quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Enorme diferença

A coluna Política do jornal O Povo faz, hoje, uma reparação ao que foi publicado no mesmo espaço, na terça-feira (23), sobre a controvertida iniciativa de criar áreas de segurança em torno da sede do governo, da residência oficial e da pessoa do governador.

Da forma como foi escrita, pode parecer que os decretos de minha autoria, quando governava o Estado, e a mensagem que tramita na Assembleia, enviada pelo governo atual, tratem o tema da mesma maneira. Há diferenças essenciais na forma de considerar o assunto.

No projeto de lei atual, as áreas de segurança foram substancialmente expandidas em relação aos decretos. Também foi introduzido o conceito de segurança transitória, que abrange um perímetro de 250 metros do local onde se encontrar o governador quando de seus deslocamentos.

Nunca tive essa obsessão com a questão de segurança. Eleito governador morei durante todo meu mandato em minha residência particular, mantendo-me e a minha família às minhas custas.

No prédio havia apenas um segurança encarregado de receber recados e ligações telefônicas. Nem por isto, apesar de tenaz oposição parlamentar, fui em algum momento molestado ou tive minha casa assediada por manifestantes.

Durante todo o governo, mantive o hábito de caminhar pela manhã na Avenida Beira-Mar acompanhado por um único segurança. Nos fins de semana, e para compromissos não oficiais, costumava me deslocar em companhia do motorista e de um segurança motociclista.

Se há algo a ser corrigido, como sugere o jornalista Érico Firmo em sua coluna de terça, certamente será na mensagem governamental em apreciação na Assembleia.

Faço questão de deixar claro aos meus leitores a fim de evitar a confusão deliberada que tenta fazer parecer que nada está mudando.

Abaixo, estão os croquis da área de segurança estabelecida durante meu governo e da área delimitada como de segurança pelo governo atual (clique para ampliar as imagens).



2 comentários:

Célio Ferreira Facó disse...

Sofre inusitada hipertrofia o Executivo Estadual do Ceará.

Alimentado por uma ASSEMBLEIA LEGISLATIVA COMPLACENTE, o governo do Ceará pretende criar uma bolha com que livrar Cid Gomes de qualquer assédio que não os dos seus assessores, secretários, convidados e deputados amestrados.

Quase um papamóvel. Ou um toque de recolher nos burgos medievais enquanto passava a caravana do rei.

Mas de que foge Cid Gomes? Teme ouvir de um cidadão de Ipu ou Pindoretama ou Cascavel que a Secretaria das Cidades não lhe construiu o banheiro de casa mesmo se o convênio era de milhões de reais? E que gritassem ao Governador que a "Casa é asilo inviolável"?

Parece a Assembleia Legislativa aprovará fácil, fácil mais este projetinho do Governador.

Viu-se no caso dos banheiros que os deputados cearenses são antes assessores especiais do Executivo que Parlamentares fiscalizadores dos atos do Executivo.

Em 1964, domesticar o Poder Legislativo exigiu a força de baionetas.

Em 2011, no Ceará, cooptar a Assembleia Legislativa requer apenas uma mensagem do Executivo do Ceará, lida por Antônio Carlos na tribuna.

É o mesmo estado onde uma prefeita toma para o seu benefício particular mais de dezena da Guarda Municipal.

No Oriente, vão caindo as tiranias; no Ceará, elas dão-se escudos agora.

Elisandro Carvalho disse...

Esta iniciativa de encastelar o Governador, nada mais é do que uma confirmação do equívoco absurdo que o Ceará cometeu em eleger os Ferreira Gomes, que oligarcas por natureza e coronéis por excelência, ano a ano domesticam os poderes constituídos e usufruem da máquina pública sem nenhum pudor tudo em nome da "family" como diria nossa primeira dama (que aliás muito se aparenta com a Minerva da novela global).