quinta-feira, 7 de junho de 2012

Bradbury

Faleceu o escritor Ray Bradbury. Justo no momento em que estou lendo o livro Fahreneit 451, que o fez famoso e depois virou filme.

É a história de uma distopia onde bombeiros incendiários se dedicam a atear fogo aos livros, objetos indesejáveis por fazerem pensar, guardarem a memória e instalarem a dúvida no espírito das pessoas.

Toda sociedade que queima livros mais tarde queima tambem pessoas. É só uma questão de tempo. Basta lembrar o que aconteceu na vigência do nazismo.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

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AS CURVAS DO CENTRO - Fachada do Edifício Copan, no centro da capital paulista,
ao amanhecer. (Hélio Romero/AE)
* Fonte: O Estado de S. Paulo (24/05/2012)

Contra o Estado-anunciante

No México, os meios de comunicação estão se vendendo - e se rendendo - à força do governo. O diagnóstico é de Rubén Aguilar, professor e jornalista mexicano que foi porta-voz da Presidência da República de seu país entre 2002 e 2006 (governo Vicente Fox). "Tudo está à venda", disse ele durante sua palestra no seminário Meios de Comunicação e Democracia na América Latina, realizado no Instituto Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo, no final da tarde de terça-feira. E arrematou: "Só o que se discute é o preço".

No México descrito por Aguilar, a tensão entre a imprensa e o poder, que é natural e desejável nos regimes democráticos, tende a desaparecer para dar lugar a uma relação de troca negocial, um toma lá, dá cá em que os governantes ganham poder (com o apoio dos veículos jornalísticos) e os empresários do setor ganham dinheiro (tendo no Estado um anunciante camarada). Assim, enquanto uns faturam votos e outros faturam lucros, a sociedade perde: a fiscalização do poder some de cena e a imprensa se converte em mercadoria política.

Diante desse cenário, o ex-porta-voz foi coerente e se declarou contrário ao uso de verbas públicas no mercado publicitário. O Estado, quando se converte em anunciante, passa a constranger, seduzir, cercear ou mesmo chantagear órgãos de imprensa, não necessariamente nessa ordem. O jornalismo investigativo perde fôlego - e a democracia, também.

Na abertura do mesmo seminário, Bernardo Sorj, diretor do Centro Edelstein de Pesquisa Social, professor titular aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro e organizador do livro Meios de Comunicação e Democracia: Além do Estado e do Mercado (publicado no ano passado pelo Centro Edelstein), tocou no mesmo ponto. Para ele, devemos considerar a necessidade de impor limites ao crescente investimento de dinheiro público em propaganda de governo. Aos que defendem a publicidade governamental com o tortuoso sofisma de que ela jogaria recursos em pequenos jornais e emissoras, contribuindo assim para a "diversidade" no debate público, Bernardo Sorj argumenta, corretamente, que, se for esse o objetivo, o Estado deveria abrir linhas de financiamento público, a partir de critérios democráticos, impessoais e transparentes. Essa seria a política adequada para apoiar veículos menores e fortalecer a pluralidade e a concorrência saudável.

Aos poucos, ainda que tardiamente, vai nascendo entre nós a percepção de que a publicidade governamental distorce, deforma e degrada o debate público. Ela, que sempre foi uma unanimidade entre os agentes políticos - basta ver que, no Brasil e em todos os países da América Latina, os governos anunciam cada vez mais, qualquer que seja o partido do mandatário -, começa finalmente a ser descrita como problema para os observadores mais críticos.

Já era tempo. Aqui mesmo, neste mesmo espaço, esse problema já foi denunciado mais de uma vez: o que existe hoje nas nossas democracias ainda precárias é uma simbiose promíscua entre Estado e meios de comunicação privados, gerando um ecossistema com o qual é muito difícil romper.

No Brasil, a prática avança numa progressão de enrubescer o erário. Na primeira década do século 21 será difícil encontrar, na administração pública brasileira, uma rubrica orçamentária que tenha crescido mais.

Comecemos pela Prefeitura de São Paulo: num intervalo de seis anos, o montante jogado em publicidade oficial praticamente decuplicou, saltando de R$ 12 milhões em 2005 para R$ 108 milhões em 2010. Na cidade do Rio de Janeiro, a evolução foi ainda mais estonteante: em 2009, ao menos de acordo com os dados oficiais, a soma aplicada em publicidade da prefeitura ficou na casa de R$ 0,47 milhão e, em 2011, o total alcançou a cifra de R$ 74 milhões. O governo estadual do Rio de Janeiro passou de R$ 70 milhões em 2005 para R$ 172,5 milhões em 2011. No governo federal, conforme cifras divulgadas no site da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, a Secom, os gastos da administração direta e indireta (contando, portanto, com as empresas estatais) vêm oscilando em torno da marca do bilhão de reais. No ano de 2009 houve um pico: R$ 1,7 bilhão. Também em 2009, o governo paulista alcançou um ápice de R$ 314,6 milhões, ante apenas R$ 33 milhões em 2003.

A que se destinam tantas fortunas? Elas não geram ambulatórios, não criam vagas nas escolas públicas, não abrem um só quilômetro de metrô, não aumentam o efetivo policial, não melhoram as estradas, nada disso. Nem sequer informação elas oferecem à sociedade. Só o que essa dinheirama produz é fetiche: uma boa imagem - imagem mercadológica - para aqueles que governam. É bom observar, a propósito, que a linguagem, a estética e a forma narrativa da propaganda oficial são idênticas - são as mesmas - às adotadas pelos filmetes partidários exibidos no horário eleitoral. A propaganda governamental é o prolongamento escancarado da propaganda eleitoral - e vice-versa. Ao contrário do que dizem os governantes, não sem cinismo, essas peças de comunicação não informam coisa alguma - apenas contam lorotas publicitárias.

O pior, o mais grave de tudo, é que elas esvaziam a independência dos órgãos jornalísticos de pequeno e de médio porte. Dizem as autoridades da comunicação oficial que, distribuindo seus milhões para os pequenos, os governos fortalecem os jornais locais ou "alternativos". É mentira. A verba pública transformada em verba anunciante nos jornais e nas emissoras locais produz neles uma dependência mortal. O dinheiro público entra pela porta e a independência crítica é expulsa pela janela. Também por isso, a figura novíssima e abrutalhada do Estado-anunciante só enfraquece a democracia.

Têm razão Rubén Aguilar e Bernardo Sorj. Mas que político terá coragem de romper com o ecossistema?

(Eugênio Bucci)
* JORNALISTA,  É PROFESSOR DA ECA-USP E DA ESPM

* Fonte: O Estado de S. Paulo (17/05/2012) 

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CLIMA ORIENTAL - Desfile da marca de jeans de Alexandre Herchcovith no Fashion Rio,
que mostrou transparências e referências árabes. (Wilton Junior/AE)
* Fonte: O Estado de S. Paulo (26/05/2012)

domingo, 3 de junho de 2012

A frase do dia

A superioridade do economista sobre o resto dos mortais é que ele fala o que ninguém entende.

Nelson Rodrigues, jornalista, teatrólogo, escritor, cujo centenário de nascimento decorre este ano.

Fumo

O Brasil gasta R$ 21 bilhoes no tratamento de doenças relacionadas ao tabaco.

O valor equivale a 30% do orçamento do Ministério da Saúde e é 3,5 vezes maior que o arrecadado em impostos pela Receita Federal, no mesmo período, com produtos derivados do tabaco.

Cai por terra o argumento de que o cigarro ao financiar o tesouro tornara-se um mal necessário do qual nao se poderia abrir mao.

O Brasil tem uma legislaçao das mais rígidas para inibir o hábito de fumar. Nao obstante, a incidência de câncer de pulmao entre nós ainda nao declinou.

Na França, que nao possuia lei de inibiçao ao fumo, após sua adoçao caiu o número de casos de câncer do pulmao.

Saiba mas no jornal O Estado de S. Paulo, ediçao de 31/05/12

Aniversário

A ponte Golden Gate em Sao Francisco celebra 75 anos.

Há algum tempo visitando a cidade pude percorre-la de automóvel. Há outras muito mais modernas mas ela permanece como uma referência mundial de ponte pênsil.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

(IN)SEGURANÇA

Bandidos sitiaram a cidade de Tamboril até chegarem ao Bradesco, 
que acabou sendo assaltado, depois de dinamitado. 
Eles levaram dinheiro e deixaram o prédio do banco totalmente destruído.


* Fonte: Jornal O POVO - 1º/06/2012

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Saúde

No Ceará é assim:

- A maior epidemia de dengue da história

- Os casos de meningite cresceram 84%

Esta é apenas uma pequena amostra da calamidade sanitária no estado.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Crise

O Brasil não vai pegar uma pneumonia quando espirrarem na Europa.
Dilma Roussef
presidente da República sobre a crise econômica na Europa.

Frase do dia

Eu saio para jantar e penso caramba, essas pessoas todas já me viram nua.

Scarlett Johansson, atriz

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Merquior

José Guilherme Merquior, um dos mais brilhantes e controversos intelectuais brasileiros, diplomata e escritor, precocemente falecido aos 50 anos, terá sua obra completa publicada em uma série que reúne 22 volumes.

"Colecionava adversários intelectuais com a mesma facilidade que citava nomes imemoráveis. Erudito, denunciava plágios e fustigava opositores com adjetivos ruidosos".

Definia-se assim: liberal em economia, social-democrata em política, e anarquista em cultura.

O organizador da biblioteca é o professor João César de Castro Rocha, autor de vários livros que resolveu encarar o desafio por considerar que seu itinerário e independência se parecem com a trajetória do homenageado.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 07/01/12

Quando o Ceará cresceu mais que o Brasil

A comunicação do governo, até em tom ufanista, aponta o crescimento do Ceará acima do nacional, como se isso fosse um recorde. Mas o IBGE diz o contrário. Comparando os números atualizados, nota-se que o Ceará cresceu mais no meu governo em relação ao Brasil do que na gestão que me sucedeu. É que os números usados na comunicação do governo cearense foram inflados com projeções que não se confirmaram, como o PIB de 2009, previsto para 3,1%, mas apurado apenas em 0,04%. Uma diferença e tanto.

Quem tem a mania da comparação para se jactar de bom gestor não sou eu, mas não fujo das comparações. Mesmo porque os números me são favoráveis.

Veja só a tabela abaixo:


Como se vê, o PIB cearense em minha gestão (2003-2006) cresceu em média 0,85% ao ano a mais do que o Brasil. O crescimento nos quatro anos foi de 3,4 pontos percentuais acima do Brasil.

Na gestão seguinte (2007-2010), o Ceará cresceu em média apenas 0,32% ao ano a mais do que o Brasil, acumulando 1,28 pontos percentuais de crescimento acima da média nacional nos 4 anos.

Fechando as contas: em relação ao desempenho da economia brasileira, o PIB cearense no meu período cresceu quase três vezes mais do que na gestão seguinte. Sem levar em consideração que o cenário nacional era muito mais adverso na minha administração, que coincidiu com o primeiro mandato do presidente Lula.

O atual governo que trombeteou os números errados, via Ipece, tinha obrigação moral de corrigir a informação quando eles foram definidos pelo IBGE. Principalmente diante da disparidade entre os dados levantados pelo Estado e os que foram efetivamente consolidados pelo IBGE.

Os levantamentos preliminares e suas publicações como o Ipece faz são normais. O Ipece tem mostrado honestidade intelectual ao colocar asteriscos nos números e apontar em nota de rodapé que os dados são preliminares e carecem de confirmação.

O uso dessa metodologia é usual. Mas o Governo só fez uso dos números que se mostraram falsamente favoráveis à sua gestão.

Dívidas

Os brasileiros estão endividados. O uso imoderado do crédito facilitado pela política econômica do governo terminou levando ao superendividadmento de milhões de famílias.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, edição de 27/05/12, esse número é superior a 14 milhões. A informação está conforme a notícia de aumento da inadimplência nos bancos.

Sendo assim é dificil pensar que uma maior oferta de crédito ainda possa gerar mais consumo.

domingo, 27 de maio de 2012

Código florestal

A presidente Dilma apôs 12 vetos ao projeto do código florestal aprovado pelo Congresso.

Segundo a imprensa a decisão da presidente desagradou a ambientalistas e ruralistas. Sem conhecer o assunto em profundidade arrisco dizer que pelas reações provocadas por seu gesto o mais provável é tenha agido acertadamente.

sábado, 26 de maio de 2012

Sucessão

O governador visitou o Lula para tratar da sucessão em Fortaleza.

Ao cabo da reunião declarou seu interesse em manter a aliança com o PT desde que o candidato mostre que tem condições de mudar a forma de governar a cidade.

Quer dizer, o escolhido deverá negar a prefeita e seus feitos.

Ao falar assim exige submissão ou nada feito.

Saiba mais no DN, edição de 23/05/12

Fósseis

O Cariri abriga uma das mais importantes províncias fossilíferas do mundo.

A proteção desses depósitos está garantida por legislação anacrônica, o decreto lei de 1942, reconhecido por uma portaria de n° 55 de 1990 do Ministério da Ciência e Tecnologia.

A fragilidade da legislação aliada à fiscalização ineficiente facilita o comércio e o contrabando de fósseis, exploração dos recursos naturais com efeitos predatórios sobre os depósitos e insegurança legal para os pesquisadores.

É recente a notícia da prisão pela polícia federal de dois pesquisadores, sendo um deles francês, e apreensão de peças em poder deles no aeroporto de Juazeiro do Norte.

No senado tive oportunidade, após ampla discussão com interessados, de apresentar projeto de lei para regulamentar a proteção e a pesquisa paleontológica no país.

Esquecido, não sei se nas gavetas da Câmara, não se converteu em lei que viesse a atualizar a norma jurídica sobre assunto de tamanha importância para conhecimento da evolução das espécies na terra.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Opinião

*Fonte: Expresso - 06/04/2012 - ATUAL

A frase do dia

Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como um corpo que não come.

Vitor Hugo (1802-1885)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Farra

Há uma farra publicitária patrocinada pelo governo do estado.

Em um único dia surpreendi edições de jornais com cinco páginas inteiras de anúncios governamentais.

Não há êxito administrativo que justifique esse excesso. O dono do dinheiro, o povo, bem que gostaria de conhecer o custo dessa abundância de propaganda.

Esse é um recorde que o governo não alardeia.

Defensores

Os defensores públicos estaduais movimentam-se em prol de suas reivindicações, preenchimento de cargos vagos, autonomia financeira, aumento salarial, etc., segundo pauta já encaminhada ao governador.

Não descartam a hipótese de greve caso não sejam atendidos em seus pleitos.

Bem que poderiam mostrar à sociedade o alto sentido social de suas funções ajuizando ações pela devolução aos servidores estaduais dos juros excessivos cobrados nos empréstimos consignados.

Saiba mais no jornal O Estado, edição de 22/05/12

Copom

Os votos dados  pelos integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central, para a fixação dos juros básicos, deverão, a partir da próxima reunião, ser conhecidos nominalmente.

Não tardará que a imprensa venha a apontar esse ou aquele membro como defensor dos bancos em razão dos votos que venha a dar.

Ou os banqueiros a identificarem alguém como hostil às instituições financeiras.

A extinção do voto secreto, cobrada também em relação aos parlamentares, tem o mérito de tornar as deliberações mais transparentes. Em compensação, sem a proteção do sigilo o voto será menos independente.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 21/05/12

Bancos

Os bancos espanhois têm um "rombo" que poderá chegar a 218 bilhões de euros.

Especialistas consideram que a situação da Espanha é mais grave que a da Irlanda. Especialmente no que concerne ao crescimento econômico e desemprego.

 O grosso das perdas viria de empréstimos imobiliários comerciais concentrados nas chamadas "cajas", instituições financeiras vinculadas às regiões autônomas.

Saiba mais no jornal O Estado de S. Paulo, edição de 22/05/12

Grécia

Grécia e Europa estão vinculadas na crise, ainda que por razões antagônicas.

A primeira não descarta a hipótese de abandonar o euro. A segunda disfarça o temor de que isso aconteça.

O remédio é o entendimento, isso se os eleitores gregos, chamados novamente às urnas, deixarem.

A assunção de um governo radical poderá ser o velório do euro com graves consequências a nível europeu e mundial.

quarta-feira, 23 de maio de 2012