sábado, 14 de março de 2009

Inapetência

O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) revelou sua inaptidão para o trabalho parlamentar. Diz-se frustrado com o legislativo e inadaptado à sua dinâmica.

A constatação é estranha e decepcionante. Estranha por ser ele conhecedor de como opera o parlamento, uma vez que iniciou sua carreira política como deputado estadual. Decepcionante porque sua atuação pífia é incompatível com a investidura proporcionada por uma votação exuberante.

A manobra visa angariar simpatia, face a impopularidade dos políticos e do Congresso Nacional (CN).

Mais honesto seria renunciar ao mandato. Não tenho idéia de quem seria o suplente convocado. É possível que tenha mais disposição para o trabalho.

4 comentários:

Barros disse...

Dr. Lúcio,abaixo seus leitores podem ler a Coluna ARGUMENTO POLÍTICO, da quinta-feira,12.03.09que escrevo no semanário FOLHA DO CEARÁ.

Ciro, o sofista

O Deputado Federal Ciro Gomes continua sofismando em torno de temas os mais diversos. Como analista econômico é mais prolífico ficcionista dos últimos tempos. Na condição de representante do povo cearense na Câmara Baixa do país, eleito com a extraordinária votação de mais de 600 mil votos, tem-se revelado um fiasco. Falta-lhe inapetência para o debate sincero ou a coragem para provocar os colegas parlamentares a aprofundar uma salutar discussão sobre os rumos do país. A frouxidão da atuação parlamentar do Deputado Ciro está também presente na ausência de uma ação propositiva que dê sustentação à sua fama de moço inteligente e perspicaz. O niilismo é a doutrina que preside o mandato do deputado.

O senhor Ciro Gomes apresenta-se-nos como um sofista no sentido que o senso comum dá ao termo que herdamos da Filosofia grega. É bem aplicado àquele que ao ser indagado para responder determina questão, em vez de ir direto ao assunto, tergiversa, escamoteia, escorrega, ironiza e acaba, muitas vezes, deixando de lado o ataque ao argumento para tentar descredenciar o antagonista. É claro que este método continua a agradar aos tolos. Mas, somente aos tolos o método encanta. Aos medianamente informados e aos cidadãos de boa vontade não há meios de convencimento através desses caminhos de divagação monológica que enfastia e irrita.

Ciro, o grande

Neste pé, o senhor Ciro Gomes (foto), que anda perdido não apenas em termos parlamentares, mas se equilibra com dificuldade na corda bamba do cenário da política nacional não consegue esconder duas coisas: a sua atual inapetência para o trabalho e a arrogância em face dos instrumentos democráticos com os quais deve conviver. Em entrevista concedida a uma emissora de TV local, na segunda-feira passada, Ciro fez pouco caso da Câmara dos Deputados e acusou seus colegas de preguiçosos e medíocres, autocolocou-se em pedestal a que os pares não podem alcançar, tal o seu nível de conhecimento e respeitabilidade. Em outras palavras: Ciro, o grande, não encontra no Congresso Nacional debatedor à sua altura e por isso tem-se mantido silente e... ausente do local do emprego que os cearenses lhe presentearam nas últimas eleições e que significa, entre outras coisas um polpudo salário e gordas mordomias.

Preguiçosos

Ao que parece os Ferreira Gomes não são dados ao trabalho. O blá-blá-blá rasteiro da política partidária menor lhes tem sido bem mais apetitoso do que a ação política como arte de gerir a “pólis”, administrar a “res publica”. O senhor Tim Gomes, exerceu com sofreguidão e competência, a coordenação política do governo municipal sob a liderança do então prefeito Juraci Magalhães. Num abrir e fechar d'olhos passou-se para o lado de Luiziane Lins, quando a petista derrotou o velho peemedebista. Agora, Tim, feito vice de Luiziane, depois de protagonizar um arranca-rabo na Câmara Municipal, avisou: não vai pregar um prego numa barra de sabão como vice. Mas, duvido que abdique do salário a que (não) faz jus.

Absenteísta

O senhor Ciro Gomes também já disse em alto e bom som que está de saco cheio com a Câmara dos Deputados e pediu desculpas aos mais de 600 mil cearenses que nele votaram nas eleições passadas. Ele reconhece sua pífia atuação parlamentar e põe a culpa nos colegas. Age como todo e qualquer incompetente, que bota sempre a culpa das falhas no outro. Na verdade, não conseguiu furar o cerco de poder dos “donos” do Congresso, não atreve-se a enfrentar os tuxauas da Câmara que não lhe são simpáticos (por que será que não o faz?) e, finalmente, as argumentações falaciosas que encanta muita gente não faz sucesso na Câmara dos Deputados, cheia de cobras criadas, como diz o vulgo. Então, só restou ao senhor Ciro Gomes, meter a viola no saco e recolher-se à sua insignificância. Aliás, recolher-se aos braços da sua amada Patrícia Pillar, no Rio de Janeiro, onde fixou residência. Por isso, o senhor Ciro Gomes não tem comparecido como deveria às sessões da Câmara e nem às reuniões das comissões técnicas a que pertence. Como pode, então, haver debate com um absenteísta congênito?

Augusto disse...

Também o considero inapto para atribuições de outros cargos, inclusive no Executivo.
Como o senhor disse, seria digno que ele efetivamente honrasse o mandato concedido por mais de seiscentos mil cearenses.
Mas o bom salário de parlamentar, aliado à verba de gabinete, impede a renúncia.

Anônimo disse...

É só pedir tempo na camara e ir fazer campanha brasil afora.O que não tá certo e ganhar dinheiro com palestras enquanto deveria estar trabalhando para os eleitores que votaram nele.Afinal quem o pago e a camara federal

Anônimo disse...

Dr. Lúcio,

Como sempre, um diagnóstico lúcido sobre um fato decepcionante e constrangedor em nossa política.

Como bom oportunista que é, Ciro Gomes faz seu costumeiro jogo: buscar saídas espertas que protejam sua aguda preguiça e não atrapalhem sua clara opção por uma vida mansa, coisas bastante difíceis de serem justificadas num homem público.

Como não dá pra esconder por muito tempo que o problema está nele, usa desse malabarismo tosco e, numa pirueta, joga o foco no desgastado congresso pra escapar de cobranças, defendendo suas fuças de toupeira sorrateira e ardilosa.

Mas fica difícil justificar o desperdício de um mandato conseguido às custas de tamanho contingente de votos, de tantas esperanças que se frustram ao ver a descarada incompetência do boquirroto.

2010 se aproxima e as toupeiras começam a sair da letargia dos subterrâneos escuros para exercitar seu esporte preferido: enganar eleitores.

É osso!

Cris