quinta-feira, 10 de julho de 2014

Breve notícia do primeiro livro impresso em linguagem



Breve notícia do primeiro livro impresso em linguagem
Lúcio Alcântara *
“Deus que julga as obras e a intenção de cada um, julgue as nossas, pois o juízo do homem está mais pronto a julgar a outrem que a si mesmo.”      
Apologia de João de Barros em lugar de prólogo
(Quarta Década da Ásia)

O mundo culto português foi surpreendido quando, em 25 de maio de 1965, o professor José Vicente Pina Martins publicou artigo no “Diário de Notícias” sobre a existência de um exemplar do Tratado de Confissom impresso em português na cidade de Chaves no ano de 1489. Descoberta esta devida ao livreiro Tarcísio Trindade, de Alcobaça, levada ao conhecimento do mestre que a estudou em artigos especializados vindo a publicá-la mais tarde em edição fac similar diplomática, de 1973, precedida de minuciosa introdução.
Achados como esse, comparável ao da Vita Christi por Jaime Cortesão em 1920, são raros em bibliografia, ainda mais que o cimélio encontrado nunca havia sido mencionado por quantos se debruçaram sobre a história da tipografia e do livro em Portugal. Até então A Vida de Cristo, de 1495, era tido como o primeiro livro em língua portuguesa, traduzido do latim, impresso na oficina de Valentim Fernandes e Nicolau da Saxonia. O aparecimento do incunábulo revolucionou os estudos sobre a origem e penetração da imprensa em Portugal ao abrir novas possibilidades de investigação. À luz dos conhecimentos atuais, os judeus são considerados os precursores da imprensa em terras lusitanas a partir do Pentateuco, Faro, 1487. Ao todo, segundo Cadafaz de Matos, somaram quinze os livros publicados em hebraico até a expulsão dos judeus em 1497. Até aqui não foi possível comprovar, como sugerem alguns estudiosos, a existência de prelos cristãos anteriores aos judaicos. O Pentateuco (1487) e o Tratado de Confissom seriam dois marcos a balizarem o nascimento da imprensa lusa e o surgimento de publicações em vernáculo. Controvérsias sobre a localização da primeira tipografia colocam Leiria, Guarda, Lisboa e, após a descoberta do Tratado de Confissom, Chaves, como hipotéticas sedes, mas, de certeza, a primazia ainda cabe a Faro, comprovada pela publicação do Pentateuco.
Ao proceder a um meticuloso exame dos aspectos editoriais e gráficos do Tratado de Confissom Pina Martins provocou uma revisão sobre os pródromos da imprensa portuguesa. A partir da conclusão a que chegou, passou-se a admitir uma quarta via para sua entrada no país, a espanhola, com eixo nas cidades de Zamora/Monterrey/Chaves, seguida pelos impressores anônimos do Sacramental e do Tratado de Confissom, antecedente das outras três já mapeadas (1). A saber:
- Barcelona/Braga, seguida por Johann Gherlinc.
- Augsburgo/Sevilha/Lisboa, seguida por Valentim Fernandes.
- Salamanca/Porto/Braga, correspondente ao itinerário de Rodrigo Álvares.
Possibilidade esta antes ignorada a despeito da proximidade entre os dois países e da presença da tipografia em Espanha desde 1472(1). Verdade que D. Manuel II, último rei de Portugal, notável bibliófilo, autor do magnífico catálogo, Livros antigos portugueses da biblioteca de sua majestade fidelíssima, já em 1929 estranhava “que catorze anos tivessem decorrido entre a introdução da arte de Gutenberg em Espanha por oficiais alemães e a sua entrada em Portugal pela mão de impressores hebreus”(4), estranheza só satisfeita em 1965 pelas páginas do incunábulo flaviense, exemplar único, achado fortuito em meio a um monte de livros velhos.
O “livrinho”, como o chamou carinhosamente Pina Martins, é um pequeno in-quarto, com trinta fólios e cinquenta e nove páginas impressas e um cólofon onde a lacuna é a omissão do nome do impressor. Para além do livro em si, da referência a Chaves como local da impressão, todo o resto se situa no terreno movediço das probabilidades amparadas por inferências obtidas a partir de apuradas pesquisas encetadas pelo reputado bibliólogo luso, removidas assim objeções dissimuladas à sua tese. Um manual destinado a orientar confessores e penitentes de certo teria boa acolhida entre os peregrinos de passagem por aquela vila nortenha em trânsito para Santiago de Compostela.
Por outro lado, os caracteres tipográficos empregados no Tratado, a disposição do texto em duas colunas, a filigrana do papel, uma mão direita coroada por uma corola de seis pétalas, uma identidade próxima entre as fórmulas do cólofon, aproximam-no das obras impressas por Antonio Centenera com oficina estabelecida em Zamora. A partir das analogias identificadas, foi possível supor que um impressor português tenha levado a cabo o trabalho com limitados recursos tipográficos preteridos por Centenera na vizinha cidade espanhola.
 Segundo Luis Felipe Barreto, citado no Catálogo dos Quinhentistas Portugueses da Biblioteca Nacional, a cultura discursiva do renascimento português resulta de três grandes dinamismos – o escolástico, o humanista, o da expansão dos descobrimentos. O predomínio cultural da escolástica se reflete no número expressivo de títulos editados no período sob a égide ou de mecenas ao seu serviço. Aliás, mesmo no período hebraico da tipografia portuguesa (1487 - 1497) apenas uma obra, o Almanach Perpetuum, de Abrãao Zacuto, um compêndio de astronomia, não tinha caráter religioso. Do total de 1.904 obras estampadas em Portugal no século XVI, seiscentas e cinquenta de uma, ou seja, 34% delas foram de responsabilidade da igreja (5). Em relação aos incunábulos portugueses, dos trinta conhecidos, dez inserem textos litúrgicos publicados com o apoio das autoridades eclesiásticas das três dioceses mais importantes, Braga, Lisboa e Porto (3).
Foi nesse ambiente de forte inspiração religiosa que surgiu o Tratado de Confissom, um guia para uso de confessores e penitentes, espécime de literatura moral, mais profundo que outros do gênero (6). O livro está dividido em duas partes, reservadas, a primeira, objetiva, ao confessor; a segunda, subjetiva, ao penitente, para facilitar seu exame de consciência, precedidas por um pródromo que alerta o juiz sobre suas obrigações e exorta-o a ser reto e justo. Um manual estruturado com apoio em exemplos, de forma a não falhar na revelação de pecados, e aplicação de penas segundo tabela canonicamente fixada. Enérgica reprimenda à corrupção da igreja e abusos dos eclesiásticos. Curioso que o livro  conclua com orações canônicas para as refeições, diferentemente dos congêneres, cujo costume das terminações era uma preparação para a morte. Como se, absolvido dos pecados pela confissão o penitente à mesa antecipasse a ceia do Senhor. A arte de viver e conviver substitui a arte de morrer (5).
O mérito do Tratado de Confissom, segundo Pina Martins, é bibliográfico, por haver antecipado em seis anos as primícias da tipografia lusitana. Nem seria de esperar maior valor literário em livro escrito com o fito de instruir práticas religiosas. Da autoria presumida de um eclesiástico, confessor e pregador, está vazado em um estilo seco, pobre de imagens, não obstante revestido da “beleza de uma arquitetura sem ornatos” (5). Vale ressaltar o léxico moderno com o emprego de palavras que sobrevivem até hoje.
Não é desprezível a título de documento que expõe a confissão como instrumento de controle social e revelador do comportamento do homem português no século XV.
A afirmação de Sousa Viterbo de que “em bibliografia é muito difícil, se não impossível, asseverar que se disse a última palavra sobre o assunto por muito verossímil que seja”, cautela esposada por outros especialistas, veio a ser confirmada a propósito da instituição do primeiro livro impresso em língua vernácula. Quando a prioridade indiscutível estava atribuída ao Tratado de Confissom, sustentada por fundados argumentos, eis que artigo assinado pela professora da Universidade de São Paulo, Rosemarie Erika Horch, confere o primado a uma tradução portuguesa do Sacramental, obra do espanhol Clemente Sanchez de Vercial, saída do prelo em Chaves, no ano de 1488(11). Conclusão esta retirada com base em investigação levada a efeito a partir de exemplar depositado na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro dada a conhecer em 1986. Segundo ela, após a publicação do Catálogo dos Incunábulos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (1957), surgiram comentários sobre a natureza incunabular da referida publicação, alimentada pela ausência no volume em estudo das folhas finais onde estariam as indicações tipográficas. Não obstante o óbice comprobatório, Serafim da Silva Neto, em 1957, com base em informação colhida no Dicionário Bibliográfico Português de Inocêncio Francisco da Silva, é taxativo ao considerar que ele “tem as características de incunábulo”. É que, no verbete, Clemente Sanchez de Vercial do aludido glossário, além das edições vernáculas do Sacramental, datadas de 1502 e 1539, está reproduzido um comentário imputado ao conselheiro Francisco Freire de Carvalho sobre ter visto na biblioteca do arcebispo de Lacedemônia e Vigário Geral do pratriarcado, D. Antonio José Ferreira de Sousa, outro exemplar do mesmo livro traduzido em português, impresso em 1488, que descreve em pormenor, anotada inclusive a falta da folha inicial. Ao tomar como ponto de partida a informação oferecida por Inocêncio, a pesquisadora localizou a obra do conselheiro Freire Carvalho, intitulada Primeiro Ensaio sobre a História Litteraria de Portugal, desde a Mais Remota Origem até o presente tempo, Seguido de Differentes Opusculos, Que Servem para sua Maior Illustração, e Offerecido aos Amadores da Litteratura Portuguesa em Todas as Nações. Lisboa, Typ. Rollandiana, 1845, 8º de 445 págs. a qual cita elementos constantes do Sacramental de 1488. Em seu texto reproduz o remate do livro onde vem em latim muito mutilado a indicação do impressor e de Chaves como sede tipográfica, dados despercebidos pelo autor da observação e o dicionarista. O cotejo feito entre o exemplar descrito por Freire Carvalho e o da Biblioteca Nacional faz crer se tratarem ambos da mesma edição restrita, a discordância às cores das letras capitulares. Sem embargo da exaustiva apuração empreendida, não foi possível identificar o tradutor nem afirmar com segurança o responsável pela impressão, possivelmente um espanhol fixado em uma das cidades próximas a Chaves. Embora a autora não tenha conseguido identificar os tipos do Sacramental com os de nenhum tipógrafo contemporâneo, há um vínculo de interesses topográficos com o Tratado de Confissom que emprestou insuspeitada notoriedade tipográfica à cidade. Mais que isso, segundo Artur Anselmo, pesquisador do assunto. Para ele, haveria entre as duas preciosidades afinidade temática e técnica que remete ambas a uma provável origem comum traduzida  no papel usado e nos tipos de Antonio Centenera. Por fim, um comentário sobre os dois exemplares mencionados. O da Biblioteca Nacional, com suas folhas iniciais completas, não pode ser o mesmo da descrição de Freire Carvalho onde estão dadas como ausentes.
Exemplares únicos, o Tratado de Confissom e o Sacramental são remanescentes do vandalismo dos homens e da ação destruidora do tempo para testemunharem o princípio e a evolução da imprensa, essa formidável invenção da Renascença difundida pelo protagonismo português na descoberta de novos mundos, malgrado sua interdição no Brasil até a transferência da Corte em 1808.
Após esta breve incursão pelo alvorecer da imprensa em Portugal, cumpre elaborar uma cronologia de livros publicados à época, segundo coligi de fontes diversas assentadas em constatações comprovadas.
De acordo com Artur Anselmo(3) todos os impressores que trabalharam em Portugal com caracteres de matriz gótica, do início da atividade tipográfica até o final do século XV, estão distribuídos por três ramos:

a) ramo comum a impressores do Sacramental e Tratado de Confissom.
b) ramo comum a Johann Gherlinc e Rodrigo Alvares.
c) ramo comum a Valentim Fernandes e Nicolau de Saxonia.

Quanto aos livros publicados, esbocei uma síntese cronológica que contempla em sua estrutura as mudanças ocorridas desde quando Queirós Veloso considerou, no volume I da Bibliografia Geral Portuguesa a Vita Christi “como a primeira obra impressa entre nós em linguagem” (6).
Ordenados a seguir, os livros listados auxiliam a melhor compreender a sequência de publicações surgidas na fase pioneira da imprensa em Portugal:

1487 – Pentateuco – Primeiro livro publicado em Portugal em hebraico (Faro, Samuel Gacon).
1488 – Sacramental – Tradução portuguesa do texto de Clemente Sanchez de Vercial (Chaves, impressor ignorado).
1489 – Tratado de Confissom – Primeiro livro impresso escrito em português (Chaves, impressor ignorado).
1494 – Breviarium Bracharense – Primeiro livro publicado em latim em Portugal (Braga, João Gherlinc).
1495 – Vita Christi – Obra prima da bibliografia portuguesa traduzida do latim. (Lisboa, Valentim Fernandes e Nicolau da Saxonia).
1497 – Constituições que fez o senhor Dom Diogo de Sousa Bispo do Porto – Primeiro livro que teria sido impresso por um português. (Porto, Rodrigo Álvares).

Sem a pretensão de esgotar a lista de incunábulos portugueses, relacionamos os vinculados a eventos marcantes na bibliografia lusitana na esperança de que o presente texto colabore com quantos se aventurem na senda dessa fascinante aventura.

Bibliografia

01- ANSELMO, Artur. Estudos de história do livro. Lisboa: Guimarães, 1997.    189p.
02- _____________. Livros e mentalidades. Lisboa: Guimarâes, 2002. 191p.
03- _____________. Origens da imprensa em Portugal. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1981. 510 p.
04- D. Manuel II. Livros antigos portugueses 1489 - 1600 da bibliotheca de sua majestade fidelíssima. Braga: APPACDM, 1995. 633 p. v.1.
05- HUE, Sheila Moura (Org.); PINHEIRO, Ana Virginia (Org.). Catálogo dos quinhentistas portugueses da Biblioteca Nacional. 2. ed. Rio de Janeiro: Edições Biblioteca Nacional, 2004. 157p.
06- MARTINS, José V. de Pina. Tratado de confissom: (Chaves, 8 de agosto de 1489). Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1973. 281p.
07- MATOS, Manuel Cadafaz de. O Primeiro livro impresso em Portugal. Jornal de Letras, [S.l.], 12 jul. 1987.
08- PACHECO, José. A Divina arte negra e o livro português: (séculos XV e XVI). Lisboa: Vega. 282p. (Coleção Artes / História).
09- PEIXOTO, Jorge. História do livro impresso em Portugal. Coimbra, 1967. 30p.
10- PINTO, Américo Cortez. Da famosa arte da imprimissão. Lisboa: Ulisseia Limitada, 1948. 507 p.
11- PRELO. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, n. 10, jan./fev. 1986. Trimestral.
12- SILVA, Innocêncio Francisco da. Diccionário bibliográfico portuguez. Lisboa: Imprensa Nacional, 1859.478p. t.2.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Ingrid Berman II

Encenação :

Às vezes, no cinema, você ama tanto uma pessoa, mas não consegue trabalhar com ela nos filmes. Em outras, você não gosta de alguém, mas na tela funciona perfeitamente. Os dois maiores talentos com quem já trabalhei foram Ingrid Berman e Anna Magnani. Mas, eu preferi trabalha com Magnani, de quem eu não gostava, do que com Bergman, que eu adorava

Anthony Quinn

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Ingrid Berman

Guardo da atriz sueca doces recordações da adolescência. Sempre me atraiu nela um certo despojamento pessoal e uma naturalidade que não era comum nas grandes divas do cinema. Nessa linha encontrei no livro/cd que a Folha de São Paulo vem lançando na Coleção Grandes Astros um depoimento que transcrevo a seguir.

"Eu nunca me senti bem maquiada. Acho que é preciso ter começado a usa-la bem cedo na vida para se sentir natural quando se tem algo inatural na sua face. Eu sempre penso que quando as pessoas olham meu rosto verão onde termina a maquiagem e eu começo, particularmente na luz natural. Mesmo maquiagem leve me faz sentir como se eu estivesse me escondendo sob uma máscara. Eu não quero me esconder. Quero me comunicar. Quero parecer comigo mesma".

Spica

Crônica do Ruy Castro, Folha de São Paulo, edição de 25/06/14, relembra o Spica, primeiro rádio pórtatil de que me lembre.

Bem pequeno, envolto em uma embalagem de couro, cor bege, japonês, salvo engano, sem a fidelidade dos aparelhos de hoje era sinal de modernidade colada aos ouvidos das pessoas.

Não importavam os chiados nem a audição precária o importante era o contacto com o mundo estando fora de casa.

Não faziam falta nos estádios onde torcedores não se satisfaziam apenas em assistir os jogos mas também queriam escutar seus narradores prediletos.

Aposta

Um norueguês, conhecedor dos antecedentes de Luis Suárez jogador da seleção uruguaia apostou como ele morderia alguém durante a Copa.

Thomas Syversen, este seu nome, respondeu sim à pergunta de uma casa de apostas na cidade de Bergen : Será que Luis Suàrez vai morder outro jogador agora na Copa ?

Apostou o equivalente à R$ 11,0 e ganhou algo em torno de R$ 2,0 mil

Saiba mais no suplemento da Copa do jornal O Estado de São Paulo, edição de 25/06/14

Economia

Emprego : Maio apresentou o pior resultado na abertura de vagas com carteira assinada. O saldo de 58,8 mil vagas só foi melhor que maio de 1992, 58.836, quando o presidente era Fernandp Collor.

Déficit : O déficit de US$ 6,635 bi  nas contas externas no mês de maio estabeleceu um recorde para o mês. O acumulado no ano de US$ 40,07 bi também é recorde.

Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 25/06/14

Perdas e Ganhos

Com os feriados em dia de jogo e menos movimento nas ruas comércio e indústria calculam prejuizos.

Na indústria brasileira cada dia útil parado representa em média uma perda de R$ 7,0 bilhões no valor bruto da produção.

Quanto ao comércio, cálculos da CNC indicam que um dia útil perdido represente 9% de lucro a menos no mês.

Já os bares... devem faturar R$ 12,0 bilhões em junho. Na hotelaria a expectativa é de crescimento de 6% a 7%. O evento deverá injetar cerca de R$650,0 milhões no setor.

Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 28/06/14

Argentina

Posso ser goleira. Cá estamos impedindo os gols.

Cristina Kirchner, presidente da Argentina a propósito da crise da dívida do país que pode terminar em novo calote.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Carlos Lacerda

Não tenho, nunca tive, afinidade com as ideias políticas de Carlos Lacerda cujo centenário de nascimento transcorre este ano (30/04/14 - 21/05/77).

Respeito sua cultura, os dotes de orador e o debatedor talentoso.

Do longo depoimento que concedeu a entrevistadores do jornal O Estado de São Paulo poucos meses antes de sua morte extrai algumas passagens que julgo interessantes :

Sobre sua incoerência em relação à Jânio Quadros com quem rompeu depois de te-lo apoiado quando candidato à presidência : Quem é o incoerente, eu que,elogiei Jãnio quando ele parecia bom, ou ele, que parecia bom e ficou ruim ?

Sobre seu entusiasmo com as obras do Guandu que resolveram o problema de abastecimento de água da cidade do Rio de Janeiro : Não me importa que não se lembrem, quando abrirem as bicas, quem foi que botou a água.O que importa é que eu me lembre.

Sobre o exercício do poder : O poder não é cargo de sacrifício. Ao contrário é uma fonte maravilhosa de alegria. Ser governo não é um sistema de privilégio para você. Eu tenho nojo da pessoa que diz que está fazendo um sacrifício : ou é um mentiroso, ou é um impostor ou não sabe o que está fazendo lá.

Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 27/04/14 páginas A8 e A9.

Drogas

A droga é um mal e com o mal não pode haver cessões ou compromissos.

Papa Francisco, sobre sua rejeição `legalização de qualquer tipo de entorpecente.

Folha de São Paulo, edição de 22/06/14

Livro

Nenhum homem é uma ilha. Cada livro é um mundo.

Do livro A Vida do Livreiro A.J.Fikry, de Gabrielle Zevin

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Reflexão dominical

Trecho do Evangelho de ontem segundo Mateus :

Naquele tempo disse Jesus a seus apóstolos: Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido.
O que vos digo na escuridão dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados. Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma.

Muito oportuno às vésperas de uma disputada campanha eleitoral

Livros

No Brasil não se pode emprestar livros : os que os recebem, consideram-nos dados e não emprestados.

Marquês de Maricá

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Classe média

La classe é móbile... pode dizer-se em forma de paródia. Um estudo detaljhado sobre a renda e os gastos das classes C,D e E revelou um dado sobre a C chamada de nova classe média.

As variações quanto ao valor e fontes de rendimento demonstram mudanças drásticas mês a mês. Assim uma mesma família oscila entre a pobreza e a renda média em questão de dias.

Luciana Aguiar, responsável peo estudo, diz : Podemos dizer que a classe C é classe média quando dá.

A partir dessa constatação é preciso cautela com as estatísticas que exibem números de brasileiros egressos da pobreza.

Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 18/05/2014

PT

O PT ainda é o partido com o maior número de simpatizantes.

Há 20 anos a taxa era de 22%. Em agosto de 2002 chegou a 34% e agora é de 21%. Voltamos portanto aos números de 1995.A distribuição de apoiadores sofreu modificações. Eles estão mais velhos e menos concentrados. Num processo de interiorização migraram do sul e sudeste para o nordeste.

Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 18/05/14

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Conselho

A propósito das manifestações de rua e das torcidas que enchem os estádios durante as partidas pela Copa do Mundo é oportuno lembrar o obeso e sonolento personagem de Dickens, Mr Pickwik, que acabou dando nome a uma síndrome médica.

Aconselhava ele : Quando encontrarem uma multidão gritando viva ou morra, gritem com a multidão.

E se encontrarmos duas multidões, uma gritando viva e outra morra, indagou um díscipulo.
Então gritem com a que gritar mais alto, ensinou.

Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 18/0514, artigo de Carlos Heitor Cony

Desigualdade

Quando se verifica que 1% da população mundial é muito rica e 99% das pessoas têm uma vida cada vez mais precária a questão da desigualdade surge como um tema do maior interesse mobilizando lideranças mundiais em busca de reverter essa situação tão injusta.

O papa Francisco e o presidente Obama já se referiram a ela como o problema que define nosso tempo.

Agora o economista francês Thomas Piketty atiçou a discussão ao expor em livro a tese de que a desigualdade econômica é uma decorrência do capitalismo que só contribui para agrava-la.

Sua obra, O Capital no Século 21, virou um best seller e tem suscitado muitos debates. As críticas surgidas questionam sobretudo dados estatísticos e as fontes onde teriam sido colhidos. O autor se defende afirmando que as contestações não invalidam a essência de seus argumentos.

O alerta de Piketty, no mínimo, chama atenção para o grave problema da concentração de renda que aflige indistintamente paises ricos e pobres na vigência da atual ordem econômica.

Saiba mais no jornasl O Estado de São Paulo, edição de 18/0514 páginas A21 e B9 

terça-feira, 10 de junho de 2014

A frase do dia

Uma das grandes liçoes da vida é que os tolos as vezes estão certos.

Winston Churchill (1874-1965)

Escrever

Eu nem sequer gosto de escrever. Acontece-me as vezes estar tão desesperado que me refugio no papel como quem se esconde para chorar. E o mais estranho é arrancar da minha angústia palavras de profunda reconciliação com a vida.

Eugênio de Andrade (1923-2005)

Educação

O Plano Nacional de Educação que acaba de ser aprovado pelo Congresso Nacional estabelece que até 2024 as despesas com educação deverão atingir o patamar de 10% do PIB.

Poucos paises atingem percentual como esse em relação aos gastos com o ensino. De 2008 para cá integram o grupo economias minúsculas como Lesoto (13%), Timor Leste, São Tomé e Princípe e Cuba que tem características próprias devido ao regime comunista.

Hoje o Brasil gasta com o setor 5,8% do PIB, percentual elevado em comparação com outros paises com maior peso na renda mundial. Entre os membros do G20 o número varia de 2,8% da Indonésia a 6,3% do Reino Unido.

Gastos maiores não significam necessariamente melhoria automática nos nossos indicadores de educação. Será preciso gastar bem e realizar reformas com foco no desempenho do aluno.

Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 05/06/14

Copa

Governos estaduais e prefeituras estão gastando recursos próprios da ordem de R$ 418 milhões em estruturas provisórias para jogos da Copa.

As despesas incluem equipamentos para escritórios de patrocinadores da Fifa, centros de trnsmissão de TV, vestiário para mascotes, salas de imprensa e até camarotes e seguranças para o público VIP além da montagem desses equipamentos.

Em Fortaleza a conta extra foi de R$ 30 milhões.

Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 05/06/14

Estrangeiros

A Folha de São Paulo, edição de 08/06/14, orientou o comportamento dos comerciantes para atrairem consumidores estrangeiros durante a Copa :

1-Aprender expressões nos idiomas

2-Saber as cores de cada país

3-Falar baixo

4-Conter gestos

5-Sempre sorrir

6-Não tocar no corpo do comprador

7-Não virar as costas

8-Não mascar chicletes.

domingo, 1 de junho de 2014

Bicos

O governo do estado de São Paulo anuncia que irá institucionalizar os "bicos" de policiais militares. Da-se essa denominação ao trabalho que prestam a empresas particulares durante as folgas.

A medida visa aumentar o número de policiais nas ruas que exerceriam junto aos particulares, quando de folga, uma atividade delegada e supervisionada pelo estado inclusive atuando fardados e armados.

A decisão do governo ampara-se em uma lei estadual em vigor desde o final de 2013. Atualmente já vem sendo aplicada em 39 cidades cujas prefeituras arcam com a despesa decorrente da jornada extraordinária.

Segundo o secretário de segurança a demanda pela nova modalidade de trabalho cresce rapidamente. De saída mil policiais serão incluidos nesse regime especial.

Lembro que o governador Leonel Brizola costumava defender a oficialização do "bico" como forma de expandir a presença da polícia nas ruas reconhecendo a realidade de sua existência.

Saiba mais no jornal O Povo, edição de 28/03/14

 

Espionagem

Num processo inédito os Estados Unidos levam militares chineses à justiça acusando-os de haverem "hackeado" empresas e roubarem segredos.

Os cinco teriam invadido computadores e roubado segredos de pelo menos seis entidades americanas. É a primeira vez que o Departamento de Justiça americano promove uma ação dessa natureza contra oficiais de um país.

A ciberespionagem, segundo autoridades, abrange os setores de siderurgia, nuclear e de energia solar. A invasão virtual visava dar maior competitividade às empresas chinesas incluindo estatais.

Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 20/05/14

A frase do dia

Quem ficar obcecado pelas novas tecnologias vai perder o principal, o software definitivo: a alma.

Nizan Guanaes, publicitário