Mostrando postagens com marcador Internacional. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Internacional. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de abril de 2011

Obama

O presidente americano anunciou sua candidatura a um segundo mandato. Era o esperado. Todavia o lançamento foi precoce para os padrões americanos uma vez que a eleição se dará em novembro de 2012.
A explicação oferecida pelos responsáveis é que o tipo de campanha imaginada leva tempo a construir.

A sede da campanha ficará em Chicago para transmitir a ideia de que não interferirá nas ações do governo e será desenvolvida de acordo com as preocupações do país e não com as conveniências do poder.

Novamente as redes sociais serão usadas de forma intensa para difundir propostas e mobilizar as pessoas.

A frase chave já está definida. Tudo começa conosco  substitui  Sim, nós podemos.

Saiba mais no jornal Público, edição de 05/04/11

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Venda

Dia 2 foi posto a venda o Le Monde, maior jornal da França, fundado em 1944. Atolado em dívidas o anúncio foi feito no próprio jornal, que apesar de superavitário desde 2009, necessita de uma recapitalização.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Risco

A reforma do sistema de saúde americano, uma das principais promessas do candidato Obama, corre risco.

É que sua aprovação no senado exige o apoio de 60 senadores e os democratas vem de perder a cadeira do falecido senador Ted Kennedy do estado de Massachusetts.

O estado, tradicional reduto democrata, surpreendeu ao eleger como substituto de Kennedy um republicano, Scott Brown, desconhecido senador estadual.

Sua fama estava restrita às leitoras da revista Cosmopolitan, editada no Brasil como Nova, para a qual posou seminu, em fotos sensuais, após ter sido eleito, pela publicação, o homem mais sexy, em 1982.

O resultado diminuiu a bancada democrata para 59 senadores quorum insuficiente para aprovar a reforma. A derrota democrata foi interpretada pelos republicanos como repúdio às políticas de Obama.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 21/01/10

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Mídia

Em matéria sobre o conflito gerado entre o Governo e a imprensa argentina, em razão da polêmica proposta de lei para a comunicação social que tramita no parlamento, O Estado de S. Paulo, edição de 20/09/09, traz curiosa afirmação atribuída à Peron.

Segundo a notícia, em 1974, pouco antes de morrer, ele teria dito:

Fui deposto quando tinha todos os meios de comunicação a meu favor. E ganhei as eleições quando os tinha todos contra mim.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Determinação

Do Presidente Obama em discurso sobre o projeto de reforma do sistema de saúde, perante as duas câmaras do Congresso americano reunidas :

-Não sou o primeiro presidente a apoiar esta causa, mas estou disposto ser o último.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Japão

O Partido Liberal Democrático (PLD), há 54 anos no poder no Japão, perdeu as eleições para o Partido Democrático do Japão (PDJ), dando início ao que poderá ser uma era de bipartidarismo real.

A longa permanência do PLD no poder, é verdade que com grande rotatividade de governantes, sugeria uma fórmula esdrúxula de democracia com partido único.

Aos olhos da população, o Partido no poder distanciou-se dos interesses das pessoas comuns e fez alianças sólidas com a burocracia e as grandes corporações.

Além disso, o Japão, com a crescente projeção da China, perdeu espaço no cenário internacional.

Para agravar mais a situação, o desemprego atingiu 5,7% em julho, o maior índice desde a 2ª Guerra Mundial.

Com que plataforma o PDJ venceu folgado as eleições? Vejamos:
1- Concessão direta de benefício às famílias
2- Adoção de medidas que aumentem a renda disponível da população
3- Elevação do valor das aposentadorias
4- Gratuidade do ensino secundário
5- Melhoria da saúde pública
6- Pagamento mensal de benefícios aos que tiverem filhos
7- Fim de pedágios nas estradas

Que tal?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Divórcio

A senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) apresentou projeto de lei que permite o divórcio online para casais sem filhos menores, que se separem de comum acordo.

O texto também suprime a obrigatoriedade de audiência entre as partes.

Em Portugal e outros países, já existe o divórcio por via eletrônica.

Os que são contra a ideia acreditam que ela banaliza a instituição do casamento.

O advogado Wladimir Nóbrega de Almeida, Presidente da Comissão de Direito Civil da OAB-SP, se opõe à iniciativa ao afirmar que a separação não pode ser solicitada como se pede uma pizza.

Separações, algumas abruptas, até mesmo anteriores à sua admissão em lei, ocorrem de modo crescente, revogando, na prática, a indissolubilidade do casamento como dispõe a igreja católica.

Villa-Lobos, o gênio da música brasileira, cujos 50 anos de falecimento transcorrem este ano, em 17 de novembro, rompeu com a mulher, a pianista Lucília Guimarães, por carta enviada de Paris.

Compositor prolífico e desorganizado, era ela que costumava corrigir seus escritos.

Recentemente a artista plástica Sophie Calle e Grégoire Bouiller, seu namorado, protagonizaram uma rumorosa separação, depois que foi despachada por ele via e-mail.

A reação dela veio sob a forma de vídeos ultrajantes, exibidos na Bienal de Veneza de 2007, dirigidos à atrizes, bailarinas, performers e até a uma palhaça, as quais pedia que interpretassem a mensagem de rompimento.

Bouiller, escritor argelino, acabou escrevendo o livro Rapport Sur Moi, distinguido com o prêmio Prix de Flore, um relato de como conheceu Calle. O livro saiu no Brasil, pela editora Record, com o título O Convidado Surpresa.

O affaire está em um artigo no site http://www.autofiction.org/, dedicado ao que os franceses chamam de autoficção, mistura do ficcional com o autobiográfico.

A lavagem de roupa suja via web, constou da programação da Feira Literária Internacional de Paraty, que acontece no Rio de Janeiro, com a presença dos protagonistas.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Política Externa

Sou favorável à política externa do presidente Lula, desenvolvida pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Considero-a pluralista, menos atrelada aos Estados Unidos (EUA), mais aberta aos vizinhos e aos países em desenvolvimento, com os quais mantinhamos relações formais e inexpressivas.

Por outro lado, não descuramos de nossas ligações tradicionais com o mundo desenvolvido, o que nos torna interlocutor frequente do G8.

Creio que a estratégia está nos conduzindo a um crescente protagonismo internacional.

Temos, é certo, colhido alguns insucessos nas investidas feitas para alojarmos brasileiros à frente de organismos internacionais.

O caso mais recente foi o da ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal (STF), barrada em sua pretensão de ocupar uma vaga como juíza internacional na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Outras derrotas foram:
1- A do embaixador Seixas Correia para a Organização Mundial do Comércio (OMC);
2- A de Roberto Blois para a União Internacional de Telecomunicações e
3- A do embaixador Graça Aranha para a Organização Mundial da Propriedade Intelectual.

Houve, ainda, uma tentativa para colocar João Sayad no Banco Interamericano de Desenvolvimento, que acabou nas mãos de um colombiano.

É de se reconhecer que não temos sido felizes nessas iniciativas.

Não sei se devido a deficiência nas articulações ou por reação às posições brasileiras no cenário internacional.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Ford e Hitler


Desconhecia que Henry Ford, o fundador da montadora de veículos Ford, responsável pela inovação industrial que permitiu a fabricação de automóveis em série, tornando-os acessíveis à população, inspirara o autobiográfico Mein Kampf, de Adolfo Hitler.

A informação está no livro A Biblioteca Esquecida de Hitler, de Timothy W. Ryback, a ser lançado, em breve, pela editora Companhia das Letras, que pesquisou oito anos a vida do ditador. Entre outras pessoas que lhe foram próximas, entrevistou a cineasta Lili Riefenstahl e sua secretária Traudl Junge.

O Führer tornou-se conhecido por queimar livros, no entanto constituiu bilblioteca pessoal, com cerca de 16 mil volumes, integrada por clássicos da literatura, da filosofia e ensaios racistas, que influenciaram sua formação política.

Entre as personagens reais mais invocadas por Hitler, está Henry Ford, modelo de self made man, que admirava ao ponto de manter uma foto dele na parede de seu escritório. De acordo com Ryback, o livro O Judeu Internacional, de autoria de Ford, marcou sua vida.

O livro do industrial, anti semita e ultra conservador, é uma compilação de textos inicialmente publicados no jornal da companhia, o The Dearborn Independent, nos quais afirmou que os EUA era um país ameaçado por uma conspiração judaico comunista, que visava dominar o mundo.

Hitler apreciou tanto o que Ford disse da Alemanha, segundo ele o país mais ameaçado pela conspiração judaica, que o citava com frequência.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 23/05/09.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O rosto da crise - Série B

1- Consumo
Confiança cai para nível mais baixo desde 2005

Sob os efeitos da crise financeira internacional, a confiança do consumidor brasileiro piorou no primeiro trimestre deste ano e chegou ao pior nível desde 2005.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 03/04/09.

2- Superavit primário despenca 85%
Queda de 3,055 na arrecadacão e alta dos gastos em 19,6% reduzem superavit a 3,04% em janeiro e fevereiro

O superavit primário é a economia que o governo faz para pagar juros. A redução reflete uma deterioração nas contas do governo.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 01/04/09.

3- Economia deve crescer só 0,59%
Pesquisa do Banco Central reduz previsão de crescimento da economia brasileira. Os juros devem ficar abaixo de 10%.

Saiba mais no jornal O Estado, edição de 17/03/09.

4- Maior inadimplência em nove anos
Bancos elevam o pessimismo

Se a previsão dos bancos se confirmar, será a maior indaimplência desde setembro de 2000.

Saiba mais no Diário do Nordeste, edição de 25/03/09.

5- Analista prevê crescimento zero
Relatório da Fitch mostra rápida deterioração de economia brasileira, que cresceu 5,1% em 2008.

Saiba mais no jornal O Estado, edição de 23/03/09.

6- Governo prevê queda de 20% nas exportações
Embarques no ano devem voltar ao nível de 2007 e ficar em U$ 160 bi.

7- Indústria cresce menos que o previsto
Produção cresce 1,8% em fevereiro ante janeiro, mas tem queda de 17% na comparação com fevereiro de 2008.

8- Varejo
Inadimplência em março é a maior em oito anos

Saldo de carnês sem pagamento subiu 9,2%, o maior desde 2001 enquanto vendas a prazo cairam, 5,1% no período, segundo a Associação Comercial de São Paulo.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 02/04/09.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Cearenses

1- Prédio da estação é local abandonado
Sede da antiga estação ferroviária de Sobral está largada, favorecendo ação de marginais durante a noite.

Saiba mais no Diário do Nordeste, edição de 16/03/09.

2- Crescimento integrado
Banco Mundial injeta U$ 240 milhões no CE
Para o Governador, o Swap II é fundamental para darmos seguimento aos avanços sociai do Estado.


O Swap I foi contratado no período em que fui governador do Ceará, quando foi recuperado o crédito do Estado e sua capacidade de endividamento. A operação foi a primeira no gênero, no mundo, com um governo subnacional.

O projeto foi concebido e elaborado por técnicos do governo do Estado e do Banco Mundial. O segundo empréstimo demonstra que o primeiro, pioneiro, foi exitoso, sendo um caminho novo, aberto, à época, junto aquela importante agência financeira internacional.
Saiba mais no Diário do Nordeste, edições de 19 e 20 de 03/09.

3- 42,2 por 100 mil habitantes
Ceará tem a quinta maior taxa de tuberculose no Brasil
Em 2007 foram registrados 3474 novos casos da doença. Os dados de 2008 ainda estão sendo tabulados.
A média nacional é 38,2 por 100 mil habitantes
Os municipios com maior ocorrência de casos novos, em números absolutos, são Fortaleza, Sobral, Maracanaú, Caucaia e Maranguape
.

Há no mundo um retorno da tuberculose, que foi um fantasma sanitário no século XIX, indo até meados do XX, isolada ou associada a outras doenças. O fenômeno decorre da concomitância com outras doenças (AIDS, por exemplo), resistência da bactéria causadora da moléstia às drogas e relaxamento no controle, diagnóstico e tratamento.
Saiba mais no Diário do Nordeste, edição de 24/03/09.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Flashes da Crise II

1-Finanças
Procura por crédito cai com a crise
Levantamento revela queda de 4,2% no número de financiamentos em fevereiro, ante igual mês do ano passado


2-Siderurgia
Produção de aço recua 39% em fevereiro
Paralisação de um alto forno da CSN por 49 dias, anunciada ontem, deve fazer com que os próximos números também sejam ruins


3-Consumo de energia cai 1,3% no Ceará
Retração no estado foi puxada pelas áreas residencial e industrial. O último recuo no consumo foi em janeiro de 2008
No país houve nova queda no consumo em fevereiro. Desta vez de 4,4%

4-Efeito da crise internacional
Exportação de calçados do CE caiu mais de 20%
No primeiro bimestre do ano, a exportação de calçados cearenses caiu 21,91%, em consequência da retração no consumo


As estatísticas refletem a crise na produção industrial, na exportação no uso do crédito, no consumo de energia. A consequência mais danosa destes fatos é o desemprego. A face cruel da crise.

Saiba mais nos jornais O Estado de São Paulo, edição de 18/03/09 e Diário do Nordeste, edições de 20 e 21/03/09.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Mulher

Viva a mulher!

No seu dia internacional e em todos os dias.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Maravilhas

No ano de 2007, uma organização internacional promoveu um concurso, com votação pela internet, para escolha das novas sete maravilhas do mundo.

O anúncio das selecionadas foi feito em uma grande festa, em um estádio de futebol, em Lisboa. O Cristo Redentor, do Rio de Janeiro, esteve entre as escolhidas.

Agora, aproveitando o grande patrimônio arquitetônico que os portugueses disseminaram pelo mundo, a partir das grandes descobertas, está em curso novo inquérito. Desta feita, para apontar as 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo.

Serão escolhidas a partir de uma lista de 22 monumentos, todos reconhecidos pela Unesco. A saber:

A
Ásia
1- Malásia: Cidade histórica de Malaca
2- Índia: Igrejas e Conventos de Goa
3- Sri Lanka: Cidade velha de Galle e suas fortificações

B
América Latina
1- Brasil: Centros históricos de Ouro Preto, Diamantina, Goiás, Olinda, São Luís e Salvador.
2- Argentina e Brasil: Missões jesuítas dos índios Guarani
3- Paraguai: Missões jesuitas de Trinidad do Paraná e Jesus de Taravanque
4- Uruguai: Bairro histórico de Colonia do Sacramento

C
África
1- Marrocos: Cidade portuguesa de Mazagão ( hoje El-Jadida)
2- Senegal: Ilha de Goreia
3- Gambia: Ilha de James
4- Gana: Fortes e castelos de Acra e Volta
5- Etiópia: Cidadela de Fasil Ghebi
6- Tanzânia: Ruinas de Songo Mnara e Kilwa
7- Moçambique: Ilha de Moçambique

D
Médio Oriente
1- Barém: Sítio Arqueológico de Qal at al-Bahrain

E
Ásia
1- Índia: Igrejas e conventos de Goa
2- Sri Lanka: Cidade velha de Galle e suas fortificações
3- Malásia: Centro histórico de Malaca
4- China: Centro histórico de Macau

Para votar, bastar acessar ao site http://www.7maravilhas.sapo.pt/ . Neste mesmo endereço há um blog, através do qual poderemos acompanhar a visita que um reporter fará aos lugares, ao longo de 80 dias.

O resultado final será conhecido a 10 de junho, Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Informação

Julgo natural que a maioria parlamentar que apóie um Governo, eleja o presidente do Legislativo e defenda as ações do Executivo a que deve dar sustentação.

Considero inaceitável é que essa mesma maioria cerceie o debate das matérias em apreciação e impeça à minoria acesso às informações que a interesse conhecer.

Infelizmente, é o que vem acontecendo no Ceará. As mensagens encaminhadas pelo Executivo são aprovadas às pressas, com o emprego de manobras regimentais asseguradas pela bancada situacionista, impedindo seu conhecimento e discussão. O procedimento sugere que há, no mérito, algo que não deva ser percebido ou revelado.

Quando os deputados deixam de ter direito à informação sobre atos do Governo, suprime-se uma das prerrogativas do parlamento, o poder de fiscalizar o Executivo. A Assembléia Legislativa, pela maioria de seus membros, recusa qualquer pedido de informação sobre procedimentos do Governo.

Um que passou, por descuido dos governistas, pôs a descoberto a farra aérea internacional, tendo a indignação popular determinado sua interrupção. Situação bem diversa ocorreu durante meu Governo, quando essas solicitações eram aprovadas às centenas por ano.

Daí em diante, não se aprovou mais nenhum requerimento de informações dirigido ao Executivo.

O jornalista Fábio Campos, escrevendo sobre o assunto há algum tempo, afirmou que a sonegação de informações, por parte do Governo, sugere, de imediato, a existência de irregularidades a esconder.

Por ocasião da votação da proposta de reforma da Constituição estadual, o deputado Nelson Martins (PT-CE), líder do Governo, tentou suprimir do texto atual o dispositivo que considera crime de responsabilidade dos secretários de estado, a falta de resposta aos pedidos de informação formulados pelos deputados. Felizmente, a iniciativa não prosperou.

Os deputados Adahil Barreto (PR-CE) e Heitor Férrer (PDT-CE) têm denunciado pela imprensa essa situação antidemocrática repetidas vezes.

Saiba mais no jornal O Povo, edição de 02/11/08.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Crise

A recessão já chegou nos Estados Unidos, Europa e Japão. Aqui, analistas trabalham com uma queda acentuada do Produto Interno Bruto (PIB). Espera-se crescimento próximo de zero no quarto trimestre deste ano. Para 2009, se as coisas não melhorarem, a expectativa é que ele possa ficar abaixo de três, o que para um País com a necessidade de crescimento e emprego que temos, será péssimo.

O impacto da crise no emprego tem sido rápido, surpreendendo os especialistas e consultorias. A queda maior tem sido nos setores da construção civil, metalurgia, incluindo a cadeia automotiva e eletroeletrônicos.

No Ceará, indagado pela imprensa sobre os efeitos da crise em relação à construção da refinaria, o Governador do Estado disse que 0 futuro é incerto.

Agora, a JFE Steel, 3º maior grupo siderúrgico do mundo, informa que poderá suspender ou cancelar, a participação que planeja ter na Companhia Siderúrgica do Porto do Pecém. O motivo é a crise financeira internacional. A Companhia Vale do Rio Doce, pela mesma razão, já havia anunciado a suspensão do investimento na siderúrgica cearense.

Saiba mais nos jornais O Estado de S. Paulo, edição de 16/11/08 e Diário do Nordeste, edição de 13/11/08.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Medicina e Política

Honra-me inaugurar este magno conclave a cuja presidência honorária me guindou generosa indicação da comissão organizadora, sob a infatigável liderança do professor Dary Oliveira, para dar-vos as boas vindas, augurando proveitosos trabalhos que não impeçam o gozo de nossa hospitalidade e das belezas da terra cearense.

Passo sem delongas ao tema que me foi confiado a título de conferência de abertura para a qual trago como única credencial o conhecimento feito de experiência própria, médico e político que sou, assim como o foi também meu pai. O assunto sobre o qual pedem me debruce, as relações históricas entre a medicina e a política, exigem conhecimento de que me ressinto e tempo de que não disponho. Aí há matéria, não para uma aula, mas para um curso inteiro. Dar-me-ei por bem recompensado se o esforço de síntese que empreendo desperte interesse de quem se alongue em novos estudos nesse fascinante campo da história da medicina.

A história da medicina é também a história da evolução do poder médico. Para melhor interpretar a conexão da medicina com a política, é mister conhecer suas relações com o Estado, as pessoas e as instituições da sociedade, estabelecidas através de seus agentes, os médicos. Assim melhor se alcançará a forma pela qual se dá o envolvimento da medicina com a política e de como médicos nela ingressam.

O professor Jean Bernard, renomado médico francês, divide a história da medicina em cindo períodos. A saber:

1 – Período Mágico – tudo depende dos deuses aos quais está entregue o destino dos homens, e a doença faz parte deste destino. É desnecessário examinar e tratar os doentes. É o tempo dos sacerdotes e dos profetas, dos adivinhos.
2 – Período de Hipócrates – é no século V aC. que se busca a causa das doenças, se descrevem sintomas, se faz comparação de casos e se prevê a evolução da doença. Este longo período, que marca o início da medicina como ocupação, igualmente ineficaz, em nada acrescenta ao poder do médico.
3 – Período do Século XIX - é quando se dá a grande mudança que abriria espaço para a fase científica da medicina com as contribuições fundadoras, entre outros de Pasteur, Claude Bernard e Mendel que permitiram o surgimento das vacinas, da cirurgia e obstetrícia modernas.
4 – Período Terapêutico – não obstante os avanços científicos, a impotência terapêutica do médico se mantinha. A partir de 1936, com o surgimento das sulfas, da penicilina, dos hormônios, numa sucessão de descobertas, a situação muda, e a medicina torna-se mais eficaz.
5 – Período Racional – se a medicina do século XX foi muito diferente da praticada nos séculos passados, a do século XXI será rigorosa, muito eficaz, voltada para a prevenção e a predição, que se empenhará em ser universal, mas ao mesmo tempo reconhecerá o caráter único de cada homem. (Jean Bernard em “Esperanças e Sabedoria da Medicina”).

O desenvolvimento da medicina, registrado nos vários períodos em que se divide sua história, não eliminou de todo a natureza sagrada de seus primórdios nem o cunho sacerdotal dos primeiros praticantes. Ai residem as raízes do poder médico sobre os pacientes e a sociedade, tal o conhecemos hoje.

Durante todo esse tempo a humanidade mudou e com ela a medicina. O poder do médico sobre o paciente se consolidou, e a profissão ganhou projeção, as estruturas sociais que se constituíram, dentro e fora do estado, acabaram por legitimar esse poder, originando uma ideologia que guarda uma dinâmica de “dominação e submissão”, segundo Jaime Landmann, perante o indivíduo e a política.

Assim como o padre diz quem é santo e quem é pecador, e o juiz aponta quem é culpado e quem é inocente, o médico decide quem é doente e quem é são. A delegação que recebe dá-lhe esse direito, o grande poder de julgar.

O namoro da medicina com a política embute o risco da manipulação e da submissão, inaceitáveis ambas. O homem moderno cobra cada vez mais o direito à saúde, e os políticos usam a demanda para promover suas carreiras.

A colaboração construtiva da medicina com a política produziu páginas na história da humanidade que só engrandecem seus autores. A submissão aos ditames da política dominante, por outro lado, gerou fatos vergonhosos que cobriram de opróbrio a medicina e os médicos. Refiro-me ao comportamento indecoroso dos médicos que, a serviço de ideologias extremas, sacrificaram vidas nos campos de concentração nazista em nome da eugenia, ou de experimentos abjetos em seres humanos, confinaram dissidentes políticos em manicômios soviéticos, chancelaram a tortura nas masmorras das ditaduras. A cegueira ideológica não poupou médicos conceituados e professores de renome que, bestializados pela política, esqueceram a lealdade ao paciente, como prescreve o juramento de Hipócrates, para servir, incondicionais, a Estados totalitários. O vínculo com o Estado, que transforma o médico em agente duplo, na expressão de Landmann, não o desobriga do primeiro dever, que é para com o doente.

Se a servidão da medicina ao poder a avilta e rebaixa, a política não está vedada aos médicos, que podem fazer dela instrumento para realização de seus ideais. Esta, aliás, foi a visão de Virchow, o médico alemão que fundou a moderna patologia. Em 1848, foi designado pelo governo para estudar uma epidemia de febre tifóide que ocorria na Silésia, então território da Prússia, hoje parte da Polônia. Revoltado com a miséria da população, a desigualdade de renda e o analfabetismo, para combater a disseminação da doença, recomenda a adoção de várias medidas que resumiu na frase – “Democracia irrestrita, mais educação e melhoria do nível de vida”. Teve intensa atuação política. Foi vereador em Berlim, Deputado Estadual e Federal e um dos fundadores do Partido Progressista Alemão (1860). Defendia a união entre as idéias médicas e políticas para o controle mais rápido e eficaz das moléstias, pois atribuía importância às condições sócioeconômicas da população no surgimento e difusão da doença. Opunha-se assim, de certa maneira, aos que, entusiasmados com a descoberta por Koch do Bacilo da tuberculose, desconsideravam a importância do meio e das condições sociais da população na gênese e propagação da doença. Virchow foi uma ponte entre a ciência e a política. Acreditava que a medicina e a prática da saúde pública, aplicadas politicamente, poderiam transformar a sociedade. Por suas idéias, foi afastado da Universidade de Berlim a ela retornando anos depois.

Foi o cientista autor do texto canônico da medicina, “Patologia Celular” (1858), no qual desenvolve a tese de que a sede da doença está na célula. Sem esquecer a política, usa no texto, de caráter científico, a metáfora da “república das células” e da “democracia celular”. Conciliou competência científica com convicções políticas, conseguindo assim lançar as bases de uma nova patologia e da medicina social. Interpelado por Bismarck, seu opositor, em razão de seu comportamento, atribuiu ao médico o papel de “advogado natural dos pobres”, e resumiu seu ideal na frase “A Medicina é uma ciência social, e a política não é mais que a medicina em grande escala.” Para melhor exercê-lo, tornou-se político.

Na cátedra, no parlamento, e através do jornal “Reforma Médica”, fundado por ele, Virchow pugnou com ardor em defesa de seu pensamento. Defendia a escolha do ministro da saúde pelo voto direto dos médicos, melhores salários, maior relevância social para a classe médica e a criação de um serviço público de saúde. Foi um reformador que lutou por mudanças políticas e sociais que transcendiam à medicina.

Na prática, como vereador de Berlim, colaborou para a instalação de esgoto, saneamento, e higiene dos alimentos. Ajudou a transformá-la na cidade mais limpa da Europa.

A divulgação de suas idéias conquistou adeptos na Alemanha e em outros países, o que foi determinante para a expansão do conceito de medicina social e a realização das reformas médicas na metade do século XIX. A empolgação com a era microbiana da medicina e a ênfase posterior nas causas biológicas das enfermidades cresceram a biomedicina, mas a relevância dos fatores econômicos e sociais na determinação das doenças nunca poderia ser esquecida. Os dois conceitos, o de Flexner, que valoriza o individual, e o de Virchow, que privilegia o social, têm ambos sua validade, e a boa medicina deve integrá-los. Tratar bem dos doentes e combater de modo eficaz as doenças exige preparo técnico e compreensão política.

Na América Latina também se fez sentir a influência de Virchow no desenvolvimento da medicina. Salvador Allende, no Chile, e Manuel Vitorino, no Brasil, são dois exemplos de médicos e políticos sensibilizados por suas propostas.

Allende esteve entre os alunos do patologista alemão Max Westenhofer, discípulo de Virchow, que dirigiu por alguns anos o departamento de patologia da escola médica da Universidade do Chile, o que certamente contribuiu para formar a consciência que iria orientar sua atuação como médico e político. Ministro da saúde de um governo popular, em 1939, escreveu um livro “A Realidade Médico Social Chilena”, no qual traça um agudo panorama da situação de saúde da população, relacionando-a com as más condições de vida dos trabalhadores, o endividamento e a dependência internacional do país. No início dos anos 50, investido do mandato de senador, cria a legislação que institui o serviço nacional de saúde, em parte inspirado no serviço público de saúde proposto por Virchow. É o primeiro programa nacional das Américas que garante o acesso universal aos serviços. Sua morte trágica, em 1973, deposto da presidência do país por um golpe militar, foi o pesado tributo pago por suas crenças políticas que sonhou realizar pela via democrática.

Manuel Vitorino (1853 – 1902), médico bahiano de origem humilde, ajudou o pai no comércio e foi marceneiro, para reunir as condições de seguir os passos do irmão, ingressando na Faculdade de Medicina onde brilhou como aluno e professor. A faculdade, então chamada Academia de Medicina, era o centro em torno do qual girava a cultura e a intelectualidade da Bahia. Cursá-la era o caminho para a ascensão social. Os professores valorizavam a retórica, o culto obsessivo da língua, o ensino deixava muito a desejar e a medicina pouco tinha de ciência. As faculdades de direito estavam no Recife e em São Paulo, mas entre os doutores bahianos havia muito de bacharelismo. Daí saíram muitos médicos que brilharam na política no segundo reinado e albores da república, entre eles Manuel Vitorino, tido por Gilberto Freyre como quase outro Rui Barbosa na eloqüência. Neste cenário avulta a contribuição dada por um grupo de estrangeiros, o inglês Patterson, o alemão Wucherer, o português Silva Lima e o maranhense Nina Rodrigues, pesquisadores diligentes que, estudando doenças mal conhecidas, embora muito incidentes na província, fundaram a escola tropicalista bahiana, embrião da medicina científica que viria a transformar o ensino e a prática médica na faculdade pioneira do Brasil. A ação desses precursores se deu em meio à oposição dos conservadores, que viam com desconfiança o papel inovador do pequeno grupo, para o qual foi atraído Manuel Vitorino, em seqüência a seu irmão que já o integrava. A proximidade com os pesquisadores pavimentou-lhe o caminho para uma rápida e vitoriosa carreira docente, impulsionada por uma viagem que empreendeu à Europa em 1879 quando teve a oportunidade de visitar os grandes centros médicos de Londres, Berlim e Viena. Assiste às operações de Lister com o emprego do método antisséptico, freqüenta aulas de Robert Koch, conhece Rudolf Wirchow e fica fascinado pelo desempenho de Billroth, o criador da alta cirurgia do aparelho digestivo. De volta ao Brasil, inclina-se pela cirurgia, introduz a assepsia aprendida com Lister nos atos operatórios, galga por concurso a cátedra de cirurgia. Torna-se o mais respeitado e procurado cirurgião de seu estado.

Da viagem à Europa, Manuel Vitorino não trouxera apenas conhecimentos avançados de técnica operatória, mas veio consigo também o germe da política, despertado, quem sabe, pelas idéias de Virchow, com quem esteve, e a consciência do atraso do Brasil, ignorante e escravista.
Sua militância política se inicia em 1885, com artigos publicados na Gazeta da Bahia onde dá combate à escravidão, à vitaliciedade do Senado e prega o federalismo. Na verdade, a política já o seduzia há tempos, pois, doutorado pela Faculdade de Medicina, logo se inscrevera no Partido Liberal, atraído pelo brilho de Rui Barbosa de quem se torna companheiro. Com o advento da República, por indicação deste, ministro da fazenda do governo provisório, é investido no cargo de governador da Bahia. Entre seus atos mais importantes estão a extinção dos partidos políticos, a instituição do ensino primário obrigatório e leigo, a criação de fundo escolar para financiar a educação e o estabelecimento da higiene escolar, que chegou a regular a dieta e o repouso das crianças. O ímpeto reformista de Manuel Vitorino não encontrou eco entre os políticos bahianos e a oligarquia conservadora rural que não tardaram a intrigá-lo com Hermes da Fonseca, comandante da guarnição militar e irmão do Presidente Deodoro da Fonseca. Sem apoio para seu audacioso programa, lança um apelo patético “pela união do elemento político antigo e do elemento político novo”. Deixa o governo (abril, 1890), deposto, poucos meses depois de haver assumido, prometendo em carta a Rui “estar definitivamente retirado da política”.

Intenção desmentida dentro de pouco tempo. Depois de brevíssimo interregno, retorna à política para eleger-se sucessivamente deputado, senador estadual e senador federal, alçando-se ao plano da política nacional na qual seria figura de destaque como vice-presidente da república, tendo exercido em caráter interino a presidência, no impedimento de Prudente de Morais por motivo de doença. Na condição de vice-presidente participa da comissão instituída pelo prefeito Furquim Werneck para realizar estudos sobre o saneamento do Rio de Janeiro, tendo escrito a introdução do relatório apresentado pela comissão. A passagem lembra Virchow e o saneamento de Berlim. Desavindo-se com Prudente, experimentou o ostracismo e a perseguição política que injustamente o incriminou como um dos responsáveis pelo atentado sofrido por este quando do desembarque no Rio de Janeiro das tropas retornadas de Canudos. O atentado deflagrou o estado de sítio e medidas de exceção que ampliariam os poderes presidenciais e sufocariam a oposição na qual militava Manuel Vitorino. Fortalecia-se institucionalmente o presidencialismo brasileiro. O derradeiro golpe viria com o veto aposto por Campos Sales ao projeto aprovado pelo parlamento, prorrogando sua licença da cátedra na Faculdade de Medicina. A medida obrigava-o a retornar à Bahia. A política, por idealismo, o roubara à medicina; a política, por mesquinharia, o devolve à medicina. No curso dos preparativos para a viagem de volta, adoece e morre rápido. O corpo é transportado para Salvador no encouraçado Deodoro. A honra que lhe negam em vida oferecem-na morto.

O acesso dos médicos à política independe de autorização ou licença de qualquer órgão ou autoridade, salvo no que diga respeito à legislação eleitoral de caráter geral. A decisão é de natureza individual, implicando cada vez mais em uma opção entre as duas atividades crescentemente inconciliáveis. As exigências inerentes a cada uma delas impossibilita exercê-las simultaneamente, sob pena de mau desempenho ou frustração de expectativas, daí não ser rara a hesitação dos médicos atraídos pela política em abandonar o exercício da profissão. O contínuo progresso da medicina e a solicitação dos pacientes não admitem o médico em tempo parcial e desatualizado, assim como o político zeloso não dispõe de horas livres para se dedicar a outros misteres. Juscelino Kubitschek vacilou entre a carreira médica, que já se anunciava auspiciosa, e o convite para abraçar a política com seu fascínio e incertezas. Seu movimento foi no sentido de atender as duas vocações e aos poucos sentir afrouxar os laços com a medicina até afastar-se dela definitivamente com um gesto premeditado e algo teatral em 1944. São dele as palavras que transcrevo, reproduzidas do livro de Ronaldo Costa Couto – Brasília Kubitschek de Oliveira, páginas 58 e 59 :

“E à medida que me deixava absorver pelos assuntos submetidos à minha atenção, vi diluírem-se dentro de mim, os antigos valores que me absorveram: a medicina, o trabalho no hospital militar, os doentes da Santa Casa, a atividade no consultório. Era um universo – minúsculo, sem dúvida, mas construído com as próprias mãos – que começava a se esboroar. Mesmo a tese que, secretamente, e com tanto carinho estava elaborando para concorrer a uma cátedra na faculdade, acabou deixada numa gaveta e daí não sairia mais.”

Seu último paciente foi o escritor Eduardo Frieiro, que operou de apendicite aguda:
“Hoje, vou dar duas altas, Dona Noêmia. Uma ao Frieiro, que já está bom e pode retornar a suas atividades. E outra a mim mesmo, pois encerro, com o caso do seu marido, minha atividade profissional. Dona Noêmia olhou-me estupefata. Tirei o avental branco e o guardei no armário da sala dos médicos. Vesti o paletó. Apanhei alguns livros que estavam sobre a escrivaninha. Estendi a mão a Dona Noêmia e saí. A opção, sob a qual eu havia hesitado durante tanto tempo, acabara de ser feita. Já não era médico. Mas político.”

Vivi o mesmo dilema, conciliei o quanto pude, até render-me exclusivo à política. Se não me arrependi da decisão, guardo a nostalgia da carreira.

Os insucessos eleitorais, precoces ou tardios, produzem idas e vindas entre o consultório e a tribuna num movimento pendular que condena o médico ao anacronismo profissional, quando possível instalado na burocracia estatal ou relegado ao esquecimento que fomenta a desilusão política.

Há os que vêem nos médicos celeiro de políticos potenciais, estimulando pretensões adormecidas, tentadas pelo mundo fascinante da política. Recrutados pelas lideranças locais, os médicos da zona rural e das cidades menores lançam-se com freqüência à aventura política na disputa das prefeituras municipais. Arthur Tibau, no livro Notas de um médico, publicado em 1932, no texto intitulado o “Médico e o Estadista”, estranha que nenhum esculápio tenha até então ascendido ao posto de Presidente da Nação, não obstante o preparo de muitos deles, alguns já provados na administração pública e no governo de estados. Argumenta com um paralelo entre a organização social e o corpo humano, as células e os indivíduos, analogia que recorda expressões de Virchow no seu texto clássico sobre a patologia celular. Para o autor, conhecer o funcionamento do organismo humano capacita o médico a ser um dirigente político.

O médico e senador da Nigéria, Olorunnimbe Mamora, em conferência pronunciada em fevereiro de 2005, em uma universidade daquele país, exorta os médicos a se tornarem políticos, por acreditar que possam contribuir para melhorar a qualidade da vida pública nigeriana. Afirma serem muitos os pontos comuns entre a medicina e a política, que considera irmãs siamesas, pelo que ambas exigem de seus integrantes em termos éticos e morais, prometidos em juramentos solenes, fundamentos do elo de confiança que deve existir entre o médico e o paciente, o político e a sociedade. Juramentos que, como declarações de princípios morais, não são mais fortes que a vontade dos que os respeitam e aceitam, como bem anotou Thomas Szasz em A Fabricação da Loucura. A violação deles é reflexo do conflito interno da sociedade. A erosão do individualismo médico e o compromisso de trabalhar pelo bem geral como funcionário de saúde do estado aproximam a medicina da política. A mudança de posição do médico no contexto social e profissional já era apontada pelo “Journal of the American Medical Association” a propósito da lei de seguro de Lloyd George, o primeiro programa de seguro compulsório para operários britânicos, ao afirmar que daquele diploma em diante o médico não seria mais “um profissional liberal particular ou um negociante” (A Fabricação da Loucura, Thomas Szasz). Confessa-se casado com a medicina e amante da política, inspirado no exemplo histórico de Virchow, de quem repete um pensamento: “Se a doença é a expressão de uma vida individual em circunstâncias desfavoráveis, as epidemias são indicadoras de distúrbios de massa.” Julga que a maior participação dos médicos na política da Nigéria seja o remédio para o tsunami político que banha o país na corrupção e no desleixo dos governos. Invoca Sêneca para atrair os médicos à política:
“A grande punição para os sábios que se recusam a governar é sofrer o governo dos idiotas”. A afinidade entre a política e a medicina estaria, segundo ele, na promessa dos médicos de, mesmo sob ameaça, respeitarem as leis da humanidade e no compromisso dos políticos de não usarem o poder em detrimento das pessoas e da sociedade como um todo. Exorta os médicos a se comportarem como “profissionais na política” e não “políticos profissionais”.
Jean Bernard, aqui já citado, considera que a medicina é ao mesmo tentada e tentadora.

Identifica seis tentações que a assediam:

1 – Tentação administrativa – consiste na valorização excessiva da burocracia, da gestão e das normas. O predomínio dos meios sobre os fins. “A medicina moderna necessita da administração. A administração crê não necessitar da medicina” (Jean Bernard)
2 – Tentação psicológica – o reconhecimento dos transtornos afetivos, emocionais e sua importância para a saúde das pessoas não pode desprezar as causas orgânicas das doenças.
3 – Tentação sociológica – diz respeito à influência do meio sobre o surgimento de doenças e seu desenvolvimento. Considera a importância de fatores étnicos e dos costumes sobre a saúde das populações.
4 – Tentação humanista – cultivar o humanismo indispensável ao médico sem ceder ao beletrismo, a retórica sem conteúdo, a glória vã e vaidosa, que imobiliza a investigação científica e paralisa o progresso da medicina.
5 – Tentação científica – o risco de uma medicina sem médicos, desumanizada, com os pacientes assistidos só por aparelhos. A tecnologia substituindo o homem.
6 – Tentação política – a tentação política atua sobre a medicina, os médicos e os doentes. A percepção moderna da saúde como um direito de todos aguça o interesse dos políticos pela medicina, a qual ao mesmo tempo abusam e desprezam. A sabedoria está em buscar o equilíbrio que impeça o abuso e evite o desprezo. A interação entre as duas é proveitosa para a sociedade, desde que a medicina não se deixe corromper ou subordinar à política. Decisões políticas acarretam mais recursos para saúde, melhoram a assistência médica, ajudam a combater e controlar doenças. Campanhas saneadoras como a de Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro não se fazem sem verbas e sustentação política. Foi uma atitude política que acionou a propaganda maciça e a mobilização popular para uma campanha de combate aos ratos, moscas e mosquitos, sem o uso de produtos químicos, de que a China não dispunha. Em nove anos, entre 1949 e 1958, a higiene chinesa corrigiu um atraso de quatro séculos (Jean Bernard, em Grandeur et tentations de la médecine). Todavia a degeneração dessas relações deságua em atrocidades como as que tiveram lugar nos campos de concentração nazistas, nódoas da medicina alemã.

Para Jean Bernard são três as faces da tentação política. “A etapa inicial é um admirável sucesso da aliança entre a medicina e a política, a primeira reconhece os males que ameaçam o homem, a segunda oferece os meios de limitá-los; a segunda etapa que não nos concerne, é a exploração política desse sucesso; a terceira etapa, que nos concerne, é feita das conseqüências para a medicina de sua estreita aliança com a política”.

São diversas as vias pelas quais os médicos entram na política: pela tradição familiar; pelas relações profissionais com políticos ou seus familiares; pela cooptação por lideranças locais das pequenas cidades; pelo exercício altruístico da clínica junto à população carente que lhe desperta no peito a chama da política.

A forma de ingresso não importa, se motivado pelo ideal de servir, ampliando sua área de atuação, norteado pelos princípios que orientam a prática médica. Giovanni Berlinguer vê no estudante de medicina dos primeiros anos um idealista e, nos últimos, um cínico. Seria tão bom se conservássemos ao longo da vida a pureza das primícias médicas, as mesmas que devem ter impelido o médico Ernesto (Che) Guevara ao protagonismo revolucionário. No outro extremo está Adib Jatene, que nunca concorreu a eleições nem fez revoluções, mas prestou assinalados serviços, à política e à medicina, como secretário de saúde de São Paulo e ministro da saúde.

O número de médicos, no executivo e no parlamento, tem crescido no Brasil, e no Ceará não tem sido diferente. O que não tenho como avaliar é o impacto do fato sobre o nível da política brasileira e da saúde do povo. A maior participação dos médicos na política não é em si nenhum mal. Pelo contrário, poderá ser benéfica à sociedade. Há exemplos que engrandeceram as duas. Tudo depende da motivação de cada um e da forma como ascenderam à vida pública. Maus médicos, sem ética e sem pudor profissional, serão seguramente maus políticos.

O reconhecimento da importância dos fatores sociais na gênese das doenças instituiu nos anos vinte do século XIX os fundamentos da medicina social que arrebatou muitos médicos do consultório para o anfiteatro da política. Além das causas primárias das moléstias, microbianas, por exemplo, era preciso combater sua etiologia social, representada pela pobreza e a ignorância, e isso escapava ao domínio da medicina. Para enfrentar essas condições adversas à saúde humana, o médico havia que migrar para a política onde poderia encontrar a solução para problemas de tal magnitude.

O que fez de Virchow político foi o encontro com o atraso e a miséria dos habitantes da Silésia, a braços com uma epidemia de febre tifóide que lhe tocou investigar como um jovem médico. Se não tomou o caminho das armas como Guevara, despertado pela realidade com que se deparou ao longo de sua mítica viagem pela América do Sul, previu a revolução de 1848, quando afirmava que a aparente tranqüilidade seria negada pela eclosão dos conflitos sociais. Entre a revolução e a reforma escolheu a segunda; preferiu a cátedra, a imprensa e a tribuna do parlamento à guerrilha, para travar a luta contra a iniqüidade e a injustiça social.

Manuel Vitorino deixou claro em seu manifesto político de 1898 o que o decidiu a enveredar pelo caminho tortuoso e inseguro da militância política. São dele as palavras que se seguem:
“Uma circunstância, porém, faz-me político militante: a minha viagem à Europa deu-me a conhecer até que ponto nos culminavam, e como influía nesse conceito, que nos abatia, o fato de sermos um país que ainda tinha escravos. De volta, vinham meus sentimentos abolicionistas exigentes, intratáveis, e nesse terreno não cedia uma linha”.

Antonio José de Almeida, médico e Presidente de Portugal, em visita ao Brasil, ao agradecer a medalha com a qual o homenageava a Academia Nacional de Medicina, manifestou com clareza, no estilo elegante da época (1922), a forte influência da medicina na sua carreira política. Reproduzo seu pensamento no trecho que interessa a nossa exposição:
“Mas, como disse, nessa minha vida de prático, de médico de aldeia, de que tanto tenho orgulho e cuja rememoração faço com tanto prazer, ela fica como um símbolo supremo – é o único que tenho neste gênero pelo menos é o único que tenho e jamais terei outro.

E ela ficará então como o símbolo do que o homem deve ser sobre a terra; e junto, por ventura, a outros símbolos de que disponho, ela será, sob certo aspecto, o símbolo supremo, porque aquilo que lembra minha vida de médico lembra o que tenho sido, e que não é muito, a não ser a investidura oficial que ostento, porque esta é enorme, visto que representa a pátria. Tudo aquilo que sou o devo efetivamente à minha profissão de médico.

Exercendo-a, estudando a ciência, que me deu as faculdades para exercê-la, fiquei sabendo que na vida só há uma verdade – aquela que assenta na observação e na experiência.
Foi como médico e cultivando a medicina, que pude ter para mim esta filosofia suprema, de que o homem deve ser sempre bom, caritativo e agasalhador; que o homem deve olhar sempre para seu semelhante, ou seja branco ou preto, ou grande ou pequeno, ou homem ou mulher, ou celerado ou santo, abrigando-os, a todos, no manto da mesma ternura.

Se eu não tivesse sido médico, pouco mais, em qualquer caso, poderia ser do que tenho sido, poderia ser muito menos, mas, com certeza, seria uma coisa diferente, porque foi o exercício da minha profissão, foi o contacto com os meus doentes, foi o sentimento fraterno que me ligou sempre a eles, como de resto acontece a todos os médicos, que fez com que eu, na política da minha terra, tenha sido animado deste espírito de conciliação que me tem levado a querer concentrar todos os portugueses no laço da mesma disciplina, e ao mesmo tempo, conservá-los sob o mesmo amor carinhoso e fraterno.”

Saudou-o na ocasião Miguel Couto, para muitos, á época, o maior médico do Brasil, que teve rápida passagem pela política na condição de constituinte em 1934. Reportando-se ao homenageado, disse que nele foi o médico que traiu o político. “Não tivesse dilatados anos, em terras de África e lusitanas terras, convivido com o sofrimento, vendo-o todos os dias abater os presunçosos no seu orgulho e os nivelar aos pequeninos na sua humildade, e acompanhando tantas vezes, com aquela angustia que só nós conhecemos, o desengano dos recursos mais heróicos contra a inexorabilidade de tantos males, e evidentemente a certeza na fragilidade das cousas humanas não teria naquele ambiente de fausto e poderio lhe ocorrido ao pensamento.

O médico, continua, leva para todas as oportunidades da existência as características da sua profissão: a fé, a bondade, a ternura, o compadecimento, a simplicidade, a tolerância.”
A notícia da morte de Miguel Couto, tal como está em “Medicina e Cultura” – volume I, descreve-o como uma inteligência superior, cujo talento estendeu-se além da medicina para iluminar a política com o entusiasmo cívico que o caracterizou, tendo porfiado na constituinte em defesa da educação e da raça.

O Senador Mamora, anteriormente mencionado, prescreve aos médicos carregarem consigo para a política os honrosos princípios que lastreiam o exercício da medicina. Infelizmente não tem sido assim. Muitos tem se orientado para a política movidos pela ambição, a sede de poder e o desejo de se tornarem ricos. A maneira como buscam o voto, em colisão com a lei e o código de ética médica, não engrandece a profissão. São procedimentos assistencialistas, típicos de um coronelismo contemporâneo que não conhece limites na corrida eleitoral. Na ausência do estado, a medicina no passado, sobretudo nas aldeias, era um misto de clínica privada pobre e filantropia. Hoje a ação do estado alargou substancialmente a assistência à população embora os serviços estejam congestionados por uma demanda infindável. Isso tornou a benemerência na aparência, pois estes, não raro, são remunerados pelo Estado.

A lei eleitoral veda a captação de sufrágios em troca de bens ou favores pessoais. Nosso código de ética, em seu artigo 65, proíbe-nos de “obter da relação com o paciente vantagens física emocional, financeira ou política”. A laqueadura indiscriminada de trompas, os atendimentos favorecidos na cronologia e nos meios, a concessão de atestados médicos graciosos, em troca de votos, configuram infrações cometidas de modo abusivo ignoradas pelo costume, o uso tolerado e a leniência fiscalizatória. Está em estudo no âmbito do Conselho Federal de Medicina nova versão do código de ética que adapte a disciplina profissional às condições atuais nas quais o médico trabalha. Espero que seja mais incisivo ao tratar dos impedimentos éticos na barganha das eleições.

Necessário se faz que o médico sopese a decisão de tornar-se político, face o custo moral e a exigência da opção, que não traga a amargura do arrependimento tardio. Os percalços da vida pública afetam aos que a professam, em intensidade variável, mas a nenhum poupa. O travo desses acontecidos aflora escolhas pretéritas que surgem em desabafos como o de Manuel Vitorino quando atingido por ato injusto do desafeto no poder. É sua esta dorida anamnese: “o novo regime foi desgraçadamente buscar-me entre os meus livros e meus alunos. Relutei em deixá-los. Acreditei ou fizeram-me acreditar que poderia ser útil aos meus compatriotas. Triste ilusão!”

O antídoto contra as decepções políticas só pode ser o ideal que nos levou a exercê-la. A consciência do dever cumprido é que tranqüiliza a alma e faz suportar as adversidades. Por isso, que ninguém, médico ou não, se aventure na política a não ser impulsionado por um forte ideal. Aos médicos seduzidos pela política digo-lhes que atentem para o conselho de Virchow no fecho de seu histórico relatório sobre a epidemia de febre tifóide na Silésia: “A medicina imperceptivelmente nos levou para a área social e nos colocou em uma posição de confrontar os grandes problemas de nosso tempo.” Então valerá a pena pelejar na política por uma nobre causa, mesmo ao custo de padecer dos dissabores que ela acarreta.

* Palestra proferida por Lúcio Alcântara na abertura do XIII Congresso Brasileiro de História da Medicina, dia 12/11/2008, em Fortaleza.

sábado, 25 de outubro de 2008

Selo verde


As recomendações para que as pessoas tenham um comportamento ecologicamente correto, que compreenda a reciclagem do lixo, evite o desperdício de água, reduza o consumo de energia e utilize a bicicleta ou o transporte público, começam a sensibilizar empresas do setor imobiliário.

Surgem os primeiros edifícios verdes, certificados por uma agência internacional, a Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), uma das mais acreditadas no mundo. Prédios certificados são mais valorizados e cobram condomínios menores.

Em 4 anos, o número de solicitações de certificação cresceu de 1 para 68. Cada processo custa US$ 3 mil. A avaliação para concessão do selo passa pela satisfação de alguns requisitos: uso de iluminação natural, materiais renováveis, reutilização da água, qualidade interna do ambiente, ideias inovadoras.

Os prédios certificados, até agora, se situam no Rio e São Paulo. A certificação tem graduação, conforme o número de pontos obtidos na inspeção. Quem se habilita a construir o primeiro prédio a ter selo verde em Fortaleza? Mãos a obra, construtores e incorporadores cearenses!

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Credor

O Brasil já é o quarto maior credor individual dos Estados Unidos (EUA). O País tem US$ 148 bilhões em títulos do tesouro americano. Só é ultrapassado pelo Japão, com US$ 593,4 bilhões, pela China, US$ 518 bilhões, e Grã Bretanha, US$ 280 bilhões.

Em apenas um ano, o Brasil comprou US$ 77,8 bilhões, mais do que o Fundo Monetário Internacional (FMI) nos emprestou em todos os tempos.

Esses títulos são o investimento mais seguro do mundo. Estamos longe de temer um calote americano.

Com o desencadear da crise, a remuneração dos papéis caiu para praticamente zero, devido à grande demanda gerada com a busca de segurança pelos investidores.

Todavia, o aumento da dívida dos Estados Unidos, em razão da crise, já desperta alguma preocupação quanto à excessiva exposição em dólar. Embora a situação seja confortável, países como a Índia e a Rússia já diversificam seus investimentos. A Rússia está com cerca de 45% de suas reservas denominadas em dólar, e a Índia com 40%.

A China, uma das maiores financiadoras do deficit americano, tem muitos títulos da Fannie Mae e da Freddie Mac, agências socorridas pelo Governo para evitar o calote.

O crescimento da participação do Brasil na carteira de financiadores do deficit americano é um fenômeno relativamente novo, pois data dos últimos cinco anos.

A participação brasileira na liga de grandes credores deverá ser mais notada, merecendo maior atenção futura do Governo dos Estados Unidos.

Saiba mais em O Estado de S. Paulo, edição de 05/10/08.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Crise II


A crise do sistema financeiro americano e seus desdobramentos no resto do mundo parecem não ter fim.

A rejeição do plano de resgate das instituições em risco, proposto pelo Governo americano, foi rejeitado, quando, sua aprovação, acertada com os dois candidatos à Presidência dos Estados Unidos e os líderes dos partidos Democrata e Republicano, parecia assegurada, levou à derrubada das bolsas, prolongando a incerteza reinante no mundo financeiro internacional.

No Brasil, a Bovespa, em queda pela primeira vez desde 1999, suspende o pregão. A Inglaterra estatiza bancos, a Bélgica, Holanda e Luxemburgo unem-se para salvar o Fortis, com o apoio de bilhões de euros.

A quebradeira em marcha assusta os especialistas, que ainda não enxergaram a luz no fim do túnel, a não ser a da locomotiva em sentido contrário, representada pelas falências em série. Limitam-se a fazer previsões sobre as mudanças, que deverão ocorrer no sistema financeiro mundial, a partir da catastrófe que estamos vivendo.

Eis algumas opiniões que recolhi na imprensa:

- O mundo financeiro dos últimos 25 a 30 anos morreu. Otávio Canuto, representante do Brasil no BID.

- A idéia de que é muito dificil regular o sistema financeiro, e que ele tem capacidade de se autocorrigir, se revelou equivocada. Aloisio Araújo, da FGV-Rio.

- O consumo nos EUA precisa cair uns 5% a 6% do PIB, é um novo modelo. Charles Morris, ex-banqueiro.

Saiba mais n'O Estado de S. Paulo, edição de 28/09/08.