domingo, 25 de agosto de 2013

Inovação

É bom que os contribuintes saibam. E o estado deixe de ser visto apenas como um obstáculo caro e ineficiente.

A professora Mariana Mazzucato, da Universidade de Essex (Reino Unido), autora do livro The Entrepreneurial State : Debunking vs,.Private Sector Myths ( O Estado Empreendedor, Desmascarando Mitos do Setor Público vs Privado) demonstra que grandes inovações ocorreram graças ao financiamento do estado.

Segundo ela, Google, internet, GPS, as tecnologias que tornam um iPhone "inteligente, foram financiadas pelo governo americano através das forças armadas e agências voltadas para a pesquisa e a inovação.

A autora defende a tese de que a iniciativa privada não dispõe de capital suficiente para investir nessa área embora seja a primeira a se apropriar das descobertas para realizar lucros. Assim é preciso prestar mais atenção nesse papel do estado vendido como um vilão do progresso e do avanço tecnológico.

O sistema seria parasitário tocando os riscos ao estado enquanto os elementos de lucro são no geral privatizados.

Vale a pena refletir sobre isso. Se você não quiser esperar pela chegada do livro ao Brasil sua editora é a Anthem Press e o preço é US$ 18,95.

Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 18/08/13

Kombi

A Kombi chegou ao fim da linha. O "pão de forma", como era conhecido o utilitário, deixa as ruas brasileiras 64 anos depois de iniciada sua fabricação na Alemanha.

O Brasil era o último país a manter uma linha de montagem do veículo.

Para assinalar o fim da produção a VW lança uma última série composta de 600 unidades numeradas, com placas de identificação, ao preço de R$ 85,00 mil. As principais características serão :

1 - pintura bicolor, estilo saia e blusa (azul e branco)

2 - os bancos de vinil que repetem os tons da carroceria

3 - os adesivos 56 anos nas laterais e as laternas transparentes

Ao todo foram comercializados no país, segundo o fabricante, 1,5 milhão do furgão.

Com ela desaparece um dos itens da minha memória. Antes de ter carro, nos tempos de estudante, usufria, alternadamente, das Kombis de meus tios Adelino Otávio que confiavam em entrega-las ao sobrinho.

Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 15/08/13, página B7

Desmatamento

Em 2010 o Incra foi responsável por 30% dos desmatamento. Em 2004 esse índice era de 18%.

Acusado em 2012 de ser o maior desmatador da Amazônia o Incra está para assinar um acordo com o Ministério Público Federal se comprometendo a reduzir em 80%, até 2020, o percentual de derrubada de florestas em assentamentos de reforma agrária.

Em troca serão extintas sete. ações ajuizadas pelo MPF pedindo a condenação do órgão por danos ambientais. Ds sete, já foi condenado em três.

Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 06/08/13, página E2

Empresas

Segundo pesquisa da consultoria e corretora de seguros Aon a mudança no marco regulatório e e na legislação é o principal risco apontado para os negócios das companhias.

Sãos estes os principais riscos que podem afetar os negócios :

1 - Desaceleração econômica ou recuperação lenta.

2 - Alterações regulatórias ou legislativas

3 - Concorrência crescente

4 - Danos à reputação ou à marca

5 - Insucesso em atrair ou reter grandes talentos

6 - Insucesso em inova ou atender as necessidasdes do cliente

7 - Interrupção dos negócios

8 - Risco do preço de matérias primas (commodities)

9 - Risco de fluxo de caixa ou liquidez

10 - Riscos políticos

Saiba mais na Folha de São Paulo, edição de 06/08/13, página B5

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Urbanismo

Sob o título Enquanto parques agonizam reformas ficam apenas no papel, o Diário do Nordeste, edição de 19/08/13, traz matéria mostrando o abandono em que se encontram parques da nossa cidade.

A notícia menciona os parques Rio Branco, Parreão, Adahil Barreto o Raquel de Queiroz "cuja implantação foi prometida há mais de dez anos. Sobre esse último o atual governo comete criminosa omissão.

Grande parte da área, que pertencia ao Instituto Rocha Lima, foi desapropriada por mim quando governador. Um espaço verde com uma capela e instalações do antigo Asilo de Menores que desde muito poderia estar sendo útil à população.

Devemos reconhecer que há um problema grave em relação aos nossos espaços urbanos. Deterioram-se rapidamente por falta de manutenção e vigilância acrescidas da leniência dos gestores quanto à utilização por agentes privados em ofensa às normas para seu uso.

Grandes somas são investidas em obras que embelezam a cidade e são úteis ao povo. Os exemplos, recentes e antigos, se sucedem : Passeio Público, Cidade da Criança, Calçadão da Avenida Beira-Mar, Praça José de Alencar, Lagoa do Opaia e assim poderíamos elaborar um enorme lista.

Reformas se sucedem, importando em somas vultosas, sempre seguidas de rápida degradação dos logradouros. Não sei até quando isso irá continuar assim. Desalentado não vejo sinais de mudança.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Cardápio II

* Fonte: Jornal O POVO - Opinião (15/08/2013)

Falácias sobre a literatura

1. "A ficção melhora a vida das pessoas." -- Duvido que ler Céline ajude um funcionário de banco a trabalhar com mais eficiência, arrumar uma namorada ou parar de beber.
2. "Há muita inveja no meio literário." -- Sim (dizem), mas com os amigos é o contrário. Torcemos para que seus livros sejam bons, porque dilemas éticos dão certa preguiça: em algum momento precisaremos decidir se os elogiamos hipocritamente, talvez em público, ou deixamos a amizade avinagrar.
3. "Quem lê best-sellers acaba passando para obras mais complexas." -- Só se fizer um esforço que no começo parece inútil, o que a maioria não está disposta a fazer. Por que enfrentar textos que soam árduos e/ou incompreensíveis? Só porque alguém --quase sempre uma pessoa mais velha, solitária, pobre e sem carisma-- diz que haverá uma recompensa ao final?
4. "O maior pecado de um escritor é ser chato." -- Contrariando o item anterior, há um prazer específico, que pode ser intenso e viciante, em emergir de um monólogo introspectivo de 900 páginas --às vezes em prosa opaca, sem enredo, humor ou concessões-- como um sobrevivente.
5. "Tudo já foi dito." -- Pegue alguns dos temas que estão por aí --polícia moral de Twitter, por exemplo-- e conte quantas boas histórias foram publicadas a respeito.
6. "Todos os modos de dizer já foram tentados." -- Assim como cada pessoa tem um timbre de voz, cada autor é capaz de ser bom ou idiota à sua maneira.
7. "A linguagem é capaz de tudo." -- Apenas dentro dos próprios limites. Um cheiro só pode ser descrito com metáforas e associações, que não são e nem mesmo definem o cheiro em si.
8. "O texto ficcional é autônomo." -- Dá para acreditar nisso, como no Papai Noel da isenção, mas a referência de toda escrita é a memória do seu autor, que não necessariamente é a memória de coisas vividas. Só uso a palavra "casa" porque sei o que é uma casa --já morei numa, já entrei em outras tantas, já vi fotos e filmes e ouvi relatos a respeito--, e isso também é autobiografia.
9. "Não há muitos livros sobre futebol no Brasil." -- Frase repetida a cada lançamento de obra sobre o tema.
10. "Há poucos estudos acadêmicos sobre literatura contemporânea." -- Frase repetida a cada notícia de estudo do gênero.
11. "Há cada vez menos espaço para resenhas." -- Ok se desconsiderarmos a invenção da internet.
12. "Escrever contos exige tanto sacrifício quanto escrever romance." -- Sei que é um gênero difícil e tal, mas estou usando critérios objetivos: os anos de dedicação e concentração, os casamentos terminados, os remédios para a lombar.
13. "O escritor é um trabalhador como qualquer outro." -- Diga isso para um cortador de cana.
14. (A falácia oposta, de que se trata de um habitante das esferas elevadas da compreensão humana, é ainda pior: no mínimo, porque gera metáforas do tipo artista no fio da navalha/no olho do furacão/à beira do abismo.)
15. Frase de Henry James, se não me engano, que poderia ser a resposta à preferência atual --muito apreciada em cursos de escrita criativa-- por concisão, contenção e exatidão: "Adjetivos e advérbios são o sal e o açúcar da literatura".
16. (Dá para dizer algo parecido contra outras regras da moda: as que vetam personagens escritores, narradores em primeira pessoa, metalinguagem, capítulos curtos, romances políticos e enredo policial, livros despretensiosos ou que se levam a sério, autores que mendigam popularidade fazendo listinhas.)
17. (Queria aproveitar para falar umas verdades sobre a crítica, os cadernos de cultura, as políticas governamentais de incentivo ao livro, as editoras, os tradutores, os revisores e preparadores, sem contar os leitores e alguns colegas e também meus inimigos e seus familiares, mas o espaço está terminando e melhor deixar para outra).
18. Raduan Nassar numa entrevista à "Veja", 1997, resumindo a importância do que foi dito nos parágrafos acima: "Eu gosto mesmo é de dormir (...). É um momento de magia quando você, só cansaço, cansaço da pesada, deita o corpo e a cabeça numa cama e num travesseiro. Ensaio, prosa, poesia, modernidade, tudo isso vai para o brejo quando você escorrega gostosamente da vigília para o sono". 

* Fonte: Folha de S.Paulo (sexta,19 de julho de 2013)

sábado, 17 de agosto de 2013

Cachaça

A cachaça, assim como o petróleo, agora é nossa.

Podemos entrar nos Estados Unidos ostentando no rótulo nosso nome original. Basta da dissimulação de brazilian rhum  a que nos obrigavam os americanos. É verdade que o Brasil em troca reconheceu a marca bourbon, o uisque deles.

O Ceará responde por 12% da produção nacional da bebida. De olho no mercado dos Estados Unidos uma empresa cearense ja contratou como garoto propaganda o ator John Travolta.

Saiba mais no jornal O Estado de São Paulo, edição de 16/08/13 no suplemento Paladar 

Economia

Após três trimestres, Europa sai da recessão.

O resultado foi obtido às custas do crescimento da Alemanha (0,7%), França (0,5%) e Reino Unido (0,6%) paises que puxaram o desempnho da economia europeia para 0,3% no primeiro trimestre.

Entre os paises onde a crise é mais profunda a boa notícia veio de Portugal que cresceu 1,1% o melhor resultado de toda europa.

Saiba mais no jornal Folha de São Paulo, edição de 15/08/2013, página B6

A frase do dia

Nenhuma coisa é mais evidente que a demonstração matemática.

Pedro Nunes - 1573

Descobrimentos

Estes descobrimentos não se fizeram indo a acertar.

Pedro Nunes - 1573, sobre os descobimentos portugueses.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Cardápios



Hospitais perigosos

*Clique na imagem para ampliar.

Tempos de Lúcio e outros tempos III - Violência



Leio, consternado, a notícia de que um procurador da república foi assaltado enquanto praticava os seus exercícios matinais e que, após forte pressão psicológica dos criminosos, foi obrigado a entrar no lago do Jacarey, em Fortaleza, enquanto seus pertences eram roubados. O desejo dos bandidos era de levá-lo para casa para promover um “arrastão”, com consequências que são difíceis de imaginar.

O nível de violência em nosso estado é assustador, dando, cada vez mais, provas de que estamos perdendo a guerra no combate ao crime. O jornal O Povo noticiou, em 07/05/13, que nos quatro primeiros meses deste ano as estatísticas acumulavam o incrível número de 873 assassinatos a tiros na Grande Fortaleza, com provas incontestes da banalização da violência e da completa falência da política de segurança pública em nosso estado.

Os responsáveis por essa política argumentam a violência tem aumentado em todo Brasil, convenientemente esquecendo que um dos principais compromissos do atual governador foi com “uma nova estratégia de fazer polícia”, com uso intensivo de tecnologia avançada e interação social, a partir do Ronda do Quarteirão (veja em http://www.ceara.gov.br/governo-do-ceara/projetos-estruturantes/ronda-do-quarteirao).

Se era essa a proposta, vemos a falência do modelo. De acordo com o relatório “Mapa da Violência”, do Instituto Sangari, o Ceará apresentou, em 2006, uma taxa anual de homicídios menor do que a média nacional, com 19,4 mortes por cem mil habitantes. Em 2012, a falta de uma política de segurança efetiva colaborou para que esse índice mais que dobrasse, atingindo a marca de 40,0 mortes por cem mil habitantes, como pode ser visto no gráfico a seguir:


Gráfico: Ceará – Taxa de homicídios por 100 mil habitantes
2006/2012





               Fonte: Secretaria de Segurança Pública do Estado do Ceará

Em 2012 foram praticados 2.286 homicídios dolosos no Ceará, tendo esse tipo de violência crescido a impressionante taxa de 12,8% ao ano, superando a média nacional. Essa tragédia é sempre justificada com desculpas, como a falta de alternativas efetivas de combate às drogas ilícitas, mas o fato é que cometeu-se um enorme equívoco ao priorizar os aspectos de marketing da política pública de segurança, em detrimento do aumento de efetivo, de sua preparação e de estratégias integradas com as políticas de educação e assistência social.

O programa Ronda do Quarteirão foi elaborado para uma campanha eleitoral, sem o conteúdo necessário para se tornar uma política pública. De forma completamente errada tentaram dar continuidade à farsa, com a priorização dos vistosos carros importados e dos caros “Segways”, com uma clara demonstração da falta de substância do programa. Atualmente, soma-se a ausência de capacidade de gestão e a falta de foco na política de segurança.

A violência cresce no vácuo gerado por esse modelo equivocado. O governador poderia ter a humildade de reconhecer a sua incapacidade de lidar com esse problema e solicitar a ajuda federal, pois vivemos uma situação caótica, com riscos crescentes.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Beira-Mar

O calçadão da Beira-Mar continua o mesmo caótico e mal cheiroso. Aliás, está pior. Um dia desses uma senhora caminhava lá levando um lenço ao nariz. Já pensou ?

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Tensão pré-eleitoral

Deixei o governo há seis anos e oito meses. Prazo mais que suficiente para que meu sucessor assuma seus erros sem cair na tentação de me imputar responsabilidade que não tenho. Reafirmo, mais de seis anos depois, como posso ser responsável pelo que Sua Excelência come hoje ?

Fui eleito governador e continuei morando no meu apartamento. Não me mudei para palácio e, quando viajava para fora do estado, minha primeira opção sempre era viajar em avião de carreira. Fui usuário frequente da classe econômica das transportadoras aéreas.

O país inteiro sabe que o atual governador adora uma mordomia. Os escândalos estão por aí, nas páginas de revistas e jornais : é jatinho para cá, jatinho para acolá... e o dinheiro de um estado pobre como o Ceará vai descendo pelo ralo.

Logo, isso que o Deputado Heitor Ferrer denunciou não tem novidade alguma. O "modus operandi" do governador é aquele mesmo.

Na sua reação à crítica do parlamentar tenta confundir a opinião pública com lorotas fáceis de verificar. Ao contrário do que diz o contrato em questão foi licitado durante sua gestão. Aliás, por duas vezes.

Outra inverdade: ele se finge de desinformado quando afirma que o Deputado Heitor Ferrer apoiou meu governo. Heitor fez oposição a mim como faz a ele, embora esteja agora obtendo sucesso face a um governo que não se cansa de dar ao deputado motivos para suas denúncias. Não obstante, diferentemente do que acontece no momento, sempre o tratei com respeito e urbanidade.

Se não abre mão das mordomias o governador deveria pelo menos dar melhor exemplo de serenidade e equilíbrio quando tem que enfrentar críticas por seus desvios de conduta. O Ceará está farto dos destemperos do clã instalado no poder.

O governador está irritado, mas sabe o que é isso ? É tensão pré-eleitoral de quem já pressente suas próprias dificuldades. Deve estar lendo muitas pesquisas de opinião e perdendo o sono...

Livraria Bertrand

Imagens da Livraria Bertrand, em Lisboa, no Chiado. Fundada em 1752 é a mais antiga livraria do mundo ainda em funcionamento. Indo a Portugal vale a pena visita-la.
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Um alfarrabista em Braga

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Em Portugal sebo é alfarrabista. A imagem é de um panfleto de um estabelecimento no gênero recém aberto em Braga. Indo lá, visite-o. Está bem instalado e com acervo bem organizado. Predominam livros de arte

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Sigilo oficial

* Fonte: Folha de S.Paulo (domingo, 4 de agosto de 2013)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Arganil


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As duas imagens são postais da cidade de Arganil, em Portugal, nas primeiras décadas do século XX. Na primeira aparece a fachada, na esquina, à direita, dos Grandes Armazens, estabelecimento comercial  que pertenceu ao avô da Maria Beatriz, minha mulher.


Bagagem de mão

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Terremoto

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Lisboa a arder - Terremoto de 1755
 
Steislinger, séc. XVIII

Pessoanas






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domingo, 11 de agosto de 2013

Jornalistas

Segundo o escritor franco-argelino Albert Camus o jornalista para ser livre precisa
 manter-se lúcido, ser desobediente, irônico e obstinado.

É gente assim que faz falta ao nosso jornalismo.

Frase do dia

O que não sabemos hoje saberemos amanhã.

Garcia de Orta, sábio português, 1563