quarta-feira, 1 de abril de 2009

Lido, Visto, Ouvido

Durante o tempo que passei em Portugal, tive a oportunidade de ler vários livros e assistir alguns filmes. Divido com vocês a impressão que me causaram.

Livros:
1- Dicionário Técnico de Termos Alfarrabísticos, de Paulo Gaspar Ferreira. Editora In-libris.
Livro interessante para bibliófilos e interessados pela história do livro e da leitura. Traz uma lista completa de termos relacionados ao livro e à leitura, desde sua origem.

2-Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Três Últimos Séculos, de Antero de Quental, contendo um excelente prefácio de Eduardo Lourenço. Editora Tinta da China.
Trata-se do discurso com que Antero de Quental abriu o ciclo das Conferências do Casino, em 27 de maio de 1871. A iniciativa partiu de um grupo onde estavam além de Antero, Teófilo Braga, José Soromenho, J. P. Oliveira Martins, Manuel Arriaga e outros mais.

A ideia do grupo era agitar a discussão sobre o país, que consideravam atrasado na política e na economia, mergulhado na inércia, vítima de uma elite anacrônica. Antero atribui, entre outros fatores, ao modelo de cristianismo praticado em Portugal a decadência do país que sucedeu ao período glorioso das grandes descobertas.

O livro tem excelente feição gráfica e dele consta a carta que Antero dirigiu ao Presidente do Conselho de Ministros, Antonio José D'Ávila, o Marquês D'Ávila, que proibira a realização das conferências. O documento é um extraordinário libelo contra a interdição ao direito de reunião e a liberdade de pensamento.

3- Ex-Líbris. Colecções Arquitecto Segismundo Pinto e Biblioteca Nacional. Exposição /Dia Mundial do Livro/23 de Abril 1998. Edição da Biblioteca Nacional de Portugal.
Obra interessante, destinada a um público restrito de amantes do livro e de ex-libris.

4- Os Senhores da Guerra. Hitler, Stalin, Churchill e Roosevelt. Simon Berthon e Joanna Potts. Ed. Record.
Relato minucioso de como se relacionaram estes líderes, por ocasião da Segunda Guerra Mundial.

Excentridades, alianças táticas, divergências de interesses e estratégias.

De como Churchill salvou os ingleses e perdeu o império, Roosevelt abriu mercados para o Estados Unidos substituindo a Inglaterra. E o astuto Stalin avançou com o comunismo sobre a Europa, aproveitando-se da ingenuidade do americano.

Só o combate a Alemanha os uniu. Assim mesmo não faltaram vacilações e desconfianças veladas quanto ao objetivo principal.

5- Poesia-Livro do Português Errante /Prosa-A Terceira Rosa, de Manuel Alegre. Publicações D. Quixote.
Gostei do livro, que se lê rápido. O autor é um poeta que me agrada e sua prosa foi, para mim, uma excelente supresa. Além de escritor, é deputado à Assembleia da República, dissidente do Partido Socialista, foi candidato independente à Presidência da República nas últimas eleições.

(continua)

terça-feira, 31 de março de 2009

O rosto da crise III

1- Brasil perdeu 750.000 mil empregos em três meses
Perda representa corte de 2,3% do total de postos de trabalho do país


2- Desemprego recorde no país
Redução foi de 1% no total das seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE em fevereiro


Saiba mais no jornal O Estado, edições de 17 e 23/03/09.

O rosto da crise II

1- Indústria corta investimentos de R$ 21 bi
Segundo sondagem da Fiesp, 25% das indústrias brasileiras reveem planos de aumento de capacidade de produção

Pedidos de máquina cairam pela metade
A revisão dos investimentos da indústria fez o volume de pedidos do setor de máquinas e equipamentos despencar 50% no primeiro bimestre deste ano, e o faturamento 35%


2- Atividade econômica
1º trimestre fraco adia recuperação da indústria
Nem o dia das mães, segunda melhor data de vendas do ano, deve ampliar receita do varejo ante 2008

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 25/05/09.

O rosto da crise

1- Indústria automobilística
Ford anuncia PDV em suas três fábricas
Montadora alega necessidade de ajustar quadro ao nível de produção atual, afetado pela queda das exportações


O anúncio aconteceu às vésperas da divulgação da prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

2- Trabalho
Não é hora de pedir aumento, diz Lula


Falou o ex-líder sindical. Lembrou seu tempo de piquete em porta de fábrica.

Ele não teria a ousadia de dizer isso numa assembleia.

Falou Antonio Carlos Spis, atual líder sindical. É 1º tesoureiro da Central (ex) Única dos Trabalhadores (CUT).

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 28/03/09.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Aquário

O polêmico projeto do aquário, que o governo do Estado do Ceará pretende implantar em Fortaleza, ainda não saiu do papel, e já fez duas vítimas: a elegância e o vernáculo.

O deputado Ciro Gomes (PSB-CE), ao defender o projeto, o fez no estilo de sempre, que não está a altura do seu talento. Confunde incisividade com incivilidade, contundência com grosseria, convicção com intolerância. Dá azo que lhe retruquem no mesmo tom, tal o fizeram vereadores do Partido dos Trabalhadores (PT), em defesa da prefeita Luiziane Lins.

Os contendores lançam mais farpas uns nos outros que luz na discussão. Na verdade, o que o deputado pretende é interditar o debate, impedí-lo. O clã ora no poder, tem aversão ao contraditório. Não admite a controvérsia. Por isso, urge estancá-la no seu início.

É um comportamento que lembra os iluministas, detentores únicos do saber e da verdade. Ou os déspotas esclarecidos, outorgados condutores autocratas da sociedade. Em um caso, como no outro, o modelo está deslocado nos personagens e no tempo.

Tenho visto nos jornais e blogs a palavra aquário grafada com um c (acquário), que antecede ao q. Não encontrei a versão em dicionários que consultei. Só se for o c de confusão que o porta-voz do governo, escalado para explicar a ideia aos deputados, instalou no debate ao mencionar a origem dos recursos para construção da obra.

Admito que um oceanário seja fator de atração turística e estimule o interesse das pessoas pela vida marítima, que é tão cara à cultura cearense. A questão que se coloca é sobre a prioridade e oportunidade do empreendimento, face ao custo e às demandas sociais do nosso povo.

Não bastasse a crise econômica que nos atinge, e que recomenda sobriedade e seletividade nos gastos governamentais.

Basta ver o funcionamento precário dos grandes hospitais estaduais. Ou o elevado déficit habitacional, refletido no constante crescimento das favelas. Quando o deputado Heitor Férrer (PDT-CE) batizou o aquário, com ironia cirúrgica, de casa de peixes, dramatizou a falta de moradia que aflige milhares de famílias.

O fato dos cofres do Estado estarem abarrotados de dinheiro, como proclamam todos os dias autoridades do governo, não justifica o desatino do líder, deputado Nelson Martins (PT-CE), que admite gastá-lo sem se preocupar com a destinação.

O uso de verbas oriundas de compensações ambientais, devidas por empresas em decorrência da instalação de equipamentos que afetem o meio ambiente, para financiar o aquário, é incompatível com a finalidade do recurso.

A aplicação do recurso no aquário descumpriria requisito legal que restringe sua utilização em ações de defesa do ambiente, o que não é o caso. Além do mais, a destinação da verba deve ter aprovação prévia do Conselho Estadual do Meio Ambiente.

Por último, transferir recursos dos municipios onde se deu o dano a ser reparado para investimento ornamental em Fortaleza, é uma injustiça que não resiste a simples exposição da manobra. O abandono dessa solução financeira pelo Estado evidencia a inconsistência e a fragilidade do projeto.

Quando governador, a ideia de fazer um aquário na cidade me foi apresentada. Abandonei-a por não considerá-la prioritária, nem ter me convencido de que o retorno econômico e o social justificassem o gasto.

Saiba mais no Diário do Nordeste, edições de 20, 24, 25 e 26/03/09. E em O Povo, edição de 26/03/09.

domingo, 29 de março de 2009

Aftosa

O Ceará empacou em relação ao combate à aftosa. Não consegue sair da classificação de risco desconhecido, que acarreta grande inconveniente aos criadores e à economia da pecuária.

Com este rótulo, nosso rebanho fica confinado ao Ceará, portanto excluido de feiras, exposições e da comercialização além de nossas fronteiras.

O desinteresse do governo pelo assunto produziu a desaceleração de medidas fundamentais para o avanço no controle da doença, que vinham sendo implementadas, resultando no estacionamento do processo em um estágio insatisfatório.

Saiba mais no Diário do Nordeste, edições de 26 e 27/03/09.

Creches

O fechamento de creches em Fortaleza demonstra insensibilidade do governo do Estado, como a falta de integração entre os dirigentes estadual e municipal.

São 87 creches fechadas e 6.000 crianças prejudicadas.

Depois de algum tempo, o porta-voz da prefeitura acena com a proposta de reabrir 30 delas.

A responsabilidade por manutenção de creches é das prefeituras, mas a transferência da obrigação deve se dar mediante entendimento entre as partes, sem que haja prejuízo para as crianças e mães por elas beneficiadas.

Quando fui governador do Ceará, retive sob a administração do Estado creches que a prefeitura se recusava a receber. Descumprimento de obrigação legal não exime a autoridade da responsabilidade social.

Das duas uma: a prefeitura foi consultada e aceitou receber as creches, não tendo assumido a responsabilidade pelo seu funcionamento. Ou não foi consultada pelo Estado, sendo surpreendida pela transferência intempestiva.

Não se entende que o fato tenha ocorrido justo quando os dois gestores se dizem afinados, demorando-se em longas reuniões para discutir a integração das duas administrações.

Não é estranho?

Saiba mais no Diário do Nordeste, edição de 10/03/09.

Rodízio

Diante do caos instalado no trânsito de Fortaleza, tem se falado ultimamente na implantação do rodízio de veículos, como meio de amenizar o problema.

O Ministério Público cogitou da medida e desencadeou o debate sobre sua adoção. A iniciativa, neste como em outros assuntos, encontra respaldo na lei e justifica-se face a omissão da Prefeita diante de questões que comprometem gravemente o funcionamento da cidade.

Pondero que o rodízio é medida extrema, cujo emprego só se justificaria se esgotadas outras medidas de engenharia e disciplina de tráfego.

Recorrer ao rodízio, de modo precipitado, em uma cidade sem um sistema adequado de transporte de massa, pode ser uma atitude temerária. A proposta tem o mérito de estimular o debate sobre o tema, despertando as autoridades responsáveis para sua importância.

Prudência parece ser a conduta mais recomendável diante da sensibilidade da solução apresentada.

Saiba mais no Diário do Nordeste, edição de 25/03/09.

Segurança

Notícia veiculada pelo jornal Diário do Nordeste:

Segurança pública
Sangue novo na polícia civil

Novos delegados de polícia e escrivães, serão nomeados, em breve, para assumir seus cargos nas delegacias cearenses.


É o caso de dizer: já chegam tarde...

Afinal, trata-se de concurso que deixei em avançado estágio, ao fim do meu governo.

Saiba mais no jornal Diário do Nordeste, edição 09/03/09.

Árbitros

Árbitros de futebol nunca foram figuras muito populares. Pelo menos para as torcidas insatisfeitas com a derrota dos seus clubes.

Eduardo Galeano, escritor uruguaio, definiu-os à perfeição. Disse sobre eles: O seu trabalho consiste em fazer-se odiar. Única unanimidade do futebol: todos o odeiam. Sempre assobiado, nunca aplaudido.

Creio que antes de se dirigirem aos estádios, a primeira coisa que fazem é deixar suas mãezinhas em casa, a salvo dos insultos a eles dirigidos e que por tabela atingem-nas.

O fantasma da corrupção ronda os juízes peitados, para garantirem resultados que respondam à ansiedade dos torcedores, e assegurem retorno a fortuna que gira no mundo do futebol, nem sempre lícita.

Em Portugal, por exemplo, há alguns anos se arrasta na justiça um escândalo conhecido como apito dourado, cuja trama inclui dirigentes corruptos, juízes comprados e cenas de alcova.

A marcação de uma penalidade máxima a favor do Benfica, contra o Sporting, na final da Taça da Liga Portuguesa, desencadeou protestos enérgicos, dentro e fora do campo. O assunto ganhou as páginas dos jornais. O árbitro veio a público reconhecer seu erro. E o resultado do jogo? Este não mudou.

Aqui, o técnico do Ferroviário, Arnaldo Lira, em entrevista ao Diário do Nordeste, não poupou críticas à arbitragem. Queixou-se de tantos pênaltis a favor do Ceará (3 em 4 jogos), de juízes gordos e tementes ao poder das grandes torcidas.

Resumiu o que pensa ao fazer o desabafo de que o campeonato deste ano é para ser esquecido: não tem campo, não tem árbitro, não tem bola, não tem nada. Daqui a pouco também não tem torcedor, acrescento eu.

O juíz será sempre o homem mau do jogo. Nunca agradará a todos. É o argumento para amortecer a frustração da torcida diante dos maus resultados do time. Como todo ser humano, erra.

Os modernos recursos tecnológicos expõem os equívocos dos árbitros nas telas dos televisores, com a repetição dos lances e a reprodução das jogadas em câmara lenta. Isto os torna mais vulneráveis à crítica e mais responsáveis perante o público.

Resta saber se a falha é involuntária ou se há algo por trás dos erros. Nunca deverão ser julgados por um só jogo. Terá que se examinar o conjunto da obra, para se fazer uma opinião segura sobre a conduta moral de qualquer deles.

Nunca se saberá se a mão goleadora de Maradona foi guiada por um juíz venal ou orientada por intervenção divina, como chegou a ser dito em meio ao turbilhão de emoções despertadas em partidas de grande responsabilidade.

O germe da corrupção compromete a seriedade das disputas e põe em dúvida a justiça dos resultados.

Saiba mais em O Público e Diário do Nordeste, edições de 24/03/09.

Viçosa


Viçosa é um dos municípios do Ceará presentado por Deus com uma bela natureza. Trabalhado pela mão do homem, ganhou um rico patrimônio edificado e uma sólida tradição cultural.

Na sua matriz, restaurada durante meu governo, pregou o Padre Vieira, em sua peregrinação pela serra da Ibiapaba, evangelizando os índios. De lá, saiu Clóvis Beviláqua para dar ao Brasil o Código Civil. E o guerreiro Tibúrcio, para defender a pátria nos campos de batalha.

Tem peta e biscoitos gostosos, licores que embriagam docemente, e sua cachaça que ficou famosa pelas mãos do Coronel Chico Caldas.

O harmonioso conjunto arquitetônico da praça, onde está incrustrada a igreja matriz, tombada pelo Instituto do Patrimonio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), é o cenário privilegiado do Festival de Música, criado na minha administração e realizado anualmente no mês de julho.

O evento, um sucesso desde a primeira versão, tem por finalidade principal a formação musical através de oficinas didáticas de diversas modalidades, ministradas por competentes instrutores. O que não exclui apresentações públicas de alunos e músicos renomados.

A Secretaria de Desenvolvimento Local e Regional (SDLR), em meu governo, empreendeu, junto com o Sebrae, ações para incentivar a produção artesanal da aguardente de cana, fabricada no município, em pequenos alambiques, dentro de padrões de qualidade que favorecessem seu reconhecimento e comercialização.

Com uma divulgação inteligente poderá vir a ter tanto prestígio, quanto as do norte de Minas Gerais, famosas e caras.

Visite Viçosa do Ceará, lá você entra no céu mesmo sendo pecador e sem precisar morrer!

Antiguidades

Aprendi em Lisboa, com um antiquário, dono de uma loja no bairro em que vivia, uma cronologia das coisas velhas.

A saber:

Objetos usados: até 50 anos de existência.
Velharias: entre cinquenta e cem anos.
Antiguidades: mais de cem anos.

Advinhação

Que há de semelhante entre a lua e as ruas de Fortaleza?

ONGs

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado Federal (SF) que investiga irregularidades em Organizações Não Governamentais (ONGs), anda a passo de cágado. Constituída há muito, não se reúne desde outubro último.

O relator da CPI, senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), antes tão diligente em cobrar dos outros, promete o relatório final para o próximo 1º de julho.

Um dos objetivos da Comissão é definir uma forma padrão de relacionamento dos governos com as ONGs. Para mim, este padrão já havia sido estabelecido anteriormente e depois revogado. Consistia na proibição de inclusão no orçamento federal de verbas para instituições não governamentais.

A medida foi adotada na esteira do escândalo dos anões do orçamento, como forma de evitar a hemorragia de recursos públicos drenados para arapucas montadas com o fim de roubar dinheiro do povo.

Infelizmente, a medida viria a ser revogada no atual governo, o que considero grave equívoco.

Usina

O governo do Estado do Ceará anuncia que irá retomar o projeto da usina de ondas, que data do período em que fui governador, projeto esse que era desenvolvido em conjunto com a Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE), Eletrobrás e, salvo engano, Petrobrás.

O protótipo da usina seria, como agora, implantado na área do porto do Pecém. Quando governador, tive ocasião de visitar moderno centro de pesquisas da Petrobrás, instalado na ilha do Fuundão, no Rio de Janeiro.

No momento em que cresce o interesse pelas formas renováveis de geração de energia, o desenvolvimento da pesquisa sobre a alternativa das ondas, é informação alvissareira.

Não admira se amanhã, com o hábito do atual governo de mudar os nomes dos projetos herdados do antecessor, a obra passar a se chamar de usina de vagas...

Não importa. Que a ideia tenha prosseguimento é o que interessa.

Saiba mais no Diário do Nordeste, edição de 27/03/09.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Cearenses

1- Prédio da estação é local abandonado
Sede da antiga estação ferroviária de Sobral está largada, favorecendo ação de marginais durante a noite.

Saiba mais no Diário do Nordeste, edição de 16/03/09.

2- Crescimento integrado
Banco Mundial injeta U$ 240 milhões no CE
Para o Governador, o Swap II é fundamental para darmos seguimento aos avanços sociai do Estado.


O Swap I foi contratado no período em que fui governador do Ceará, quando foi recuperado o crédito do Estado e sua capacidade de endividamento. A operação foi a primeira no gênero, no mundo, com um governo subnacional.

O projeto foi concebido e elaborado por técnicos do governo do Estado e do Banco Mundial. O segundo empréstimo demonstra que o primeiro, pioneiro, foi exitoso, sendo um caminho novo, aberto, à época, junto aquela importante agência financeira internacional.
Saiba mais no Diário do Nordeste, edições de 19 e 20 de 03/09.

3- 42,2 por 100 mil habitantes
Ceará tem a quinta maior taxa de tuberculose no Brasil
Em 2007 foram registrados 3474 novos casos da doença. Os dados de 2008 ainda estão sendo tabulados.
A média nacional é 38,2 por 100 mil habitantes
Os municipios com maior ocorrência de casos novos, em números absolutos, são Fortaleza, Sobral, Maracanaú, Caucaia e Maranguape
.

Há no mundo um retorno da tuberculose, que foi um fantasma sanitário no século XIX, indo até meados do XX, isolada ou associada a outras doenças. O fenômeno decorre da concomitância com outras doenças (AIDS, por exemplo), resistência da bactéria causadora da moléstia às drogas e relaxamento no controle, diagnóstico e tratamento.
Saiba mais no Diário do Nordeste, edição de 24/03/09.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Roubos

Manchete de primeira página do jornal O Povo, edição de hoje:

10 carros roubados por dia

Dado obtido por uma vítima junto à polícia indica que o número seria 25.

Como o governo deixou de divulgar os dados sobre (in)segurança pública, está aberto o espaço para diferentes versões.

De qualquer modo, a situação é grave, sobretudo quando foi prometido, em campanha, acabar com a violência...

Saiba mais n'O Povo, edição de 26/03/09.

Gazeta Mercantil revela:

GRUPO ESPANHOL TROCA CE POR PI E LEVA R$ 1 BI

O grupo espanhol EAB Technology está deixando o Ceará para investir no Piauí. O Ceará vai perder investimentos de R$ 1 bilhão, que também beneficiará o Maranhão. Nessa troca, o Ceará ainda contabilizará novos prejuízos com a não instalação de uma universidade por esse mesmo grupo. Leia mais sobre esse assunto em matéria do jornal Gazeta Mercantil e Jornal do Brasil:
Ceará perde R$ 1 bilhão para os vizinhos

Comentário do site www.cearaagora.com.br

O vaivém da briga do governador Cid Gomes (PSB) com o Ministério Público Federal no Ceará, por conta de licenciamentos ambientais para megaprojetos –já revelado pela coluna –, teve uma primeira baixa. E bilionária. Quem ganhou com isso, por tabela, foram os vizinhos Wellington Dias, governador do Piauí, e Jackson Lago, comandante – por enquanto – do Maranhão. A empresa EAB Technology, da Alemanha, não conseguiu esperar para tocar seus projetos de energia eólica, decidindo trocar a terra do sol pelos estados vizinhos.

Resultado, até agora: o Ceará perdeu R$ 1 bilhão em investimentos. E o desastre financeiro, em tempos de crise e baixa na arrecadação de impostos, vai além. Cid Gomes ficou chateado e não esconde isso para o secretariado. Perdeu também em educação, porque o grupo germânico montaria, com a fundação Epi, uma universidade para formar engenheiros especialistas em produção de energia.

Nada a Comemorar

Do Blog do Noblat
DEU EM O GLOBO
De Ilimar Franco
Os governadores que disputarão a reeleição, nos estados pesquisados pelo Datafolha, não têm o que comemorar. O recall é inferior à votação que tiveram no primeiro turno em 2006. Jaques Wagner (BA) tem 36%; Cid Gomes (CE), 34%; Sérgio Cabral (RJ), 26%; Yeda Crusius (RS), 9%; e José Arruda (DF), 41%. O único que tem recall superior aos votos que obteve é Eduardo Campos (PE).

quarta-feira, 25 de março de 2009

Flashes da Crise II

1-Finanças
Procura por crédito cai com a crise
Levantamento revela queda de 4,2% no número de financiamentos em fevereiro, ante igual mês do ano passado


2-Siderurgia
Produção de aço recua 39% em fevereiro
Paralisação de um alto forno da CSN por 49 dias, anunciada ontem, deve fazer com que os próximos números também sejam ruins


3-Consumo de energia cai 1,3% no Ceará
Retração no estado foi puxada pelas áreas residencial e industrial. O último recuo no consumo foi em janeiro de 2008
No país houve nova queda no consumo em fevereiro. Desta vez de 4,4%

4-Efeito da crise internacional
Exportação de calçados do CE caiu mais de 20%
No primeiro bimestre do ano, a exportação de calçados cearenses caiu 21,91%, em consequência da retração no consumo


As estatísticas refletem a crise na produção industrial, na exportação no uso do crédito, no consumo de energia. A consequência mais danosa destes fatos é o desemprego. A face cruel da crise.

Saiba mais nos jornais O Estado de São Paulo, edição de 18/03/09 e Diário do Nordeste, edições de 20 e 21/03/09.

terça-feira, 24 de março de 2009

Flashes da Crise

1- Arrecadação desaba no bimestre. Receita de tributos federais caiu 12% em relação ao previsto pelo governo.

No bimestre, o governo planejava arrecadar R$ 81,9 bilhões e arrecadou apenas R$ 71 bilhões. Esta frustração de R$ 11,0 bilhões, em apenas dois meses, revela a gravidade da crise econômica, que não atinge apenas o setor industrial, como se pensava antes.

2- Arrecadação (da União) deve perder R$ 48,3 bilhões. Queda de receita pode estar subestimada, já que a previsão do governo considera alta de 2% do PIB em 2009.

3- Desde outubro de 2008
Crise reduz arrecadação nos estados, diz Ipea
Segundo Ipea em dezembro 16 estados tiveram queda na arrecadação de sua principal fonte, o Icms

4- Municípios perdem receita com IPI menor.
No Ceará no segundo decênio de março houve perda de 73,5% de recursos, se comparado a igual repasse de 2008 (R$ 61,950 milhões para R$ 16,247 milhões).


A desaceleração da economia, devido à crise que chegou ao Brasil, e a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) concedida à indústria automobilística para evitar seu colapso e o desemprego na cadeia produtiva, determinaram uma queda na arrecadação que se mantinha em constante alta.

Como alguns tributos federais, IPI e Imposto de Renda (IR), são partilhados com estados e municípios, sobretudo os mais pobres, a perda repercute nestes entes federados. Os Fundos de Participação de Estados e Municípios (FPM), importantes fontes de receita nos dois casos, são diretamente afetados pela redução dos repasses.

Municípios e estados beneficiados pelo repasse de parte dos royalties decorrentes da exploração do petróleo, sofrem bastante devido a redução do preço do óleo, que despencou de U$ 150,00 para U$ 40,00.

A redução da atividade econômica também se reflete na diminuição da arrecadação do ICMS, que vinha crescendo devido o bom desempenho da economia nos últimos anos. Os municípios são atingidos de novo, com a redução de sua quota no imposto arrecadado pelo estado.

Como grande parte dos serviços de saúde, educação e assistência social estão municipalizados, é possível que diante da escassez de recursos o atendimento à população fique comprometido.

De um modo geral, os estados viram sua arrecadação crescer em 2007 e 2008. O crescimento do Ceará foi inferior ao do Amazonas, São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. A média da elevação do ICMS no país foi de 17,46 % (2008-2007).

Aqui o crescimento foi de 20,46%. Sem o impulso do crescimento econômico, a perspectiva é de queda em 2009.

Saiba mais nos jornais O Estado de São Paulo, edições de 09/03 e 20/03 e Diário do Nordeste, edições de 18/03 e 21/03/2009.

Opinião - Nós e a crise

* Artigo publicado no jornal Diário do Nordeste, edição desta terça-feira (24/03/09)

O mundo, todos sabem, se encontra diante de uma crise e ninguém, em sã consciência, pode afirmar ainda a sua extensão, assim como nem uma única pessoa em todo o mundo foi capaz de perceber a disseminação de suas causas e prever sua eclosão. A crise, isto é fato novo, não arrastou de imediato as economias das regiões periféricas do mundo, o que foi sentido em países como Brasil, China, Índia e Rússia, apenas para citar aqueles que vinham obtendo taxas de crescimento mais expressivas no contexto da economia global.

Veio à luz um novo cenário, onde países em desenvolvimento já não se mostram tão estreitamente atados aos rumos da economia norte-americana. Há não mais de dez anos, teria sido diferente. O novo quadro foi submetido a um duro teste, ainda que seja prematura uma avaliação definitiva. Que não se veja aí motivo para reações auto-suficientes. Ninguém está blindado por inteiro. Apesar de estarmos, digamos, um ´passo atrás´ do epicentro da crise, já sentimos o impacto de seus efeitos: a expectativa de crescimento no país para esse ano é próxima de zero.

A conjuntura indica a necessidade política de se estabelecer alguns consensos. O momento exige grandeza na construção de uma agenda positiva para o setor produtivo nacional, preservando empregos e mantendo a estabilidade econômica a salvo, tanto quanto possível, dos efeitos da crise.

O governador de São Paulo, José Serra, uma das principais lideranças da oposição no país e provável candidato à Presidência da República nas próximas eleições, mostrou a boa direção, quando reafirmou a necessidade de colocar os interesses maiores do país acima dos interesses partidários, voltados para a disputa eleitoral. Mesmo porque, sabe ele, nada de promissor herdará, caso eleito, se não forem tomadas já medidas necessárias à manutenção da boa estabilidade da nossa economia, ainda que tenhamos momentaneamente que recuar para metas mais modestas de crescimento - o que será mais fácil se prevalecer, no ambiente político, a postura proativa que dele a sociedade espera.

LÚCIO ALCÂNTARA Ex-governador e presidente da Executiva Estadual do PR

segunda-feira, 23 de março de 2009

São José

São José este ano chegou mais cedo. Não foi preciso esperar pelo dia 19 de março para sabermos se haveria inverno no Ceará. As chuvas vieram muito antes. E em abundância.

No dia consagrado ao santo, padroeiro do Estado, fui à missa dos Josés, celebrada na Sé de Fortaleza, pelo padre Brendan. Minha mãe costumava comparecer em nome do meu pai, que também era José. Também eu fui outras vezes.

Emocionei-me ao fim da missa com tantas pessoas que vieram me cumprimentar.

A frase do dia


Para quem gosta de livros:

Existe lugar onde a natureza humana seja mais fraca que em uma livraria?

Henry Ward Beecher. Clérigo americano do século XIX.

Presídio Feminino

O Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa é considerado um modelo prisional pelo secretário Marcos Cals. É um dos poucos do Brasil que não tem superlotação.

O presídio foi ampliado e modernizado durante meu governo, com o apoio do Ministério da Justiça (MJ). À sua inauguração, compareceu o então Ministro da Justiça Márcio Tomás Bastos, que não poupou elogios à obra.

Ressalto a contínua assistência prestada por minha mulher, Maria Beatriz, às presas, as quais visitava com frequência.

Saiba mais no jornal O Estado, edição de 09/03/09.