"Tjopela, um transporte original."
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Tempos black
Manifestantes black blocs viram carro da polícia em São Paulo durante ato de apoio aos professores em greve no Rio. Os pilares do Masp foram pichados. Agências bancárias e lojas, depredadas. O governador Geraldo Alckmim (PSDB) liberou o uso de balas de borracha contra manifestantes e a polícia prendeu e indiciou pela Lei de Segurança Nacional, uma lei da ditadura, dois estudantes acusados de vandalismo. A justiça os liberou depois.
(Fonte: O Estado de S.Paulo - 13/10/2013)
(Fonte: O Estado de S.Paulo - 13/10/2013)
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Biografias
Há uma polêmica ocupando grande espaço na midia sobre a publicação de biografias.
Enquanto autores e editores invocam a liberdade de expressão consagrada na constituição para escreverem e publicarem biografias não autorizadas, isto é, sem autorização prévia do biografado, quando vivo, ou de seus familiares, se falecidos, biografados e biográfaveis, celebridades, se insurgem contra essa atitude arrimados em dispositivo da constituição que garante a privacidade.
Caberá ao Supremo Tribunal Federal dirimir a questão estabelecendo a primazia de um ou outro íten constitucional. Paralelamente tramita na Câmara dos Deputados que revoga dispositivo do Código Civil que ampara decisões judiciais suscitadas por interessados que culminam com a apreensão de biografias publicadas.
Pelo que leio nos jornais tenta-se um acordo no Congresso em torno de um texto que libere as publicações mas admitam um rito sumário na justiça para decidir sobre queixas dos que se julguem ofendidos pela obra.
Selecionei duas opiniões divergentes sobre o tema entre tantas expressadas por famosos envolvidos na discussão.
Quem vale mais? A vida pessoal de quem deve tudo ao público ou a liberdade de escrever ?
Roberto da Matta
Em lugar de escolherem um assunto os modernos biógrafos agarram uma vítima. A coisa vai a tal ponto que os homens bons têm medo de morrer.
William Lyon Phelps, em O Prêmio, de Irving Wallace, página 176
Enquanto autores e editores invocam a liberdade de expressão consagrada na constituição para escreverem e publicarem biografias não autorizadas, isto é, sem autorização prévia do biografado, quando vivo, ou de seus familiares, se falecidos, biografados e biográfaveis, celebridades, se insurgem contra essa atitude arrimados em dispositivo da constituição que garante a privacidade.
Caberá ao Supremo Tribunal Federal dirimir a questão estabelecendo a primazia de um ou outro íten constitucional. Paralelamente tramita na Câmara dos Deputados que revoga dispositivo do Código Civil que ampara decisões judiciais suscitadas por interessados que culminam com a apreensão de biografias publicadas.
Pelo que leio nos jornais tenta-se um acordo no Congresso em torno de um texto que libere as publicações mas admitam um rito sumário na justiça para decidir sobre queixas dos que se julguem ofendidos pela obra.
Selecionei duas opiniões divergentes sobre o tema entre tantas expressadas por famosos envolvidos na discussão.
Quem vale mais? A vida pessoal de quem deve tudo ao público ou a liberdade de escrever ?
Roberto da Matta
Em lugar de escolherem um assunto os modernos biógrafos agarram uma vítima. A coisa vai a tal ponto que os homens bons têm medo de morrer.
William Lyon Phelps, em O Prêmio, de Irving Wallace, página 176
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Elas
O que elas disseram :
Espionar entre amigos é inaceitável
Angela Merkel, a propósito da espionagem americana
Não pensa que é mole, não.
Dilma Rousseff, sobre governar o Brasil
Por que mulheres maduras que chegam ao poder só usam roupas minimalistas ?
Roberto Cavalli, estilista italianos sobre o estilo sóbrio de Angela e Dilma
Espionar entre amigos é inaceitável
Angela Merkel, a propósito da espionagem americana
Não pensa que é mole, não.
Dilma Rousseff, sobre governar o Brasil
Por que mulheres maduras que chegam ao poder só usam roupas minimalistas ?
Roberto Cavalli, estilista italianos sobre o estilo sóbrio de Angela e Dilma
Futebol
O sonho dos treinadores é fazer do futebol um jogo técnico, tático, racional e previsível;não vão conseguir.
Tostão, em artigo Folha de São Paulo, edição de 27/10/13
Tostão, em artigo Folha de São Paulo, edição de 27/10/13
Protestos
Pesquisa Datafolha mostra que 95% dos pulistanos ouvidos desaprovam os black-blocs. Para 76% os protestos foram mais violentos que deveriam;42% acham que a PM se excedeu.
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 27/10/13
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 27/10/13
Fábrica
O grupo Edson Queiroz vai construir uma nova fábrica de bebidas em Horizonte. O investimento será de R$ 100,00 milhões.
A companhia já possui três outras plantas de bebidas. Só o setor de bebidas do grupo emprega 3.000 pessoas. Ao todo são 21 fontes de água distribuidas por 15 estados.
A nova unidade ampliará em 30% a capacidade de produção da Indaiá, marca que é forte no nordeste. Além de água serão produzidos sucos e refrigerantes.
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 25/10/13
A companhia já possui três outras plantas de bebidas. Só o setor de bebidas do grupo emprega 3.000 pessoas. Ao todo são 21 fontes de água distribuidas por 15 estados.
A nova unidade ampliará em 30% a capacidade de produção da Indaiá, marca que é forte no nordeste. Além de água serão produzidos sucos e refrigerantes.
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 25/10/13
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Homenagem a Vinicius e Nava
Balada de Pedro Nava I - Vinicius de Moraes
(O anjo e o túmulo)I
Meu amigo Pedro Nava
Em que navio embarcou:
A bordo do Westphalia
Ou a bordo do Lidador?
Em que antárticas espumas
Navega o navegador
Em que brahmas, em que brumas
Pedro Nava se afogou?
Juro que estava comigo
Há coisa de não faz muito
Enchendo bem a caveira
Ao seu eterno defunto.
Ou não era Pedro Nava
Quem me falava aqui junto
Não era o Nava de fato
Nem era o Nava defunto?…
Se o tivesse aqui comigo
Tudo se solucionava
Diria ao garçom: Escanção!
Uma pedra a Pedro Nava!
Uma pedra a Pedro Nava
Nessa pedra uma inscrição:
“- deste que muito te amava
teu amigo, teu irmão…”
Mas oh, não! que ele não morra
Sem escutar meu segredo
Estou nas garras da Cachorra
Vou ficar louco de medo
Preciso muito falar-lhe
Antes que chegue amanhã:
Pedro Nava, meu amigo
DESCEU O LEVIATÃ!
Marcos Vinicius da Cruz de Mello Moraes, ou Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro, 19 de outubro de 1913 - Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980) - Além de poeta, foi compositor, letrista, jornalista, dramaturgo e diplomata. Um dos mais conhecidos e lidos poetas brasileiros. Foi um dos responsáveis pela modernização da música brasileira através da Bossa Nova, ao lado de músicos como Antônio Carlos Jobim, Carlos Lyra e Baden Powell.
VOO COMERCIAL OU JATO EXECUTIVO?
VOO COMERCIAL OU JATO EXECUTIVO?
Esforço Fiscal e Eficiência das Políticas
Públicas
É difícil
não perceber o crescimento de um clamor social entre os cearenses, que cada vez
mais criticam a falência das políticas públicas locais. O Ronda do Quarteirão
não conseguiu conter o crescimento da violência, o sistema público de saúde
agoniza como os pacientes do “piscinão do HGF” e a economia perde força e
competitividade.
De forma
simples, o sucesso de uma política pública depende tanto da eficiência do seu
desenho (o Ronda do Quarteirão, por exemplo, foi uma estratégia de marketing de
campanha política, e não uma proposta séria de política), quanto da eficácia de
sua execução (várias iniciativas que o atual governo deu continuidade, como o
Projeto São José e a Política de Habitação Social, parecem ter sido cooptadas
politicamente, perdendo o foco programático original, como nos mostra o chamado
“Escândalo dos Banheiros”).
Além disso,
a limitação de recursos – pessoas, material, dinheiro e boas ideias – faz com
que o custo do erro seja amplificado, pois quando optamos por fazer algo que
não funciona ou não atinge o objetivo pretendido, o fazermos às custas de
outras iniciativas que poderiam ter sido executadas. Existem poucas balas,
então, não adianta gastar munição!
Daí a enorme
importância da qualidade do pessoal do staff estratégico (planejamento,
fazenda, administração, controladoria etc.), que garante a integração da ação
do Estado, e do esforço fiscal, que nos diz nossa capacidade de execução
material. As finanças públicas evoluíram muito no Brasil e hoje existe um amplo
acervo de procedimentos e normas que buscam alinhar esses aspectos técnicos e
operacionais da execução das políticas públicas, mas muito ainda depende da
habilidade do gestor principal e de suas escolhas: voo comercial ou jato
executivo?
Vivemos em
um estado pobre. A renda média de uma família cearense em 2012 era equivalente
a apenas 63,4% da renda média nacional, segundo dados da PNAD, do IBGE. Temos,
portanto, uma capacidade contributiva menor do que média nacional, o que exige
um Estado muito mais eficiente no controle dos seus gastos.
Quando
Governador dediquei especial atenção a essas questões. Criei uma secretaria de
controle interno, a Controladoria, com o objetivo de melhorar a execução dos
gastos públicos e fizemos um enorme esforço na gestão das finanças públicas,
como, por exemplo, no controle do endividamento público.
Em dezembro
de 2002 a relação entre Dívida Corrente Líquida e Receita Corrente Líquida
(DCL/RCL) era de 1,18, isto é, a dívida total do Estado era maior do que as
receitas anuais em 18%. Após um enorme esforço de equilíbrio das finanças
públicas, com controle rigoroso de todos os gastos, conseguimos levar o índice
DCL/RCL para 0,60 com um ganho de 58 pontos percentuais no período, resultando
numa gigantesca economia com o pagamento de juros e a recomposição da
capacidade de endividamento do Estado.
A dívida
estadual caiu de R$ 4,5 bilhões, em valores nominais do final de 2002, para R$
3,6 bilhões, em dezembro de 2006. Devemos lembrar que a conjuntura daquele
período era bastante adversa: o então Ministro da Fazenda, Antônio Palocci
havia estabelecido metas elevadas para o superávit primário do setor público e
os estados deveriam colaborar, o que reduziu a capacidade de investimento de
todos os estados, não só do Ceará. Porém, no decorrer daquele período, com a
redução da dívida conseguimos retomar a capacidade de inversão, que passou de
R$ 627 milhões, em 2003, para R$ 1,65 bilhão, em 2006, ou de 1,9% do PIB para
3,6% do PIB.
Dessa forma,
passei o Governo para o meu sucessor com dois excelente indicadores do esforço
fiscal: endividamento baixo e elevada capacidade de investimento.
A comparação
com o atual Governo é inevitável: a relação DCL/RCL continuou caindo, chegando
a 0,28 em dezembro de 2012, isto é, uma redução de 32 pontos percentuais em
seis anos, portanto, inferior ao que conseguimos no período 2003/06. Graças aos
nossos esforços de disciplina fiscal, os valores nominais de investimentos também
cresceram, atingindo R$ 4,4 bilhões em 2013, ainda que a população não consiga
ver os benefícios do maior dispêndio público.
O Estado vem
reduzindo o seu nível de eficiência, tanto do ponto de vista programática, com
políticas públicas com defeitos de formulação e execução, quanto do ponto de
vista estrutural, ao corroer a disciplina fiscal quando escolhe ter mais e
piores despesas do que seria socialmente defensável: a escolha é sempre pelo
jato executivo.
Os dados da
relação DCL/RCL estão disponíveis na página eletrônica do Tesouro Nacional, no
endereço https://www.tesouro.fazenda.gov.br/images/arquivos/Responsabilidade_Fiscal/Prefeituras_e_Governos_Estaduais/arquivos/DCL_RCL_Estados_24092013.pdf.
As informações sobre investimento público do Estado do Ceará podem ser
consultadas em www.seplag.ce.gov.br
nos relatórios anuais de Mensagem à Assembleia.
Fraude
Acaba de ser descoberta mais uma fraude no SUS. Em 5 anos o desvio teria sido de R$ 500,00 milhões. As irregularidades aparecem em prefeituras, Estados e instituições particulares.
Para se ter uma ideia do descontrole há registro de 201 consultas de um paciente no mesmo dia.
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 20/10/13
Para se ter uma ideia do descontrole há registro de 201 consultas de um paciente no mesmo dia.
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 20/10/13
Amigos
Editores de quatro revistas médicas brasileiras, todas ligadas à conceituadas instituições, combinaram entre si a publicação de artigos que seriam citados nas outras três de forma a aumentar o fator de impacto dos periódicos.
O impacto é importante para avaliar o desempenho dos pesquisadores e a qualidade do periódico. Trata-se de uma avaliação quantitativa que prestigia o pesquisador citado e as revistas onde os trabalhos foram publicados.
A ação entre amigos foi descoberta graças a um programa de computador. A punição aplicada foi branda, pois não havia uma previsão para esse tipo de fraude. Um dos editores foi demitido, as revistas deixaram de constar do índice de avaliação e trabalhos nelas publicados deixaram de ser contabilizados.
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 19/10/2013
O impacto é importante para avaliar o desempenho dos pesquisadores e a qualidade do periódico. Trata-se de uma avaliação quantitativa que prestigia o pesquisador citado e as revistas onde os trabalhos foram publicados.
A ação entre amigos foi descoberta graças a um programa de computador. A punição aplicada foi branda, pois não havia uma previsão para esse tipo de fraude. Um dos editores foi demitido, as revistas deixaram de constar do índice de avaliação e trabalhos nelas publicados deixaram de ser contabilizados.
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 19/10/2013
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Cardápio
Na Síria, envolta em uma trágica e interminável guerra civil, um grupo de clérigos islâmicos emitiu um decreto religioso (fatwa, em árabe) que permite aos muçulmanos cercados pelos combates entre os rebeldes e as forças do governo comerem cães, gatos e burros. A ONU relata mortes por desnutrição.
Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 16/10/13
Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 16/10/13
Volência
Do Diário do Nordeste, edição de 15/10/13 :
Balanço
Grande Fortaleza registrou 27 crimes.
Foram 4 na sexta-feira, 4 no sábado e 13 no domingo
25 a tiros e 2 a golpes de faca
Balanço
Grande Fortaleza registrou 27 crimes.
Foram 4 na sexta-feira, 4 no sábado e 13 no domingo
25 a tiros e 2 a golpes de faca
Voos
O preço dos voos no período da Copa já aumentou dez vezes. Uma passagem Rio/São Paulo custa o mesmo que ir à Nova York.
Trechos menos concorridos também estão inflacionados.
Quanto aos hoteis há registro de aumentos de até 583%. Nas 12 cidades sede os reajustes estavam acima de 100% quando comparados preços das diárias para a Copa com as cobradas entre julho/agosto deste ano.
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 14/10/13
Trechos menos concorridos também estão inflacionados.
Quanto aos hoteis há registro de aumentos de até 583%. Nas 12 cidades sede os reajustes estavam acima de 100% quando comparados preços das diárias para a Copa com as cobradas entre julho/agosto deste ano.
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 14/10/13
Amazon
Dez escritores brasileiros autores de contos e romances terão obras traduzidas e publicadas pela Amazon.
Entre os escolhidos está Tércia Montenegro, escritora cearense, com uma antologia de histórias breves deverá sair por aquela gigante americana no início de 2014.
Tércia é autora do livro de contos O Vendedor de Judas (Prêmio Funarte; Demócrito Rocha, 2011) e do romance Instruções para Beijar (7 Letras, 2010), entre outros.
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 15/10/13
Entre os escolhidos está Tércia Montenegro, escritora cearense, com uma antologia de histórias breves deverá sair por aquela gigante americana no início de 2014.
Tércia é autora do livro de contos O Vendedor de Judas (Prêmio Funarte; Demócrito Rocha, 2011) e do romance Instruções para Beijar (7 Letras, 2010), entre outros.
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 15/10/13
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Retrato de um gigante
Entre os conservadores britânicos,
imaginar que um trabalhador braçal
pudesse votar só poderia ser piada
A esquerda luta contra as desigualdades; a direita pretende apenas
perpetuá-las. Podem passar milênios sobre a história humana. Mas esse é o
clichê que fica.
Injusto. Nos últimos tempos, por motivos acadêmicos, tenho passado os dias com o conservador Benjamin Disraeli (1804""1881).
Sim, na longa galeria de primeiros-ministros britânicos, Disraeli perde
em popularidade para gigantes como Churchill ou até para o contemporâneo
Gladstone. Quando muito, Disraeli é lembrado como romancista (mediano) e
um dos principais confidentes da rainha Vitória.
Mas Disraeli foi mais que tudo isso: ele simplesmente evitou que a
Inglaterra cumprisse a revolução profetizada por Marx. A forma como o
fez desafia todos os clichês ideológicos.
Aliás, a referência a Marx não é por acaso. Porque ambos, habitando a
mesma cidade, contemplaram o mesmo problema: o fosso crescente entre
ricos e pobres; a concentração de riqueza (e de poder) na mão de uns
poucos --e depois uma longa legião de miseráveis que a Revolução
Industrial produzia nas cidades.
Mas existe uma diferença: para Marx, o proletariado estava pronto para a
revolução porque nada tinha a perder. Para Disraeli, o proletariado só
não estaria pronto para a revolução se tivesse alguma coisa a ganhar.
Um pouco de história: em 1832, quando o Parlamento aprovou uma
importante reforma eleitoral (a Reform Bill, promovida pelo partido
Whig), foi concedido à classe média o direito de voto.
Disraeli reagiu. Por temer que o direito de voto à classe média pusesse
em causa os sucessos eleitorais futuros do seu próprio partido
conservador, aliado tradicional da aristocracia terratenente?
Sem dúvida --o calculismo partidário não nasceu hoje. Mas o problema,
para Disraeli, não era apenas partidário, era nacional. Ou, dito de
outra forma, o que seria da Inglaterra se as classes trabalhadoras
fossem deixadas para trás? Não seria preferível conceder também o
direito de voto às classes trabalhadoras?
Uma pergunta dessas, entre os conservadores, era simplesmente blasfêmia:
imaginar que um trabalhador braçal pudesse votar só poderia ser piada.
Pior ainda: como o sr. Karl Marx ensinava, alargar os direitos políticos
ao proletariado era convidar para dentro de casa quem a desejava
destruir.
A resposta de Disraeli foi simples e crucial: ninguém deseja destruir uma casa que também sente como sua.
Dito e feito: em 1867, Disraeli aprovou o Reform Act, que concedeu o
direito de voto aos trabalhadores urbanos. A historiadora Gertrude
Himmelfarb explica a importância do gesto em uma única frase: foi nesse
ano que a democracia plena nasceu no Reino Unido.
Mas Disraeli não ficou por aqui: como lembra Peter Viereck em estudo que
também lhe é dedicado ("Conservative Thinkers", um primor de concisão e
erudição), Disraeli acabaria mais tarde por legalizar também os
sindicatos; e o direito à greve; e o direito à constituição de piquetes
pacíficos; para além de ter aprovado mil outras leis laborais que
extinguiram, um por um, todos os focos potencialmente revolucionários no
país.
Como explicar tudo isso? Como explicar, no fundo, que tivesse sido um
conservador a depositar uma fé tão otimista nos marginais do sistema?
Opinião pessoal: porque Disraeli, apesar de todos os sucessos literários
e políticos, sempre se sentiu um marginal na sociedade inglesa do
século 19. Aos olhos dos seus pares, ele era o eterno "estrangeiro", o
eterno "exótico", o eterno "judeu", apesar do batismo na fé cristã.
E não existe nada mais insultuoso para um "outsider" do que a ideia
paternalista, seja de esquerda ou de direita, de que todos os
"outsiders" são por definição selvagens e revolucionários.
Não são, disse Disraeli: eles também podem ser cavalheiros se forem
tratados como cavalheiros. E só assim, tratados como cavalheiros, eles
estarão dispostos a preservar, e não a destruir, a constituição de que
fazem parte.
Foi essa a lição magistral que salvou a Inglaterra da revolução --e, claro, o partido conservador do esquecimento.
Que essa lição seja ignorada pela esquerda, não admira. Que ela seja
ignorada pela direita, eis uma fatalidade que já causa maior espanto.
Fonte: Folha de São Paulo (15/10/2013)
domingo, 13 de outubro de 2013
Frankfurt
O escritor Luis Ruffato ao falar em nome dos escritores brasileiros na abertura da Feira de Frankfurt, na qual nosso país é o homenageado, ecoou o tema "Brasil, muitas vozes" dando ênfase mais às mazelas que às virtudes nacionais.
Desgostou a alguns, entre eles a ministra Marta Suplicy e o vice-presidente Michel Temer. Esse abandonou o discurso escrito que faria para num improviso destacar aspectos positivos da cultura e instituições brasileiras.
Ruffato falou pouco de literatura a não ser para dizer que ela pode mudar a vida das pessoas como aconteceu com a sua. Ganhou aplausos dos terceiro mundistas alemães e instalou polêmica sobre a oportunidade de seu discurso.
Falou de literatura para dizer que ela tem o poder de mudar a vida das pessoas. Como aconteceu com a sua. De origem modesta, ascendeu socialmente para se instalar no panteon dos novos escritores brasileiros.
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 10/10/13, página E6
Desgostou a alguns, entre eles a ministra Marta Suplicy e o vice-presidente Michel Temer. Esse abandonou o discurso escrito que faria para num improviso destacar aspectos positivos da cultura e instituições brasileiras.
Ruffato falou pouco de literatura a não ser para dizer que ela pode mudar a vida das pessoas como aconteceu com a sua. Ganhou aplausos dos terceiro mundistas alemães e instalou polêmica sobre a oportunidade de seu discurso.
Falou de literatura para dizer que ela tem o poder de mudar a vida das pessoas. Como aconteceu com a sua. De origem modesta, ascendeu socialmente para se instalar no panteon dos novos escritores brasileiros.
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 10/10/13, página E6
Escândalo
Manchete do jornal O Estado, edição de 10/10/13 :
Ameaça grave
Falta de insulina em postos pode levar diabéticos a óbito
Ha três meses, a medicação não é distribuida nos postos de saúde de Fortaleza. A Secretaria Municipal de Saúde afirma que os laboratórios estão desabastecidos da matéria prima, que é importada.
Ameaça grave
Falta de insulina em postos pode levar diabéticos a óbito
Ha três meses, a medicação não é distribuida nos postos de saúde de Fortaleza. A Secretaria Municipal de Saúde afirma que os laboratórios estão desabastecidos da matéria prima, que é importada.
Bolsa família
Bolsa família beneficiou 2.168 políticos ilegalmente. Governo diz que todos, vereadores e prefeitos, tiveram benefícios cancelados.
Essa gente não tem jeito. Lembra o que aconteceu quando foi implantada a aposentadoria do trabalhador rural. Uma porção de gente aposentou-se sem nunca ter dado um dia de serviço no campo.
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 12/10/13, página A10
Essa gente não tem jeito. Lembra o que aconteceu quando foi implantada a aposentadoria do trabalhador rural. Uma porção de gente aposentou-se sem nunca ter dado um dia de serviço no campo.
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 12/10/13, página A10
Vinicius
Já bastante doente, Vinicius de Morais ao dar uma entrevista recebeu de chofre a seguinte pergunta da jornalista :
Você tem medo da morte ?
Resposta : Não, tenho saudade da vida.
Você tem medo da morte ?
Resposta : Não, tenho saudade da vida.
sábado, 12 de outubro de 2013
Universidades
A USP (Universidade de São Paulo) foi rebaixada no ranking internacional que elenca as principais universidades. Ao perder 68 posições deixou de figurar entre as 200 melhores do mundo pela primeira vez nos últimos três anos.
Na lista do THE (Times Higher Education), publicação anual britânica divulgada desde 2004, a USP saiu da 158ª colocação para um grupo que vai do 226º ao 250º (a partir de 200 o ranking não traz informação específica, mas separada por grupos).
A Universidade de Campinas (Unicamp) também caiu de posição. Caiu de 251º - 275º para 301º - 350º.
O ranking é liderado pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia. Dos dez primeiros colocados 7 são dos Estados Unidos e 10 do Reino Unido.
O Brasil foi o único país a sair do grupo das 200 melhores no novo ranking.
Não há uma explicação clara para o reaixamento das duas universidades. Renato Pedrosa, da Unicamp, acha que nossas universidades não estão preparadas para fornecer dados aos responsáveis pela eleboração de rankings.
Já Phil Baty, editor do THE, atribui a queda ao baixo grau de internacionalização. Pouca produção em inglês, o que acarreta poucas citações de outros cientistas, e ausência de aulas em inglês.
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 03/10/13, página C1
Na lista do THE (Times Higher Education), publicação anual britânica divulgada desde 2004, a USP saiu da 158ª colocação para um grupo que vai do 226º ao 250º (a partir de 200 o ranking não traz informação específica, mas separada por grupos).
A Universidade de Campinas (Unicamp) também caiu de posição. Caiu de 251º - 275º para 301º - 350º.
O ranking é liderado pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia. Dos dez primeiros colocados 7 são dos Estados Unidos e 10 do Reino Unido.
O Brasil foi o único país a sair do grupo das 200 melhores no novo ranking.
Não há uma explicação clara para o reaixamento das duas universidades. Renato Pedrosa, da Unicamp, acha que nossas universidades não estão preparadas para fornecer dados aos responsáveis pela eleboração de rankings.
Já Phil Baty, editor do THE, atribui a queda ao baixo grau de internacionalização. Pouca produção em inglês, o que acarreta poucas citações de outros cientistas, e ausência de aulas em inglês.
Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 03/10/13, página C1
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