sábado, 26 de julho de 2014

Intelectual

Já li muita definições de intelectual mas esta, de George Steiner, é a mais sucinta embora não menos precisa : Intelectual é um ser humano que tem na mão um lápis quando está lendo um livro.

In Nenhuma Paixão Desperdiçada, editora Record.

Permanência da palavra

O mármore se desfaz, o bronze perece mas as palavras escritas ---- aparentemente o meio de expressão mais frágil -- sobrevivem. Vão-se seus criadores e elas permanecem -- Flaubert lançou seu grito de protesto diante do paradoxo de estar ele morrendo como um cão abandonado enquanto a "prostituta Emma Bovary, criatura sua, surgida de palavras sem vida rabiscadas em folhas de papel, continuaria a viver. Até aqui somente os livros conseguiram exceder à morte em astúcia e tem realizado o que Paul Éluard definiu como a compulsão maior do artista : le dure désire de durer.

De George Steiner, no livro Nenhuma Paixão Desperdiçada

sexta-feira, 25 de julho de 2014

UMA MENINA DE (AO MENOS) 800 ANOS
(Pasquale Cipro Neto)
 
 O documento régio mais antigo redigido em português de que se tem notícia o Testamento de D. Afonso II, o terceiro rei de Portugal. A data desse documento? 27 de junho de 1214. Já lá se vão 800 anos e alguns dias.

Há registros de documentos escritos antes, mas, por ser oficial e por ter estrutura e formas que o distinguem do galego-português, isto, por ter sido escrito em português (arcaico), o Testamento de D. Afonso II simboliza a "certidão de nascimento" da nossa língua.

Para alguns, esse "nossa" que acabo de empregar motivo bastante para uma "guerra", mais ideológica do que real ou concreta. Explico: tanto no Brasil quanto em Portugal há gênios que dizem que o que se fala no Brasil "brasileiro".

Dou um exemplo, real e inacreditável: um amigo (brasileiro) entrou numa loja do aeroporto de Lisboa e perguntou algo a uma funcionária, que respondeu em inglês. O "cliente" fingiu que no ouvira o que ouvira e continuou a conversa em português, mas a rapariga... Bem, diante da insistência dela em responder em inglês, tornou-se inevitável a pergunta: "Mas por que a senhora me responde em inglês se entende perfeitamente o que lhe digo em português?". Prepare-se, caro leitor: "Porque eu só falo português com portugueses; com turistas, falo inglês".

Sim, nos 514 anos desses 800 (que certamente so mais de 800), o português do Brasil fez o que afirma Caetano Veloso na genial "Língua" (de 1984): "Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões". "A língua de Luís de Camões" o português de Portugal, e "a minha língua" o português brasileiro moderno, feito com o roçar do português europeu.

A origem (latina) de "roçar" é  a mesma de "romper" ("rasgar, quebrar, arrebentar"). "A minha língua" se faz como faz quem tem nas mãos uma foice e sai abrindo caminho.

Não se pode esquecer que, por extenso de sentido, "roçar" tem os traços semânticos de "tocar", "resvalar", "friccionar", sentidos que se ilustram bem pelo roçar de pernas que se dá numa conjunção carnal amorosa -na letra de Caetano, essa conjunção se dá entre o português de lá e o de cá. Se pensarmos na metáfora de uma conjunção carnal, os corpos (as duas vertentes da língua) aproximam-se e afastam-se, aproximam-se e afastam-se...

No belíssimo documentário "Língua _Vidas em Português" (do moçambicano Victor Lopes), disponível no YouTube, o grande escritor moçambicano Mia Couto faz referência e reverência específica ao namoro e à conjunção carnal entre o português europeu e o do Brasil. Mas do notável José Saramago a mais cabal definição: "Penso que no haja propriamente uma língua portuguesa; há línguas em português".

Celebremos os mais de 800 anos e a multiplicação de outros tantos -que decerto virão. E celebremos o que já se fez e se faz na nossa língua, que nossa, sim, e de todos, sem ressentimentos ou preconceito.

Lembro aqui uma apresentação de Caetano Veloso em Roma. Ao chamar para o palco a magnífica cantora portuguesa Dulce Pontes, Caetano disse, em italiano, que a chamaria "per cantare con me nella nostra lingua portoghese".

Lembro também o grande Fernando Pessoa: "A minha pátria a língua portuguesa". Em "Língua", Caetano cita esse pensamento e, num primeiro momento, altera-o ("Minha pátria minha língua") e exemplifica-o com esta exortação: "Fala, Mangueira!". Em outro momento, Caetano cita-o novamente e o emenda: "A língua minha pátria/ E eu no tenho pátria, tenho mátria / E quero frátria".

Como diz Mia Couto, o Brasil deu as costas para a África (e também para Portugal, creio). E, de certa maneira, estamos todos de costas uns para os outros.

Independentemente disso, as línguas em português seguem (e seguirão!) belas, firmes e fortes. É isso. 

Fonte: Folha de São Paulo (17/07/2014)

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Aeroportos

O governo comemorou o funcionamento tranquilo dos aeroportos durante a Copa. Realmente não há notícias de congestionamento, tumulto, atrasos que viessem a causar desconforto aos usuários naquele período. O temido caos aéreo não aconteceu.

Certamente terão contribuido para isso providências como suspensão de voos não relacionados aos eventos da Copa e outras medidas para diminuir o tráfego aéreo nas sedes de jogos.

Na verdade o tráfego em aeroportos caiu 4% nas cidades-sede. O número de pousos e decolagens nos aeroportos durante os dias de jogos da Copa foi 4% menor do que um mês antes. O cálculo foi feito segundo dados dos boletins diários de tráfego aéreo de 12/06 a 13/07.

Ao longo da Copa houve apenas três dias de pico todavia não foram mais intensos que em Carnavais ou feriados de fim de ano.

Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 17/07/14

Energia

O aumento na conta de energia elétrica desencadeou um processo de desativação de indústrias que optaram por substituir a produção pela venda de energia.

Com contratos de longo prazo empresas deixaram de produzir para venderem a energia contratada. Miram a rentabilidade do capital indicando que vai mal a performance industrial do Brasil.

O maior exemplo dessa prática está no setor de alumínio formado por grandes consumidoras de energia elétrica. A produção local foi reduzida, a energia comercializada o que lvou a um aumento de da importação em 888%.

Algumas fábricas, diante da elevação do preço da energia, não puderam arcar com os custos, tornaram-se inadimplentes e tiveram o fornecimento cortado.

Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edições de 04 e 06/07/14

quarta-feira, 16 de julho de 2014

A convite da Liberty Fund --uma associação americana que promove dezenas de colóquios por ano pelo mundo inteiro e publica as grandes obras do pensamento político "liberal"-- passei os últimos dias relendo Alexis de Tocqueville (1805-1859), autor do clássico "Da Democracia na América" (e do igualmente magistral "O Antigo Regime e a Revolução").

Da primeira vez que viajei com ele pelos Estados Unidos, ainda estudante, devo ter entendido metade da obra (estimativa otimista). Hoje, confesso que consegui uns 75% --e simpatizei com a essencial inquietação do aristocrata francês.

A "era democrática" nascia desse lado do Atlântico. Acabaria por se espalhar pelo mundo. Mas Tocqueville, apesar de admirações mil pelo novo país, detectou na "era da igualdade" o seu problema mais marcante: como escapar às "tiranias da maioria", que poderiam ser ainda mais brutais do que as tiranias do passado?

No Antigo Regime, a tirania tinha solução: as cabeças decepadas de Charles 1º (na Inglaterra) ou de Luís 16 (na França) eram uma resposta possível. E eficaz.

Mas como fugir, na era democrática, a essas tiranias majoritárias, silenciosas, muitas vezes ignaras, que subvertem as liberdades básicas em nome de uma difusa "vontade geral" --que, por ser geral, têm sempre prioridade sobre as vozes dissonantes?

Conheço as respostas clássicas para aliviar os potenciais prejuízos: separação de poderes; eleições regulares; liberdade de expressão; fortalecimento da sociedade civil. Tocqueville tocou todos esses instrumentos.

Mas o que perturba é verificar que, para Tocqueville, nenhum desses mecanismos pode ser suficiente para evitar o dilúvio da tirania majoritária. A história do século 20 é o retrato dessa melancolia profética: será preciso recordar os ditadores que usaram a democracia para liquidar a democracia?

Só que o problema das democracias não se limita às "tiranias da maioria". Também é preciso ter em conta as "tiranias da minoria" --uma observação sagaz introduzida na discussão do colóquio por John O'Sullivan, um conhecido colunista britânico para quem um dos problemas das democracias modernas está na forma como alegadas "elites" (políticas, intelectuais, acadêmicas etc.) capturam a liberdade das maiorias.

Pode ser sob a forma de um "paternalismo soft" (o que devemos comer, beber, fumar etc.). E pode ser sob a forma de um "paternalismo hard" (o que devemos ler, pensar, que expressões usar, que sensibilidades de minorias respeitar etc.).

Escusado será dizer que as nossas democracias estão hoje dominadas por esses dois tipos de tiranias: por um lado, a tirania de populistas autoritários que conquistam facilmente a ignorância e a pobreza das massas com suas promessas ilusórias de redenção.

Por outro lado, encontramos também a tirania de uma suposta "intelligentsia" vanguardista que gosta de tratar os cidadãos como crianças --crianças que não sabem pensar, nem comportar-se, nem viver sem a tutela de um Estado "babysitter", que as embala do berço até a cova. Haverá solução para isso?

Curiosamente, Tocqueville achava que sim. E mais: considerava que essas soluções deveriam nascer no interior das democracias --e não pelo retorno reacionário a uma idade de ouro aristocrática que, na verdade, nunca verdadeiramente existiu.

Algumas dessas soluções já foram referidas: separação de poderes; liberdade de expressão; pluralismo religioso; reforço da independência da sociedade civil (a "arte de associação", como lhe chamava Tocqueville e que ele presenciou com agrado nos Estados Unidos).

Mas a mensagem fundamental de Tocqueville é que a única forma de preservar a liberdade perante a tirania passa por cultivar nos indivíduos o gosto por essa liberdade.

Ou, como o próprio escreveu num dos momentos mais sublimes da sua "Da Democracia na América", o principal objetivo de um governo virtuoso é permitir que os cidadãos possam viver sem a sua ajuda. E acrescenta Tocqueville: "Isso é mais útil do que a ajuda alguma vez será."

Passaram quase 200 anos sobre essas palavras. Curiosamente, não envelheceram uma ruga.

Fonte: 1º/07/2014 - Folha de S.Paulo
Autor: João Pereira Coutinho
Vou ao supermercado e fico pasmo com os produtos nas prateleiras. Não falo da quantidade de iogurtes, bolachas, pastas dentifrícias ou papel higiênico que me transformam no famoso burro de Buridan --o asno do paradoxo filosófico que morre de fome por não saber qual dos pedaços de feno escolher. De fato, tanta variedade paralisa qualquer um.

Falo de outro fenômeno igualmente agônico: a quantidade de produtos alimentares que parecem diretamente saídos de um consultório médico.

Um iogurte não é um iogurte, com um determinado sabor e uma determinada textura. É quase um remédio de farmácia que promete diminuir o colesterol e controlar 50 outros indicadores orgânicos igualmente importantes para a saúde do sujeito.

E quem fala em iogurtes, fala em sucos (com seu cortejo de vitaminas), batatas fritas (com reduções heroicas na quantidade de sal) e até chocolates (alguns deles prometem melhorar o fluxo arterial). Como se chegou a isto? Verdade: com a "morte de Deus" e o fim de uma vida transcendente, cuidar do corpo transformou-se na única religião dos homens modernos. De tal forma que nem a gastronomia está a salvo: antes do prazer ou da mera fome, está primeiro a saúde. Hoje, não se come mais para viver. Come-se para viver até aos cem --uma importante revolução civilizacional.

Honestamente, nem sei por que motivo não se abrem restaurantes em hospitais, com refeições cozinhadas por médicos e servidas por enfermeiros. No final, o cliente faria análises ao sangue e só pagaria a conta se tivesse o número certo de triglicerídeos.

O problema é que nem no hospital o cliente estaria a salvo. Desde logo porque é cada vez mais difícil saber o que comer: existem estudos, publicados a um ritmo demencial, que dizem uma coisa e o seu contrário. Às vezes, na mesma semana --ou até no mesmo dia.

A carne vermelha é má, defendem uns. A carne vermelha é ótima, garantem outros. Sobre os laticínios, há opiniões para todos os gostos: são puro veneno; são simplesmente insubstituíveis. E até as gorduras, que deveriam ser um inimigo consensual, parece que não são tão inimigas assim.

A revista "Time", aliás, dedicou matéria especial ao fenômeno: durante décadas, o país declarou guerra às gorduras. Que o mesmo é dizer: incluiu no Index da dieta nacional a carne vermelha, os ovos, os laticínios, a manteiga. A mensagem era simples: conservar um coração saudável implicava dizer adeus a todo esse lixo. Conclusão? Os americanos foram dizendo adeus ao lixo, optando por aves, leite magro ou cereais. Infelizmente, a mudança na dieta não os tornou mais saudáveis. Pelo contrário: o país está mais doente do que nunca.

A diabete de tipo 2 aumentou 166% entre 1980 e 2012. Os problemas do coração continuam no topo da lista --e das mortes. E, sobre a obesidade, estamos conversados: falar dos Estados Unidos é imaginar uma nação disforme de glutões disformes. Explicações? Não, a gordura não é o papão que se imaginava, explica a revista. Não entro em termos técnicos, até porque eles são demasiado gordurosos para mim. Mas parece que a gordura do peixe e dos vegetais é boa para o coração. E até a gordura "suspeita" de um bom filé (cozinhado com manteiga, claro) tem vantagens respeitáveis na limpeza do mau colesterol.

Os verdadeiros inimigos, hoje, são os carboidratos presentes nos açúcares, nos doces, nos farináceos. Isso, claro, enquanto não surgir um novo estudo a defender precisamente o contrário --ou, pelo menos, a colocar as coisas na suas devidas proporções.

E eu? Que fazer perante essa selva de alarmes contraditórios? Nada. Rigorosamente nada. Perdido no supermercado, vou retirando das prateleiras os alimentos que a ciência aprova e desaprova nos dias pares e ímpares, respectivamente.

E confesso que as gorduras continuam a ter espaço generoso na minha dieta animalesca. Não que eu me orgulhe disso, cuidado. Mas enquanto não existirem estudos definitivos sobre o assunto, prefiro seguir as recomendações da minha ilustre dra. Gula.

Fonte: 24/06/2014 - Folha de S.Paulo
Autor: João Pereira Coutinho


Leitura

A Academia Americana de Pediatria recomenda ler para o bebê desde o nascimento para ajudar a enriquecer a linguagem, racíocínio e a própria vida.

A entidade apregoa : Leiam para seus filhos desde o nascimento.

Novos estudos baixam a os benefícios da interação com os pais e os livros para antes dos dois anos,.

Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 29/06/14

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Indústria

As montadoras passam a prever queda de 10% na produção de veículos este ano.

No primeiro semestre a baixa foi de 16,8% em relação à igual período do ano passado. Associação do setor atribui a redução à menor oferta de crédito. Conta com uma recuperação das vendas após a Copa.

De qualquer forma o desempenho final estará longe da previsão inicial de crescimento de 1,4%. Em cosequência do freio na produção o México já  ultrapassou o Brasil no ranking da indústria automobilística. Ocupamos agora a oitava posição.

Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 08/07/14

Copa

Terminada a Copa podemos dizer que o balanço foi positivo. Os estrangeiros levam uma boa imagem do Brasil graças à cordialidade e alegria dos brasileiros e não ocorreram incidentes que prejudicassem a imagem do país.

É certo que ficam as obras inacabadas e as que sequer foram iniciadas e os estádios gigantescos de futuro muito incerto dada a escassez de público nos jogos domésticos. Fica de herança o Regime Diferenciado de Contratação (RDC) uma mudança na lei de licitações que facilita a fraude nas concorrências.

Quem disse que não ia ter Copa ou apostava em turbulências e desorganização durante o certame errou feio. O governo cumpriu, no geral, o manual e as exigências da Fifa e deu certo.

A decepção veio de onde menos se esperava. O sonho do hexa embalado pelo otimismo inconsistente da imprensa transformou-se num pesadelo que ainda irá nos perseguir por muito tempo.

Quanto a influência do resultado na política é esperar para ver. Agora vai começar o jogo eleitoral. Já na economia leio os jornais e fico em dúvida, tanto são as opiniões divergentes sobre o tema.

O troféu para os brasileiros ficou com a polícia que desbaratou a máfia dos ingressos. Se os peixes graúdos vão ser fisgados talvez seja querer demais nesse mar de cumplicidades e corrupção que inunda o mundo do futebol.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Breve notícia do primeiro livro impresso em linguagem



Breve notícia do primeiro livro impresso em linguagem
Lúcio Alcântara *
“Deus que julga as obras e a intenção de cada um, julgue as nossas, pois o juízo do homem está mais pronto a julgar a outrem que a si mesmo.”      
Apologia de João de Barros em lugar de prólogo
(Quarta Década da Ásia)

O mundo culto português foi surpreendido quando, em 25 de maio de 1965, o professor José Vicente Pina Martins publicou artigo no “Diário de Notícias” sobre a existência de um exemplar do Tratado de Confissom impresso em português na cidade de Chaves no ano de 1489. Descoberta esta devida ao livreiro Tarcísio Trindade, de Alcobaça, levada ao conhecimento do mestre que a estudou em artigos especializados vindo a publicá-la mais tarde em edição fac similar diplomática, de 1973, precedida de minuciosa introdução.
Achados como esse, comparável ao da Vita Christi por Jaime Cortesão em 1920, são raros em bibliografia, ainda mais que o cimélio encontrado nunca havia sido mencionado por quantos se debruçaram sobre a história da tipografia e do livro em Portugal. Até então A Vida de Cristo, de 1495, era tido como o primeiro livro em língua portuguesa, traduzido do latim, impresso na oficina de Valentim Fernandes e Nicolau da Saxonia. O aparecimento do incunábulo revolucionou os estudos sobre a origem e penetração da imprensa em Portugal ao abrir novas possibilidades de investigação. À luz dos conhecimentos atuais, os judeus são considerados os precursores da imprensa em terras lusitanas a partir do Pentateuco, Faro, 1487. Ao todo, segundo Cadafaz de Matos, somaram quinze os livros publicados em hebraico até a expulsão dos judeus em 1497. Até aqui não foi possível comprovar, como sugerem alguns estudiosos, a existência de prelos cristãos anteriores aos judaicos. O Pentateuco (1487) e o Tratado de Confissom seriam dois marcos a balizarem o nascimento da imprensa lusa e o surgimento de publicações em vernáculo. Controvérsias sobre a localização da primeira tipografia colocam Leiria, Guarda, Lisboa e, após a descoberta do Tratado de Confissom, Chaves, como hipotéticas sedes, mas, de certeza, a primazia ainda cabe a Faro, comprovada pela publicação do Pentateuco.
Ao proceder a um meticuloso exame dos aspectos editoriais e gráficos do Tratado de Confissom Pina Martins provocou uma revisão sobre os pródromos da imprensa portuguesa. A partir da conclusão a que chegou, passou-se a admitir uma quarta via para sua entrada no país, a espanhola, com eixo nas cidades de Zamora/Monterrey/Chaves, seguida pelos impressores anônimos do Sacramental e do Tratado de Confissom, antecedente das outras três já mapeadas (1). A saber:
- Barcelona/Braga, seguida por Johann Gherlinc.
- Augsburgo/Sevilha/Lisboa, seguida por Valentim Fernandes.
- Salamanca/Porto/Braga, correspondente ao itinerário de Rodrigo Álvares.
Possibilidade esta antes ignorada a despeito da proximidade entre os dois países e da presença da tipografia em Espanha desde 1472(1). Verdade que D. Manuel II, último rei de Portugal, notável bibliófilo, autor do magnífico catálogo, Livros antigos portugueses da biblioteca de sua majestade fidelíssima, já em 1929 estranhava “que catorze anos tivessem decorrido entre a introdução da arte de Gutenberg em Espanha por oficiais alemães e a sua entrada em Portugal pela mão de impressores hebreus”(4), estranheza só satisfeita em 1965 pelas páginas do incunábulo flaviense, exemplar único, achado fortuito em meio a um monte de livros velhos.
O “livrinho”, como o chamou carinhosamente Pina Martins, é um pequeno in-quarto, com trinta fólios e cinquenta e nove páginas impressas e um cólofon onde a lacuna é a omissão do nome do impressor. Para além do livro em si, da referência a Chaves como local da impressão, todo o resto se situa no terreno movediço das probabilidades amparadas por inferências obtidas a partir de apuradas pesquisas encetadas pelo reputado bibliólogo luso, removidas assim objeções dissimuladas à sua tese. Um manual destinado a orientar confessores e penitentes de certo teria boa acolhida entre os peregrinos de passagem por aquela vila nortenha em trânsito para Santiago de Compostela.
Por outro lado, os caracteres tipográficos empregados no Tratado, a disposição do texto em duas colunas, a filigrana do papel, uma mão direita coroada por uma corola de seis pétalas, uma identidade próxima entre as fórmulas do cólofon, aproximam-no das obras impressas por Antonio Centenera com oficina estabelecida em Zamora. A partir das analogias identificadas, foi possível supor que um impressor português tenha levado a cabo o trabalho com limitados recursos tipográficos preteridos por Centenera na vizinha cidade espanhola.
 Segundo Luis Felipe Barreto, citado no Catálogo dos Quinhentistas Portugueses da Biblioteca Nacional, a cultura discursiva do renascimento português resulta de três grandes dinamismos – o escolástico, o humanista, o da expansão dos descobrimentos. O predomínio cultural da escolástica se reflete no número expressivo de títulos editados no período sob a égide ou de mecenas ao seu serviço. Aliás, mesmo no período hebraico da tipografia portuguesa (1487 - 1497) apenas uma obra, o Almanach Perpetuum, de Abrãao Zacuto, um compêndio de astronomia, não tinha caráter religioso. Do total de 1.904 obras estampadas em Portugal no século XVI, seiscentas e cinquenta de uma, ou seja, 34% delas foram de responsabilidade da igreja (5). Em relação aos incunábulos portugueses, dos trinta conhecidos, dez inserem textos litúrgicos publicados com o apoio das autoridades eclesiásticas das três dioceses mais importantes, Braga, Lisboa e Porto (3).
Foi nesse ambiente de forte inspiração religiosa que surgiu o Tratado de Confissom, um guia para uso de confessores e penitentes, espécime de literatura moral, mais profundo que outros do gênero (6). O livro está dividido em duas partes, reservadas, a primeira, objetiva, ao confessor; a segunda, subjetiva, ao penitente, para facilitar seu exame de consciência, precedidas por um pródromo que alerta o juiz sobre suas obrigações e exorta-o a ser reto e justo. Um manual estruturado com apoio em exemplos, de forma a não falhar na revelação de pecados, e aplicação de penas segundo tabela canonicamente fixada. Enérgica reprimenda à corrupção da igreja e abusos dos eclesiásticos. Curioso que o livro  conclua com orações canônicas para as refeições, diferentemente dos congêneres, cujo costume das terminações era uma preparação para a morte. Como se, absolvido dos pecados pela confissão o penitente à mesa antecipasse a ceia do Senhor. A arte de viver e conviver substitui a arte de morrer (5).
O mérito do Tratado de Confissom, segundo Pina Martins, é bibliográfico, por haver antecipado em seis anos as primícias da tipografia lusitana. Nem seria de esperar maior valor literário em livro escrito com o fito de instruir práticas religiosas. Da autoria presumida de um eclesiástico, confessor e pregador, está vazado em um estilo seco, pobre de imagens, não obstante revestido da “beleza de uma arquitetura sem ornatos” (5). Vale ressaltar o léxico moderno com o emprego de palavras que sobrevivem até hoje.
Não é desprezível a título de documento que expõe a confissão como instrumento de controle social e revelador do comportamento do homem português no século XV.
A afirmação de Sousa Viterbo de que “em bibliografia é muito difícil, se não impossível, asseverar que se disse a última palavra sobre o assunto por muito verossímil que seja”, cautela esposada por outros especialistas, veio a ser confirmada a propósito da instituição do primeiro livro impresso em língua vernácula. Quando a prioridade indiscutível estava atribuída ao Tratado de Confissom, sustentada por fundados argumentos, eis que artigo assinado pela professora da Universidade de São Paulo, Rosemarie Erika Horch, confere o primado a uma tradução portuguesa do Sacramental, obra do espanhol Clemente Sanchez de Vercial, saída do prelo em Chaves, no ano de 1488(11). Conclusão esta retirada com base em investigação levada a efeito a partir de exemplar depositado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro dada a conhecer em 1986. Segundo ela, após a publicação do Catálogo dos Incunábulos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (1957), surgiram comentários sobre a natureza incunabular da referida publicação, alimentada pela ausência no volume em estudo das folhas finais onde estariam as indicações tipográficas. Não obstante o óbice comprobatório, Serafim da Silva Neto, em 1957, com base em informação colhida no Dicionário Bibliográfico Português de Inocêncio Francisco da Silva, é taxativo ao considerar que ele “tem as características de incunábulo”. É que, no verbete, Clemente Sanchez de Vercial do aludido glossário, além das edições vernáculas do Sacramental, datadas de 1502 e 1539, está reproduzido um comentário imputado ao conselheiro Francisco Freire de Carvalho sobre ter visto na biblioteca do arcebispo de Lacedemônia e Vigário Geral do pratriarcado, D. Antonio José Ferreira de Sousa, outro exemplar do mesmo livro traduzido em português, impresso em 1488, que descreve em pormenor, anotada inclusive a falta da folha inicial. Ao tomar como ponto de partida a informação oferecida por Inocêncio, a pesquisadora localizou a obra do conselheiro Freire Carvalho, intitulada Primeiro Ensaio sobre a História Litteraria de Portugal, desde a Mais Remota Origem até o presente tempo, Seguido de Differentes Opusculos, Que Servem para sua Maior Illustração, e Offerecido aos Amadores da Litteratura Portuguesa em Todas as Nações. Lisboa, Typ. Rollandiana, 1845, 8º de 445 págs. a qual cita elementos constantes do Sacramental de 1488. Em seu texto reproduz o remate do livro onde vem em latim muito mutilado a indicação do impressor e de Chaves como sede tipográfica, dados despercebidos pelo autor da observação e o dicionarista. O cotejo feito entre o exemplar descrito por Freire Carvalho e o da Biblioteca Nacional faz crer se tratarem ambos da mesma edição restrita, a discordância às cores das letras capitulares. Sem embargo da exaustiva apuração empreendida, não foi possível identificar o tradutor nem afirmar com segurança o responsável pela impressão, possivelmente um espanhol fixado em uma das cidades próximas a Chaves. Embora a autora não tenha conseguido identificar os tipos do Sacramental com os de nenhum tipógrafo contemporâneo, há um vínculo de interesses topográficos com o Tratado de Confissom que emprestou insuspeitada notoriedade tipográfica à cidade. Mais que isso, segundo Artur Anselmo, pesquisador do assunto. Para ele, haveria entre as duas preciosidades afinidade temática e técnica que remete ambas a uma provável origem comum traduzida  no papel usado e nos tipos de Antonio Centenera. Por fim, um comentário sobre os dois exemplares mencionados. O da Biblioteca Nacional, com suas folhas iniciais completas, não pode ser o mesmo da descrição de Freire Carvalho onde estão dadas como ausentes.
Exemplares únicos, o Tratado de Confissom e o Sacramental são remanescentes do vandalismo dos homens e da ação destruidora do tempo para testemunharem o princípio e a evolução da imprensa, essa formidável invenção da Renascença difundida pelo protagonismo português na descoberta de novos mundos, malgrado sua interdição no Brasil até a transferência da Corte em 1808.
Após esta breve incursão pelo alvorecer da imprensa em Portugal, cumpre elaborar uma cronologia de livros publicados à época, segundo coligi de fontes diversas assentadas em constatações comprovadas.
De acordo com Artur Anselmo(3) todos os impressores que trabalharam em Portugal com caracteres de matriz gótica, do início da atividade tipográfica até o final do século XV, estão distribuídos por três ramos:

a) ramo comum a impressores do Sacramental e Tratado de Confissom.
b) ramo comum a Johann Gherlinc e Rodrigo Alvares.
c) ramo comum a Valentim Fernandes e Nicolau de Saxonia.

Quanto aos livros publicados, esbocei uma síntese cronológica que contempla em sua estrutura as mudanças ocorridas desde quando Queirós Veloso considerou, no volume I da Bibliografia Geral Portuguesa a Vita Christi “como a primeira obra impressa entre nós em linguagem” (6).
Ordenados a seguir, os livros listados auxiliam a melhor compreender a sequência de publicações surgidas na fase pioneira da imprensa em Portugal:

1487 – Pentateuco – Primeiro livro publicado em Portugal em hebraico (Faro, Samuel Gacon).
1488 – Sacramental – Tradução portuguesa do texto de Clemente Sanchez de Vercial (Chaves, impressor ignorado).
1489 – Tratado de Confissom – Primeiro livro impresso escrito em português (Chaves, impressor ignorado).
1494 – Breviarium Bracharense – Primeiro livro publicado em latim em Portugal (Braga, João Gherlinc).
1495 – Vita Christi – Obra prima da bibliografia portuguesa traduzida do latim. (Lisboa, Valentim Fernandes e Nicolau da Saxonia).
1497 – Constituições que fez o senhor Dom Diogo de Sousa Bispo do Porto – Primeiro livro que teria sido impresso por um português. (Porto, Rodrigo Álvares).

Sem a pretensão de esgotar a lista de incunábulos portugueses, relacionamos os vinculados a eventos marcantes na bibliografia lusitana na esperança de que o presente texto colabore com quantos se aventurem na senda dessa fascinante aventura.

Bibliografia

01- ANSELMO, Artur. Estudos de história do livro. Lisboa: Guimarães, 1997.    189p.
02- _____________. Livros e mentalidades. Lisboa: Guimarâes, 2002. 191p.
03- _____________. Origens da imprensa em Portugal. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1981. 510 p.
04- D. Manuel II. Livros antigos portugueses 1489 - 1600 da bibliotheca de sua majestade fidelíssima. Braga: APPACDM, 1995. 633 p. v.1.
05- HUE, Sheila Moura (Org.); PINHEIRO, Ana Virginia (Org.). Catálogo dos quinhentistas portugueses da Biblioteca Nacional. 2. ed. Rio de Janeiro: Edições Biblioteca Nacional, 2004. 157p.
06- MARTINS, José V. de Pina. Tratado de confissom: (Chaves, 8 de agosto de 1489). Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1973. 281p.
07- MATOS, Manuel Cadafaz de. O Primeiro livro impresso em Portugal. Jornal de Letras, [S.l.], 12 jul. 1987.
08- PACHECO, José. A Divina arte negra e o livro português: (séculos XV e XVI). Lisboa: Vega. 282p. (Coleção Artes / História).
09- PEIXOTO, Jorge. História do livro impresso em Portugal. Coimbra, 1967. 30p.
10- PINTO, Américo Cortez. Da famosa arte da imprimissão. Lisboa: Ulisseia Limitada, 1948. 507 p.
11- PRELO. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, n. 10, jan./fev. 1986. Trimestral.
12- SILVA, Innocêncio Francisco da. Diccionário bibliográfico portuguez. Lisboa: Imprensa Nacional, 1859.478p. t.2.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Ingrid Berman II

Encenação :

Às vezes, no cinema, você ama tanto uma pessoa, mas não consegue trabalhar com ela nos filmes. Em outras, você não gosta de alguém, mas na tela funciona perfeitamente. Os dois maiores talentos com quem já trabalhei foram Ingrid Berman e Anna Magnani. Mas, eu preferi trabalha com Magnani, de quem eu não gostava, do que com Bergman, que eu adorava

Anthony Quinn

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Ingrid Berman

Guardo da atriz sueca doces recordações da adolescência. Sempre me atraiu nela um certo despojamento pessoal e uma naturalidade que não era comum nas grandes divas do cinema. Nessa linha encontrei no livro/cd que a Folha de São Paulo vem lançando na Coleção Grandes Astros um depoimento que transcrevo a seguir.

"Eu nunca me senti bem maquiada. Acho que é preciso ter começado a usa-la bem cedo na vida para se sentir natural quando se tem algo inatural na sua face. Eu sempre penso que quando as pessoas olham meu rosto verão onde termina a maquiagem e eu começo, particularmente na luz natural. Mesmo maquiagem leve me faz sentir como se eu estivesse me escondendo sob uma máscara. Eu não quero me esconder. Quero me comunicar. Quero parecer comigo mesma".

Spica

Crônica do Ruy Castro, Folha de São Paulo, edição de 25/06/14, relembra o Spica, primeiro rádio pórtatil de que me lembre.

Bem pequeno, envolto em uma embalagem de couro, cor bege, japonês, salvo engano, sem a fidelidade dos aparelhos de hoje era sinal de modernidade colada aos ouvidos das pessoas.

Não importavam os chiados nem a audição precária o importante era o contacto com o mundo estando fora de casa.

Não faziam falta nos estádios onde torcedores não se satisfaziam apenas em assistir os jogos mas também queriam escutar seus narradores prediletos.

Aposta

Um norueguês, conhecedor dos antecedentes de Luis Suárez jogador da seleção uruguaia apostou como ele morderia alguém durante a Copa.

Thomas Syversen, este seu nome, respondeu sim à pergunta de uma casa de apostas na cidade de Bergen : Será que Luis Suàrez vai morder outro jogador agora na Copa ?

Apostou o equivalente à R$ 11,0 e ganhou algo em torno de R$ 2,0 mil

Saiba mais no suplemento da Copa do jornal O Estado de São Paulo, edição de 25/06/14

Economia

Emprego : Maio apresentou o pior resultado na abertura de vagas com carteira assinada. O saldo de 58,8 mil vagas só foi melhor que maio de 1992, 58.836, quando o presidente era Fernandp Collor.

Déficit : O déficit de US$ 6,635 bi  nas contas externas no mês de maio estabeleceu um recorde para o mês. O acumulado no ano de US$ 40,07 bi também é recorde.

Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 25/06/14

Perdas e Ganhos

Com os feriados em dia de jogo e menos movimento nas ruas comércio e indústria calculam prejuizos.

Na indústria brasileira cada dia útil parado representa em média uma perda de R$ 7,0 bilhões no valor bruto da produção.

Quanto ao comércio, cálculos da CNC indicam que um dia útil perdido represente 9% de lucro a menos no mês.

Já os bares... devem faturar R$ 12,0 bilhões em junho. Na hotelaria a expectativa é de crescimento de 6% a 7%. O evento deverá injetar cerca de R$650,0 milhões no setor.

Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 28/06/14

Argentina

Posso ser goleira. Cá estamos impedindo os gols.

Cristina Kirchner, presidente da Argentina a propósito da crise da dívida do país que pode terminar em novo calote.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Carlos Lacerda

Não tenho, nunca tive, afinidade com as ideias políticas de Carlos Lacerda cujo centenário de nascimento transcorre este ano (30/04/14 - 21/05/77).

Respeito sua cultura, os dotes de orador e o debatedor talentoso.

Do longo depoimento que concedeu a entrevistadores do jornal O Estado de São Paulo poucos meses antes de sua morte extrai algumas passagens que julgo interessantes :

Sobre sua incoerência em relação à Jânio Quadros com quem rompeu depois de te-lo apoiado quando candidato à presidência : Quem é o incoerente, eu que,elogiei Jãnio quando ele parecia bom, ou ele, que parecia bom e ficou ruim ?

Sobre seu entusiasmo com as obras do Guandu que resolveram o problema de abastecimento de água da cidade do Rio de Janeiro : Não me importa que não se lembrem, quando abrirem as bicas, quem foi que botou a água.O que importa é que eu me lembre.

Sobre o exercício do poder : O poder não é cargo de sacrifício. Ao contrário é uma fonte maravilhosa de alegria. Ser governo não é um sistema de privilégio para você. Eu tenho nojo da pessoa que diz que está fazendo um sacrifício : ou é um mentiroso, ou é um impostor ou não sabe o que está fazendo lá.

Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 27/04/14 páginas A8 e A9.

Drogas

A droga é um mal e com o mal não pode haver cessões ou compromissos.

Papa Francisco, sobre sua rejeição `legalização de qualquer tipo de entorpecente.

Folha de São Paulo, edição de 22/06/14

Livro

Nenhum homem é uma ilha. Cada livro é um mundo.

Do livro A Vida do Livreiro A.J.Fikry, de Gabrielle Zevin

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Reflexão dominical

Trecho do Evangelho de ontem segundo Mateus :

Naquele tempo disse Jesus a seus apóstolos: Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido.
O que vos digo na escuridão dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados. Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma.

Muito oportuno às vésperas de uma disputada campanha eleitoral

Livros

No Brasil não se pode emprestar livros : os que os recebem, consideram-nos dados e não emprestados.

Marquês de Maricá

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Classe média

La classe é móbile... pode dizer-se em forma de paródia. Um estudo detaljhado sobre a renda e os gastos das classes C,D e E revelou um dado sobre a C chamada de nova classe média.

As variações quanto ao valor e fontes de rendimento demonstram mudanças drásticas mês a mês. Assim uma mesma família oscila entre a pobreza e a renda média em questão de dias.

Luciana Aguiar, responsável peo estudo, diz : Podemos dizer que a classe C é classe média quando dá.

A partir dessa constatação é preciso cautela com as estatísticas que exibem números de brasileiros egressos da pobreza.

Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 18/05/2014

PT

O PT ainda é o partido com o maior número de simpatizantes.

Há 20 anos a taxa era de 22%. Em agosto de 2002 chegou a 34% e agora é de 21%. Voltamos portanto aos números de 1995.A distribuição de apoiadores sofreu modificações. Eles estão mais velhos e menos concentrados. Num processo de interiorização migraram do sul e sudeste para o nordeste.

Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 18/05/14