segunda-feira, 25 de abril de 2011

Economia e democracia

Do artigo Quebra Moral da Economia de Mercado, de autoria de Antón Costas, publicado no jornal El País, edição de 18/04/11:

Porém se a política não recobra sua autonomia frente aos mercados financeiros, e a sociedade não é capaz de manifestar sua indignação ante estas condutas, não haverá limites eficazes à economia especulativa, à volatilidade financeira e à desigualdade.

Assim sendo, o maior risco da próxima década será a crescente ingovernabilidade de nossas sociedades democráticas. Alguns sinais apontam já nesta direção.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ramos

Ontem fui à missa no Mosteiro dos Jerônimos uma bela e solene celebração do Domingo de Ramos abrindo a semana da Páscoa.

O templo, exemplar do estilo Manuelino, impressiona pela sua monumentalidade e o detalhe das formas esculpidas na pedra.
Foi o período áureo de Portugal, reinado de D. Manuel I, o Venturoso, marcado pelas grandes navegações e descobertas que alargaram o mundo e descortinaram novas fronteiras abertas pela intrepidez do homem.

Lobato e Twain

A onda exagerada do politicamente correto vai fazendo postumamente vítimas célebres por toda parte.

No Brasil a mais recente foi Monteiro Lobato, cujos livros para crianças foram proibidos pelo Conselho Nacional de Educação para adoção nas escolas públicas acusados de racismo e discriminação contra os negros.

A alternativa proposta à medida tão radical foi a supressão de certos textos das obras.

Nos Estados Unidos tocou a vez a Mark Twain. A edição "correta" diminuída de Huckleberry Finn, de responsabilidade de Alan Gribben da Universidade de Auburn, Alabama, substituiu a palavra nigger por slave e injun por indian.

Em 2009 John Foley anunciava que a vitória de Obama abria caminho para finalmente banir Huckleberry Finn, Por Favor não Matem a Cotovia, de Harper Lee e Ratos e Homens, de John Steinbeck do mundo editorial.

Creio que esses brigadistas do politicamente correto exageram em sua condenação ao racismo ao quererem impor alterações em textos consagrados pelo tempo escritos quando não vigia o pensamento liberal que hoje rejeita todas formas de discriminação.

Saiba mais em Notícias Magazine, do jornal Diário de Notícias, edição de 23/01/11

domingo, 17 de abril de 2011

A frase do dia

A propósito do debate sobre a dívida:

As democracias precisam tanto de uma liderança corajosa como de um eleitorado que compreenda o custo de adiar as decisões dificeis.

Raghuran Rajan, economista indiano ex funcionário do FMI.

Mau humor

"Segundo um inquérito em que perguntaram às mulheres italianas se gostariam de fazer sexo comigo, 30% responderam Sim enquanto os outros 70% responderam, Outra vez?"

Silvio Berlusconi, Primeiro-Ministro da Itália

Acordo ortográfico III

A seguir dois exemplos da maneira lusitana de se expressar que demonstram de forma clara a diferença no modo de falar em Portugal e no Brasil.

Merkel sofre derrota histórica, Verdes sobem à boleia do nuclear. No jornal Diário de Notícias, edição de 28/03/2011. Nós jamais diríamos assim que os Verdes cresceram nas eleições alemãs pegando carona no desastre nuclear ocorrido no Japão.

Vá à bola de transporte público. Cartaz afixado no Metro. Não seria com esta frase que faríamos uma campanha para estimular os torcedores a usarem o transporte coletivo para irem aos estádios.

Acordo ortográfico II

O acordo ortográfico celebrado entre Brasil e Portugal e já em vigor despertou reações portuguesas partidas de alguns intelectuais, jornalistas e do setor editorial, com razoável repercussão na imprensa.

Ainda hoje são publicados artigos nos jornais que ignoram as novas regras a pedido dos autores.

A reação dos editores tem um fundo econômico : o receio de perderem mercado nos países lusófonos e o custo de adaptação às mudanças nas novas tiragens.

As resistências são ainda alimentadas por um certo orgulho nacional que teme pelo avanço brasileiro ao que consideram um patrimônio do país.

Considero as reações ao acordo sem muito sentido. As vantagens da padronização são evidentes. De resto ele trata de questões menores, acentos, hífen, a supressão do trema e das consoantes mudas entre outras questões.

O coração da língua, a prosódia e a semântica, isto é, a pronúncia e o significado das palavras, não mudam.
Não são os professores doutores e os filólogos que fazem a língua, mas o povo.

Essa só se altera pelo uso cotidiano. A incorporação e o descarte de novas palavras ocorrem devido à evolução da sociedade e o contágio de culturas e línguas diferentes.

O acordo não muda a forma de darmos nomes às coisas.

Os brasileiros continuarão a dizer: fila, terno, banheiro, descarga, onibus, arquivo, avental.

E os portugueses permanecerão a falar: bicha, fato, casa de banho, autoclismo, autocarro, ficheiro, bibe.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Adequados

Em minhas andanças por Lisboa deparei-me com nomes próprios sugestivamente relacionados às funções que exercem.

A Ministra do Meio Ambiente de Portugal chama-se Dulce Pássaro. Há poucos dias, em visita a um sítio protegido, comemorou o reaparecimento de uma espécie de ave ameaçada de extinção.

Vi na fachada de um prédio de Lisboa um grande anúncio: Arrenda-se. Nº do telemóvel. Tratar com João Penetra.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Aniversário

Ontem, dia 12, foi aniversário de nascimento de meu pai, Waldemar Alcântara, falecido em 1990.

Minhas irmãs e eu, com a ajuda de familiares e colaboradores, estamos por definir eventos que marcarão seu centenário no próximo ano.

Independentemente de posições políticas esperamos que instituições públicas e privadas a que serviu com zelo e dedicação venham a se associar a essas manifestações.

terça-feira, 12 de abril de 2011

A frase do dia II

As possibilidades são numerosas quando decidimos agir e não reagir.

Bernard Shaw, dramaturgo e romancista irlandês (1856 - 1950)

A frase do dia


Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e viver com ousadia. Pois o triunfo pertence a quem se atreve, e a vida é muito bela para ser insignificante.

Charles Chaplin 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

João XXIII

O Papa João XXIII apontava o céu e mostrava a terra. Falava de Deus a pensar no homem, carregava a cruz da infalibilidade com a bonomia de um cético.

A frase, de autoria do escritor Miguel Torga, está no artigo de Frei Bento Domingues O.P., Memória para o Futuro, no qual discorre sobre a importância do Concílio Vaticano II fruto da determinação daquele Pontífice que guiou a Igreja Católica por novos caminhos.

Saiba mais no jornal Público, edição de 10/04/11

Contas

A Universidade de Stanford criou um índice de responsabilidade orçamental. Quem lidera o ranking é a Austrália seguida pela Nova Zelândia e a Estonia.

Foi da Austrália e Nova Zelândia que nos veio a inspiração para implantação em nosso país da Lei de Responsabilidade Fiscal importante passo para disciplinar os gastos do governo nos três níveis da federação.

O Brasil está em décimo lugar a frente de paises como Canadá, Holanda, Noruega, Finlandia, França e Alemanha.

Estados Unidos, Hungria, Irlanda, Japão, Islândia, Portugal e Grécia ocupam as últimas posições.

Saiba mais no jornal Expresso, edição de 09/04/11

Punição

Na Escola Secundária Garcia de Orta, na cidade do Porto, um aluno de 13 anos foi alvo de uma curiosa agressão por parte do diretor da mesma em Abril do ano passado.

Após ter dito que "Esta escola é uma merda!" o jovem foi chamado ao gabinete do diretor que em seguida lhe apertou os testículos. Os gritos e o barulho acabaram por chamar atenção de uma professora que presenciou o fato.

O caso gerou grande reação na comunidade escolar e repercutiu intensamente no facebook.

O resultado do inquérito levado a efeito resultou na exoneração do diretor além de uma suspensão por 90 dias.

Saiba mais no jornal Público, edição de 09/04/11

A frase do dia

O desenvolvimento técnico só vai deixar um único problema por resolver : a debilidade da natureza humana.

Karl Kraus, poeta e dramaturgo austríaco (1874 - 1936)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Leitura

Acabei de ler Os Jardins da Memória, Editorial Presença, do turco Prêmio Nobel, Ohran Pamuk, que há tempos aguardava o momento de ser lido.

É uma página de amor a Istambul, a metrópole que pulsa entre dois mundos, abraçada pelo Ocidente e o Oriente. Dividida, e fundida, entre duas culturas.

O autor fala com nostalgia, e melancólico carinho, da família, das ruas e praças, dos tipos, usos e costumes, e uma sutil condenação da influência americana e europeia sobre o meio.

O ritmo lento, mas sedutor, alimenta um mistério que leva o personagem principal a caminhar sem destino e horário pelas ruas, desertas ou apinhadas, em busca de uma resposta.

A síntese psicológica desse errante urbano surge quase ao fim do livro numa sentença que se desdobra em suas últimas páginas.

Para o homem o problema mais importante é poder ou não poder ser ele próprio.

O eterno drama da identidade pessoal constrangida pelo forçoso convívio social.

O tempo

Quando era criança
Gostava que o tempo apressasse
Para ingressar logo
No mundo dos adultos

Agora, gostava
Que o tempo retardasse
Para conviver com as
Promessas do futuro

Ele, nunca, nem ontem
Nem hoje, me obedeceu,
Rebelde aos meus desejos

Indomável, manteve
O ritmo de sempre
Indiferente às minhas
Vontades

Fico todavia a pensar
Que acelera a roda quando
A vida está madura.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Charada

Pichação em uma parede de Lisboa :

Nenhum emprego é melhor que emprego nenhum.

Declínio

Na capa da edição portuguesa de março da revista Foreign Policy:

O declínio americano
Desta vez é mesmo verdade

Será mesmo?

Silêncio

Na paz verde dos jardins da Gulbenkian só um zumbido que há tempo se acomodou em meu ouvido interfere no peso do silêncio.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Obama

O presidente americano anunciou sua candidatura a um segundo mandato. Era o esperado. Todavia o lançamento foi precoce para os padrões americanos uma vez que a eleição se dará em novembro de 2012.
A explicação oferecida pelos responsáveis é que o tipo de campanha imaginada leva tempo a construir.

A sede da campanha ficará em Chicago para transmitir a ideia de que não interferirá nas ações do governo e será desenvolvida de acordo com as preocupações do país e não com as conveniências do poder.

Novamente as redes sociais serão usadas de forma intensa para difundir propostas e mobilizar as pessoas.

A frase chave já está definida. Tudo começa conosco  substitui  Sim, nós podemos.

Saiba mais no jornal Público, edição de 05/04/11

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Fotos

O blog ganha mais vida com a postagem de fotos. Todas elas de autoria da Maria Beatriz.

Estamos em fase experimental. Agradecemos comentários.

Acordo ortográfico

Está em curso um acordo ortográfico a ser celebrado entre os paises lusófonos com o objetivo de padronizar a escrita da língua portuguesa.

Isso viria facilitar sua adoção nos foruns internacionais conferindo maior prestígio à língua falada por cerca de 250 milhões de pessoas espalhadas pelo mundo.

A vigência do acordo se dá após aprovação pelos parlamentos nacionais. No momento vigora, salvo engano de minha parte, no Brasil, Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Aguarda aprovação em Angola, Moçambique e Timor.

No âmbito da Comunidade de Paises de Língua Portuguesa criou-se o Instituto da Língua Portuguesa com o objetivo de difundir o português entre os paises membros e em todo mundo.

É lamentável que esse organismo, sediado em Cabo Verde, ainda não tenha oferecido resultados concretos.

É de salientar que nos países africanos, além do português, são faladas línguas índigenas que competem de alguma forma, alimentadas por nacionalismos, com o idioma luso.

Em um mundo em processo de rápida globalização poucas línguas sobreviverão para comunicação entre os povos.

Busca-se assegurar que o português seja uma dessas.

Humanidade

Quando eu nasci já estavam escritas todas as frases para salvar a humanidade. Só faltava uma coisa, salvar a humanidade.

Fernando Pessoa

sábado, 2 de abril de 2011

Sucesso

A minha obrigação como romancista é manter a disputa entre comédia e tragédia.

A frase pertence ao escritor Howard Jacobson, judeu, considerado o Philip Roth inglês, vencedor da última edição do Booker Prize com o livro A Questão Finkler, já traduzido em Portugal.

Embora já tenha escrito uma dezena de livros foi esse último que lhe deu fama internacional. O texto é leve e irônico com um humor fino que na sua expressão engasga com o riso.