
O quadro Uma Mulher Velha, mais conhecido como a Duquesa Feia, obra do pintor flamengo Quentin Massys (Lovain, 1465 - Antuérpia, 1530), sempre foi considerado como um exercício sobre a fealdade ( já leram o novo Umberto Eco, sobre a feiura?), ou uma sátira à recusa ao envelhecimento.
Acontece que a tela destoa do conjunto da obra do artista, que sempre teve um traço poético, mesmo quando retratava o grotesco.
Michael Baum, professor de cirurgia da University College London, com seu aluno Christopher Cook, levantaram a tese de que a mulher teria padecido de uma forma rara e avançada, de doença de Paget, osteitis deformans.
Trata-se de desordem metabólica grave, descrita em 1876, pelo cirurgião britânico Paget, que afeta os ossos, deformando-os, com prevalência na meia idade.
A tese dos médicos ingleses atraiu mais interesse pela exposição em curso, na National Gallery, Rostos do Renascimento - de Van Eyck a Ticiano, dedicado à arte do retrato no período.
A Duquesa Feia integra o acervo do museu desde 1947, e terá, ao seu lado, do mesmo pintor, pela primeira vez em 150 anos, o quadro Um Homem Velho.
Acontece que a tela destoa do conjunto da obra do artista, que sempre teve um traço poético, mesmo quando retratava o grotesco.
Michael Baum, professor de cirurgia da University College London, com seu aluno Christopher Cook, levantaram a tese de que a mulher teria padecido de uma forma rara e avançada, de doença de Paget, osteitis deformans.
Trata-se de desordem metabólica grave, descrita em 1876, pelo cirurgião britânico Paget, que afeta os ossos, deformando-os, com prevalência na meia idade.
A tese dos médicos ingleses atraiu mais interesse pela exposição em curso, na National Gallery, Rostos do Renascimento - de Van Eyck a Ticiano, dedicado à arte do retrato no período.
A Duquesa Feia integra o acervo do museu desde 1947, e terá, ao seu lado, do mesmo pintor, pela primeira vez em 150 anos, o quadro Um Homem Velho.
7 comentários:
Constitui questão interessante saber até onde alguém assim afigurado conseguiria reproduzir, recompor da Mulher em si mesmo. Esta, como se sabe, é uma especialização da humanidade para si mesma, arquétipo, mito, mais ou menos adotado secularmente pelas fêmeas da espécie, mais ou menos defendido por todos, ubiquamente. O mito é também, necessariamente, jovem, belo. À Mulher não basta a anatomia da fêmea. V. os ícones da Grécia Antiga, os do Cinema, os da Televisão.
À pessoa do retrato, não lhe faltam seios (Moderna fosse, teria recorrido ao silicone.), roupas, decote, enfeites – tudo que tão avassaladoramente ocupa, ocupou as moçoilas. A pele sobremodo madura, notáveis rugas do pescoço e calvície eminente, além da idade que lhe deixará muito para trás a juventude, prejudicam-na assazmente. Evidente, poderia, enquanto indivíduo, tratar de reaproximar-se do mito, recuperar perdas, compensar quesitos ausentes.
E veja-se: é tal justamente a situação das “mulheres” individuais; nenhuma perfaz o mito à perfeição, há apenas mais ou menos felizes representações – muitas bastantes boas. Outras nem tanto.
"Muitas bastantes boas". Calma, já aprendi que duvidar do português de nosso preclaro Facó é exercício pouco profícuo. Apenas quero entender qual a função gramatical da palavra "bastantes" que aparece flexionada no texto. 1) Não me parece tratar-se de advérbio de intensidade, uma vez que já aparece a palavra "muitas". Seria uma redundância além do quê não deveria estar no plural. Poderia ser um adjetivo, quando então acompanharia o substantivo. Mas não me parece haver nenhum substantivo na frase. 3) Poderia ainda ser pronome indefinido, quando também seria flexionado junto com o substantivo ao qual precedesse. Novamente vale a observação do ítem 2: não há substantivo. Apazigue minha dúvida, nobre Facó.
Se o nosso Presidente, apesar de ter subscrito a reforma ortográfica da língua portuguesa, comete erros, a grande maioria de concordância, por coincidência, um simples palpiteiro de blogs também tem direito a seus momentos de glória, digo de Lula!
Será que eu não confundi substantivo com objeto direto, resultando em um comentário profícuo?
Preclaro anônimo, não é um simples palpiteiro. É Célio Ferreira Facó.
Não entendi qual a vantagem que possa resultar de um comentário que confunda substantivo com objeto direto.
É bem verdade que o plural de "bastante" pode ter sido mero erro de digitação(perfeitamente desculpável). Mas, se não fôr, poderá ser uma rara licença gramatical cuja fundamentação valha a pena conhecer, advinda de quem sabe mais do que nós.
Alternativa 2, Kilmer: adjetivo.
“Bastante” é usado amiúde como advérbio. Pode ser também adjetivo; neste caso ganha plural. Por causa da elipse do SUBSTANTIVO “representações” (de Mulher), no plural, introduzido imediatamente antes, na mesma linha. “Muitas” está como pron. substantivo e exerce a função de sujeito na oração.
1) você sabe que não poderia ser: advérbio é invariável. 3) também não: pron. indefinido é um, algum, nenhum etc.. A oração completa: “Muitas bastantes representações são boas.” “Muitas”, na minha construção, por causa da elipse, está como pron. substantivo. Na oração há também inversão da ordem: hipérbato.
Como no estilo do pequeno Yoda, da saga Star Wars. Obrigado pela oportunidade da reflexão.
Seu estilo "Mestre Yoda" já foi denunciado por mim desde longa data. Mas considerei a explicação sensacional e consistente. Não tinha considerado a oração completa da forma como foi colocada, novamente e pra não fugir ao estilo, de forma invertida. Pra facilitar a compreensão aos pobres mortais que engatinhamos na língua eu teria usado, de forma mais direta: “Muitas representações bastantes são boas”. Isso mostra um interessante uso da duplicidade de adjetivos(bastantes e boas), o que é perfeitamente cabível. Grato pela luz.
Kilmer e Célio Ferreira Facó, que tal comentar os assuntos do blog, vocês estão muito auto-referentes!
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