Revoltas populares se alastram pelos países do Oriente Médio e Norte da África cuja repressão tem causado mortes e destruição.
Com intensidade variável esses movimentos já atingiram Tunísia, Egito, Bahrein, Líbia, Argélia, Marrocos e Jordânia. Nos dois primeiros os ditadores foram depostos, e na Líbia os revoltosos avançam em meio a sangrentos combates que marcam a resistencia de Kadafi.
O rastilho de pólvora parece ter sido aceso por uma combinação de grande deficit democrático, ausência de liberdade de expressão e miséria. Concessões de última hora feitas pelos déspotas não bastaram para deter o ímpeto de mudança.
Governos apoiados em fortes estruturas militares e policiais ruiram como um castelo de cartas diante da posição resoluta dos rebeldes.
Em alguns desses paises, Tunísia e Egito, por exemplo, a modernização e as melhorias econômicas implementadas não foram suficientes para assegurar a paz social na falta de democracia. Da mesma forma regimes democráticos carecem de legitimidade quando não conseguem responder às carências sociais do povo.
O desequilíbrio entre as duas variáveis, democracia e bem estar, é o caldo de cultura no qual medram as revoluções. Voto sem pão não basta. Pão sem voto não é suficiente. O desafio dos governos está em saciar as duas fomes para assegurar a estabilidade política e social.
Resta avaliar o papel da internet na arregimentação da população na eclosão dessas rebeliões. Aparentemente foi muito significativo, graças à instantaneidade e rápida difusão das mensagens.
Sua larga utilização pode explicar ainda um certo espontaneismo dos movimentos que aparentemente não se identificavam com um lideranças hegemônicas.
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