto da Senadora Vanessa Graziotin (PCdoB-Am) altera as regras de validação dos diplomas atenuando as exigências em vigor.

Esquece que estamos lidando com vidas humanas o que demanda rigor na capacitação profissional.

Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 03/04/12

Refinarias

O corte no orçamento de investimentos da Petrobrás fez a previsão para as refinarias Premium 1, no Maranhão, e Premium 2, no Ceará, passar para 2019.

A informação está no editorial Da Petrobrás para a Petrobrás, do jornal O Estado de São Paulo, edição de 03/04/12.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Encyclopaedia Britannica

Após o anúncio de que a Encyclopaedia Britannica  não mais seria editada na versão em papel houve uma corrida de interessados em adquirirem a última edição.

Antes de anunciar a última edição, em 13 de março, a venda era de 60 por semana ao preço de U$ 1.395,00.

Os 4 mil conjuntos que restavam da edição de 2010, cada um com 32 volumes, devem acabar até o fim de abril.

Acaba uma tradição de 244 anos. As compras são tantas que o próprio diretor de marketing da Britannica está atendendo às ligações dos clientes. Cada conjunto pesa cerca de 58,5 kgs. Os compradores são sobretudo pessoas físicas que pagam diretamente com seus cartões de crédito.

Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 03/04/12

Lista

Da coluna Direto na Fonte, de Sonia Racy, no jornal O Estado de São Paulo, edição de 31/03/12

Papa y papá

Fidel Castro levou a mulher, Dalia, e seus dois filhos para conehcerem Bento XVI.
Ao final do encontro, pediu ao Pontífice que lhe desse algumas dicas de livros.

O Papa garantiu que pensaria no assunto... e que, do Vaticano, enviaria uma listinha.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A frase do dia

Jornalismo é oposição. O resto é armazem de secos e molhados.

Millor Fernandes

domingo, 1 de abril de 2012

Uma lágrima

Semana passada o Jessé nos deixou. Domingos Jessé de Oliveira foi um político carismático que chegou a vereador, vice-prefeito e prefeito de São Gonçalo do Amarante.

Tinha no distrito de Serrote sua base política construida numa contínua prestação de serviço à população, fosse, ou não, tempo de eleição.

Modesto e leal foi alguém que nos fez companhia política durante anos e por quem sempre tivemos estima e gratidão.

Minha filha Daniela que conviveu com ele por alguns anos admirava sinceramente sua espontaneidade, simplicidade e uma certa acuidade bem humorada na percepção dos comportamentos humanos.

sábado, 31 de março de 2012

PIB e FIB

Sai o  PIB ( Produto Interno Bruto) entra o FIB (Felicidade Interna Bruta).

O Instituto de Finanças da Fundação Getúlio Vargas está a desenvolver um novo índice para medir a riqueza do país.

O FIB já existe no reino do Butão um pequeno país encravado nas cordilheiras do Himalaia. Lá a felicidade das pessoas é mais importante que o desempenho industrial. Aqui o PIB será um dos componentes do FIB.

O novo índice, acreditam seus idealizadores, deverá orientar o governo na execução de políticas públicas. Para eles o PIB é um indicador que deixa a desejar por não incorporar dados como o IDH ( Índice de Desenvolvimento Humano) e o nível de segurança nas grandes cidades.

O primeiro passo para definição do FIB já foi dado. Questionário aplicado a jovens adultos em São Paulo e Santa Maria (RS) revelou que a principal preocupação dos paulistanos é com a segurança pessoal e a perspectiva de crescimento acadêmico é a maior satisfação.

Já os gaúchos tem como preocupação a expectativa de conseguir um bom trabalho enquanto mostram-se satisfeitos com a boa vida social.

Resta-nos aguardar a implantação do felicitômetro para avaliarmos a quantas anda a sensação de felicidade entre nós.

Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 24/03/12

Copa

O evento só ocorrerá daqui a dois anos mas a copa já é um sucesso. Ao menos para a Fifa que já botou para dentro dos seus cofres U$ 900,00 milhões.

Ainda assim, insatisfeito com o andamento dos trabalhos, Joseph Blatter disparou uma crítica aos responsáveis pela competição no Brasil : "Queremos atos e não só mais palavras".

Saiba mais no Diário do Nordeste, edição de 31/03/12

sexta-feira, 30 de março de 2012

Melhor

A revista Scientist elegeu a Fundação Champalimaud como a melhor instituição para trabalhar ciência fora dos Estados Unidos.

Este ano durante minha permanência em Portugal tive ocasião de visitar suas instalações em companhia de sua presidente Leonor Beleza quando pude perceber a importância das pesquisas que ali se desenvolvem reunindo cientistas de todo o mundo.

Está situada em Lisboa, às margens do Tejo, um magnifico edifício que integra os pesquisadores entre si, pacientes em tratamento de câncer e seus acompanhantes, bem assim todos que estejam em suas dependências com o exterior.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Leitura

Conclui a leitura de Isabel I, de Isabel Machado; A esfera dos livros.

Romance histórico, com licenças ficcionais, que trata da vida e do reinado de Isabel I, Rainha da Inglaterra, filha de Ana Bolena e Henrique VIII.

Desavenças religiosas entre protestantes e católicos, guerras entre reinos, insurreições internas, consolidação da Igreja Anglicana, espionagem, anexação de Portugal à Espanha após a morte de D. Sebastião, formação de importantes redes comerciais integradas por judeus constituem o pano de fundo do livro.

Isabel I deu origem a era Elizabetana que marcou a história da Inglaterra como um período de paz e grande prosperidade econômica e a imposição de uma Igreja Anglicana moderada.

Nunca tendo casado ficou conhecida como a Rainha Virgem que resistiu às pressões da Corte para contrair matrimônio e originar descendência que assegurasse sua sucessão.

Teve por médico um judeu português com quem simpatizava que terminou decapitado acusado de tramar contra sua vida. Morreu com a sensação de haver cometido injustiça contra ele.

Com o reino em risco não hesitou em mandar ao cepo  Maria Tudor, católica, Rainha da Escócia, sua prima, que ambicionava seu trono.

Antes de morrer designou o filho desta, Jaime Stuart, seu sucessor.

O livro vale por ser um amplo painel da sociedade europeia, principalmente inglesa, no século XVI.  

quarta-feira, 28 de março de 2012

Perto demais

* Fonte: O Estado de S. Paulo (28/03/2012)

Meu Personagem da Semana (Nélson Rodrigues)

1-    Amigos, o meu personagem é Garrincha. E podia ser Pelé, Garrincha ou Pelé, tanto faz. Um ou outro, mesmo sem fazer nada, é fato, é notícia, é retrato, é manchete. Para o “Paris Match”, mais vale um sorriso de Pelé do que o decote mais nítido, mais violento de Elizabeth Taylor. Mas eu escolhi Garrincha e explico: Dos seus pés (ou de Pelé) pode nascer a flor do Bi.

2-    Ora, dizem que, nesta terra, qualquer um é neurótico, inclusive os passarinhos matinais. A gente anda esbarrando, tropeçando em melancolias, em depressões hediondas. Pois bem, Garrincha não. Eu próprio já escrevi, a propósito do “Seu Mané”: “A única sanidade mental do Brasil”. E, com efeito, a saúde interior de Garrincha é de humilhar esses bebês de anúncio. Sim, de anúncio de talco. 

3-    No fundo, cada brasileiro é uma macaca de auditório de Garrincha. Notem: quando ele apanha a bola, o Maracanã, todo, arreganha um riso unânime e alvar. Não se sabe o que Garrincha vai fazer, qual a jogada que ele vai tirar de seu repertório tremendo. É um riso prévio, um riso que se antecipa à piada. Mas o que eu queria dizer é que pouco conhecemos de Garrincha ou, por outras palavras, que somos analfabetos em Garrincha. 

4-    Alguém dirá que eu exagero, talvez, e daí? Mas nem tanto, amigos, nem tanto. Há em Garrincha uma série de coisas óbvias e que ninguém percebe. Por isso, vivo eu a dizer que só o gênio, só o Miguel Ângelo, só o Shakespeare enxerga o óbvio. Por exemplo: Garrincha não usa chuteiras como um simples craque mortal. Não. Ele joga de duras e franciscanas sandálias. 

5-    Outra evidência ululante, e que ninguém descobriu: o nítido e taxativo parentesco de Garrincha com São Francisco de Assis. Eu disse “sandálias” para definir a relação entre os dois santos. Sei, perfeitamente, que qualquer um, inclusive um “gangster” de filme, tem um momento em que é um São Francisco de Assis, da cabeça aos sapatos. 
 
6-    Sim, de vez em quando, uma vez na vida e outra na morte, qualquer de nós é atravessado de luz como um vitral de igreja. Mas é um instante que passa para nunca mais. Em Garrincha, não. São Francisco de Assis não passa, está sentado na alma do craque. Eu diria, se me relevarem a expressão meio torpe, que o santo é para Garrincha um desses chatos que não largam o sujeito. 

7-    A qualquer hora do dia e da noite, em Pau Grande ou no Maracanã, Garrincha é franciscano. É o único brasileiro, vivo ou morto, que não conhece o ódio e, digo mais, que não conhece uma vaga de irritação. Nós somos um povo de ira fácil. Aqui, todo mundo gostaria de quebrar a cara de todo mundo (e, finalmente, ninguém quebra a cara de ninguém). Vocês se lembram daquele chefe de família que entrava em casa avisando: “Não falem comigo que, hoje, eu estou brigando automaticamente”. 

8-    Garrincha, não. Garrincha, nunca. Faz um futebol sem “foul”. É caçado em campo, a cacetadas, como uma ratazana o era nos tempos de Osvaldo Cruz. É ceifado, dizimado. E só uma coisa admira: é que, no fim de cada jogo, ele não saia de maca ou não saia de rabecão. Pois bem: e jamais ocorreu a Garrincha enfiar o pé na cara de ninguém. É quebrado e, depois, cata no chão os próprios cacos. 

9-    Mas onde Garrincha é mais franciscano, onde? Com as baianas. Sim, com as baianas turísticas, folclóricas, que vendem cuzcuz, pés de moleque, o diabo. E Garrincha prefere as cocadas brancas, nupciais, insiste: virginais. Mas não pensem que ele as come com uma simplicidade animal. Nada disso. Há uma ternura, há um amor. E ele poderia dizer como um santo: “Nossa irmã, a cocada”. 

10- Hoje, está em Campos do Jordão e eu repito: Campos do Jordão é um cimo lívido, varado de ventos tristíssimos, de ventos inconsoláveis. Faço então a pergunta: por que meter Garrincha e o “scratch” na geladeira, por quê? Alguém dirá que é uma preparação para o frio dos Andes. Mas pelo contrário! O brasileiro é canicular. Há, nele, uma feroz e eterna nostalgia de canícula. Devíamos entupir, devíamos abarrotar Garrincha e o “scratch” de sol, de muito sol. Para derrotar o abominável frio chileno. 

11- Algum Drummond podia ir, de porta em porta, pedindo: “Sejamos docemente Garrincha!” Ser Garrincha é uma solução para milhares, para milhões.

* Fonte: O GLOBO/Esporte - Sábado, 24 de março de 2012

Poesia

AO FIM

Ao fim são muito poucas as palavras
que nos doem a sério e muito poucas
as que conseguem alegrar a alma.
São também muito poucas as pessoas
que tocam nosso coração e menos
ainda as que a tocam por muito tempo.
E ao fim são pouquissimas as coisas
que em nossa vida a sério nos importam :
poder amar alguém, sermos amados
e não morrer depois dos nossos filhos.

Amalia Bautista
Cuéntame-lo otra vez (1999)

terça-feira, 27 de março de 2012

Patrulha

Não conheço a Ministra Ana de Holanda. Sequer sabia de sua existência como cantora ou membro do clã Buarque de Holanda até que foi nomeada por Dilma Roussef para o cargo de Ministra da Cultura.

Não possuo elementos para fazer uma avaliação isenta de sua atuação. Considero-a tímida e excessivamente discreta para a evidência que a função acarreta e o enfrentamento com os algozes que cobram sua cabeça.

Sua aparência frágil e desamparada, em meio ao vespeiro de Brasília, atrai minha simpatia.

Agora a imprensa traz a notícia de que poderá ser investigada pela Comissão de Ética da Presidência da República por ter recebido seis camisas da Escola de Samba Império Serrano que lhe davam acesso a local privilegiado para assistir ao desfile no Sambódromo.

Diante do que ocorre na capital federal dá para pensar que a iniciativa contra ela não passa de uma brincadeira sem graça.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Dicionários

O comportamento politicamente correto consiste numa atitude que visa evitar constrangimentos, discriminações, preconceitos, em razão de etnias, cor, religião, gênero, política e preferencias sexuais.

Tem por fundamento justiça, solidariedade e humanismo.

Uma interpretação excessiva, radical, dessa ideia tende a desmerece-la e até ridicularizar algo que era inicialmente uma boa iniciativa.

Uma visão alheia à história tem levado a ações descabidas como a proposta de modificação de livros de Monteiro Lobato por considerar seus conteúdos racistas.

Ao enveredar por esses caminhos os caçadores de incorreções políticas teriam muito o que fazer em relação a incontáveis obras da literatura brasileira e mundial consagradas através dos anos.

Fariam melhor se olhassem a obra e o contexto histórico dentro do qual foi escrita.

O exagero desses patrulheiros da assepsia política chega agora aos dicionários. Incursionam contra verbetes do Houaiss que consideram acolher usos pejorativos do vocábulo.

Uma das vítimas dessa patrulha é o termo cigano para o qual o dicionário registra significado usado de forma ofensiva àquele povo, no passado ou no presente.

Parece pois uma rematada tolice investir contra acepções de vocábulos dicionarizados, por serem, ou terem sido de uso do povo, sem que isso implique em endossar significados colhidos em pesquisas linguísticas e lexográficas.

Para quem se interesse pelo tema recomendo a leitura da crônica de Lya Luft, Vamos Queimar os Dicionários, na revista Veja, edição de 14/03/12.

domingo, 25 de março de 2012

Indicação

A economia do mundo está doente.

Talvez por isso Barack Obama tenha indicado um médico americano de ascendência sul coreana, Jim Yong Kim, para presidir o Banco Mundial.

Tradicionalmente o FMI tem sido dirigido por europeus e o Banco Mundial por americanos.

A propósito, a Presidente Dilma em vilegiatura pela India para uma cúpula dos BRICS, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, mostra interesse pela criação de um banco a ser instituido por esses paises.

Segundo ela os paises mais ricos resistem a aceitar nas instituições financeiras internacionais um maior protagonismo dos emergentes. Além do que elas estariam com sua capacidade de financiamento saturada.