quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Arrependimento

Adler Girão, ex-prefeito do município cearense de Morada Nova, por dois mandatos, ao se filiar ao Partido da República (PR), sexta-feira última (28), fez um pronunciamento contundente, com forte teor emocional, no qual declarou-se arrependido por ter votado nas últimas eleições no atual governador do Estado.

Aproveitou a ocasião para um pedido público de desculpas por ter adotado à época aquela opção eleitoral. Se disse decepcionado com a atual administração, qualificando o governador de maquiador, por apropriar-se de ações de seus antecessores, trocando apenas os nomes dos programas.
Ao condenar de modo veemente a atuação do Governo, Adler deu voz a milhões de cearenses desiludidos, que se consideram enganados.

Muitos desses tenho encontrado todos os dias nas ruas, praças e estradas do meu Ceará.


* As fotos são de Sheila Oliveira.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Mortos

Esse Governo cearense vem se caracterizando por grande desrespeito aos mortos.

Basta lembrar o escândalo dos cadáveres sepultados em vala comum, de forma clandestina, no cemitério do Bom Jardim, conduzidos em carros do Instituto Médico Legal (IML) descaracterizados.

Tudo, segundo os responsáveis, porque o Estado nega verbas para a compra de caixões.

Poucos dias depois, com a sociedade ainda estarrecida diante das revelações feitas, éramos supreendidos pela notícia de que caminhões carregando entulhos da obra em curso, na sede do IML, despejavam ossos e caveiras ao longo do trajeto.

Soube-se depois que meninos no subúrbio divertiam-se em peladas com caveira no lugar da bola de futebol.

Congestionamento e carências do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) e do Hospital César Cals têm causado problemas quanto à guarda e destino de corpos, sem que providências sejam adotadas para sanar a situação, do conhecimento da Secretaria de Saúde, desde dezembro de 2008.

Onde anda a Secretaria de Direitos Humanos (SDH), orgão do Governo Federal, que fingiu não ver a tragédia dos sepultamentos clandestinos patrocinados pelo Estado do Ceará?

Durante minha administração, seus representates não faziam falta aqui, sendo sempre recebidos por mim e meus auxiliares com a devida atenção.

Por que será que mudou tanto?

Só as sucessivas rebeliões em presídios já justificariam seu interesse pelo Ceará.

Latifúndio

Latifúndio político é tão danoso quanto o latifúndio de terras.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Falando de política em Juazeiro do Norte

Entrevista concedida por mim ao radialista Beto Fernandes, em Juazeiro do Norte, na sexta-feira (28).

“...Eu denuncio todos os dias, está se formando aqui um cartel político, você já ouviu falar em cartel econômico ‘né’? Quando se juntam para impor o preço, essas coisas. No caso aqui é um cartel político que está se formando estou denunciando isso...”

“...agora se houver esse grito, houver esse chamado, partidos políticos, lideranças políticas isso eu não vou me negar a essa luta que eu acho isso uma vergonha o que quer se fazer aqui no Ceará um cartel político, impor um nome por melhor que ele seja porque, faz o quê? Elimina o povo do jogo...”

Lúcio Alcântara

Quando do encontro regional do PR (Partido da República) em Juazeiro do Norte que culminou na assinatura da ficha de filiação de lideranças de Juazeiro do Norte e do Cariri ao seu partido, entrevistamos o ex-governador do Ceará, Lúcio Gonçalo de Alcântara. Publico aqui na Revista, no Blog do Juazeiro, Blog do Crato e Rede de Blogs do Cariri.

Crítico, Lúcio Alcântara detona o que denominou de “cartel político” a articulação para apresentação de apenas uma candidatura (a de Cid Gomes) com vistas a reeleição. Admitiu pré-candidatura a deputado federal, mas que se for chamado pela população topa mais uma embate pela governadoria, inclusive de sentar-se com o Senador Tasso Jereissati com quem está com relações cortadas desde as eleições de 2006 (dinamismo da política). Segundo ele, Tasso “não pode está assistindo isso de braços cruzados só pensando na candidatura dele ao senado”.


BETO FERNANDES: Fale-nos da importância de mais uma vez estar em Juazeiro, na Região do Cariri e para desta vez um encontro político do seu partido que está fortalecendo ações e ganhando novas adesões também no interior. O PR tende a crescer ainda mais a partir desse movimento de hoje?

LÚCIO ALCANTARA: Olha, nós estamos trabalhando para isso. Quem olhar minha vida pública, o percurso da minha vida pública vai ver que eu sempre dediquei uma boa parte do meu tempo a formação política, a organização dos partidos. Esse é o terceiro partido que eu presido no Ceará. Fui presidente do antigo PFL, fui presidente do PDT e agora estou presidindo o PR. Então nós temos que erguer essa estrutura partidária e procurar, vamos dizer assim, atrair jovens, pessoas que querem realmente um papel na vida pública, porque a democracia não sobrevive se não houver partidos políticos organizados e gente boa interessada em participar da política, por isso eu faço isso com muito gosto, com interesse, com muita boa vontade e pra mim está no Cariri é uma alegria, uma felicidade. Só não é mais porque o tempo é curto, mas, eu vou voltar aqui em setembro e ficar mais dois, três dias aqui na região e vou ter uma oportunidade de fazer lançamento de livros que nós reeditamos na Ação Democrata, um livro de Irineu Pinheiro, Sou do Cariri. Enfim, fazer uma programação aqui. Eu realmente quero muito bem a essa região e vão dizer que é político e em todo lugar que ele está ele diz isso. Não é bem assim, Por quê? Eu tinha um compromisso que eu assumi com o Cariri quando candidato que graças a Deus eu cumpri. Você sabe como eu, que havia muita gente aqui no Cariri,que tinha uma espécie de ressentimento, certa amargura de achar que o governador governava de costas para o Cariri, que não tinha interesse na região, que o estado não investia aqui e eu procurei sanar isso não só com obras, com investimentos, mas com a valorização política, com a valorização cultural do Cariri com a minha presença. Eu acho que isso tem até obrigado ao meu sucessor a andar mais, mas quem abriu o caminho fui eu, realmente se você for comparar com meus antecessores eu fui um governador que estive muito presente não era pra vim inaugurar, cortar fita e ir embora não eu andava aqui, participava com as pessoas do Cariri, enfim isso é uma demonstração objetiva do meu carinho pelo Cariri, pelo seu povo.

BF – Muito tem se especulado na formação de uma grande frente que possibilite uma candidatura única no Ceará. Em havendo um grito contra isso e sendo chamado pela população o Senhor estaria disposto mais uma vez a enfrentar uma luta com vistas ao Governo do Estado?

LA - Você colocou a pergunta muito bem. Se houver esse risco que eu denuncio todos os dias, está se formando aqui um cartel político, você já ouviu falar em cartel econômico ‘né’? Quando se juntam para impor o preço, essas coisas. No caso aqui é um cartel político que está se formando estou denunciando isso, estou conversando com outros partidos não tenho nenhum projeto pessoal como você sabe já estive aqui antes e disse meu objetivo político para próxima eleição é um mandato de deputado federal, colocar o meu nome diante do povo cearense, agora se houver esse grito, houver esse chamado, partidos políticos, lideranças políticas isso eu não vou me negar a essa luta que eu acho isso uma vergonha o que quer se fazer aqui no ceara um cartel político, impor um nome por melhor que ele seja porque, faz o quê? Elimina o povo do jogo. A população não vai ter oportunidade de fazer sua opção e democracia é isso, é escolha é alternativa. Então estou muito empenhado o Roberto Pessoa (prefeito de Maracanaú) também e temos conversado principalmente com o PPS, com outros partidos o próprio PSDB, que ainda está muito hesitante no sentido de criar um pólo político alternativo que está ai...

BF – Mas o Senhor não considera o comportamento do PSDB dúbio? E até pelo que se comenta com comportamento do partido para com o seu projeto de reeleição?

LA - Veja bem... Você tem mais uma vez razão na sua pergunta! Eu falei em vacilante você ta falando em dúbio, é verdade, mas nós temos que ter um pouco de compreensão. Às vezes é um momento político desses, outra coisa o governo ai é autoritário e perseguidor, é imperial então tem muita gente que fica com medo, muita gente fica meio retraído ‘né’? Com medo de retaliações, perseguições então nós precisamos ter um pouco de paciência. Eu acho que o senador Tasso Jereissati, todos sabem do que aconteceu nas eleições de 2006, portanto nossas relações continuam como ocorreram naquela época estamos afastados, mas ele tem uma responsabilidade muito grande porque é um líder de um partido político importante e não pode está assistindo isso de braços cruzados só pensando na candidatura dele ao senado, nós estamos dispostos inclusive a passar por cima de muita coisa pra construir um projeto político alternativo para o Ceará. Eu não me recuso a discutir, a conversar com ele assim como Roberto Pessoa em busca de um projeto alternativo para o Estado.

BF – O senhor é um homem público passado na casca do alho politicamente falando. Como avalia alguns comportamentos estranhos de alguns correligionários seus até pouco tempo como o Prefeito Paulo Ney de Campos Sales a quem o senhor tem um respeito grande, somos sabedores? Ele votou no Senhor, no seu filho em várias eleições e recentemente ofereceu-se para votar e apoiar o atual Governador num projeto de reeleição. Isso deixa de alguma forma abalada a amizade existente entre os senhores ou já é uma página virada?

LA - Eu considero Paulo Ney um grande administrador. Um homem dedicado e como você disse votou no deputado Léo que é meu filho em duas ou três eleições. Eu também tenho a consciência tranquila que fiz muito por ele, por ele não só, pelo povo de Campos Sales, pela população. Tenho uma amizade particular com ele, com a família dele, com a D. Tereza, com o Christian que é o filho dele, eu atribuo isso pelo desejo de obter apoio político do governo para executar obras, mas, eu tenho certeza que se eu chegar a ser candidato ou outro apoiado pelo PSDB, por nós ele balança e na hora “H” ele fica conosco.

BF – Para fechar. O significado da adesão do Dr. Giovanni no Partido da República?

LA - É muito grande porque nós ouvimos dois discursos grandes hoje, um em Fortaleza e o outro aqui. Em Fortaleza do Adler Girão que foi prefeito com dois mandatos sucessivos de Morada Nova, que é um grande município da região de Jaguaribana, e aqui do Giovanni Sampaio muito interessante. Lá em Fortaleza o Adler Girão pediu desculpas em público a mim e ao povo do seu município por não ter votado em mim, ter acreditado naquela ficção que era o discurso do governador e hoje vamos dizer assim, decepcionado, desiludido fez esse depoimento público, fazendo questão de dizer que aquilo era o momento que ele queria levar o arrependimento. Pelo que eu tenho visto, você tem acompanhado a gente aqui no Cariri, esse arrependimento é de muita gente. Quem tá arrependido não é quem votou em mim é quem votou no atual governador, isso é que é interessante e aqui o discurso do Giovanni foi de lealdade. A gente sabe que ele é combativo, impetuoso é um homem destemido e ele falou aqui de lealdade que infelizmente está se perdendo de oportunismo, de circunstâncias, então eu fico vendo que nem tudo está perdido que nós temos ainda um material importante a ser trabalhado e por ultimo eu quero dizer uma coisa que falei rapidamente porque não cabia um discurso longo. O Cariri tem uma história de independência tem compromisso com a liberdade daqui saiu Bárbara de Alencar para a Confederação do Equador. Aqui houve o movimento de 1817 e aqui foi importante para derrubar a oligarquia do Acioli. Padre Cícero, Flóro Bartolomeu em apoio ao Franco Rabelo e agora quem sabe se do Cariri não parte um grito contra essa nova oligarquia essa espécie de partido único, desse cartel político que quer se fazer aqui que é contra o povo, não contra mim. Não tenho poder nenhum eu não tenho nem um mandato político, tenho a honradez que construí ao longo de minha vida que é o maior capital que eu tenho, mas o Cariri é uma peça importante hoje, uma manifestação brava, um grito do Cariri vai ecoar muito bem pra nós arregimentarmos força para a luta para do próximo ano.

Foto: Demontier TYenório e Cícero Valério do Site Miséria

Eu, pecador, me confesso

* artigo de Carlos Heitor Cony, publicado no jornal Folha de S. Paulo, em 9 de julho de 2009

RIO DE JANEIRO - Antes, no melhor das festas, se alguém duvidasse, a imprensa já era tida como quarto poder, uma instituição que exercia um poder paralelo. Na verdade, não é um poder, mas uma força. Com as novas técnicas de comunicação e com a sacralidade das fontes, ela se transformou no escoadouro dos descontentamentos (lícitos ou não), dos ressentimentos (pessoais ou grupais), das pressões e compressões de uma sociedade heterogênea que inclui desde índios e menores inimputáveis até políticos e empresários que podem roubar.Esse caldo em ebulição seria a matéria que justificaria a existência e a expressão do Estado que, no caso brasileiro, antecedeu a Nação.

Abriu-se um vácuo e, nele, a força da comunicação encontrou o seu espaço. E o fez com exuberante boa vontade. Não é a vida nacional que pauta a imprensa. É a imprensa que pauta a vida nacional, através de seus órgãos mais excitáveis.Dá a régua e o compasso. A classe política empacou, ataca e se defende a esmo, desarticuladamente, de acordo com a direção e a intensidade dos petardos que recebe.

Mas quem acusa a imprensa? Quem se atreve a mostrar e demonstrar que o gigante também tem, como todos os gigantes, os seus pés de barro? Há desconforto em todas as classes, juízes, militares, empresários e policiais em relação aos jornalistas. Eles se transformaram em detetives, em esmiuçadores de contas de luz e telefone, de depósitos bancários, declarações de Imposto de Renda, despesas nos postos de gasolina e nas agências dos Correios.

Estenderam sobre a sociedade uma teia assombrosa que absorve denúncias vindas de fontes anônimas, lembrando os comitês de salvação pública da Revolução Francesa que alimentaram de sangue a guilhotina nos anos do terror.

O texto acima, de autoria de um profissional experiente, brilhante escritor, serve para que os jornalistas reflitam e evitem o risco da presunção e da crença na infalibilidade da imprensa.

Japão

O Partido Liberal Democrático (PLD), há 54 anos no poder no Japão, perdeu as eleições para o Partido Democrático do Japão (PDJ), dando início ao que poderá ser uma era de bipartidarismo real.

A longa permanência do PLD no poder, é verdade que com grande rotatividade de governantes, sugeria uma fórmula esdrúxula de democracia com partido único.

Aos olhos da população, o Partido no poder distanciou-se dos interesses das pessoas comuns e fez alianças sólidas com a burocracia e as grandes corporações.

Além disso, o Japão, com a crescente projeção da China, perdeu espaço no cenário internacional.

Para agravar mais a situação, o desemprego atingiu 5,7% em julho, o maior índice desde a 2ª Guerra Mundial.

Com que plataforma o PDJ venceu folgado as eleições? Vejamos:
1- Concessão direta de benefício às famílias
2- Adoção de medidas que aumentem a renda disponível da população
3- Elevação do valor das aposentadorias
4- Gratuidade do ensino secundário
5- Melhoria da saúde pública
6- Pagamento mensal de benefícios aos que tiverem filhos
7- Fim de pedágios nas estradas

Que tal?

Definição

Político: Um sujeito que tenta convencer os outros de que seus erros poderiam ser cometidos por todos, mas não seus acertos.

Daniel Piza

domingo, 30 de agosto de 2009

Itataia

São recorrentes notícias na imprensa falando sobre o início das operações de extração de fosfato e urânio da mina de Itataia, no município de Santa Quitéria.

Durante o meu Governo, atraímos para o Ceará as empresas Galvani e Tortuga, as quais pretendiam se habilitar à exploração da jazida rica em urânio associado ao fosfato.

Foram iniciadas as primeiras providências junto à Indústria Nuclear do Brasil (INB), que detém o monopólio da exploração de urânio, enquanto se aguardava alteração na legislação que viabilizasse o empreendimento.

À época, uma grande empresa multinacional comercializadora de fertilizantes tentava entrar no páreo para garantir sua reserva de mercado, sendo recusada por nós.

Posteriormente, a Tortuga optou por instalar uma unidade fabril em São Gonçalo do Amarante, para produzir adubos a partir de fosfato importado, a qual já se encontra em funcionamento.

A licença prévia para exploração do fosfato foi concedida durante meu Governo. No que toca ao urânio, ao qual se encontra associado, só o Ibama poderá autorizar.

O deputado Ariosto Holanda (PSB-CE), ao se referir ao assunto, em recente matéria no jornal Diário do Nordeste, exaltava o atual Governo e o ex-governador Virgílio Távora.

Esqueceu outras pessoas que trabalharam para iniciar a exploração daquela riqueza. Entre outros, César Cals, que foi governador e ministro de Minas e Energia.

Saiba mais no jornal Diário do Nordeste, edições de 22 e 23/07/09.

Terceirizados

O candidato-governador disse que iria acabar com a terceirização. Ao contrário, aumentou muito.

Categorias profissionais antes só terceirizadas via suas cooperativas, agora são contratadas por firmas de fornecimento de mão-de-obra.

Áreas com a da segurança pública, foram invadidas por uma terceirização maciça. Até escrivães de polícia são empregados de firmas.

A Procuradoria Geral do Trabalho (PGT) já se manifestou contra a irregularidade.

Saiba mais no jornal O Estado, edição de 31/07/09.

sábado, 29 de agosto de 2009

Dengue

A Secretaria de Saúde do Estado do Ceará confirma mais oito mortes por dengue, sendo duas pela forma hemorrágica e seis por complicações.

Com isso, o número de vítimas fatais no Estado sobe para doze.

(In)segurança II

Política séria de segurança é muito mais que marketing feito em luxuosos out doors móveis.

(In)Segurança

1 -Polícia
Moradores em pânico
Casa invadidas e famílias viram reféns de assaltantes
2- Monsenhor Tabosa
Tiroteio e pavor em corredor comercial
3- Reação
Advogado tem casa invadida e atira em ladrão
4- Dezenove turistas são assaltados em Aquiraz
Estamos muito longe do candidato-governador cumprir a promessa feita de acabar com a violência.
Saiba mais nos jornais Diário do Nordeste, edições de 28 e 29/08/09 e O Estado, edição de 29/08/09.

Frase do dia

O maior engano é comprar os que estão à venda.

Waldick

A atriz Patrícia Pillar filmou um documentário sobre o cantor Waldick Soriano. Foi sua estréia na direção de cinema, projeto que afirma acalentar há algum tempo.

Waldick Soriano - Sempre em Meu Coração, é o nome do filme, que por sinal teve boa acolhida por parte da crítica. É a história do cantor em decadência, seus problemas com as mulheres e o filho.

Machista, exibe suas opiniões, sem se preocupar com a impressão que causam, é mostrado no filme sem nenhum polimento de imagem.

Discriminado pela crítica, vítima do preconceito que acomete artistas populares, atraiu a atenção da diretora iniciante que conhecia sua obra de cor. Nem tudo que é brega é mau.

Como diz Luiz Carlos Merten, crítico de cinema, em artigo no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 28/08/09: Podemos curtir um filme que fala de alguém que não admiramos. É um pouco o caso deste Waldick Soriano - Sempre em Meu Coração.

Ceará

Não digo que tenha ficado feliz com a derrota do meu Vasco diante do Ceará. Mas, em se tratando de time da terra, seguro a barra.

Afinal, também sou avô.

Parabéns, Ceará.

Recuo

O Superior Tribunal Federal (STF) negou recurso dos 7 senadores que pediam fossem encaminhados ao plenário do Senado Federal (SF) as denúncias contra o senador José Sarney (PMDB-AP), arquivadas por decisão do senador Paulo Duque (PMDB-RJ), Presidente do Conselho de Ética.

Na lista dos recorrentes não há nomes do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Pelo visto, ensarilharam as armas.

Cassino

Manchete do jornal O Estado de S. Paulo, edição de 16/08/09:

Bancos reabrem cassino global
Menos de uma ano após a turbulência global, os bancos voltam a fazer operações de risco com clientes subprime

Os bancos reincidem nos vícios que levaram ao Grande Pânico, como ficou conhecida a crise que abalou os bancos americanos, levando uns à falência, e outros ao pronto socorro do Governo, para evitar a quebradeira em série.

Os tênues sinais de recuperação da economia dos Estados Unidos animaram banqueiros e investidores a retomarem os maus hábitos que desencadearam a catástrofe financeira, que se alastrou em intensidade varável mundo afora.

Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia em 2008, ao analisar a retomada das operações de risco adverte que Washington ao resgatar o sistema financeiro e não reformá-lo não protegeu os americanos de uma nova crise - na verdade, tornou outra crise mais provável.

Movido pela cobiça, o capital é assim, sôfrego e aventureiro.

Resultados fantásticos são bons enquanto durem.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Solnado

Morreu Raul Solnado (foto), comediante português que atuou aqui e lá.

Soube-o através de um longo e instrutivo e-mail do arquiteto Mário Roque, dirigido à minha filha Maria Daniela, que mo retransmitiu.

Ele discorre sobre o ator falecido, sua obra e arte do humor, como as variáveis individuais de alguns cômicos famosos. Vale um artigo na imprensa.

A última tirada do Solnado, de que me lembro, foi por ocasião do Plano Cruzado, no surto de consumo que desencadeou, quando se formavam filas para adquirir bens que escasseavam.

Foi assim com os automóveis novos que, escassos, não bastavam às concessionárias para atender a demanda policiada pelo Ministério Público. Foi aí que os carros usados se valorizaram para acudir urgências inatendidas.

Foi quando ele fez graça com o fato inusitado, espicaçando os brasileiros: O Brasil é o único país onde um carro usado custa mais que um carro novo.

Poesia

Menino de Trem

Era menino, e me lembro muito bem
E a lembrança me traz tanta emoção,
Daquele mar de gente na estação,
À espera mais do horário que alguém.

Daí a pouco ele apontava além,
Num rolo de fumaça, de roldão,
Batucando nos trilhos um refrão
Que nos trilhos batuca todo trem!

De uma feita, porém, quanta tristeza!
O meu trem se perdeu por Fortaleza,
E nunca mais voltou à Camocim.

E dele só restou mesmo a saudade,
Que não respeita nem a minha idade
E qualquer dia destes dá-me um fim!

R. B. Sotero
Às 15h15 de 20/10/03.

Divórcio

A senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) apresentou projeto de lei que permite o divórcio online para casais sem filhos menores, que se separem de comum acordo.

O texto também suprime a obrigatoriedade de audiência entre as partes.

Em Portugal e outros países, já existe o divórcio por via eletrônica.

Os que são contra a ideia acreditam que ela banaliza a instituição do casamento.

O advogado Wladimir Nóbrega de Almeida, Presidente da Comissão de Direito Civil da OAB-SP, se opõe à iniciativa ao afirmar que a separação não pode ser solicitada como se pede uma pizza.

Separações, algumas abruptas, até mesmo anteriores à sua admissão em lei, ocorrem de modo crescente, revogando, na prática, a indissolubilidade do casamento como dispõe a igreja católica.

Villa-Lobos, o gênio da música brasileira, cujos 50 anos de falecimento transcorrem este ano, em 17 de novembro, rompeu com a mulher, a pianista Lucília Guimarães, por carta enviada de Paris.

Compositor prolífico e desorganizado, era ela que costumava corrigir seus escritos.

Recentemente a artista plástica Sophie Calle e Grégoire Bouiller, seu namorado, protagonizaram uma rumorosa separação, depois que foi despachada por ele via e-mail.

A reação dela veio sob a forma de vídeos ultrajantes, exibidos na Bienal de Veneza de 2007, dirigidos à atrizes, bailarinas, performers e até a uma palhaça, as quais pedia que interpretassem a mensagem de rompimento.

Bouiller, escritor argelino, acabou escrevendo o livro Rapport Sur Moi, distinguido com o prêmio Prix de Flore, um relato de como conheceu Calle. O livro saiu no Brasil, pela editora Record, com o título O Convidado Surpresa.

O affaire está em um artigo no site http://www.autofiction.org/, dedicado ao que os franceses chamam de autoficção, mistura do ficcional com o autobiográfico.

A lavagem de roupa suja via web, constou da programação da Feira Literária Internacional de Paraty, que acontece no Rio de Janeiro, com a presença dos protagonistas.

A frase do dia

Esquerdista é o liberal sem ceticismo.
Direitista é o conservador sem humor.

Daniel Piza

Iguatu

Domingo último, 23 de agosto, fui conferir o Iguatu Festeiro, festival junino fora de época, que atrai milhares de pessoas para aquele progressista município do centro-sul cearense.

Impressionou-me a organização do evento, a beleza da decoração do espaço reservado aos shows, e a grande afluência de pessoas, apesar de se tratar de um domingo, e a hora já estar avançada.

Disputavam o concurso de quadrilhas grupos de várias procedências, inclusive de outros estados.

A atração da noite era a banda Forró Muído (desculpe, mas parece que o nome se escreve assim mesmo), que arrasta sempre grande público em suas exibições.

Em companhia do prefeito Agenor Neto, percorri, rapidamente, a cidade para conhecer novos melhoramentos urbanos, que o dinâmico administrador tem introduzido ali.

Antes de ir ao recinto da festa, saboreei uma gostosa pizza no Eugenio's, oportunidade em que fui apresentado ao simpático proprietário do estabelecimento.

Ao desembarcar em Iguatu, meu primeiro compromisso foi com o José Ilo, colega médico, companheiro de muitas jornadas, cuja saúde comprometida não permite maiores esforços físicos.

Sem se deixar abater pela adversidade, José Ilo mantém seu forte espírito de liderança e o entusiasmo pelo trabalho como um farol que orienta seus seguidores.

Dengue

Caiu em 47,9% o número de casos de dengue no Brasil este ano, em relação a 2008.

No Ceará, entre janeiro e 4 de julho último, a cifra atingiu 13.334 contra 62.610 em igual período do ano passado.

Mesmo com a queda substancial, o Estado é o segundo no Nordeste, com maior numero de ocorrências, abaixo apenas da Bahia.

Saiba mais no jornal Diário do Nordeste, edição de 26/08/09.

Tapetão

Tapetão é a forma como o povo chama decisões da justiça, que alteram resultados das urnas e dos jogos de futebol.

São, portanto, resoluções posteriores aos prélios eleitorais e esportivos.

O Ceará, sempre muito criativo, agora inova ao instituir um tapetão prévio, isso é, mediante manobras e pressões várias se busca impedir candidaturas, que por qualquer razão desagradem aos donos do poder.

Corresponde à imagem de um técnico que, além do seu, escale o time adversário.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Camocim

No último sábado, 22 de agosto, fui a Camocim participar de um encontro que abriu um ciclo de palestras que deverão ocorrer em todas regiões do Ceará. Política, Mandato Eletivo, Ética é o tema a cargo do palestrante que coordenará as discussões durante as reuniões.

A apresentação ficou a cargo de Alexandre Damasceno, que desenvolveu a matéria de forma prática e objetiva, assim como foi muito boa a participação dos assistentes.

Ao visitar Camocim pela primeira vez, após ter deixado o governo do Estado, reencontrei amigos e colaboradores que me receberam com a simpatia de sempre, naquele belo cenário natural marcado pela boca do Coreaú adoçando o mar.

Estive com o Sotero, o poeta amigo, que fisga peixes no mar e pesca sentimentos na alma, autor de poesia que me infundiu coragem para enfrentar e vencer o difícil embate do segundo turno das eleições de 2002.

Emoldurada, pende da parede da minha biblioteca como lembrança inesquecível do duro combate que travei.

Ganhei dele um exemplar de seu livro mais recente, Amor por Inteiro. Que seja fiel a Vinícius, eterno enquanto dure...

Percorri as ruas da cidade para rever casarões remanescentes, que o prefeito Chico Vaulino promete preservar, agora que se instalou na antiga Estação Ferroviária, transformada em sede do Governo Municipal.

Embarcações enfileiradas estacionam na praia cascos coloridos, cuja riqueza cromática deslumbra e encanta.

Camocim é simples e atraente, cativa o visitante com o beijo suave da brisa que sopra no rosto e a beleza agreste do litoral feito de sol e areia.

Se cidade tivesse sexo, Camocim sem dúvida seria fêmea.